Cyberbullying: apenas porque sim

Janeiro 17, 2020 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Vera Silva publicado no Público de 14 de janeiro de 2020.

Há que informar largamente os nossos jovens para os riscos que a exposição da sua imagem publicamente pode correr.

Numa era digital onde tudo se torna demasiado fácil, encapuçado por um ecrã, miúdos e graúdos escondem-se na compensação das suas necessidades sociais maioritariamente falhadas. Objetivos de difícil concretização manifestam-se numa agressão evidenciada por atos de índole dúbia.

Aquilo que se mostra em publicações de redes sociais é apenas os que se quer ver e não aquilo que verdadeiramente somos. Rasgos de felicidade e de vidas ilusionadas mostram-se em fotografias quase sempre de beleza e alegria. Quando assim não é a vitimização, por detrás da publicação, também ocorre. Mostra-se a vida que se pretende mostrar. Mantêm-se fachadas, máscaras do se quer mostrar e erra-se no encontro do que verdadeiramente é. Destroem-se vidas apenas porque sim. A difamação, calúnia e derrame da imagem ocorrem entre adolescentes, mas também e cada vez mais entre adultos. Uma forma cobarde de se atingirem objetivos infelizes de prejudicar a vida alheia. Muitas vezes porque sim.

Entre agressor e agredido a diferença é vasta e ao mesmo tempo tão curta. Agredir é muitas vezes um ato de defesa cobarde. Agride-se por que sim, porque quero e porque a liberdade que me é concedida nas redes sociais é de tal forma extensa que não há limites… e também porque ninguém está a ver, não se é identificado. Já lá vai o tempo em que o que corria menos bem se resolvia cara a cara. Agora ofende-se, denigre-se a imagem de outros por motivo algum, mas também porque sim.

Mas são assim tão importantes as redes sociais que nos fazem colocar a vida em risco ao expor a imagem que é do próprio e só a ele diz respeito? O grau de confiança que deposito em alguém é medido pelo que publica, pelo que diz que disse, e se será ou não de confiança. Entre dez atos de bondade ao próximo, um ato tido pelo outo como desadequado danifica uma relação, porque a virtualidade assim nos ensina. É fácil, descartável e ninguém me vê. Destruo a imagem do outro apenas porque sim.

Quando alguém ataca é porque se sente de alguma forma agredido, seja porque motivo for, mais que não seja porque a vida do outro nas redes sociais (desconhece-a na realidade) é tão boa, tão feliz, tão brilhante, repleta de sucesso que por esse motivo me apetece destrui-la, mesmo sem a conhecer na realidade. Construções mentais de emoções que assolam o corpo ao olhar para a realidade virtualidade social do outro manifestam-se na destruição daquele que se “admira”. A admiração, é subjetiva, pois no seu expoente máximo pode tornar-se obsessão e assim sendo deixam de existir bitolas que sirvam para manter o discernimento.

O agressor deliberadamente assume um papel de prepotência perante aquele, que sofre as consequências da ofensa. A diferença entre nós e os animais é que os mesmos atacam para se defenderem e se alimentarem. O ser humano fá-lo muitas vezes por que sim. A prepotência de quem agride exige uma paciência enorme do outro para que se dê a outra face. Muito poético, muito inteligente, muito sábio dar a outra face quando se sofre na pele a agressão da calúnia e difamação. No entanto, o limite humano permite-nos dizer chega!

Hoje em dia muitas são as crianças que já tem acesso às redes sociais e por vezes com a conivência do adulto. Digo por vezes porque situações há nas quais os pais desconhecem sequer o que os filhos fazem por mares navegados da internet. As redes sociais são de fácil acesso, difícil é sair delas, porque uma vez publicado dificilmente se apaga da net e da mente dos que assistiram de camarote à difamação e calúnia sem nada fazerem. As crianças e adolescentes ainda não atingiram um grau de maturidade para discernir entre o que pode eventualmente ser divulgado e o que não pode. Muitas vezes mesmo o que pode é alvo de calúnia. Há que informar largamente os nossos jovens para os riscos que a exposição da sua imagem publicamente pode correr. Esta educação deve vir da família em primeiro lugar, mas também da escola através das aulas de Educação para a Cidadania, por exemplo. Quantas imagens de jovens são colocadas nas redes sociais com fortes avisos de que emocionalmente não estão bem e nada é feito, porque o mundo virtual é de tal forma intrincado que a maioria das famílias e da escola não têm conhecimento deste sofrimento explicito na fotografia publicada para chamada de atenção. Por vezes considera-se (nalguns casos assim é) que o que se publica serve para alimentar o ego com mais likes e seguidores. Mas com isto têm que expor a sua vida, estar constantemente, ligados a uma App para que tenham vida social lá. A exposição mesmo a mais correta, acreditando que não há certos nem errados, pode ser alvo de calúnia e difamação. Como ficará no futuro a vida destes jovens que expõem a sua vida a nu nas redes sociais? Atualmente para termos uma noção superficial da pessoa que temos à frente vamos às redes sociais (por exemplo para uma entrevista de emprego). O que é facto é que muitas vezes são o lobo na pele do carneiro e isso as crianças e jovens são sabem discernir… nem mesmo os adultos. Porque muitas vezes acredita-se que o que é mostrado é o que é real. Em fases cujo desenvolvimento social, mental e da imagem têm elevada preponderância como é o caso da adolescência, como farão a gestão emocional quando, são alvo de chacota, difamação ou calúnia? Como poderão apresentar-se no dia seguinte na escola e enfrentar os colegas? Muitos dirão, infelizmente, “colocou-se a jeito”. Infeliz expressão e de desrespeito pelo ser humano. Consequências graves poderão advir destes atos impensados de jovens para jovens, pois o caminho para situações de automutilação ou suicídio é curto.

O uso de fotografias de crianças e jovens para fins degradantes é algo a reter já que ao ser publicada a fotografia na rede social, por mais cuidado com a segurança que se possa ter, aquela imagem, fica ao acesso de todos. E todos… são mesmo todos.

Mas o que é facto é que os adultos têm dificuldade em ser exemplo, pois ao publicarem nas redes sociais momentos que só aos próprios dizem respeito (por vezes para mostrarem que têm a família perfeita, dentro da desarmonia existente), fotografias de crianças (sem a sua autorização) estão a colocar em risco a vida dos que mais amam. Quanto mais adultos, mais distantes ficam da inocência da infância, e se as crianças são apanhadas nas malhas das redes sociais é por serem crédulas, de que o que vêem é o que é. No caso do adulto, o mesmo sabe ou deveria saber que expor-se nas redes sociais é colocar a sua imagem (literalmente) à disposição de todos. E as intenções nem sempre são as melhores de todos aqueles que se tornam amigos, seguidores, etc. Difama-se, calunia-se derrama-se a imagem apenas porque sim.

A autora escreve segundo o novo acordo ortográfico

Pediatra e Investigadora em Ciências da Cognição e da Linguagem do Instituto de Ciências da Saúde da Universidade Católica Portuguesa

A segurança online traduzida em (e para) miúdos

Janeiro 17, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia da Activa de 8 de janeiro de 2019.

Chegou um novo projeto que pretende sensibilizar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos para um ambiente online mais seguro.

Chegou o projecto “ePrivacidade Trocada Por Miúdos”, uma iniciativa do Capítulo Português da Internet Society e do Projecto MiudosSegurosNa.Net, aprovada pela Internet Society Foundation. O objetivo é criar e desenvolver uma campanha sobre privacidade e segurança online, de modo a sensibilizar crianças, pré-adolescentes, adolescentes e jovens adultos para um ambiente online com mais confiança e segurança. Prevê-se que a iniciativa dure dois anos, que poderão ser prolongados em função do seu sucesso. Já o seu lançamento, terá lugar na Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, no próximo dia 28 de Janeiro de 2020, Dia da Proteção de Dados.

O projeto inclui quatro principais componentes: um evento anual para assinalar o Dia da Proteção de Dados; a disponibilização de tutoriais e outros recursos sobre privacidade e segurança online; um concurso anual destinado a estudantes de todos os níveis de ensino, do pré-escolar ao universitário, visando a sensibilização sobre a privacidade online e a disseminação dos trabalhos dos estudantes desenvolvidos no âmbito do concurso.

Esta iniciativa está alinhada internacionalmente com as metas da missão da Internet Society e também com as prioridades do Capítulo Português anunciados aquando da eleição desta direcção em Março último. Destas destacam-se nomeadamente a promoção de acções de debate e formação em torno da problemática da confiança, a produção de materiais de apoio e acções de apoio à formação dos utilizadores, particularmente os mais jovens, e o lançamento de um concurso que promova o envolvimento ‘mãos na massa’ de equipas de jovens em torno do tema confiança online“, afirma o Presidente da Direção do Capítulo Português da Internet Society, José Legatheaux Martins.

Já para Tito de Morais, fundador do Projecto MiudosSegurosNa.Net, o projeto “alinha-se e enquadra-se no trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo dos 16 anos que levamos de existência, permitindo aprofundar uma temática cada vez mais crítica e essencial.“. A Associação D3 – Defesa dos Direitos Digitais, Associação de Professores de Filosofia, Associação Nacional de Professores, Associação Portuguesa para a Promoção da Segurança da Informação,Conselho Nacional de Juventude, entre outras entidades públicas e privadas, são alguns dos parceiros da iniciativa.

Violência Doméstica e as Repercussões na Criança – II Encontro da CPCJ de Sousel 20 de janeiro

Janeiro 17, 2020 às 9:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Menina que Sabia Usar o Coração

Janeiro 17, 2020 às 6:00 am | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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O livro “A menina que sabia usar o coração” pode ser utilizado tanto em casa como na escola, mas foi especialmente criado com o intuito de apoiar as crianças e seus professores na melhoria de tempos de qualidade e criatividade nas creches, infantários, jardins infantis, escolas públicas, colégios, atl’s e centros de estudo. A obra encerra um conto infantil e um apêndice para professores sobre a disciplina extra curricular, o teatro. Conheça esta história que lembra os valores, os afetos, e os bons relacionamentos através de uma história infantil, uma meditação infantil, um artigo sobre arte terapia – teatro e os seus benefícios, um artigo que explica como organizar, ensaiar e encenar uma peça com os mais pequenos e uma adaptação para teatro do mesmo conto. A adaptação para teatro que se encontra neste livro é de autoria de Isabel Leal e procura incentivar os momentos de diversão e aprendizagem em todos os estabelecimentos de ensino ou apoio ao ensino espalhados pelo país, oferecendo a peça pronta a ser ensaiada e representada em qualquer festa ou evento infantil. Aguardo que este livro sirva o propósito e que haja muitas meninas e meninos pelo mundo a usar o coração em cima do palco e fora dele.

Aquisição do livro nas livrarias:

https://www.amazon.com/Menina-Sabia-Usar-Cora%C3%A7%C3%A3o-Portuguese/dp/9895175485

https://www.wook.pt/livro/a-menina-que-sabia-usar-o-coracao-persica-autora-isabel-leal/18897580

Peça de teatro “A menina que sabia usar o coração” https://alegrianainfancia.wixsite.com/index/teatro-infantil

“Já sou grande” na Rádio Miudos https://alegrianainfancia.wixsite.com/index/radio-miudos

Alegria na infância https://alegrianainfancia.wixsite.com/index


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