Um terço dos estudantes só lê quando é obrigado

Dezembro 7, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 4 de dezembro de 2019.

Alexandra Inácio

Quase um terço dos alunos portugueses de 15 anos (31%) admite que só lê por obrigação; 46% só leem para encontrar uma informação que precisam e, para 22%, ler é uma perda de tempo.

Os resultados são piores nos rapazes. Os resultados do PISA revelam também que Portugal é o único país da OCDE que mantém uma evolução positiva nas três áreas (Leitura, Matemática e Ciências) desde 2000.

Os dados sobre o interesse pela leitura foram ontem revelados nos relatórios PISA (Programa de Avaliação Internacional de Alunos) e do Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) sobre os resultados portugueses da avaliação internacional. Por cá, o desinteresse é mais baixo da que as médias registada nos 79 países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) – onde, por exemplo, 49% só leem por obrigação -, mas piorou relativamente a 2009.

Por género, a proporção de rapazes que responde que ler é uma obrigação (41%), apenas para procurar uma informação (60,3%) ou uma perda de tempo (31,2%) chega a ser mais do dobro das raparigas (19,9%, 32,5% e 12,1% respetivamente).

Tanto a presidente da Associação de Professores de Português (APP), Filomena Viegas, como a comissária do Plano Nacional de Leitura, Teresa Calçada, alertam que os alunos de 15 anos associam a leitura ao estudo, obrigatório. “Eles leem muito nos tablets e nos telemóveis, mas não têm interesse pela literatura”, assume Filomena Viegas.

A presidente da APP considera que as listas de leitura para as disciplinas de Português devem incluir mais obras e autores. Além de maior liberdade de escolha, defende. “O leque tem de ser alargado para despertar interesse e prazer”, insiste. Teresa Calçada também considera que as bibliotecas das escolas têm de ter mais diversidade e novidades.

Literacia na média

“A mais-valia dos relatórios é que devem despertar o sentido crítico sem serem endeusados”, afirmou, sublinhando que, se as escolas não estivessem a trabalhar bem, os níveis de literacia não evoluiriam. “Não estamos descontentes mas também não estamos contentes. É preciso apostar na leitura em contextos diversos”, considera a comissária.

O PISA 2018 dedicou maior atenção à avaliação da literacia da leitura. Portugal conseguiu um resultado de 492 pontos (ligeiramente abaixo do de 2015) mas que acompanha a média da OCDE (487 pontos) e representa uma subida de dois pontos face a 2009 e 22 pontos em relação a 2000 (anos em que os relatórios também foram dedicados à Leitura). Portugal teve resultados que o colocam ao lado de países como a França, a Alemanha ou a Bélgica.

No retrato feito pelo PISA, os portugueses revelam-se ansiosos mas também mais felizes do que os restantes.

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