Dez coisas que pode dizer às crianças em vez de “pára de chorar”

Março 2, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Notícias Magazine de 5 de dezembro de 2019.

“Não chores”, “Isso não é nada”, “Não sejas mariquinhas”, “Tu vê lá se queres chorar com razão.” Frases que até podem fazer as crianças engolir as lágrimas no momento, mas também lhes dão a ideia de que os seus sentimentos não são importantes. E nós, pais, não queremos de modo nenhum que deixem de confiar em nós.

CONTA-ME O QUE ACONTECEU

 Dê espaço à criança para explicar o que lhe aconteceu, com empatia e sem a julgar, permitindo-lhe extravasar a avalancha de emoções que a perturba. Os miúdos são como nós, qual é o espanto? Sentem-se seguros quando são tratados com compreensão e respeito ao exprimirem o que lhes vai na alma.

ESTOU A OUVIR-TE

 E isto significa saber escutar, de facto, o que quer que seja que o seu filho tenha para lhe dizer aqui, agora. Miúdos com pais incapazes de ouvirem com seriedade as pequenas coisas tornam-se, por sua vez, adultos incapazes de contarem aos pais as grandes coisas das suas vidas. Já para não falar no facto de as pequenas coisas, para uma criança, nunca serem irrisórias.

AMO-TE

Não é só dizer ao seu filho que gosta dele, como se gosta de gelado ou de bolo de chocolate. É dizer-lhe que o ama, com todas as letras, e mostrar-lhe na prática que o reconhece, confia nele e vai sempre ampará-lo e amá-lo independentemente das escolhas que fizer. Não há choro que resista ao amor.

PREFERES FICAR SOZINHO/A?

 E depois acrescentar as palavras mágicas: “Quero que saibas que estou aqui para ti. E vou ficar por perto para que possas chamar-me se precisares de mim.” Se a criança mostrar não querer a sua presença, é importante respeitar. Isto sem nunca dar a entender que se está a afastar por desaprovar o comportamento dela ou como castigo.

 EU PERCEBO

 Até pode parecer que o melhor é tentar resolver de imediato o problema ou a frustração por que a criança está a passar, contudo nem sempre é disso que ela precisa verdadeiramente: apenas sentir que o pai ou a mãe a compreendem, sem fazerem com que se sinta desadequada nem lhe dizerem que nada daquilo faz sentido.

ESTOU AQUI CONTIGO

 Mais uma vez, há certos momentos em que isto é tudo o que um filho necessita de saber: que os pais estão lá para ele, ligados às suas dores, a fazerem-no sentir que o amam e não vão a lado nenhum, aconteça o que acontecer. Muitas das vezes nem sequer têm de dizer ou fazer nada: só ficarem ali ao lado dele.

VI QUE FICASTE TRISTE

 “Ou assustado/a, ou furioso/a. E não faz mal, às vezes eu também fico assim.” Saber que os pais sentem o mesmo que elas deixa as crianças aliviadas: afinal é normal, que alívio. O facto de depois lhes darem aquela atenção amorosa não só as ajuda a libertarem-se da mágoa como reforça os laços familiares.

POSSO FAZER ALGUMA COISA?

 Como pais, é esta a melhor maneira de criarmos um filho para a empatia: sermos os primeiros a saber pôr-nos no lugar dele e mostrar-lhe que reconhecemos o seu sofrimento (emocional ou físico), respeitamos a pessoa que é e nos interessamos genuinamente pela sua vida.

QUERES UM ABRAÇO?

 É capaz de ser o antídoto mais poderoso para momentos de descontrolo emocional, em que a criança já está para lá de toda a lógica: um abraço apertado sossega, ameniza choros e birras, promove o desenvolvimento cognitivo e imunológico, fortalece o vínculo entre pais e filhos. Se os quer ter perto do coração, é abraçá-los.

SEI QUE ISSO É DIFÍCIL

 “A sério que sim, meu amor. Mas eu vou ajudar-te.” Muitas vezes, é quase só disto que o seu filho precisa: saber que reconhece os seus sentimentos e lhes dá importância, sejam eles quais forem. No fundo, saber que se importa com ele e o aceita exatamente como é

TikTok – o que é e o porquê da polémica?

Março 2, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Centro da Criança

A aplicação TikTok é uma rede social criada em 2016 na China (sendo que na China tem o nome de Douyin). Esta rede social tem tido muito sucesso à escala global, não sendo Portugal exceção, conta atualmente com mais de 500 milhões de utilizadores ativos. Esta aplicação permite aos utilizadores criar vídeos curtos de música e lip-sync de 3 a 15 segundos e vídeos curtos de looping de 3 a 60 segundos.

Até aqui tudo bem. O problema é que este aplicativo tem como idade mínima de adesão os 13 anos. Facto que nos leva a ter uma maior atenção nas questões de segurança.

Daí que esta rede social esteja a ser muito comentada desde há uns meses. Os comentários e críticas devem-se, em certa medida a três questões: à guerra comercial entre vários países, nomeadamente entre os EUA e a China e a tentativa de controlo de informação sensível; às constantes guerras comerciais entre os gigantes da tecnologia que lutam entre si pelo mercado apetecível dos adolescentes e crianças; e, por último, por questões de segurança dos utilizadores. Sendo esta última a que mais nos interessa para este contexto.

Assim, importa salientar que a TikTok já esteve temporariamente banida na Indonésia e India por conter vídeos de cariz sexual. Facto que levou a empresa ByteDance (detentora da TikTok) a efetuar alterações nos seus padrões de segurança e a eliminar cerca de 15 milhões de vídeos da plataforma.

Já nos Estados Unidos da América, onde a TikTok se tonou em outubro de 2018 a aplicação mais descarregada (sendo a primeira app chinesa a atingir este sucesso), a empresa detentora da aplicação foi multada em cerca de 5,7 milhões de dólares por recolha de informações de menores de 13 anos em violação da Lei de Proteção da Privacidade Online das Crianças. Facto que levou a alterações na aplicação e ao impedimento de que crianças menores de 13 anos possam fazer upload de vídeos. Todavia, em novembro último a empresa foi acusada de transferir dados pessoais de cidadãos americanos para servidores na China.

Noutros países, como Alemanha e Austrália, têm surgido avisos por parte de diversas instituições que mencionam o facto de esta rede não ter os mesmos padrões de segurança de outras redes, existirem inúmeros relatos de cyberbullying e o facto de a TikTok falhar constantemente na remoção de contas suspeitas e referenciadas. Além disso, esta tem sido descrita como uma rede muito utilizada por pedófilos, pois aqui têm acesso a vídeos de crianças e adolescentes a dançar, a cantar e partilhar os vídeos.

Se tem um adolescente ou um pré-adolescente lá em casa, certamente que ele conhece esta aplicação e é muito provável que a use para ver vídeos, mas também para produzir conteúdo para “alimentar” a plataforma (à semelhança do Instagram). Se já assistiu a danças em frente ao telemóvel, então é muito provável que esteja a gravar uma coreografia para a TikTok.

Assim, os conselhos que lhe posso deixar não passam pela proibição da utilização desta aplicação, até porque os perigos são muito semelhantes aos de outras redes como o Instagram, Snapchat ou até o Youtube. Além disso, todos sabemos os efeitos contrários que a proibição poderá acarretar.

Neste, como noutros casos, deve discutir o assunto abertamente em casa, expondo os perigos, a necessidade de prevenção, deixando sempre a “porta aberta” para que qualquer desconforto (com esta ou outra rede social) lhe seja transmitido.

Pode também visitar o website https://www.internetsegura.pt/ou utilizar esta plataforma para esclarecer mais dúvidas.

Vídeo de menino de oito anos vítima de bullying gera onda de solidariedade internacional

Março 2, 2020 às 6:00 am | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 21 de fevereiro de 2020.

Quaden nasceu com acondroplasia, a forma mais comum de nanismo, e sofre de “bullying constante” por causa do seu aspecto. Solidários, internautas de todo o mundo já juntaram mais de 276 mil euros para levar o menino à Disneyland.

Há uma onda de solidariedade na Internet na sequência da divulgação do vídeo de Quaden Bayles, um menino australiano de 8 anos que diz querer morrer por não aguentar mais o bullying de que é alvo na escola.

Quaden, que vive no estado australiano de Queensland, nasceu com acondroplasia, a forma mais comum de nanismo, e sofre de “bullying constante” por causa do seu aspecto físico. Yarraka Bayle, a mãe, publicou nas redes sociais um vídeo em que o filho surge a chorar no carro depois de mais um dia de abusos na escola.

“Acabei de vir buscar o meu filho à escola e presenciei um episódio de bullying, liguei para o director e quero que as pessoas saibam — pais, educadores, professores — que este é o efeito que o bullying tem”, diz Bayle, enquanto mostra o filho a chorar. “Todos os dias acontece alguma coisa. Outro episódio, outra provocação, outro gozo”, diz a mãe no vídeo onde também se ouve o menino dizer que quer que alguém o mate. “Vocês podem, por favor, educar os vossos filhos, famílias, e amigos?”, apela a mãe.

O vídeo, que foi visto milhares de vezes nos últimos dias, deu origem à hashtag #WeStandWithQuaden e a várias mensagens de celebridades que se declaram solidários com a criança. Uma delas chegou da parte do comediante norte-americano Brad Williams, que criou uma página no GoFundMe (uma plataforma americana de crowdfunding) para levar o menino à Disneyland — até agora, já foram angariados mais de 300 mil dólares (mais de 276 mil euros), 30 vezes mais do que o valor inicial pretendido de dez mil dólares (cerca de 9,2 mil euros).

Nesta sexta-feira, a hashtag #StopBullying também esteve entre as mais utilizadas no Twitter. Crianças de todo o mundo enviaram vídeos em que descreviam as suas próprias experiências, dizendo a Quaden para “não desanimar”. Celebridades como o jogador de basquetebol Enes Kanter, que joga actualmente pelo Boston Celtics​, e o actor australiano Hugh Jackman também se pronunciaram através das redes sociais. “Quaden, és mais forte do que pensas. E independente do que acontecer, tens um amigo em mim”, refere o actor, pedindo a todos que sejam mais amáveis.

Numa conferência de imprensa, a mãe do menino disse esperar que as experiências do seu filho possam sensibilizar o público para os efeitos nocivos que o bullying tem nas crianças.


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