Política na educação ambiental é “inevitável” e o seu foco deve ser a acção

Janeiro 21, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 14 de janeiro de 2020.

Conselho Nacional de Educação propõe mudanças na abordagem que é feita nas escolas à educação ambiental.

Clara Viana

Partindo do pressuposto de que a despolitização da discussão dos problemas ambientais não é só um exercício artificial, como também uma forma de desvalorizar esta problemática enquanto “questão cívica”, o Conselho Nacional de Educação (CNE) exorta a que se admita “a inevitabilidade de uma dimensão política da educação ambiental” que é proposta nas escolas.

Numa recomendação que foi agora divulgada, aquele órgão de consulta do Parlamento e do Governo frisa que na Estratégia Nacional para a Educação Ambiental 2020, lançada pelo Governo em 2017, “a expressão ‘política’ parece apenas referir-se aos decisores e às medidas do lado do Estado, não sugerindo explicitamente a existência de uma dimensão política na capacitação cidadã no campo ambiental”. O que, segundo o CNE, vem confirmar uma tendência existente em Portugal de não reconhecimento dos “desafios democráticos e políticos da educação ambiental e para a sustentabilidade”.

Como esta educação é apontada como uma das vertentes principais da nova área curricular de Cidadania e Desenvolvimento, comum a todos os ciclos de escolaridade, o CNE recomenda que a sua “dimensão política” seja assumida, “reconhecendo as articulações entre os problemas ambientais e as lógicas de crescimento económico (…) e de exploração/desigualdade, bem como a necessidade de afrontar a ligação entre a crise ambiental e a crise demográfica traduzida num excesso populacional, a nível global.”

No mesmo sentido, o CNE propõe também que se coloque “o foco da educação ambiental na capacitação para a transformação social, através do envolvimento democrático dos cidadãos – crianças, jovens e adultos de diferentes idades – em iniciativas individuais e colectivas de resolução dos problemas que afectam a sua vida e as comunidades onde vivem.” Defende ainda o CNE que “este foco na acção permitirá contrariar o sentimento de incapacidade e falta de poder de muitos cidadãos relativamente aos problemas socioambientais”.

O Conselho Nacional de Educação lembra que, ao longo dos anos, já tomou por várias vezes posição a respeito da educação ambiental, mas considera que esta nova recomendação se justifica face aos acontecimentos dos últimos tempos, seja a proclamação da “emergência climática”, como o “questionamento da informação científica disponível” por parte “de significativos decisores políticas nesta matéria” ou ainda a “consciencialização crescente dos jovens, com uma reivindicação continuada de mudanças urgentes”.

No seu documento, o CNE chama também a atenção para o facto de o domínio da educação ambiental ter sofrido, ao longo dos anos, “oscilações e reorganizações sucessivas”. Para o CNE, só existe uma excepção a este panorama, “consubstanciada no movimento Eco-Escolas, que se mantém activo desde 1996 e que envolveu, no ano lectivo 2018/2018, 1724 escolas.”

Este movimento, que em Portugal é patrocinado pela Associação Bandeira Azul da Europa, tem como objectivo “encorajar acções e reconhecer e premiar o trabalho desenvolvido pelas escolas na melhoria do seu desempenho ambiental, gestão do espaço escolar e sensibilização da comunidade”. Refere ainda a organização que “a sua metodologia visa garantir a participação das crianças e jovens na tomada de decisões”.

3ª Edição do Concurso “Põe a tua terra nos píncaros” vai pôr os miúdos a Fazer Pela Terra

Janeiro 21, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto da Rádio Miúdos

“PÕE A TUA TERRA NOS PÍNCAROS 3ª EDIÇÃO – FAZ PELA TERRA”

A Rádio Miúdos realiza pela terceira vez o concurso “Põe a tua terra nos píncaros”, mais uma vez com o apoio da RBE-Rede de Bibliotecas Escolares, e na edição do ano letivo 2019/2020 propõe um apelo à ação pela Terra.

FAZ PELA (tua) TERRA apela a todos os miúdos das escolas públicas e privadas do país que mostrem o que se faz na sua terra pela sustentabilidade ecológica ou que apontem ideias para melhorar a forma como tratamos o planeta.

Nas duas primeiras edições o desafio proposto era falarem da sua terra (1ª edição) e de um herói da sua terra (2ª edição) e mais de 150 escolas de todo o país reponderam, com quase 200 spots de rádio que culminaram numa grande festa de apresentação, que ocorreu na Fundação Calouste Gulbenkian no passado mês de Julho.

Desta vez e com a urgência das questões climáticas a Rádio Miúdos procura que os miúdos das escolas de todo o país possam fazer o levantamento dos projetos que já estão em prática nas suas terras e apontar ideias que possam contribuir para melhorar a vida no planeta.

Para participarem os miúdos terão que fazer uma gravação áudio sobre o que a sua terra faz ou deve fazer para melhorar a Terra que é de todos, para o bem do planeta Terra. Deverão ser ações concretas que melhorem todo o Ambiente e que ajudem a mostrar o que se faz nas suas terras pela Terra.

As candidaturas das escolas podem ser feitas até ao dia 2 de fevereiro de 2020, com o envio da gravação do programa e do preenchimento do formulário de candidatura.

À semelhança da edições anteriores os municípios podem e devem candidatar-se. Estas candidaturas podem ser feitas até ao dia 10 de janeiro de 2020 e para validar terão que fazer a divulgação do concurso “Põe a tua terra nos píncaros 3 – Faz pela Terra!” até ao dia 14 de Janeiro (imagens e press-release em anexo).

A divulgação dos resultados será conhecida no dia 17 de fevereiro de 2020, no site da Rádio Miúdos – http://www.radiomiudos.pt e no site da RBE – www.rbe.min-edu.pt

Descarregar imagemregulamento e press-release aqui.

formulário online está disponível aqui.

YouTube aperta regras para crianças. Saiba o que muda

Janeiro 21, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 9 de janeiro de 2020.

Alterações que já tinham sido anunciadas entram em funcionamento nos próximos dias. A desactivação e restrição dos comentários, likes e publicidade vai afectar youtubers que fazem vídeos para crianças.

Sofia Neves

As mudanças que o YouTube tinha prometido implementar este ano no que toca aos conteúdos apropriados para menores entraram esta segunda-feira em vigor em todo o mundo, mas só as devemos começar a ver em acção nos próximos dias. Os criadores devem ser claros sobre o tipo de audiência a que estão a dirigir os seus vídeos, mas há mais medidas.

​Em Setembro de 2018, o YouTube lançou em Portugal a YouTube Kids, uma versão da sua plataforma dedicada às crianças. Em Julho de 2019, o site principal deixou de ser acessível a menores de 13 anos — as crianças abaixo desta idade eram direccionadas para conteúdos apropriados para a sua idade na segunda plataforma. No caso de o utilizador ter menos de 18 anos, passou a ser “necessária a autorização de um dos pais ou do tutor legal”.

Este foi o primeiro passo para uma separação definitiva entre os conteúdos que são apropriados para os menores de 13 anos e para a restante população. Pouco depois, em Setembro de 2019, o YouTube anunciou nova série de alterações para “proteger melhor as crianças e a sua privacidade”.

Nessa altura foi anunciado que todos os criadores de conteúdos deveriam, até 6 de Janeiro, designar os seus vídeos como sendo direccionados (ou não) para crianças. Os dados de qualquer pessoa que assistisse a um vídeo designado para essa faixa etária seriam, doravante, tratados como informações de um menor, independentemente da idade do utilizador. O prazo para a implementação destas mudanças terminava esta segunda-feira, mas, como assinala fonte do YouTube ao PÚBLICO, as alterações só “serão levadas a cabo nos próximos dias” — em Portugal e no resto do mundo.

Uma das grandes transformações acontecerá no campo das interacções com os youtubers. A nova política de tratamento de dados significa que, nos vídeos criados para crianças, o YouTube vai limitar a recolha e o uso de dados e, como resultado, vai necessitar de “restringir ou desactivar alguns recursos”. Entre estes estão funcionalidades como os anúncios personalizados, comentários, chats em directo, botões de “gosto” e “não gosto”, notificações que alertam o utilizador para novos vídeos, as histórias, ou o acto de salvar um conteúdo numa lista de reprodução, entre outros. A remoção de comentários em vídeos para menores, por exemplo, acontecerá na plataforma normal porque o YouTube Kids nunca permitiu comentários.

Estas medidas foram também introduzidas para resolver as preocupações levantadas pela Comissão Federal do Comércio dos EUA (FTC, na sigla original). Em Setembro de 2019, o Google aceitou pagar 170 milhões de dólares ​(154 milhões de euros) para encerrar as investigações abertas por aquela entidade e pelo estado de Nova Iorque sobre a recolha de dados pessoais de menores. Em causa estava a forma como a plataforma recolhia informação de crianças para lhes mostrar anúncios personalizados, sem nunca avisar os encarregados de educação — esta era uma violação directa da lei de protecção da privacidade das crianças online nos EUA, conhecida pela sigla COPPA, que dita que as empresas online não podem armazenar e utilizar dados de menores de 13 anos sem autorização.

Mas o que é que é designado como conteúdo para crianças? Um vídeo é designado para aquele tipo de audiência dependendo do seu assunto principal: se enfatiza personagens infantis, brinquedos ou jogos, e se inclui tutoriais, vídeos educativos ou canções.

Nos EUA e no Reino Unido, vários pais têm alertado para problemas no tipo de conteúdo que chega à aplicação com o filtro automático — paródias que usam desenhos animados infantis como o Ruca e a Peppa Pigs — em cenas violentas e sexuais. Mesmo que o YouTube Kids só promova na página inicial conteúdo verificado, as crianças podiam chegar a outros vídeos quando a função de pesquisa estava activada.

Alterações podem prejudicar criadores

Tal como admite o YouTube, estas mudanças “terão um impacto significativo” nos criadores de conteúdo. Desactivando as principais ferramentas de interacção com o público (como os comentários e gostos) e a própria publicidade, a empresa diminui a possibilidade de os youtubers rentabilizarem os seus canais.

Questionada pelo PÚBLICO sobre esta possibilidade, a empresa garante que continua a “acreditar no valor dos criadores de conteúdos para família” e que está a “analisar formas adicionais de entender e apoiar este ecossistema”. “Vamos trabalhar em estreita colaboração com os mesmos durante este período de transição para os ajudar a entender as mudanças que devem esperar na forma como o conteúdo é exibido e monetizado”, lê-se na resposta enviada por escrito ao PÚBLICO.

Já desde 2015 que o YouTube tem tentado dirigir menores de 13 anos para o YouTube Kids, que começou por ser uma aplicação móvel específica dedicada a crianças e que pode ser controlada pelos encarregados de educação.

Além de resolver a questão da COPPA, a aplicação também reduz possíveis problemas com bullying ao impedir o acesso a comentários, e permite aos pais personalizar o conteúdo que os mais novos vêem (por exemplo, limitar o YouTube Kids a vídeos com conteúdo educativo) bem como o tempo que passam na aplicação.


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