Mafalda Creative: “Antes, o tipo fixe era quem fumava, agora é quem tem mais seguidores”

Fevereiro 25, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Vídeos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Público de 17 de fevereiro de 2020.

Mafalda faz vídeos desde os 14 anos. Aos 20, produziu o vídeo mais visto do ano em Portugal, com mais de dois milhões de visualizações. A estudante de Comunicação Social não tem tempo para sair à noite e prefere os filmes aos livros. O YouTube é a sua profissão, o seu plano A. Mas quem é a Rainha da Net?

Abre a porta com um sorriso. Recebe-nos na sua casa, em Lisboa, e guia-nos por labirínticos corredores. Chegamos ao seu quarto: é aqui o local da criação. Foi aqui que nasceu a Rainha da Net, um projecto que esteve quase para não ver a luz do dia, mas que fez de Mafalda Machado a mais vista do YouTube em Portugal em 2019. Soma mais de dois milhões de visualizações só naquele vídeo.

É no quarto que Mafalda, de 20 anos, grava a maioria dos vídeos que publica no canal Mafalda Creative. O quarto, que é o seu pequeno mundo, tem estantes cobertas de figurinhas de Harry Potter e da Disney, como uma caneca igual a Chip, personagem d’A Bela e o Monstro. À entrada, vários quadros com um tema que se repete: criatividade.

O YouTube é a sua profissão e principal fonte de rendimentos. Oficialmente, o seu público-alvo são os jovens entre os 18 e os 35 anos, apesar de saber que é vista também por uma assistência ainda mais nova. Fala-nos sentada em cima da cama, tal como nas introduções aos sketches, os vídeos curtos, humorísticos e caseiros, quase sempre inspirados em situações do quotidiano, a que se dedicava “até à Rainha da Net”.

Um sucesso que quase não aconteceu

Rainha da Net foi um êxito viral e a sua primeira paródia: transformou a canção Thank u, Next, da norte-americana Ariana Grande, numa “crítica às pessoas que estão nas tendências”, ou seja, que conseguem fazer os vídeos mais populares do YouTube e que por isso são promovidos na plataforma numa categoria própria. “Eu estava a fazer as coisas certas, mas não chegava às tendências, por isso fiz uma música. As pessoas adoraram.”

A produção foi a de um videoclip: um produtor musical, um realizador e algum orçamento, principalmente para a roupa e para um dos quartos de hotel que tiveram de arrendar — há uma cama vermelha em forma de coração.

Ninguém esperava tanto sucesso. “Numa hora, o vídeo teve as mesmas visualizações que [só teria] passado muito tempo.” Um sucesso que poderia não ter acontecido se Mafalda tivesse seguido os conselhos de familiares e amigos, que temiam uma reacção negativa à acidez da paródia. “Não quero fazer sempre o mesmo tipo de vídeos e queria mostrar que eu também consigo. Uma rapariga a fazer paródias. E então?”, confessa. “Se os rapazes fazem, eu também quero.”

O vídeo mais visto do seu canal não lhe rendeu, no entanto, qualquer dividendo: por usar o áudio de uma música com direitos de autor, a equipa de Ariana Grande retirou-lhe qualquer possibilidade de fazer dinheiro com o vídeo. “Mas foi bom na mesma porque bué gente passou a conhecer-me e tive muitos comentários”, avalia. O seu rendimento não vem apenas da publicidade que o YouTube coloca nos seus vídeos, mas também dos acordos com marcas. Acordos que dependem, muitas vezes, da sua capacidade de chegar a vários públicos.

Um Verão interminável, um grupo de amigas e uma câmara

A ideia de fazer vídeos começou quando tinha 14 anos, durante umas férias de Verão particularmente aborrecidas. Actualmente, prestes a fazer 21 anos (tal como nos indica um dos quadros à cabeceira da sua cama, que mostra a posição das estrelas no céu no dia em que nasceu), olha para esses tempos com uma certa nostalgia: “Eu ainda não sabia onde me estava a meter…”

Os primeiros vídeos eram produzidos com as amigas e publicados no Facebook. Chamava-se Mafalda Crazy. Ainda se lembra como mudou de nome público: “O meu pai disse que eu não era maluca, mas sim criativa. E eu gostei do nome, só pus em inglês porque soa sempre melhor.”

Já se definia como uma adolescente teatral, apesar de ter sido sempre mais “calada” em público, especialmente nas aulas. Era com as amigas que se soltava mais, mas a timidez afinou-lhe outras qualidades: observar as pessoas permitia-lhe ir apanhando os tiques, que usava depois para construir as personagens dos seus vídeos.

Da desconfiança dos pais às campanhas da Coca-Cola

Durante muito tempo os pais estiveram contra a publicação dos vídeos. “Eles queriam que eu apagasse o canal, e eu só lhes respondia que conseguia, que não precisavam de ter medo”. Eles confiaram e “resultou”.

Mafalda ainda se lembra do momento em que sentiu que os pais mudaram de posição: foi numa festa da escola, onde se entregaram os prémios dos melhores do ano. Foi galardoada com a distinção “Artista do ano” durante três anos seguidos e foi numa dessas cerimónias que ouviu um “estou orgulhoso de si” da boca do pai. “Depois ele começou a ver campanhas da Coca-Cola e ficou a bater palmas”, brinca, referindo-se aos trabalhos que fez, anos depois, para a marca.

Cresceu com o YouTube. “O primeiro vídeo que eu vi era do pewdiepie, que é o maior” – isto é, o youtuber independente com mais subscritores do mundo. Depois foi descobrindo o YouTube português, especialmente na área da comédia, a que mais lhe interessa. Eram quase todos rapazes. “Eu pensava: porque é que não há raparigas? Eu acho que até conseguia. É assim sempre que começa uma coisa: eu acho que consigo e depois tento e faço.”

Com a evolução do canal, ganhou responsabilidade. Se antes não queria saber do som ou da luz e editava no Movie Maker, “que é só um dos piores programas” para o fazer, hoje o público pede mais. E as marcas também. “As pessoas começaram a perceber que não é uma brincadeira, que se ganha dinheiro com isto.” Agora, todos os vídeos têm um guião, e Mafalda tem-nos guardados, com rabiscos e sublinhados. Gravar um único vídeo do YouTube, enquanto estuda, pode custar-lhe os tempos livres todos de uma semana inteira. Mas, afinal, é o seu trabalho.

Ter um filho, escrever um filme e o YouTube, “claro”

Actualmente a terminar o curso de Comunicação Social, o plano de Mafalda é continuar no YouTube, o seu autodenominado “plano antes do A”. Os seus colegas de curso, conta-nos, alimentam o mesmo sonho: ser youtubers ou influencers. “Mesmo as minhas primas, que são mais novas, com 12 anos, me dizem que as pessoas mais populares agora são quem tem mais seguidores no Instagram… No meu tempo, os fixes eram quem fumava, agora é quem tem mais seguidores.”

É uma referência? “Há muita gente que me diz que gostava de ter um canal no YouTube porque vêem como eu estou, estou bué feliz.” As críticas que recebe são maioritariamente positivas: “Eu não posso desperdiçar isto. Porque é que eu vou estar a dizer que quero ir trabalhar para um escritório como outras pessoas do meu curso? Não quero. Ainda por cima eles dizem que querem fazer o que eu faço. Eu posso dar a aula se quiserem, eu levanto-me e dou.”

Não sai à noite, lê pouco e consome notícias quase só pelas redes sociais. O pouco tempo livre que tem passa-o a ver filmes e séries na Netflix. E a analisá-las com um olho clínico: ver as fontes de luz, as mudanças de plano. O seu filme preferido é O Fabuloso Destino de Amélie. “Acho que já o vi para aí sete vezes. A história é contada de uma forma que tem piada, apesar de ser um drama.”

Falar do futuro é que já é mais difícil. A curto prazo, sabe que não quer seguir imediatamente para o mestrado, nem para o doutoramento, contrariando os desejos dos pais. Vai passar um ano apenas a fazer vídeos para ver no que dá. O YouTube consta dos seus planos a longo prazo. Já registou a marca comercial Mafalda Creative e tem o seu próprio manager para gerir os melhores negócios com as marcas e o cachet. Também gostava de “fazer um filme, ou pelo menos escrever o guião”. Experiência em dobragens já tem: trabalhou na série Noobes do Nickelodeon e no filme As Aventuras do Dr. Dolittle, que se estreou no início do ano. Olhando a longo prazo, tem algumas certezas: “Sei que gostava de ser mãe.”

“Gostava que a Mafalda Creative durasse ainda mais uns dez anos”, confessa. “Se não resultar, posso ajudar outra pessoa a conseguir o que consegui e a fazer melhor. Mas sinto que qualquer coisa que faça agora vou ser bem-sucedida. Porque até aqui tem estado a resultar bem…”

Selfies, sexting, autoimagem física : materiais didáticos

Fevereiro 25, 2020 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Recursos educativos | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Geralmente, a criação de um “ego digital” pode ser considerada como uma tarefa adicional no desenvolvimento dos jovens do século XXI. O jornalista Michalis Pantelouris descreve este fe-nómeno da seguinte forma: “No Instagram, todos são o seu próprio porta-voz” (SZ-Magazine, Edi-ção 37/16). No entanto, estas redes também têm o seu lado negro: desde problemas relacionados com a privacidade, cyberbullying e violação de di-reitos de autor decorrente do reencaminhamento não autorizado de fotografias, à exposição online sob forma sexualizada e ao incitamento à compra através da apresentação subliminar de produtos por YouTubers famosos.

Descarregar o documento no link:

https://storage.eun.org/resources/upload/907/20191106_155403014_907_Selfies%20Sexting%20Autoimagem_LR.pdf

EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries – Estudo europeu sobre as crianças e a internet

Fevereiro 25, 2020 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , , , , , , , , , , , ,

Texto do Facebook da SeguraNet:

No dia em que se assinalou o Dia da Internet Mais Segura, foram divulgados os resultados do estudo europeu EU Kids Online 2020: Survey results from 19 countries.
Entre 2017 e 2019, foram inquiridos 25.101 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os 9 e os 16 anos, sobre as suas experiências digitais que incluíram situações de risco como ciberbullying, conteúdos prejudiciais, mau uso de dados pessoais, uso excessivo da Internet, mensagens de sexting e encontros com pessoas conhecidas na Internet.
Em alguns países, como Portugal, o tempo que as crianças e os jovens passam online mais do que duplicou, sendo também um dos países onde mais crianças e jovens revelam confiança em lidar com riscos: mais de dois terços referem saber reagir “sempre” ou “muitas vezes” a comportamentos de que não gostam na Internet. Portugal é também um dos países, onde os inquiridos menos associam situações de risco a danos delas decorrentes.

A participação de Portugal, neste estudo, contou com o apoio da Associação DNS.PT, da Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Direção-Geral de Educação.

Descarregar o documento no link:

http://www.lse.ac.uk/media-and-communications/research/research-projects/eu-kids-online/eu-kids-online-2020?fbclid=IwAR0fmTsVgdjSPDqYbH3a87XRuozq2Hw1FM9GKs8MkBVKrHoC6qjGVdxYyik


Entries e comentários feeds.