Bibliotecário escolar e fake news

Setembro 26, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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https://app.box.com/s/wt45quv35obl1o5nmepss4bzzm2f5id0

Patrícia Silva foi sinalizada pelo Instituto de Apoio à Criança (IAC) em 2015, frequentou um curso profissional e hoje em dia trabalha

Setembro 26, 2019 às 3:15 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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https://sic.pt/Programas/julia/videos/2019-09-24-Patricia-foi-apanhada-a-roubar-e-a-vida-acabou-por-mudar-Devido-a-situacao-por-que-passei-gostava-de-ajudar-outros-jovens

Uma história edificante sobre publicidade dirigida a crianças

Setembro 26, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Pedro Graça publicado no Público de 26 de agosto de 2019.

Os meus parabéns à Secretária de Estado da Saúde, à Diretora Geral da Saúde e em particular à Diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável que se mantiveram firmes, neste final de legislatura, na defesa do bem público

Sabemos hoje que as crianças obesas reagem particularmente bem (na ótica dos vendedores) à publicidade alimentar, em particular aos produtos hipercalóricos e com elevadas quantidades de açúcar e gordura. Sabemos também que o contacto precoce das crianças com o sabor doce ou salgado influencia o gosto por produtos açucarados e salgados ao longo de toda a vida adulta. Sabemos ainda, que estes estímulos ao consumo são mais eficazes em determinados momentos do dia (por exemplo em jogos on-line) que conseguem ser rastreados se as crianças estiverem na internet e se existir um perfil das suas preferências alimentares. O que hoje não é difícil de saber.

Este conhecimento, obriga a um investimento forte na análise dos perfis alimentares e dos gostos e preferências de milhares de crianças que já é feito hoje, em particular peles empresas que vendem produtos com margens elevadas de lucros e que podem investir no marketing e publicidade. E pode fazê-lo quem incorpora, sal, açúcar ou gordura nas linhas de produção obtendo produtos alimentares industrializados com tempos longos de prateleira ou híper estandardizados como é o caso da indústria da fast-food ou dos refrigerantes. O resultado é duplamente compensador para quem investe neste tipo de publicidade destinado aos mais jovens. Consumidores fidelizados à marca, mas principalmente ao gosto pelo doce ou salgado para o resto da vida, e no caso do on-line, uma extraordinária base de dados sobre gostos e preferências dos consumidores mais jovens. Estes consumidores mais jovens e também cidadãos (diga-se de passagem) encontram-se assim desprotegidos face a quem publicita e quase sem vigilância, em particular nas redes sociais.

Em Janeiro de 2012, o recém-criado Programa Nacional para Promoção da Alimentação Saudável (PNPAS) da DGS propôs nos seus objetivos “a necessidade de regulamentar a publicidade de produtos alimentares dirigidos a crianças” e aumentou a cooperação portuguesa com a OMS neste domínio. Posteriormente, a Assembleia da República iniciou a discussão deste tema, a 2 de março de 2012, através do Projeto de Lei 195/XII por iniciativa do Partido Socialista. A proposta de Lei foi submetida a votação no Parlamento e aprovada, com votos a favor do PS, do PCP, do BE e de Os Verdes e abstenções do PSD e do CDS-PP a 9 de março de 2012, baixando à Comissão da Especialidade de “Ética, Cidadania e Comunicação” onde ficou a “marinar” e sem avanços durante praticamente 3 anos, até 22 de outubro de 2015 quando caducou, ao terminar a legislatura!

Com uma nova legislatura e Parlamento renovado, a 6 de fevereiro de 2016, ocorre nova votação de uma nova proposta de Lei nesta área, sendo votados favoravelmente na Reunião Plenária n.º 35 os projetos de lei do PS/PAN/Os verdes sobre esta matéria.  Com votos contra da deputada Isabel Alves Moreira (PS), com a abstenção do PSD, CDS-PP e votos a favor do PS, BE, PCP, PEV e PAN a proposta de Lei é enviada de novo para uma nova comissão de especialidade, desta vez a Comissão de Economia, Inovação e Obras Públicas. Estamos em fevereiro de 2016. Segue-se mais uma longa maratona de audiências e mais audiências. A votação final global só acontece a 15 de março de 2019! A 23 de abril de 2019 é finalmente publicada a Lei 30/2019 que “Introduz restrições à publicidade dirigida a menores de 16 anos de géneros alimentícios e bebidas que contenham elevado valor energético, teor de sal, açúcar, ácidos gordos saturados e ácidos gordos transformados.” Contudo, a Lei remete para a Direção Geral da Saúde para que esta possa indicar por Despacho o que se entende por produtos com excesso de açúcar, sal e gordura. O trabalho é então diligente para uma área tão sensível (basta alterar uma virgula ou casa decimal para que tudo mude) e em agosto é publicado o Despacho com a “lista de categorias de produtos” a restringir, baseada na evidência científica mais recente, que permitirá finalmente que a Lei entre em vigor.

Entre janeiro de 2012 e agosto de 2019 passaram-se sete longos anos e oito meses. Sete anos de omissões, esquecimentos, atrasos vários e bastante pressão para se alterar uma lei que todos (incluindo a OMS e UNICEF) concordam ser muito importante do ponto de vista da proteção da saúde das crianças, mas que vai fazer perder dinheiro aos acionistas deste negócio gigante de milhões que é a publicidade de “comida de menor qualidade” dirigida a crianças. A luta ainda não está ganha e os próximos meses dirão o que está para vir. Mas para já, os meus parabéns à Secretária de Estado da Saúde, à Diretora Geral da Saúde e em particular à Diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável que se mantiveram firmes, neste final de legislatura, na defesa do bem público sem alterarem vírgulas nem cederem a pressões.

Pedro Graça, Coordenador da European Action Network for Reducing Marketing Pressure to Children da Organização Mundial da Saúde entre 2016-2018. Diretor da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto

Director da Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação da Universidade do Porto; ex-director do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da Direcção-Geral da Saúde

https://www.dgs.pt/documentos-e-publicacoes/perfil-nutricional-restricoes-a-publicidade-alimentar-dirigida-a-criancas-2019-pdf.aspx

Lei n.º 30/2019 de 23 de abril

Internet a mais, convívio a menos? conferência em Lisboa, 1 de outubro

Setembro 26, 2019 às 9:18 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

https://www.saudecuf.pt/cuf/eventos/internet-a-mais-convivio-a-menos

O que fazer com as crianças difíceis?

Setembro 26, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Embora a maioria dos alunos do jardim de infância se comporte bem, os relatórios apontam para um aumento do número de crianças perturbadoras na sala de aula (© Keystone / Christian Beutler)

Texto do site Swissinfo de 25 de agosto de 2019.

Por Isobel Leybold-Johnson

Professores na Suíça estão lidando com um aumento de alunos de comportamento difícil e, segundo relatos, os problemas começam já no jardim de infância. As opiniões sobre o que pode ser feito continuam divididas.

No modelo suíço de escola integrativa, ou inclusiva, introduzido há cerca de uma década, crianças com problemas comportamentais classificadas como tendo “necessidades emocionais e sociais especiais ” frequentam escolas normais, em vez de serem agrupadas em turmas ou escolas específicas para crianças com necessidades especiais como antes.

Reportagens veiculadas recentemente na mídia com histórias de professores tendo que lidar com alunos que perturbam na sala de aula, jogam móveis ou são violentos têm colocado em questão se o sistema está realmente funcionando.

Debate reaceso

O debate sobre a escola integrativa foi reaceso por um artigo no jornal SonntagsZeitungLink externo, que citou um estudo em Zurique e na cidade vizinha de Winterthur. O artigo mostrou que um em cada cinco alunos foi classificado por docentes e por pessoal administrativo de escolas como tendo problemas de comportamento (950, ou 22% dos alunos nas escolas inquiridas). O estudo envolveu 450 funcionários da escola, incluindo 250 professores, e 60% dos professores disseram que os alunos indisciplinados eram o seu maior problema.

O responsável pelo estudo, Reto LuderLink externo, professor de necessidades educativas especiais na Zurich University of Teacher EducationLink externo, disse que os resultados, originalmente publicados em 2018, não eram representativos da situação na Suíça, porque o estudo se limitava principalmente às escolas de Zurique e Winterthur.

“No entanto, os resultados são compatíveis com os resultados internacionais de outros estudos, bem como com o conhecimento atual sobre comportamentos disruptivos nas escolas”, disse ele à swissinfo.ch.

Crianças desordeiras no jardim de infância

Segundo o SonntagsZeitung, outros cantões também estão relatando problemas já a partir do jardim de infância. O SonntagsZeitung citou números ainda não publicados da secretaria de educação do cantão de Genebra indicando existirem mais problemas de comportamento entre crianças de quatro anos de idade do que entre jovens de 13 e 14 anos. Outros cantões, como a cidade de Basileia, também relataram problemas entre os alunos mais jovens.

“Hoje, já cerca de um quinto dos alunos do jardim de infância e do ensino primário são muito difíceis de ensinar”, disse Jean-Michel Héritier, da associação de professores da cidade de BasileiaLink externo, no artigo. Ele atribuiu o aumento à eliminação progressiva de turmas especiais para alunos com dificuldades, mas também a famílias onde as crianças passavam muito tempo à frente de telas e não com outras crianças. Isso resulta em baixos limites de frustração e concentração, disse ele.

As regiões francófonas recuperam o atraso

Embora o problema dos alunos indisciplinados tenha sido reconhecido desde há alguns anos na Suíça germanófona, somente agora a parte francófona começa a recuperar o atraso.

Uma reportagem do jornal Le Matin DimancheLink externo, publicada em paralelo com o artigo do SonntagsZeitung, assinalou que o cantão de Friburgo acabou de iniciar uma classe de apoio especial para estes alunos. O cantão de Vaud, por exemplo, pretende liberar gradualmente 12 milhões de francos suíços (US$ 12 milhões) para apoiar pais, professores e serviços socioeducativos.

O que pode ser feito

Beat Zemp, presidente da Federação de Professores Suíços de Língua Alemã (LCHLink externo), acredita que o sistema integrativo esteja ameaçado. Uma pesquisaLink externo recente publicada pela LCH e sua contraparte de língua francesa descobriu que para 90% dos professores, alunos perturbadores eram o seu principal problema. A pesquisa mostrou que os professores e o sistema de ensino regular eram “levados até seus limites”.

“Precisamos de mais professores para alunos com necessidades especiais, de mais assistentes sociais e de aliviar o fardo dos professores para que haja tempo suficiente para a escolarização integrativa”, disse Zemp ao SonntagsZeitung num artigo subsequente em Maio. Ela descartou um retorno geral às classes de alunos com necessidades especiais, mas sentiu que poderiam ser feitas exceções em alguns casos, após uma “avaliação cuidadosa”.

Os defensores da escola integrativa argumentam que nenhuma criança deve ter que sofrer o estigma de classes com necessidades especiais. A inclusão é muitas vezes o melhor para estas crianças, acrescentam eles, uma vez que estes alunos seriam mais capazes de se integrar mais tarde na vida profissional.

O estudo de Zurique e de Winterthur também indicou lições que podem ser aprendidas. “O estudo mostrou que o comportamento disruptivo é um grande desafio para muitos professores, mas pode ser abordado com sucesso através de intervenções baseadas em dados empíricos num contexto escolar inclusivo”, disse Luder. Estas intervenções podem ir desde programas escolares que abordam comportamentos disruptivos até medidas individuais.

Estes tipos de intervenções, argumenta o estudo, podem levar a uma melhor compreensão da situação, a novos cursos de ação e a melhores relações entre professores e alunos.

Adaptação: DvSperling

Educação especial

Na Suíça, a educação para crianças com necessidades especiais está inscrita na lei e, como qualquer outra questão educacional, desde 2008 é de alçada dos cantões. Como cada cantão elaborou o seu próprio plano, existem diferenças na forma como a educação especial é implementada. A educação especial abrange crianças com diversas deficiências e dificuldades de aprendizagem. Ela inclui também ajuda para os alunos superdotados e para aqueles que não falam uma língua local.

+ sobre necessidades especiais no nosso “Guia da Suíça”

Estudo de caso: “Philipp”

Philipp (este não é o seu nome verdadeiro) tinha quatro anos e costumava ignorar ou desafiar os pedidos da sua professora num jardim de infância num distrito periférico de Zurique. Ele também provocava outros alunos e destruia seus trabalhos manuais, disse sua antiga professora ao SonntagsZeitung. As coisas se agravaram depois que ele se enfureceu, bateu em outros alunos e destruiu brinquedos. A professora recusou-se a tê-lo no segundo ano do jardim de infância e Philipp foi então colocado num jardim de infância menor, onde poderia receber apoio mais intensivo.


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