ByteDance, dona do TikTok, paga multa de $1,1 milhões por ter recolhido dados de crianças

Dezembro 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do PPLWare de 8 de dezembro de 2019.

O TikTok tem estado sob fogo no mundo Ocidental, especialmente nos EUA. O seu crescimento notável tem preocupado algumas entidades, sobretudo por ser uma empresa chinesa. Agora, a ByteDance, dona do TikTok, aceitou pagar multa de $1,1 milhões por ter recolhido dados de crianças.

Segundo o acordo alcançado, foram violadas leis de privacidade das crianças nos EUA, recolhendo dados e executando a app “de forma imprudente e ilegal para obter ganhos comerciais”.

O TikTok, apesar de ter pouca representatividade em Portugal, é uma das redes sociais que mais cresce em todo o mundo! Desde 2017, o seu crescimento foi de 1.533%.

Especialmente popular junto dos mais novos, o TikTok consiste em pequenos vídeos em que os utilizadores acrescentam música e efeitos especiais. Um conceito semelhante ao antigo Vine, entretanto extinto.

A empresa mãe da rede social é a ByteDance, da China. Esta empresa adquiriu o Musical.ly em 2017 e transformou-o no fenómeno que o TikTok é hoje em dia. Contudo, algumas práticas realizadas pela antiga rede social ditaram agora uma multa milionária para a ByteDance.

Num processo judicial nos EUA alega que o Musical.ly havia recolhido, de forma indevida, dados de crianças. Em causa está a “recolha e divulgação clandestina de informações de identificação pessoal e/ou dados (…) de utilizadores menores de idade, tendo sido posteriormente vendidos a terceiros para que pudessem comercializar os seus produtos e serviços na rede social”.

Acima de tudo, as queixas estão no ineficaz controlo do uso do TikTok por parte de menores de idade, especialmente em crianças com menos de 13 anos. Para além disso, a acusação focou-se também no tratamento realizados aos dados destes utilizadores, que devem ser diferenciados tendo em conta o seu estatuto.

Tendo em conta o sucedido, a ByteDance aceitou pagar 1,1 milhões de dólares pelas violações de privacidade feitas no passado. Para além disso, demonstrou que irá mudar a sua atividade no futuro de modo a evitar a repetição destas situações.

O TikTok está comprometido com a proteção dos dados dos seus utilizadores, especialmente dos mais jovens. Embora discordemos de grande parte do que é alegado na denúncia, temos trabalhado com as partes envolvidas e temos o prazer de anunciar uma solução para este problema”.

Nos Estados Unidos da América, a app da rede social já foi transferida mais de 110 milhões de vezes. É assim um autêntico caso de sucesso!

Eduardo Mota

Redator

“Através da Convenção há uma alteração do paradigma” Entrevista de Manuel Coutinho do IAC

Dezembro 13, 2019 às 3:39 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Escola Informação Digital nº 23, dez 2019, pág 17-20

Manual pretende prevenir a violência baseada no género

Dezembro 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 11 de dezembro 2019.

Jovens fizeram testes antes e depois da aplicação do manual para avaliar o impacto do programa. Em geral, todos mostraram mudanças em termos de atitudes, valores, comportamentos e aprendizagem esperados.

Um manual de acção para transformar normas rígidas de género, fornecendo novas abordagens para prevenir a violência e promover a igualdade entre jovens, foi desenvolvido por 15 investigadores e activistas de cinco países: Portugal, Alemanha, Bélgica, Croácia e Espanha.

Denominado EQUI-X, o manual, que é lançado na sexta-feira, em Lisboa, pretende “transformar normas rígidas de género, fornecendo novas abordagens para prevenir a violência e promover a igualdade entre jovens de diferentes idades, através da discussão de feminilidades e de modelos não violentos e equitativos de masculinidade”, afirma a Universidade de Coimbra (UC), numa nota enviada hoje à agência Lusa.

Inspirado nos programas H [homem] e M [mulher] da organização não-governamental internacional Promundo, o programa resulta de “um projeto de investigação” financiado com cerca de meio milhão de euros pela União Europeia, através do programa “Direitos, igualdades e cidadania”.

Os H e M do Promundo, reconhecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como programas de boas práticas, baseiam-se em “evidências alicerçadas em abordagens pedagógicas transformadoras de género, que questionam papéis, identidades e normas de género entre meninas e meninos, mulheres e homens de várias idades”, refere a UC.

Em Portugal, o projecto foi desenvolvido por uma equipa de investigadores do Centro de Estudos Sociais (CES) da UC e do Promundo Portugal, e implementado em três centros educativos (Olivais, em Coimbra, Navarro de Paiva, em Lisboa, e Santa Clara, em Vila do Conde) e em três escolas dos ensinos básico (Marquês de Pombal, em Pombal) e secundário (Infanta Dona Maria, em Coimbra, e Secundária de Pombal).

A equipa trabalhou directamente com 122 jovens de ambos os sexos (63 rapazes e 59 raparigas), com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos, realizando, nos últimos dois anos, 52 sessões educativas dinâmicas, colocando em prática 34 oficinas (das 39 que constituem o EQUI-X), sobre temas como relações de género, masculinidades e media, paternidade e cuidados, entre outros.

Os jovens fizeram testes antes e depois da aplicação do EQUI-X, para avaliar o impacto do programa, isto é, para verificar se eles mudaram ou não de atitude.

De uma forma geral, nota Tatiana Moura, coordenadora do estudo português, “todos os jovens que participaram na implementação do EQUI-X mostraram mudanças em termos de atitudes, valores, comportamentos e aprendizagem esperados”.

O programa “conseguiu proporcionar reflexões sobre algumas atitudes e comportamentos em relação às normas de género, às expectativas sociais estereotipadas de género, em relação à igualdade e corresponsabilidade, entre outras, que foram a bússola desta intervenção”.

Nas questões de igualdade de género, “tanto os meninos como as meninas partilharam atitudes positivas desde o princípio da intervenção em questões objectivas” e melhoraram em atitudes subjectivas.

Comparando os resultados obtidos nas escolas com os dos centros educativos, verificou-se que, de um modo geral, “as atitudes dos jovens nos centros educativos são menos equitativas do que nas escolas em geral e reflectem uma desigualdade também no acesso aos direitos e de uma vida sem violência”, afirmam, citados pela UC, os investigadores Rita Santos e Tiago Rolino.

“Sobretudo os meninos nos centros educativos têm atitudes marcadamente menos igualitárias”, referem os investigadores, referindo que, no entanto, se observaram algumas excepções. As meninas, pelo contrário, “são mais reflexivas em questões como ambos os parceiros devem ter responsabilidade para evitar a gravidez”.

Além do programa de intervenção adaptado à realidade e cultura de cada um dos cinco países participantes no projecto, foi também desenvolvido um manual europeu onde são expostas algumas reflexões pertinentes sobre temas que foram identificados como fundamentais nas práticas de trabalho quotidiano dos parceiros, com o objectivo de alcançar a equidade de género e prevenir a violência nas suas múltiplas formas.

“Pretendemos desconstruir a caixa rígida de masculinidades que contribui para a perpetuação das desigualdades de género”, afirma Tatiana Moura.

Este projecto chama ainda a atenção para “os desafios das mudanças políticas e das clivagens à direita conservadora e o retrocesso que isso pode significar na agenda da igualdade de género e na implementação de metodologias deste tipo”, conclui.

A equipa espera agora que o EQUI-X seja útil como ferramenta de trabalho em escolas e centros educativos do país, bem como em outros contextos de educação não formal.

O lançamento do manual terá lugar no Centro de Informação Urbana de Lisboa (CIUL), na sexta-feira, pelas 17h, com a presença da secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Rosa Monteiro.

Ritmos de aprendizagem alucinantes e pressão dos pais levam crianças à psiquiatria

Dezembro 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Mirante de 31 de maio de 2019.

Médicas do Serviço de Saúde Mental do Hospital de Santarém sem mãos a medir.

O ritmo de vida e os ideais criados pelos adultos são a principal causa do aumento de problemas de saúde mental em crianças e adolescentes. Crianças nervosas, com agitação intensa, ansiedade incontrolável e problemas de concentração e dificuldade de aprendizagem são presença regular na consulta de Pedopsiquiatria da médica Ana Barata, no Serviço de Saúde Mental do Hospital Distrital de Santarém (HDS).

O Hospital de Santarém tem duas pedopsiquiatras e Ana Barata tem uma lista de 298 crianças e adolescentes, em consulta. Número igual ou superior tem também a pedopsiquiatra, Nazaré Matos. “Somos poucos, trabalhamos muito, fazemos o nosso melhor e trabalhamos com muita dedicação em prol da saúde das nossas crianças. Mas este é o país que temos”, lamenta Ana Barata a O MIRANTE, que foi perceber como anda o estado de saúde mental dos mais jovens, em vésperas de mais um Dia Mundial da Criança, que se assinala a 1 de Junho.

As crianças são desde cedo pressionadas por ritmos “alucinantes” nas escolas, por vezes sobrecarregados com os famosos trabalhos para casa (TPC), com pressões de rápida aprendizagem, por parte dos professores que têm um programa de conteúdos para cumprir durante um ano lectivo, orientado pelo Ministério da Educação.

Por outro lado, a esmagadora maioria dos pais e encarregados de educação pressiona as crianças para que cumpram os requisitos impostos socialmente. “É tudo uma bola de neve”, sublinha a Ana Barata.

Os professores são pressionados, os pais são pressionados e tudo isto cai em cima dos ombros de indivíduos com cinco ou seis anos de idade. “Há professores extraordinários nas escolas, o problema é que alguns estão esgotados. As turmas, principalmente do primeiro ciclo, são muito grandes e o excesso de alunos é promotor de todo o tipo de dificuldades nas crianças”, explica a especialista.

A médica conta que a grande maioria das crianças que chegam ao seu gabinete vêm sinalizadas pelas escolas com o prognóstico de possível hiperactividade mas não saem das consultas com aquele diagnóstico. “Só porque uma criança é mais agitada não significa que seja hiperactiva. A tolerância dos adultos para estas crianças é que não é muita, porque dão muito trabalho”, aponta a pedopsiquiatra.

“As crianças agitam-se por diversos motivos. É como a febre. Tem sempre que se perceber qual a origem e, em função disso, agir em conformidade”, acrescenta.

A escola é a grande sinalizadora de casos de perturbação mental, mas também os pais e encarregados de educação pedem marcação de consultas através dos médicos de família, embora sejam uma minoria.

A médica chama a atenção para o facto de os próprios adultos terem um estilo de vida propenso à exaustão, situação que vai afectar a capacidade de actuar perante a criança. Ana Barata recorda que Portugal é um país onde as mães trabalham muitas horas, e sublinha a falta de estratégias na parentalidade para lidar com as crianças.

Crianças sossegadas devem ser ainda mais vigiadas do que as mais irrequietas

Do outro lado de uma balança onde falta equilíbrio em várias frentes, estão as crianças que não dão muito trabalho, as que se encostam a um canto do recreio da escola e praticamente não interagem. “Estes casos são, por vezes, mais preocupantes que os das crianças agitadas”, explica a médica. “Estas crianças sofrem, em alguns casos, de perturbações internalizantes e são menos sinalizadas porque não incomodam, não chamam tanto a atenção mas às vezes têm problemas mais complicados de tratar”, aponta.

A diferença entre um problema mental e uma perturbação psiquiátrica tem a ver com a gravidade, a intensidade, a frequência e o impacto que os sintomas têm na vida da criança ou adolescente. Ou seja, quanto maior a incidência destes factores, mais provável é que sofra de uma perturbação psiquiátrica.


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