7 conselhos para ajudar os miúdos a lidar com as redes sociais – conselhos de Maria João Cosme do IAC

Janeiro 15, 2020 às 8:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 9 de janeiro de 2020.

Margarida Queirós

Na edição de dezembro da VISÃO Júnior falámos sobre o mundo dos likes. Agora, temos sete conselhos – dados por uma psicóloga – para os pais ajudarem os mais novos a lidar com as redes sociais.

As redes sociais fazem parte da nossa vida, é um facto que ninguém consegue negar. Os mais novos também as usam e muita da sua vida social é vivida no Instagram, no TikTok e no Facebook. Passar demasiado tempo preocupado com likes ou ansioso porque os dados móveis acabaram é algo que acontece a muitos jovens. Por isso, e com base em testemunhos recolhidos junto dos nossos leitores que usámos no artigo de capa, questionámos a psicóloga Maria João Cosme sobre algumas situações comuns a muitos pais. A especialista é psicóloga no programa SOS Criança, do Instituto de Apoio à Criança.

Ultimamente o meu filho só fala de redes sociais. O que posso fazer para que se interesse por outras atividades?

As redes sociais não têm de ser conotadas apenas como algo negativo. Sabendo que nas redes sociais a comunicação faz-se principalmente entre pessoas amigas, podemos por exemplo aconselhar outras atividades que possam fazer offline com essas pessoas. O ponto de partida deve ser ouvir os filhos, mostrar interesse pelo que gostam e tentar perceber como funcionam as redes sociais. Depois, poderão pedir que os filhos façam o mesmo, ou seja, que deem atenção a outras atividades que os pais dominem melhor. Conhecer os filhos e os seus interesses abre uma porta de comunicação saudável e rica entre pais e filhos!

Já aconteceu ver o meu filho triste porque uma das fotos que publicou teve poucos likes. Como lhe explico que os likes não ditam se as pessoas gostam de nós ou não?

Os pais devem ter sempre por base uma relação de confiança, abertura e comunicação com os filhos. Isso começa à nascença… Até antes! Assim sendo, os pais, melhor que ninguém, saberão chegar até eles. Por um lado, mostrando empatia pelo seu sentimento de tristeza mas, por outro lado, explicando de forma clara que os likes são gestos à distância, não há apego, não há pessoas em presença, logo, não se podem nunca comparar com as ações e os sentimentos que temos em presença de alguém. Se forem likes de desconhecidos também não devem ser sobrevalorizados, ou seja, ter likes ou não terlikes deve ter a mesma explicação, relativizando o tema, para não ter uma dimensão desmesurada.

O meu filho está sempre ligado, e quando lhe peço para largar o telemóvel, noto que fica ansioso, como se fosse perder algo. É normal?

Pedir para largar o telemóvel vai depender do que o jovem estiver a fazer . É normal que o filho fique ansioso caso esteja envolvido numa atividade ou jogo ou conversa que tenha de interromper. Obviamente, se estiver a usar o telemóvel num momento desadequado, como por exemplo ao jantar, ou onde saiba à partida que está a incumprir ou desobedecer, não deve ser valorizada a sua ansiedade e deve ser explicada de forma assertiva a regra e o motivo pelo qual não se pode estar ao telemóvel naquele momento. Os pais devem também ser o exemplo e desligar mais vezes o seu telemóvel!

A minha filha tem muitos seguidores nas redes sociais e está a tornar-se “famosa”. É normal para uma adolescente? O que faço para que não dê tanta importância ao assunto?

O sentimento de “ser famoso” nao tem de ser negativo. Tem, sim, de ser contextualizado, ou seja, a jovem deve entender a diferença entre  a “fama” online, e a fama da vida real, conseguida através de reconhecimento por feitos nobres ou de excelência em alguma área específica. Os pais devem ajudar a “trazer à terra” e não deixar que fiquem demasiado deslumbrados com algo que nem sequer conseguem dominar pelo carácter “fantasiado” do mundo virtual.

Como explico aos meus filhos que a vida dos influencers não é exatamente como vemos no Instagram?

Os influencers só mostram o que querem. Tal como os atores e atrizes também têm vidas muito diferentes das que mostram no ecrã – assim se deve explicar que nem tudo o que parece é.  Caso os influencers sejam modelos pela positiva, isso pode resultar numa boa forma de os jovens seguirem modelos.

Como posso ajudar a minha filha a reduzir o tempo que passa no telemóvel?

Os pais devem sempre ter um discurso pela positiva. Falar dos benefícios que se pode ter e das muitas atividades interessantes que se podem fazer se tiverem mais tempo disponível: estando online na vida real,  fazendo histórias sem Instagram e obtendo abraços em vez de likes. O sabor disto falará por si. Têm que se sentir os ganhos!

Como posso introduzir a ideia de fazer um detox de redes sociais/telemóvel? Qual será a melhor altura e como se pode lidar com a ansiedade que daí resulte?

Qualquer vício está associado a ansiedade. Combater os vícios é perceber as rotinas que lhe estão associadas. Se os nossos filhos perceberem em que momentos mais usam o telemóvel, poderão antecipar e substituir o uso do telemóvel por qualquer atividade ou ocupação que gostem. Estarem distraídos e divertidos ou concentrados em algo, fará desaparecer ou diminuir a ansiedade. O que interessa é estarem a sentir prazer: se o obtiverem de uma forma diferente, não haverá ansiedade associada. A nossa mente é que nos guia e somos nós que controlamos a nossa mente! Experimentem em família programas de fins de semana ou férias cativantes, mantendo a possibilidade de usarem telemóvel ou rede social em momentos acordados pelos interessados. Não esquecer que os pais devem dar o exemplo!

A importância da infância é como a raiz de uma planta – 17 janeiro em Lisboa

Janeiro 15, 2020 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/2750167518385175/

Pai-herói, que percorre 24 quilómetros diários para que as filhas estudem, homenageado pelo Governo afegão

Janeiro 15, 2020 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 8 de janeiro de 2020.

Governo do Afeganistão prometeu não só uma escola para a aldeia de Mia Khan como baptizá-la com o seu nome.

Carla B. Ribeiro

Nas pequenas aldeias em redor de Zareh Sharan, capital da província afegã de Paktika, no Sudeste do país, há ainda quem acredite que as raparigas não deviam ir à escola. Mas para um pai de três meninas esses pensamentos são irrelevantes porque, diz, citado pelo site afegão de notícias Reporterly, “estudar é um direito das minhas filhas”. E Mia Khan empenha-se, todos os dias, para que esse direito não lhes seja vedado.

que, numa região onde a segurança ainda é um luxo reservado aos mais endinheirados, explica Khan ao mesmo órgão, ir à escola depende de ter quem acompanhe as crianças. “A [falta de] segurança é uma das dificuldades de quem vive no Afeganistão. Ser incapaz de passear em segurança, dos nossos familiares não poderem viajar pela cidade com facilidade ou dos nossos filhos não poderem ir muito longe para estudar.”

Porém, para este pai, de 63 anos, patriarca de uma família de 12, dos quais sete raparigas, a solução tornou-se óbvia. “Mia Khan viaja 12 quilómetros todos os dias na sua moto para levar as suas filhas à escola e, depois, espera por elas algumas horas, até que as aulas terminem, para as levar de volta a casa”, descreveu o Comité Sueco para o Afeganistão (SCA, na sigla original, uma organização não-governamental que opera no país, nomeadamente ao nível da educação e da inclusão de meninas na escola), no início de Dezembro, num post nas redes sociais.

Na verdade, a maioria das vezes, acabaria por o próprio relatar, os quatro — ele e as três filhas, de 8, 10 e 12 anos — percorrem a pé aqueles 12 quilómetros de casa à escola e, ao fim do dia, outros tantos para regressar ao lar.

Uma rotina diária inspiradora, como foi descrita por várias pessoas pelas redes, que acabaria por chamar a atenção do Governo afegão, num país onde há, segundo dados de 2015, cerca de 60% de analfabetos, sendo que este valor escala para 75% se se tiver em conta apenas o género feminino.

Na semana passada, Mia Khan foi homenageado pelo próprio ministro da Educação do país, Mirwais Balkhi, que o apelidou de “herói da educação”. Entretanto, Balkhi divulgou em comunicado, citado pelo South China Morning Post, a intenção de construir uma escola na aldeia onde Khan vive e baptizá-la com o seu nome.

“A educação das crianças é responsabilidade das famílias, mas o caso de Mia Khan é excepcional porque durante anos ele teve que andar com as suas filhas quilómetros”, considerou o porta-voz do mesmo ministério, Noorya Nazhat, ao jornal Arab News.

Lutar pela literacia

O afegão Mia Khan é analfabeto como tantos outros concidadãos. No entanto, o homem sempre quis algo diferente para os seus descendentes: “Eu trago as minhas filhas para a escola todos os dias para que possam estudar e experimentar uma vida diferente da que eu e a mãe temos”, disse ao Reporterly.

A sua atitude, além de promover a alfabetização das raparigas, num país onde prevalecem os casamentos forçados, a violência doméstica e elevadas taxas de mortalidade materna, vai ao sabor da corrente dos progressos feitos pelos direitos das mulheres afegãs, desde que foram proibidas, durante o regime talibã, de 1996 a 2001, de frequentar as escolas, de terem trabalho, de participarem na política e até de saírem sem a companhia de um parente masculino. Actualmente, sobretudo nas cidades, muitas mulheres trabalham fora de casa e mais de um quarto dos membros do Parlamento são mulheres.

No entanto, explica o jornal Arab News, a luta por maior igualdade está ainda por conquistar, com as mulheres a terem de enfrentar uma hostilidade quase cultural, tanto no seio das famílias como por parte de militantes fanáticos.

Certo é que nada disto parece incomodar Khan que considera “importante o papel das mulheres na sociedade”, dando tanto valor às mulheres e às raparigas quanto aos homens. Além do mais, com uma doença cardíaca e sem cuidados médicos onde vive, Khan sonha que a sua filha Rozie, de 12 anos, venha a ser a primeira médica da aldeia. “É o meu maior desejo ver a minha filha como a primeira médica. Eu quero que ela sirva a humanidade.” Já a menina afirma-se “feliz por estudar”.

As três filhas de Khan, explica o SCA no seu blogue, estudam na Escola para Raparigas de Nooraniya, escolhida pelo progenitor pela qualidade do ensino, estando duas delas no sexto ano e uma no quinto.


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