Casos de violência envolvendo crianças e jovens estão a aumentar

Fevereiro 14, 2020 às 8:00 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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Notícia do Mirante de 9 de fevereiro de 2020.

O Núcleo Hospitalar de Apoio à Criança e Jovens em Risco do Centro Hospitalar do Médio Tejo sinalizou mais de cem casos no ano passado.

O Núcleo Hospitalar de Apoio à Criança e Jovens em Risco do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) sinalizou, em 2019, mais de cem casos de crianças em risco na sua área de abrangência. O concelho de Tomar, com 32 casos, destaca-se dos restantes, seguindo-se Abrantes com 23 e Entroncamento e Torres Novas, ambos com 13. Seguem-se os concelhos de Vila Nova da Barquinha com oito casos, Alcanena (5); Chamusca, Mação e Ourém com quatro; Ferreira do Zêzere e Sardoal com três; Constância e Golegã com um cada. No total são 114 casos.

A informação foi dada por Anabela Cadete, membro do Núcleo Hospitalar de Apoio à Criança e Jovens em Risco, durante o quinto encontro promovido por essa estrutura, que este ano teve como tema “Violência na Família” e decorreu no dia 24 de Janeiro, no auditório do Hospital de Tomar. O objectivo deste núcleo é detectar situações de crianças e jovens em risco e actuar em conjunto com as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ).

O maior risco a que as crianças estão expostas é o de negligência, com 56 casos registados. Há também 24 casos em que a criança/jovem assume comportamentos que afectam o seu bem-estar e desenvolvimento sem que os pais se oponham e 12 casos de exposição à violência doméstica.

Crimes envolvendo menores também estão a subir

A comissário Mariana Morgado, comandante da esquadra de Santarém da Polícia de Segurança Pública (PSP), participou no último painel e também deixou números sobre criminalidade e violência no seio familiar envolvendo, directa ou indirectamente, crianças e jovens. Em 2019 os números aumentaram para 173 registos, dos quais 80 com crianças até aos 11 anos e 93 com menores entre os 12 e 16 anos. Em relação a estes números, sete crianças ou jovens são vítimas de dois ou mais crimes. A comandante da PSP refere ainda que os principais crimes onde crianças e jovens são vítimas são os crimes contra a integridade física; propriedade; liberdade pessoal e contra a liberdade e auto-determinação sexual.

Em 2018 a PSP tinha registado no distrito de Santarém 147 crimes contra a integridade física, onde estão incluídos crimes de maus tratos a menores, ofensa à integridade física e violência doméstica onde a criança é vítima indirecta. Destes, houve 54 casos que envolveram crianças até aos 11 anos e 93 envolveram jovens entre os 12 e os 16 anos.

Também existem crimes em que crianças e jovens são os suspeitos. Nestes casos, os crimes mais cometidos pelos jovens são contra a integridade física; contra a propriedade e contra a liberdade pessoal. Em 2018 foram registados 33 casos e em 2019 registaram-se 22 situações. Em 2018 Abrantes e Santarém foram as áreas onde ocorreram mais casos. Em 2018 e 2019 também houve registos no Entroncamento e em 2019 houve uma descida destes números em Abrantes e Santarém. “Dos 13 casos registados em Abrantes cinco foram cometidos pelo mesmo jovem e nos três casos registados em Ourém também aconteceu a mesma situação”, explica a comissário Mariana Morgado, realçando que nem todos os crimes são denunciados e que os dados são baseados nas queixas apresentadas pelas vítimas.

Agressões psicológicas são os atos de violência mais frequentes no namoro

Fevereiro 14, 2020 às 3:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 14 de fevereiro de 2020.

Mais de metade dos estudantes universitários dizem já ter sido sujeitos a pelo menos um ato de violência no namoro.

Um estudo nacional sobre violência no namoro em contexto universitário revelou que as agressões psicológicas são as mais frequentes, seguidas de atos de violência social, física e sexual.

Os dados recolhidos entre abril de 2017 e janeiro de 2020 contaram com 3.256 participantes e deram a conhecer não só a percentagem de situações de violência como questões relacionadas com crenças sobre as relações sociais de género.

As respostas aos inquiridos deram, por exemplo, a indicação de que 3,6% das mulheres e 15,4% dos homens concordam que o ciúme é uma prova de amor enquanto 2,3% das mulheres e 3,1% dos homens discordam que homens e mulheres devem ter direitos e deveres iguais.

Do total de participantes do estudo que visa caracterizar este flagelo social a partir da ótica dos estudantes universitários, 53,9% relataram que já tinham sido sujeitos a pelo menos um ato de violência no namoro e 35% já o praticaram.

Embora a violência no namoro seja sofrida e praticada por ambos os sexos, são os homens quem mais pratica a violência.

Relativamente ao tipo de violência é destacada a psicológica como a mais prevalente nas relações de namoro, seguida da violência social, da violência física e, por fim, da violência sexual.

Do total de inquiridos, 23,4% das mulheres e 19,6% dos homens já foram criticados, insultados, difamados e acusados sem razão e 20,7% das mulheres e 11,1% dos homens já foram controlados na forma de vestir, no penteado ou na imagem, nos locais frequentados, nas amizades ou companhias.

O estudo revela ainda que 16,4% das mulheres e 9,4% dos homens já foram ameaçados verbalmente ou através de comportamentos que causem medo, como por exemplo gritos, partir objetos ou rasgar a roupa.

Ainda segundo os dados recolhidos, 14,1% das mulheres e 9,7% dos homens já foram impedidos de contactar com a família, amigos e ou vizinhos e 13,9% das mulheres e 10,3% dos homens já foram impedidos de trabalhar, estudar ou de sair sozinhos.

Outro aspeto revelado pelo estudo é de que 10% das mulheres e 7,9% dos homens já foram magoados fisicamente, empurrados, pontapeados ou esbofeteados e 9,5% das mulheres e 5,2% dos homens já foram obrigados a ter comportamentos sexuais não desejados.

Do total de inquiridos, 6,9% das mulheres e 5,5% dos homens já sofreram ameaças de morte, atentados contra a vida ou ferimentos que obrigaram a receber tratamento médico.

Quem praticou e quem sofreu violência no namoro apresenta crenças sobre as relações sociais de género mais conservadoras do que quem não praticou nem sofreu violência.

Os homens são aqueles que apresentam crenças mais conservadoras sobre as relações sociais de género.

O trabalho revela que 12,2% das mulheres e 27,4% dos homens concordam que algumas situações de violência doméstica são provocadas pelas mulheres e 5,9% das mulheres e 11,8% dos homens concordam que as mulheres que se mantêm em relações amorosas violentas são masoquistas.

O Estudo Nacional da Violência no Namoro em Contexto Universitário: Crenças e Práticas é uma iniciativa da Associação Plano i no âmbito do Programa UNi+, financiada pela Secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade (1ª e 2ª edições) e pelo Fundo Social Europeu no âmbito do Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE) do Portugal 2020 (3ª edição).

Mais informações no link:

Estudo Nacional – Violência no Namoro

 

Observatório da Violência no Namoro recebeu 74 denuncias em 2019

Fevereiro 14, 2020 às 11:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 14 de fevereiro de 2020.

O Observatório da Violência no Namoro (ObVN) recebeu em 2019 um total de 74 denuncias de situações de violência no namoro vividas diretamente ou testemunhadas por terceiros, o que corresponde a uma média mensal de cerca de 6,2 casos.

Apesar de o número de denúncias ter decrescido relativamente a 2018, o observatório considera que os casos reportados apresentaram maior gravidade. Em 2018 foram recebidas 128 denúncias de vítimas e de testemunhas de violência.

De acordo com a esta plataforma de denuncia informal, 38 denuncias foram efetuadas por ex-vítimas, 28 por testemunhas e oito por atuais vítimas.

Em 77% dos casos os agressores são namorados atuais das vítimas, em 12,2% dos casos as vítimas foram alvo de ameaças de morte, 13,5% das vítimas necessitaram de receber tratamento médico e 1,4% foram hospitalizadas em consequência da vitimação sofrida.

O ciúme (70,3%) foi a principal causa da violência seguida de problemas mentais do agressor (40,5%).

Mas, os dados revelam que os casos de violência surgiram também na sequência de problemas familiares do agressor (25,7%), da conduta da vítima (23%), da influência dos amigos (18,9%), do consumo de álcool ou de outras substâncias por parte do agressor (14,9%) e de dificuldades económicas de quem agrediu (13,5%).

O observatório revela ainda que 71 denúncias foram efetuadas por mulheres e três por homens.

Os crimes ocorreram em 51,4% dos casos no Porto e em 10% das situações nos distritos de Lisboa e Aveiro.

Segundo o estudo, 95,9% das vítimas são do sexo feminino e 91,9% dos agressores são do sexo masculino.

A média de idades das vítimas é de 21 anos e a dos agressores é de 23 anos.

Ainda segundo o observatório, 94,6% das vítimas são de nacionalidade portuguesa, 87,8% são heterossexuais e 66,2% são estudantes.

O local de maior incidência da violência é a casa (62,2%), seguido da rua (48,6%), da escola/faculdade (36,5%) e em 29,7% dos casos a violência foi praticada online.

“São Valentim que nos perdoe”: violência no namoro está em exposição

Fevereiro 14, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Galeria da exposição

Notícia do Público de 7 de fevereiro de 2020.

São lenços dos ex-namorados e querem alertar para o problema da violência no namoro. Ainda que visibilidade deste problema tenha aumentado, Daniel Cotrim considera que continua a haver por parte das vítimas “uma desvalorização”.

Inês Duarte de Freitas

Esta é uma notícia sobre namoro, mas de amor tem pouco. “Onde há violência, não há romance” diz o cartaz da exposição “São Valentim que nos perdoe”, que quer chamar a atenção para a violência no namoro. Até 16 de Fevereiro, os lenços dos ex-namorados podem ser vistos na loja Fnac do Centro Comercial Colombo, em Lisboa.

Um estudo da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) publicado em 2019 conclui que 58% dos jovens que estiveram numa relação de intimidade reportaram situação de violência. Há ainda outro número alarmante: 67% aceita como natural pelo menos uma forma de violência na intimidade.

Para assinalar a inauguração da exposição, a Fox Life convidou um painel de oradores para debater a violência no namoro. Nas paredes da sala, os lenços dos ex-namorados captam a atenção de todos. “Se para ti amor rima com dor, andor”, pode ler-se num dos quadros. As 20 peças, inspiradas nos lenços dos namorados típicos do Minho, foram bordados pelo projecto de inclusão social “A Avó veio trabalhar”.

O jornalista Paulo Farinha modera o debate. Ao seu lado estão o psicólogo Daniel Cotrim, responsável pela violência doméstica e de género na APAV; o humorista Diogo Faro, fundador do movimento #nãoénormal; a apresentadora Inês Lopes Gonçalves, a ilustradora Clara Silva (autora de um dos lenços dos ex-namorados) e o psicólogo Eduardo Sá, especialista em família.

“Um atentado à vida de forma tentada”

Daniel Cotrim começa por alertar que o namoro “é bom e recomenda-se”. No entanto, desde 2013, as queixas de violência no namoro aumentaram 25%. “Não se trata de um aumento de criminalidade, mas da visibilidade”, explica o psicólogo da APAV.

Ainda que a visibilidade tenha aumentado, Daniel Cotrim considera que continua a haver, por parte das vítimas, “uma desvalorização”. Clara Silva, ilustradora que assina como Clara Não, confidencia que viveu uma relação abusiva e garante que as vítimas “desculpam o próprio agressor”. Em Agosto de 2019, publicou o seu primeiro livro Miga, esquece lá isso com ilustrações sobre o amor-próprio.

O problema está também no que os jovens entendem por violência: “Controlo de redes sociais, das amizades, da forma de vestir, não é entendido como violência”, sublinha Daniel Cotrim. A apresentadora Inês Lopes Gonçalves aponta que “a comunicação social não trata a violência no namoro” e sugere os espaços de opinião como uma ferramenta importante para dizer que estes comportamentos “não são normais”.

“Quem violenta faz um atentado à vida de forma tentada”, analisa Eduardo Sá. O professor da Universidade de Coimbra alerta que “todas as pessoas que não sabem o que fazer à agressividade são muito mais doentes do que podem parecer e precisam de ajuda”.

Os pais e as escolas

A educação das crianças pode ter um papel fundamental na prevenção da violência no namoro. “A agressividade é um património da humanidade, tão natural como a sede. As crianças precisam de andar à bulha”, defende Eduardo Sá.

Inês Lopes Gonçalves tem dois gémeos com quatro anos e acredita que “mais do que possa dizer, o melhor é dar o exemplo”. Eduardo Sá acredita que a educação dada às crianças hoje “cria panelas de pressão” e incita os pais a deixarem as crianças brincarem na rua e “andarem à bulha”. “A agressividade é património da humanidade, ‘é tão natural como a sede’”, diz.

Na violência no namoro, os pais desempenham um papel fundamental. “Os pais andam mais distraídos do que deviam”, alerta Eduardo Sá, acrescentando que “quando os pais percebem que há uma mudança no comportamento, devem tornar esse assunto urgente”.

O psicólogo da APAV, Daniel Cotrim, lamenta que não existam “procedimentos claros de como tratar a violência na escola”. Diogo Faro, que fundou movimento #nãoénormal, relata que recebe muitas mensagens de raparigas, nas redes sociais, que são vítimas de violência dentro da escola, e relatam que os professores não acreditam nelas. “Há um julgamento constante da vítima”, lamenta o humorista.

“A escola é um espaço de aprendizagem da violência” quando devia “ser um espaço seguro”, sublinha Daniel Cotrim. O psicólogo da APAV conta que “ninguém quer ter a responsabilidade” pela violência no namoro.

O jornalista Paulo Farinha assinala que se as mensagens dos lenços dos ex-namorados “influenciarem alguém, já terá valido a pena”. Com o Dia dos Namorados à porta, já na próxima sexta-feira dia 14, a exposição “São Valentim que nos perdoe” quer deixar bem claro que “o amor não pode rimar com dor”.

Texto editado por Bárbara Wong


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