Obesidade infantil: um assunto que nos diz respeito

Dezembro 20, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle

Certamente já ouviu falar em obesidade infantil. Mas talvez ainda não tenha noção da gravidade deste problema. Cerca de uma em cada três das nossas crianças já tem excesso de peso antes de entrar para a escola.

Muitas vezes as pessoas não dão importância ao excesso de peso da criança pequena. Contudo, o excesso de peso mesmo em crianças muito pequeninas já é prejudicial para a saúde.

Ao consultar os materiais disponíveis nesta secção saberá porque é que a obesidade infantil é considerada uma doença crónica, o que leva uma criança a ficar obesa, e quais as consequências da obesidade para a saúde das crianças. Dedique alguns minutos do seu tempo e descubra porque é que este assunto também lhe diz respeito.

O que é a obesidade infantil?

A obesidade é uma doença que se caracteriza pelo excesso de gordura no corpo em quantidades capazes de prejudicar a saúde. Quando ocorre entre o nascimento e o início da adolescência é chamada obesidade infantil.

A obesidade é uma doença crónica porque não tem uma cura definitiva e deve ser controlada durante toda a vida. Isso quer dizer que, mesmo que uma criança obesa seja tratada e emagreça, terá sempre tendência a engordar novamente.

Como é que uma criança fica obesa?

A maioria das crianças e adolescentes obesos têm a chamada obesidade nutricional, ou seja, engordam porque comem mais do que necessitam. Ao contrário do que muitas pessoas acreditam, são raras as situações em que as crianças e os adolescentes apresentam obesidade por outros motivos, como doenças ou a utilização de medicamentos.

Isso funciona da seguinte forma. Diariamente, as crianças necessitam de energia para o crescimento, o desenvolvimento e o funcionamento do seu organismo. Essa energia vem através da alimentação. São as chamadas calorias. Quando uma criança consome mais calorias do que aquelas que gasta, as calorias em excesso acumulam-se sob a forma de gordura. Com o passar do tempo e a contínua acumulação de gordura no organismo, a criança deixa de ter um peso normal e passa a ter excesso de peso. À medida que a situação se agrava, o excesso de peso aumenta e pode chegar ao grau de obesidade.

Observa-se assim que a obesidade não acontece de repente mas ao longo do tempo. Na maioria dos casos é o resultado de consumos excessivos de calorias, que podem ser pequenos, mas que são repetidos ao longo de dias, semanas, meses e anos.

O que contribui para a obesidade infantil?

A forma mais natural e eficaz de aumentar o gasto da energia consumida com a alimentação é através da atividade física. Por isso, podemos dizer que os maus hábitos alimentares e a pouca atividade física das crianças são os maiores responsáveis pelo aumento do número de casos de obesidade nos últimos anos.

No entanto, é fundamental compreender que existem ainda diversos fatores que influenciam negativamente os hábitos de alimentação e atividade física da criança ou aumentam a tendência de uma criança para ganhar peso. Estes fatores também devem ser tidos em consideração se quisermos prevenir ou tratar a obesidade infantil.

Fatores relacionados com a gravidez

– Obesidade da mãe no início da gravidez;

– Ganhar peso a mais durante a gravidez;

– Fumar durante a gravidez;

– Ter diabetes não controlada durante a gravidez.

Fatores relacionados com a alimentação

– Alimentação por biberão com leite de fórmula nos primeiros meses de vida;

– Começar a comer outros alimentos para além do leite materno ou do leite de fórmula antes dos 4 meses de vida;

– Desrespeito pelos sinais de fome e de saciedade da criança;

– Consumo reduzido de frutas e vegetais;

– Consumo habitual de produtos alimentares com excesso de açúcares e gorduras e de baixo valor nutritivo, como bolos, doces, chocolates, rebuçados, fritos de pacote (snacks), entre outros;

– Consumo frequente de bebidas açucaradas, como refrigerantes, sumos e leites aromatizados;

– Consumo excessivo de calorias;

– Consumo regular de refeições fora de casa;

– Petiscar entre as refeições.

Fatores relacionados com a atividade física e o sono

– Passar muito tempo em atividade de ecrã, como ver televisão e utilizar computadores, telemóveis e videojogos;

– Fazer pouca atividade física;

– Dormir menos horas que o necessário.

Fatores relacionados com os pais, a família e outros cuidadores (amas ou outros em instituições como creches e jardins-de-infância)

-Obesidade dos pais;

– Obesidade em familiares próximos;

– Maus hábitos de alimentação e atividade física dos pais e pessoas mais próximas;

– Falta de conhecimento dos pais e outros cuidadores acerca da alimentação saudável.

O que pode acontecer a uma criança obesa?

A obesidade infantil está associada a uma série de consequências negativas para a vida das crianças:

Consequências ao nível da saúde da criança: como consequência da obesidade é cada vez mais frequente encontrar crianças com colesterol elevado, tensão alta, diabetes, problemas ortopédicos, doenças do fígado, entre outros problemas de saúde.

As crianças obesas têm também um maior risco de sofrer de problemas sociais e psicológicos, como dificuldades na relação com outras crianças e baixa autoestima.

Consequências na vida adulta: a obesidade é uma doença crónica. Uma criança obesa terá sempre tendência para continuar obesa ou voltar a ser obesa durante toda a sua vida. Sabe-se que mais da metade das crianças com excesso de peso na infância terá excesso de peso no início da sua vida adulta. Além disso, todas as crianças obesas têm maior tendência a sofrer de diabetes ou de doenças cardiovasculares na vida adulta.

Obesidade infantil: um problema nosso

Combater a obesidade infantil é um dos maiores desafios para a saúde pública no século XXI. Trata-se de um problema crescente ao nível mundial, que afeta não só os países ricos, mas também países de baixo ou médio rendimento.

A Organização Mundial de Saúde estima que em 2010 havia em todo o mundo cerca de 42 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade com excesso de peso. A situação em Portugal é bastante preocupante uma vez que Portugal é um dos 4 países da Europa com o maior número de crianças com excesso de peso aos 4 anos.

Infelizmente é comum que as pessoas não se preocupem com o excesso de peso e a obesidade em crianças pequenas. Muitos acreditam que uma criança gordinha é uma criança saudável. Outros pensam que o excesso de peso passa sem causar danos, à medida que a criança cresce. Mas sabe-se hoje que até mesmo o excesso de peso já tem um impacto negativo na saúde dos mais pequeninos.

A obesidade deixa sempre marcas e todos aqueles que tenham oportunidade devem ajudar a combater este mal.

Para mais informações consulte www.papabem.pt

O Instituto de Apoio à Criança deseja um Feliz Natal e um Bom Ano 2020

Dezembro 20, 2019 às 3:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A postura das crianças na escola (e fora dela): fomos ao ortopedista

Dezembro 20, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo Lifestyle de 21 de novembro de 2019.

Nuno de Noronha

As doenças que afetam a coluna representam mais de 50% das causas de incapacidade física. Estima-se que 7 em cada 10 portugueses sofrem ou já sofreram de dores nas costas. Será que deveríamos preocupar-nos com a postura das crianças nas escolas? Falámos com o médico Jorge Alves, ortopedista e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV).

O transporte repetido de uma mochila pesada pode condicionar, no futuro, problemas graves para as costas das crianças. Para além das dores nas costas de que provavelmente as crianças se queixam no dia-a-dia, este hábito pode provocar um desgaste acrescido da coluna vertebral da criança ao longo do tempo, prejudicando gravemente a sua saúde a longo prazo. Mas as mochilas não são o único motivo de preocupação. Pedimos ajuda ao ortopedista Jorge Alves para nos esclarecer algumas dúvidas sobre a postura das crianças.

Os programas escolares hoje em dia debruçam-se o suficiente sobre temas da promoção da saúde, nomeadamente sobre a importância de uma postura saudável?

A existência de uma disciplina de Educação Física nos programas escolares é um sinal de que há uma preocupação por parte do Ministério da Educação em promover a prática regular de exercício físico nas escolas. Todos sabemos a importância do exercício físico para o desenvolvimento dos alunos e promoção da sua saúde, viabilizando o seu bem-estar físico, mental e social.

Relativamente às questões posturais, desconheço medidas específicas para tentar lidar com o assunto, com excepção de um projeto de investigação que se desenvolveu num agrupamento de escolas em Penafiel, no qual estão a ser utilizadas mesas e cadeiras ajustáveis à altura dos alunos, para que, de facto, possam ter uma postura mais correcta. O projecto é liderado pela professora Emília Alves.

Como explicar a uma criança que é importante ter cuidado com as costas?

A partir do momento em que sabem que a coluna é a base de sustentação da nossa cabeça, tronco e braços, que protege a medula e os nervos que nos permitem mexer e que é uma estrutura que permite um elevado grau de mobilidade, torna-se fácil para eles perceberem que é muito importante tratá-la bem.

Os melhores exercícios são aqueles que promovem o reforço dos principais músculos estabilizadores da coluna, nomeadamente o multifidus e o transverso do abdómen

Qual a dimensão do problema das mochilas escolares?

O problema é transversal à nossa sociedade e de difícil resolução. Apesar de todas as campanhas de sensibilização que têm sido promovidas por várias entidades, continuamos a ver, mesmo nas nossas próprias casas, os miúdos a carregarem mochilas com mais de 10 quilogramas. O problema está identificado, mas, na prática, pouco tem sido feito para o resolver.

Como fazer o meu filho participar nas tarefas domésticas?

Dezembro 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do Sapo LifeStyle de 2 de dezembro de 2019.

Antes de se planear as atividades que se podem solicitar aos filhos, é fundamental que se preveja o seu sucesso ou insucesso no desempenho dessa mesma tarefa.

Os filhos, como parte integrante da família, devem também participar em todas as rotinas e atividades da casa que sejam possíveis de adaptar à sua idade. Esta participação permitirá desenvolver o sentido de responsabilidade, incentivar a autonomia e até possibilitar de uma forma lúdica uma significância para as aprendizagens escolares. São inúmeras as tarefas e atividades domésticas onde pudemos utilizar conceitos matemáticos (ex. contar os talheres, os pratos e os copos necessários para colocar na mesa) e outras até que poderão facilmente envolver conteúdos de língua portuguesa ou de estudo do meio (ex. ser capaz de se vestir sozinho, saber os diferentes dias da semana, ser capaz de ler as tarefas que tem de fazer) – conteúdos académicos que se juntam a outras vantagens que observamos na promoção da participação da criança nas rotinas diárias da casa, como por exemplo, o aumento da qualidade e quantidade de interações que se estabelecem entre pais e filhos.

Contudo, antes de se planear as atividades que se podem solicitar aos filhos, é fundamental que se preveja o seu sucesso ou insucesso no desempenho dessa mesma tarefa, para que se antecipem as devidas estratégias facilitadoras dessa execução. Não se trata de facilitar ou fazer por eles, trata-se de adequar e ter a certeza de que têm todas as ferramentas para desempenhar aquela função.

Em termos práticos, para conseguir implementar algumas destas rotinas no dia-a-dia dos seus filhos poderá, mediante uma reunião de família onde todos estão presentes, fazer a atribuição de tarefas a cada um dos elementos. Este encontro dar-lhe-á mais significância e aumentará o seu grau de envolvimento e responsabilidade. Posteriormente, depois de todos estarem de acordo com cada tarefa atribuída, organize num quadro as tarefas de cada um e coloque-o num local visível e de fácil acesso. No final da semana, se o seu filho cumprir as tarefas propostas poderá recompensá-lo de forma especial, caso esta gratificação lhe faça sentido. Contudo, importa referir que as recompensas devem ser simbólicas (e.g. ver um episódio extra da série preferida, jogar futebol no parque no domingo à tarde, ficar mais tempo acordado à noite numa sexta feira).

O quadro de tarefas deve estar organizado pelos dias da semana (em colunas) e as tarefas (em linhas). Cada vez que o seu filho completar uma tarefa deverá pedir-lhe que cole na tabela um autocolante de modo a demonstrar que já completou a mesma. No final do dia, numa hora definida, deverá verificar se as tarefas diárias foram executadas com sucesso e analisar o que correu bem e o que não correu tão bem, ajudando-o a pensar em estratégias de melhoria. No caso de algumas das tarefas não terem sido realizadas é preciso ter em atenção os motivos pelos quais as mesmas não foram executadas, pensando em conjunto com o seu filho através de uma atitude positiva e promotora da sua motivação.

Nunca é demais referir que as tarefas contribuem para o desenvolvimento dos nossos filhos, nomeadamente na autonomia, responsabilidade, cumprimento de regras, entre outras.

De seguida partilhamos um conjunto de tarefas organizado por idades:

2-3 anos

– arrumar os brinquedos numa caixa/baú

– ajudar a pôr a roupa na máquina de lavar: agora só as peças brancas, agora as pretas;

– deitar o lixo no caixote;

– dobrar os panos da loiça;

– ajudar a carregar fraldas e toalhitas

– ir à despensa buscar leite ou bolachas;

4-5 anos

– atar os sapatos;

– ajudar a pôr e a levantar a mesa;

– vestir-se sozinho;

– comer com garfo e faca;

– preparar um lanche simples: uma sanduiche de manteiga ou um iogurte;

– ajudar a arrumar as compras do supermercado

6-7 anos

– fazer a cama;

– tratar dos animais com vigilância (dar-lhes comida ou passeá-los)

– descascar batatas e cenouras com um descascador

– tirar a loiça da máquina

– limpar o pó e lavar o chão (passar com a esfregona);

8-9 anos

– passar a ferro, peças pequenas e simples;

– descascar uma peça de fruta com a faca;

– lavar a loiça à mão, se for necessário;

– estender e dobrar a roupa;

– começar a cozinhar, com supervisão, pratos simples (exemplo: ovos mexidos):

– ajudar a lavar o carro.

10-11 anos

– aspirar a casa;

– ficar responsável pelo animal de estimação – passeá-lo, alimentá-lo e dar-lhe banho;

– ajudar a cuidar do jardim;

– limpar a cozinha, incluindo o fogão e o forno;

– gerir o dinheiro da mesada;

+  12 anos

– Tomar conta dos irmãos mais novos;

– Fazer um bolo

– Fazer compras com uma lista;

– Cozinhar uma refeição completa;

– Assumir tarefas em casa (exemplos: lavar a loiça e deitar o lixo fora)

– Ir de autocarro sozinho para a escola


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