Descobertos desenhos de “O Principezinho” guardados numa casa na Suíça

Setembro 16, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo24 de 16 de agosto de 2019. Imagem retirada daqui

Desenhos de “O Principezinho”, criados pelo escritor francês Antoine de Saint-Exupéry para o seu livro, foram descobertos numa casa antiga no norte da Suíça, guardados por um magnata do imobiliário, entre milhares de obras de arte.

Adquiridos há mais de 30 anos num leilão, os desenhos estavam guardados numa pasta de cartão “em bom estado”, revelou à agência France Presse Elisabeth Grossmann, conservadora da Fundação para a Arte, Cultura e História de Winterthour, no cantão de Zurique.

Dentro da pasta encontravam-se três desenhos ligados ao livro – o bêbado no seu planeta, a jiboia que digere o elefante, acompanhada de anotações manuscritas, e o Principezinho e a raposa – e ainda um poema ilustrado com um pequeno desenho, mais uma carta de amor dirigida a Consuelo Suncín, mulher de Saint-Exupéry.

Os desenhos, cuja descoberta foi revelada pelo jornal diário Landbote, de Winterthur, não estão datados e foram realizados em tinta da China e aguarela.

O colecionador suíço Bruno Stefanini, que morreu em dezembro de 2018, com 94 anos, tinha comprado os desenhos em 1986, num leilão em Bevaix, no oeste da Suíça.

Proprietário de uma das maiores coleções de arte da Suíça, criou, em 1980, uma fundação em Winterthur para gerir o seu património.

“O Principezinho” foi escrito em Nova Iorque, nos Estados Unidos, por Antoine de Saint-Exupéry durante a Segunda Guerra Mundial, e ilustrado com as suas próprias aguarelas, tendo sido publicado em 1943 naquele país, e em 1946, em França, depois do desaparecimento do escritor e aviador, em 31 de julho de 1944, ao largo de Marselha, durante uma missão aérea para os Aliados.

O escritor viveu dois anos na Suíça, de 1915 a 1917, num internato religioso, em Friburgo.

As ilustrações originais do livro estão conservadas na Morgan Library, em Nova Iorque.

AG // MAG

Lusa/Fim

Mais informações na notícia:

Trois nouveaux dessins du Petit Prince découverts en Suisse

Abuso Sexual de Crianças e Adolescentes – Processo de Avaliação – 20 e 27 de setembro e 4 de outubro em Évora

Setembro 16, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.facebook.com/events/964372680570043/

Benefícios da leitura: muito além de aumento de vocabulário

Setembro 16, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Quindim

Que a leitura desenvolve o vocabulário, todos sabem, mas poucos conhecem pesquisas empíricas que comprovem seu potencial no desenvolvimento da memória e na melhora do comportamento.

A memória precisa de exercício, e hoje está comprovado que a melhor forma de exercitá-la não são os “apps de desenvolvimento neuronal” das plataformas mobile, mas sim o velho hábito da leitura. É o que afirma o neurocientista Iván Izquierdo, pesquisador brasileiro que coordena as investigações do Centro de Memória, do Instituto do Cérebro da PUC: “A leitura é o melhor exercício para a memória. Quando o cérebro vê uma palavra, tem que formar um inventário de informações e termos que cada letra lhe traz”. Trata-se de um esforço gigantesco que muitas vezes passa despercebido:

“Se a primeira letra da palavra é R, por exemplo, podemos pensar em Raul, rato, revista… em questão de milissegundos o cérebro forma uma lista das palavras que conhecemos e que começam com essa letra – em todas as línguas que sabemos. É uma atividade intelectual poderosa. (…) Nenhum método se impôs sobre o outro no desenvolvimento da memória, só a leitura se destacou.”

Outro estudo, este realizado pela Universidade de Nova Iorque, em colaboração com o IDados e com o Instituto Alfa e Beto, demonstrou que ler para a criança regularmente aumenta em média 14% no vocabulário e 27% na memória de trabalho, além de 25% no índice de crianças sem problemas de comportamento. O resultado dessa pesquisa, realizada com 1250 responsáveis e 1250 crianças de Roraima, é bastante impressionante ao demonstrar que a leitura desenvolve não apenas aspectos cognitivos, como costumamos associá-la, mas também aspectos comportamentais.

Já dizia o grande professor Antônio Cândido que a literatura é, ou ao menos deveria ser, um direito básico do ser humano, pois a ficção atua no caráter e na formação dos sujeitos. Uma pesquisa demonstrando mudanças significativas em aspectos comportamentais através de uma metodologia empírica amplia essa constatação – tão conhecida pelos que trabalham pela leitura – para outros universos e áreas do conhecimento.

A importância da leitura compartilhada é outra constatação desses estudos. Trata-se de um momento de troca de afeto entre os responsáveis e as crianças, em que não apenas “o pequeno” se desenvolve mas também o adulto que lê para ele, que nessa troca passa a conversar mais com a criança, a conhecê-la (e a se mostrar mais para ela), discutindo questões que não seriam abordadas e refletidas se não fosse aquele livro e aquele momento. Esse hábito precioso oferece uma troca rara e importante que uma rotina diária sem ele dificilmente permitiria. E como consequência prática, aumenta o vocabulário, a memória, a empatia… e segue-se uma lista imensa. Não à toa a Sociedade Brasileira de Pediatria lançou a campanha “Receite um Livro”, com o objetivo de mobilizar os médicos pediatras a estimularem os pais a lerem para as crianças.

Não se engane, porém, ao acreditar que tal desenvolvimento aconteça com uma leitura irregular, uma vez ao mês. Para reverberar, é preciso o hábito, como a pesquisa empírica da Universidade de Nova Iorque considerou: a leitura compartilhada em pelo menos dois dias por semana.

Este desafio, de se criar o hábito, não é difícil de se construir. Ler à noite, antes de dormir, por exemplo, pode se tornar um ritual, um momento de relaxamento e convivência em que se constrói o afeto e todos os outros resultados práticos consequentes. Para isso, não é preciso muito: uma carteirinha de uma biblioteca e, se possível, um clube de assinatura de livros infantis, como o nosso, o Clube de Leitura Quindim, com curadoria de qualidade e livros selecionados por pessoas como Ziraldo, Walcyr Carrasco e Marisa Lajolo. Pois para se ter tantos benefícios, não basta também um livro de ficção banal. É o que diz outra pesquisa empírica, esta da Universidade de Cambridge, feita em uma parceria entre os departamentos de Neurociência, Pedagogia, Psicologia e Letras. Eles constataram o potencial que a literatura de qualidade tem de gerar empatia – a capacidade de se colocar no lugar do outro –, um potencial não encontrado em textos de ficção banais ou em textos de não ficção. Ou seja, para se desenvolver através da leitura, não basta ler: é preciso literatura de qualidade.

Renata Nakano é mestre em Literatura pela PUC-Rio e bacharel em Comunicação pela UAM. Como pesquisadora, foi premiada com bolsa da Biblioteca Internacional da Juventude, em Munique, e convidada a apresentar sua pesquisa sobre livro ilustrado em universidades como Cambridge e em eventos literários pelo Brasil. Como editora, desenvolveu catálogos de literatura infantil para diferentes casas editoriais, tendo conquistado prêmios como FNLIJ, BN e o Prêmio Jabuti.


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