Uma criança morre por pneumonia a cada 39 segundos

Novembro 21, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Unicef/Jannatul Mawa
Mãe no Bangladesh segura bebê que regressou a casa depois de oito dias no hospital tratando pneumonia

Notícia e imagem da ONU News de 12 de novembro de 2019.

Doença mata menores de cinco anos mais do que qualquer outra infecção; Unicef faz parte de grupo de organizações de saúde que soam o alarme sobre “epidemia esquecida”.

A pneumonia matou mais de 800 mil crianças com menos de cinco anos no ano passado. O número representa a morte de uma criança a cada 39 segundos.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, está entre seis organizações de saúde que soam o alarme sobre a “epidemia esquecida”. Em janeiro, líderes mundiais irão debater o tema na Espanha, no Fórum Global sobre Pneumonia Infantil.

Vítimas

Em 2018, mais crianças com menos de cinco anos morreram devido a esta doença do que qualquer outra, incluindo diarreia e malária. A maioria das vítimas tinha menos de dois anos. Quase 153 mil morreram durante o primeiro mês de vida.

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que “todos os dias, quase 2,2 mil crianças com menos de cinco anos morrem de pneumonia, uma doença curável e principalmente evitável.”

Para Fore, “um forte compromisso global e o aumento de investimentos são essenciais”. A chefe do Unicef disse que “com intervenções preventivas e tratamentos de baixo custo, se pode salvar milhões de vidas.”

Tratamento

A doença pode ser evitada com vacinas e facilmente tratada com antibióticos de baixo custo. Apesar disso, dezenas de milhões de meninos e meninas não são vacinadas e uma em cada três crianças com sintomas não recebe atendimento médico.

Casos graves também podem precisar de tratamento com oxigênio, que raramente está disponível nos países mais pobres.

O diretor executivo da ONG Save the Children, Kevin Watkins, disse que “esta epidemia global exige uma resposta internacional urgente.” Segundo ele, milhões de crianças estão morrendo por falta de vacinas, antibióticos e tratamento de oxigênio.

Para o especialista, esta crise “é um sintoma de negligência e desigualdades sem defesa ​​no acesso aos cuidados de saúde.”

Regiões

Em cinco países ocorreu mais da metade das mortes: Nigéria, Índia, Paquistão, República Democrática do Congo e Etiópia.

Crianças com sistema imunológico enfraquecido devido ao HIV ou à desnutrição, por exemplo, e aquelas que vivem em áreas com altos níveis de poluição correm um risco maior.

O diretor executivo da Aliança Global para Vacinas e Imunização, Gavi, disse que é “chocante” que esta doença continue a ser a que mata mais crianças em todo o mundo.

Seth Berkley destacou um “progresso forte na última década”, com milhões de crianças nos países mais pobres recebendo a vacina, mas disse que ainda é preciso mais trabalho para garantir o acesso universal.

Bactérias

Os parceiros também apontam o problema do financiamento. Com apenas 3% do investimento em investigação de doenças infecciosas dedicado à pneumonia, os fundos disponíveis ficam muito atrás de outras doenças.

A pneumonia é causada por bactérias, vírus ou fungos e prejudica a respiração da vítima devido a infeções nos pulmões.

Mais informações na Press release da Unicef

One child dies of pneumonia every 39 seconds, agencies warn

Procuram-se famílias para acolher crianças em risco

Novembro 21, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 8 de novembro de 2019.

Segurança Social e Santa Casa da Misericórdia querem acabar com a institucionalização de menores, sobretudo de bebés e crianças até aos 6 anos. Em vez de encaminhados para instituições, passarão a ser entregues a famílias de acolhimento até regressarem à família biológica ou serem dados para adoção. Só no distrito de Lisboa há 1250 crianças institucionalizadas à espera de uma família.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), em articulação com a Segurança Social, lançou esta sexta-feira uma campanha para recrutar famílias dispostas a acolher temporariamente crianças em risco. Em vez de serem colocadas numa instituição, que funciona com rotatividade de técnicos e não garante as necessidades de cuidado individualizado, o objetivo é que os menores vivam com uma família que possa proporcionar-lhes um ambiente mais caloroso, afeto e estabilidade emocional até que haja condições para regressarem a casa dos pais ou, se isso for impossível, até que sejam encaminhadas para adoção.

Atualmente existem pouco mais de 150 famílias de acolhimento a nível nacional, sobretudo no norte do país. No distrito de Lisboa, por exemplo, não há nenhuma. Mas há 1250 crianças a viver em instituições só nesta região.

Em Portugal, 97% das crianças abandonadas ou retiradas às famílias de origem vivem em instituições e só 3% estão em situação de acolhimento familiar. No resto da Europa, a situação é radicalmente diferente: em Espanha, por exemplo, 60% dos menores em risco vivem com famílias e na Noruega e na Irlanda esse número é superior a 85%.

“A meta é que nenhuma criança até aos seis anos fique a viver numa instituição. O acolhimento institucional passará a ser apenas para casos absolutamente excecionais, como o de crianças com deficiência profunda ou problemas de saúde graves que obriguem a cuidados especializados permanentes que uma família não consegue dar”, explicou o provedor da Santa Casa, Edmundo Martinho.

Quem pode acolher crianças?

Qualquer pessoa singular, casal ou pessoas que vivam juntas sem ser maritalmente, como duas irmãs por exemplo, podem candidatar-se a acolher crianças. Terão de ter mais de 25 anos, cadastro limpo e não podem ser candidatos à adoção.

Ainda que possa estabelecer vínculos afetivos muito fortes com a criança, a família de acolhimento não poderá adotá-la, a não ser em casos excecionais, mesmo que não haja condições para o retorno aos pais e que o menor seja encaminhado para adoção. Tudo para evitar que os casais se candidatem a famílias de acolhimento como forma de contornar as longas listas de espera da adoção.

As famílias de acolhimento poderão, no entanto, ter informações e manter o contacto com a criança após o retorno à família de origem ou a entrega aos pais adotivos.

Cada família poderá acolher, no máximo, duas crianças, a não ser em casos excecionais de grupos de irmãos para que não sejam separados. A família de acolhimento receberá uma compensação financeira que oscila entre os 520 e cerca de 600 euros.

As famílias que se candidatarem a acolher crianças em risco passarão por um processo exigente de avaliação psicossocial e das condições de habitação e segurança infantil e receberão formação, tendo sempre um acompanhamento por parte dos técnicos da SCML.

Neste momento, há três famílias que se mostraram disponíveis e que já passaram por esse processo. Tudo indica que uma delas ficará com o bebé recem-nascido que a mãe abandonou terça-feira num ecoponto junto à discoteca Lux, em Lisboa.

Trabalho infantil representa 22% da cadeia de abastecimento na América Latina e Caribe

Novembro 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 13 de novembro de 2019.

David Longstreath/Irin
Menino trabalha em Catmandu, no Nepal.

Novo relatório afirma que trabalho de menores de idade e tráfico de seres humanos continuam sendo problemas em sistemas produtivos de todo o mundo; problema é maior no leste e sudeste da Ásia.

Uma parte significativa do valor das cadeias de abastecimento globais ainda está relacionada com trabalho infantil, de acordo com um novo relatório publicado por três agências da ONU.

Segundo a pesquisa, essa atividade acontece sobretudo nos níveis mais baixos, em atividades como extração de matérias-primas e agricultura, tornando difícil o seu combate.

Regiões

O relatório foi produzido pela Organização Internacional para Migrações, OIM, Organização Internacional do Trabalho, OIT, Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Ocde.

O problema é maior no leste e sudeste da Ásia, onde representa 26% da cadeia de abastecimento. Segue-se a América Latina e Caribe, com 22%, Ásia Central e do Sul, 12%, África Subsaariana, 12%, e, por fim, África e na Ásia Ocidental, 9%.

Em nota, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que “este relatório mostra a necessidade urgente de ação eficaz para combater as violações dos principais direitos trabalhistas.”

Ação

O relatório descreve várias áreas em que governos e empresas podem atuar.

Os Estados podem resolver lacunas na legislação, fiscalização e acesso à justiça. Também podem dar o exemplo, tendo em conta este tema quando compram bens e serviços ou fornece crédito e empréstimos.

Para o secretário-geral da Ocde, Angel Gurría, “estas descobertas enfatizam a necessidade de os governos aumentarem esforços para garantir que as empresas respeitem os direitos humanos.”

O relatório também destaca a importância da prevenção, focada nas causas do trabalho infantil. Segundo a pesquisa, deve ser dada atenção especial a setores que atuam na economia informal, onde o risco é maior.

Esforços

Para o diretor-geral da OIM, António Vitorino, “os esforços contra o tráfico de pessoas são desadequados se não forem além dos fornecedores imediatos, é preciso incluir atores envolvidos em atividades como extração de matérias-primas e agricultura.”

Já a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse que o relatório “mostra que várias pressões, incluindo pobreza, violência e discriminação, aumentam a vulnerabilidade de uma criança ao trabalho infantil.”

O relatório foi divulgado como parte dos esforços para alcançar a meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, que pede aos governos que acabem com o trabalho infantil até 2025 e que eliminem o trabalho forçado e tráfico de seres humanos até 2030.

Mais informações na Press Release da IOM:

Joint Statement ILO, OECD, IOM and UNICEF – Child Labour and Human Trafficking Remain Important Concerns in Global Supply Chains


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