Qual a idade para as crianças terem o primeiro telemóvel?

Março 16, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapolifestyle

Esta é a pergunta que os pais/mães mais vezes me fazem, divididos que estão entre as preocupações com o excesso de uso de ecrãs pelos miúdos, e o medo de exclusão dos seus filhos do grupo de amigos. Um artigo de opinião de Luísa Agante, professora de marketing na Faculdade de Economia do Porto e especialista em comportamento do consumidor infantil e juvenil.

Os argumentos são sempre os mesmos. Já eram os da minha geração e presumo que das anteriores “sou o(a) único(a) na turma que não tem” e vale para telemóveis, saídas à noite e tudo aquilo que querem obter autorização dos pais, usando para isso a “chantagem emocional”.

Ora a resposta a esta pergunta é tudo menos simples pois depende de vários fatores:

  1. Em primeiro lugar, é necessário saber em que consiste um telemóvel? Estamos a falar do aparelho? Ou do cartão que permite fazer chamadas? Inclui ter redes como WhatsApp e Messenger? Permite a utilização de dados? Inclui ter perfil nas redes sociais? Ou estamos a falar apenas de um aparelho para jogos? Inclui uma câmara fotográfica com qualidade?
  2. Em segundo lugar, depende do dia a dia da criança, e se precisa ou não de ligar aos pais quando está fora da escola. A criança desloca-se sozinha para a escola ou para alguma atividade? Passa algum tempo fora da escola sem supervisão de um adulto?
  3. Por fim, depende do nível de maturidade e responsabilidade da criança, por isso ainda que possamos falar de algumas idades, são meras médias que devem ser ajustadas pelos pais conforme o conhecimento que possuem dos seus filhos.

Ou seja, se falarmos do pacote completo, então a idade será a mais elevada possível. A fasquia será entre o segundo ciclo e o início do terceiro. Entre os 10 e os 12 anos seria a idade em que a criança já começa a ter a maturidade para ter um telemóvel.

Antes de ter acesso a um pacote completo, podem e devem existir fases intermédias: uma criança entre os 6 e os 10 anos pode ter um telemóvel sem cartão que a criança usa em casa para jogar jogos de vez em quando. No segundo ciclo, pode dar inicialmente um telefone sem cartão só para que o(a) jovem não se sinta mal na escola, e assim pode andar com um no bolso de trás das calças, só para mostrar que também tem. Pode também começar por dar um telefone só para fazer chamadas mas sem dados. Quanto mais puder adiar a idade do primeiro telemóvel melhor, e se conseguir esperar pelos 12 anos dou-lhe os meus parabéns. Agora, dar a uma criança pequena todo o pacote, é demais para ela, exige disciplina e maturidade que ela pode ainda não ter.

Até aos 2 anos não deveriam tocar em nenhum ecrã, nem passar tempo entretidas com a baby sitter digital. Entre os 2 e os 6 também não existem muitas razões para precisarem de um telemóvel seu e é preferível usarem de vez em quando o dos pais, ou quando muito terem um super fraco, para jogos apenas, sem cartão, e com regras específicas de tempo máximo de utilização. Depois dos 6 podemos então começar a introduzir, aos poucos, as diversas funcionalidades, até que aos 12 anos já estivesse em condições de ter um pacote quase completo.

Por vezes os pais desculpam-se dizendo que é por uma questão de segurança. No entanto, uma criança que alguém leva e vai buscar a escola não tem necessidade de telemóvel a não ser como objeto de socialização. Aliás não se compreende a razão de os pais ligarem a meio do dia de aulas para os filhos sabendo que eles estão em aulas. Hoje, como dantes, no caso de uma emergência, a escola entra em contacto com os pais.

Por vezes os próprios pais desautorizam os adultos que estão com os seus filhos e têm necessidade de lhes falar diretamente. No outro dia relatava-me uma mãe que tinha convidado uns amigos do filho para irem lá para casa, e que os pais dos outros filhos ligavam para eles, em vez de ligarem para ela. Será que deixámos de confiar nos pais dos amigos dos nossos filhos? E claro que as crianças aproveitam para se sentirem, “adultas” e terem que atender chamadas, e poderem assim interromper qualquer atividade que esteja a decorrer.

Com a posse do telemóvel, a criança deve sentir que tem que cuidar do objeto de valor, e conhecer e praticar as suas regras de utilização. E os pais devem ir supervisionando o seu uso, e alargando o leque de funcionalidades aos poucos:

  • Nos jogos, convém saber que tipo de jogos são descarregados. Numa primeira fase deve ser o pai/mãe a descarregar os jogos e só depois dar acesso à descarga de jogos grátis. A compra de jogos pagos deve ser supervisionada pelos pais, até ao momento em que sinta confiança para dar livre acesso à compra pela própria criança. O tempo passado em jogos deve ser controlado sempre.
  • No caso da câmara fotográfica, os pais devem ensinar a criança que tipo de fotos pode tirar e quais podem ou não ser partilhadas nas redes sociais (evitar fotos com identificação da escola ou localização da casa, etc). Ter uma atenção específica para as fotos com conteúdo sexual, e mostrar como uma foto que hoje parece inofensiva pode ser espalhada pela escola toda (para eles é mais perigoso ser espalhada pela escola que ir parar a sites de pornografia infantil). Em termos da filmagem de situações, os pais devem alertar para terem cuidado com a reportagem de situações nas quais eles ou os colegas possam ficar desconfortáveis no futuro com a publicação desses filmes.
  • Relativamente às redes sociais, que hoje servem para partilhar tudo e mais alguma coisa, chamar a atenção para o que deve ou não ser partilhado sobre eles próprios, e também para o conteúdo e grupos a que eles acedem, nomeadamente grupos de bullying contra colegas. A criança/jovem deve ser sempre confrontada com a pergunta “Se fosses tu gostavas?” ou “Imagina que faziam isto ao(à) teu(tua) irmã(o)”

O telemóvel, em qualquer idade, deve ainda ter limites na sua utilização em termos temporais/espaciais, ou seja:

  • Deve ser proibido o uso na sala de aula como é óbvio, mas também deve ser evitado nos recreios. Caso contrário, mesmo que tente adiar a entrega do telemóvel à criança, ela pode não ter amigos com quem brincar no recreio pois estão todos agarrados aos telemóveis. Algumas escolas já proíbem, e bem, o seu uso em toda a escola.
  • Em casa, pode criar a regra de apenas se usarem os telemóveis em certas situações. Pode colocar uma taça na entrada da casa onde são depositados os telemóveis.
  • Devem ser evitados os telemóveis nas refeições em família, e completamente proibidos no quarto de modo a não estarem todo o tempo em estado de alerta à espera das mensagens dos amigos.

Ora para que esta atribuição faseada do telemóvel corra bem, os pais vão ser postos à prova, pois a melhor forma de educarem os seus filhos é darem o exemplo. Estas regras têm que se aplicar a toda a família. Ou, como se costuma dizer, os filhos vêm também para ensinarem os seus pais.

Podem assim os pais aproveitar para fazerem eles próprios um detox. Tire também o seu telemóvel do quarto (pode comprar um rádio despertador, que ainda existem), coloque também o seu telemóvel na taça na entrada, e não esteja todo o tempo em casa a olhar para o telemóvel enquanto faz outras coisas (cozinhar, ver televisão, etc). Se quer que eles sejam disciplinados na utilização do telemóvel, tem também que o ser.

Um artigo de opinião de Luísa Agante, professora de marketing na Faculdade de Economia do Porto e especialista em comportamento do consumidor infantil e juvenil.

UNICEF lança guia para ajudar escolas a combater a infecção

Março 16, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Recursos educativos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de março de 2020.

Mudar os horários (com um maior distanciamento e final das aulas para diferentes turmas), promover o distanciamento social e criar momentos obrigatórios para lavar as mãos são algumas das recomendações.

Karla Pequenino

A UNICEF publicou um guia com “mensagens-chave” para ajudar a evitar a transmissão do novo coronavírus (covid-19) em espaços escolares – inclui recomendações para professores e funcionários, pais e encarregados de educação, e estudantes do pré-escolar ao ensino secundário. “São necessárias precauções para prevenir a propagação da covid-19 em ambiente escolar; no entanto, também é importante ter cautela para evitar estigmatizar estudantes e funcionários que possam ter estado expostos ao vírus”, lê-se na introdução do guia de 12 páginas, publicado esta semana. Foi elaborado com o apoio da Organização Mundial da Saúde e da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (IFRC).

Em comum, as recomendações defendem a criação de momentos obrigatórios para lavar as mãos, e estratégias promover o distanciamento social. O objectivo é ajudar educadores a diminuir a ansiedade e medo dos mais novos em torno do novo coronavírus e ajudá-los a lidar com o impacto da actual situação no seu dia-a-dia. Guias semelhantes para “escolas saudáveis e seguras”, implementados em escolas da Guiné-Conacri, Libéria e Serra Leoa durante o surto de ébola entre 2014 e 2016, ajudaram a prevenir a transmissão do vírus nas escolas.

Sugestões da UNICEF para “escolas saudáveis e seguras”

  • Ficar em casa: professores, funcionários e alunos doentes, com sintomas, ou que estiveram em contacto com pessoas infectadas com o novo coronavírus não devem ir às aulas;
  • Lavar mais vezes as mãos: promover hábitos de higiene regulares ao criar momentos obrigatórios para lavar as mãos com água e sabão e uma solução à base de álcool quando possível; outra sugestão é criar cartazes com recomendações de boas práticas;
  • Limpar e desinfectar: desinfectar superfícies (como secretárias, corrimãos, bancadas) pelo menos uma vez por dia. A UNICEF diz que é importante dar prioridade a superfícies que são tocadas diariamente por muitas pessoas (mesas na cantina, equipamento desportivo, maçanetas de portas, brinquedos, corrimãos);
  • Promover o distanciamento social: evitar que grandes grupos de pessoas se juntem. As sugestões incluem cancelar eventos desportivos, festas e assembleias, colocar os alunos a um metro de distância quando possível, criar um modelo de ensino em que os alunos possam trabalhar sozinhos, e adaptar o horário para que diferentes turmas comecem e acabem o dia escolar em horas diferentes;
  • Aumentar ventilação: abrir janelas se o clima o permitir e ligar o ar condicionado quando disponível;
  • Prevenir o estigma: os alunos devem ser incentivados a fazerem perguntas sobre as dúvidas que tenham em torno do novo coronavírus, e a expressarem os seus sentimentos. Os professores devem prevenir o estigma ao recordar que a infecção não diferencia entre fronteiras, etnias, capacidade física, idade ou género;
  • Ajudar quem fica em casa: criar planos para manter a aprendizagem dos alunos que têm de ficar em isolamento em casa. As sugestões incluem utilizar plataformas de ensino virtual quando possível, preparar exercícios e planos de leitura para os alunos que estão em casa, e eleger professores para realizar reuniões de acompanhamento remotas, diárias ou semanais, com os alunos em isolamento para discutir planos de trabalho.

Em Dia Europeu da Terapia da Fala (6 de março), especialistas alertam para a importância do diagnóstico precoce

Março 16, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 6 de março de 2020.

O diagnóstico de perturbações da leitura e da escrita só é feito após o início do primeiro ciclo, mas os terapeutas da fala defendem que se deve estar atento aos sinais desde cedo.

Carla B. Ribeiro

Se para alguns a aprendizagem de ler e escrever faz-se quase de forma intuitiva, para outros representa um processo complexo, muitas vezes fruto de um défice na linguagem. É nesta altura que a terapia da fala pode fazer a diferença e, para chamar a atenção para a importância desta área, assinala-se esta sexta-feira, 6 de Março, o Dia Europeu da Terapia da Fala. Uma data que serve para promover o debate sobre as perturbações da leitura e da escrita que, segundo a Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala, afecta em torno de 5% da população em idade escolar.

Segundo a mesma associação, “as perturbações da leitura e escrita comprometem todo o processo de aprendizagem e interferem com o sucesso escolar da criança”, mas não só. Este tipo de quadro clínico de Perturbação Específica da Aprendizagem, que representa um desequilíbrio no neurodesenvolvimento, acaba por interferir com toda a existência da mesma que, frequentemente, apresenta “vergonha, baixa auto-estima e confiança reduzidas e pouca motivação para as aprendizagens escolares”.

Por tudo isto, a Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala chama a atenção para a importância do diagnóstico precoce, sendo este “fundamental”, sobretudo quando se percebe que a criança não consegue acompanhar o ritmo padrão da aprendizagem da leitura e da escrita. “O terapeuta da fala tem um papel preponderante na avaliação, diagnóstico diferencial e intervenção destas perturbações”, desenvolvendo “a sua intervenção em colaboração com os educadores e professores, outros profissionais de saúde e as famílias”, explica o mesmo organismo.

O diagnóstico de perturbações da leitura e da escrita só é feito após o início do primeiro ciclo. No entanto, os terapeutas da fala apontam para sinais que podem ser de alerta e que, quando identificados, poderão justificar uma avaliação ainda antes daquela fase. Entre os sinais estão o atraso na aquisição da linguagem oral, que não se refere à emissão de sons nem à reprodução de palavras, mas à verbalização, sendo expectável que uma criança até aos cinco anos consiga articular frases completas. Nesta idade, a dificuldade na produção dos sons, que resulta na persistência do “falar à bebé”, é outro sinal a que pais e educadores devem estar atentos.

Perceber de que forma se processa a memória também pode ajudar a um entendimento das dificuldades das crianças. Isto torna-se evidente, por exemplo, quando se observa dificuldade em aprender os nomes de cores, de pessoas, de objectos, de lugares, levando os petizes a substituir os mesmos por expressões como “isto”, “aquilo”, “a coisa que serve para”… As canções e as lengalengas também podem ajudar a perceber de que forma a criança consegue captar e registar a informação.

Já na escola, o aluno irá revelar “dificuldade em perceber que as frases são formadas por palavras e que as palavras se podem segmentar em sílabas”, facto que, quando observado, deverá servir de alerta ao professor. Outros problemas podem passar por não conseguir associar as letras aos seus sons, por ler muito devagar e sem expressividade, não entender problemas matemáticos, revelando dificuldade na interpretação, ou dar muitos erros na escrita e de forma constante. E se a criança se recusar a fazer tarefas relacionadas com a leitura e a escrita, isso não significa que seja preguiça. Aliás, sublinha a associação, raramente o é.

Actualmente é dado o diagnóstico de Perturbação Específica da Aprendizagem com défice na leitura e/ou na expressão escrita, ao que se classificava antes como:

  •  Perturbação da Leitura e da Escrita, com consequente de atraso/dificuldades em diferentes componentes da linguagem ou perturbação específica da linguagem;
  •  Dislexia, a perturbação do neurodesenvolvimento multifactorial caracterizada por um défice no processamento fonológico e na memória de trabalho verbal (componentes da linguagem) apesar do nível cognitivo adequado e da condição educativa;
  • Disortografia, perturbação que envolve a organização e codificação da escrita, apresentando-se os textos mal estruturados e verificando-se inúmeros erros ortográficos;
  • Disgrafia, alteração funcional no ato motor da escrita, que afecta a qualidade da escrita, sendo a caligrafia bastante irregular no traçado e na forma das letras.

Fonte: Associação Portuguesa de Terapeutas da Fala


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