Acolher menores em risco terá apoio de até 690 euros

Setembro 13, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 23 de agosto de 2019.

Bullying nas escolas. “Existem crianças que têm intenção de magoar o outro”

Setembro 13, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do MAGG de 29 de maio de 2019.

por Catarina da Eira Ballestero

O projeto “Escolas de Empatia” luta contra o bullying e atua numa ótica de prevenção. No próximo ano letivo, quer chegar a mais escolas.

De acordo com dados da UNICEF, mais de 150 milhões de crianças afirmam ser vítimas de bullying nas escolas. Os números são alarmantes e, mesmo numa sociedade em que a palavra bullying já não é nenhum mito, os comportamentos agressivos entre pares nas camadas mais jovens continuam a existir.

Foi com o intuito de prevenir o bullying que surgiu a iniciativa “Escolas de Empatia”, um projeto piloto, aplicado a escolas do primeiro ciclo, que pretende combater este género de comportamentos através da empatia. Criado pela associação Par, e com um programa elaborado por uma equipa de psicólogos e outros especialistas, o objetivo do projeto é trabalhar, junto das crianças, aspetos como inteligência emocional, autoconfiança e consciência do outro.

Numa entrevista a Andreia Nogueira, psicóloga e responsável pelo projeto das “Escolas de Empatia”, tentámos perceber a importância de capacitar as crianças com competências de empatia, as consequências a longo prazo do bullying e se, na verdade, existem ou não crianças cruéis.

O que são as “Escolas de Empatia”?
O projeto “Escolas de Empatia” é um projeto piloto que começou este ano letivo (2018/19). Foi uma adaptação de um projeto que a associação Par teve anteriormente, o “Houses of Empathy”, que decorreu em casas de acolhimento em Lisboa, mas também em países parceiros, cujo objetivo principal era diminuir os índices de bullying entre pares nessas casas.

Esse projeto teve resultados positivos e decidimos adaptá-lo, no ano passado, para o contexto escolar, na escola Escola Básica Teixeira de Pascoais, em Alvalade. O projeto é tratado como uma AEC (atividades de enriquecimento curricular) e passamos uma hora semanal com cada turma, onde fazemos vários exercícios, dinâmicas de grupo e, no final, existe um momento de reflexão com as crianças.

Só existe numa escola?
Atualmente, sim. Gostaríamos de chegar a mais escolas e também a mais faixas etárias. Neste momento, o programa está adaptado para crianças do primeiro ciclo, do 1.º ao 4.º ano, mas também está em aberto para ser possível avançar para outras faixas etárias.

Qual é o principal objetivo do projeto?
O que pretendemos é que, através de uma abordagem de prevenção, mas também de intervenção quando já existe um historial de violência entre pares, conseguir chamar a atenção e prevenir os comportamentos de agressividade, como situações de bullying entre colegas de escola.

Podemos então assumir que combater os comportamentos de bullying é o grande foco das “Escolas de Empatia”?
Sim, claro que sim.

A curto e médio prazo, qual é o impacto que espera que este projeto tenha nas crianças?
Daquilo que conseguimos ver até agora, apesar de não termos resultados concretos, o feedback das crianças tem sido positivo. Quer seja por atitudes dos miúdos que vamos observando, ou mesmo por aquilo que nos transmitem, mas também por aquilo que nos é dito por pais, professores, auxiliares. As crianças vão estando mais atentas ao outro, tentam perceber se o colega está triste, se podem fazer algo para o ajudar. Até porque o foco do projeto é mesmo a empatia.

Acha que ainda existe muito bullying nas escolas portuguesas, mesmo sendo um assunto bastante discutido no panorama atual?
Se me focar nestas idades de primeiro ciclo e na realidade da escola em que trabalhamos, o programa do projeto vem muito numa abordagem de prevenção. Ainda assim, mesmo nestas idades, já começamos a ver alguns comportamentos agressivos que não podemos considerar como normais — mesmo que seja algo momentâneo, tem de ser alvo da nossa atenção e também da dos pais, funcionários, de todas as pessoas que lidam com as crianças em questão.

Mas respondendo à sua questão, acho que sim, que ainda existem muitos comportamentos do género e que, muitas vezes, surgem até por causa do contacto que as crianças têm com algum conteúdo violento (como jogos, por exemplo). É necessário explicar aos miúdos que essas atitudes não são normais na relação com os outros, quer seja uma agressão física, como verbal — tudo o que seja humilhar o outro de alguma forma. Atenção que alguns destes comportamentos até podem ser cometidos sem existir uma intenção de maldade mas, caso não sejam travados, podem, mais tarde, ganhar outros contornos.

Qualquer criança pode ser vítima de bullying, mas existem vítimas mais fáceis, como crianças de meios menos privilegiados, por exemplo?
Não, não creio que tenha que ver com o contexto ou com o meio. Claro que algumas crianças, por um conjunto de fatores, podem ser mais atingidas pelo bullying do que outras, mas acho que isso tem mais que ver com as competências sociais da própria criança. É também por isso que consideramos o trabalho dessas competências muito importantes, para aprenderem a defender-se de situações de agressividade, mas também para conseguirem defender outros.

Também trabalhamos a autoestima, como a parte da comunicação assertiva em relação a um possível agressor, o saberem defender os seus direitos que podem não estar a ser respeitados naquele momento, e queremos desmistificar um bocadinho aquela ideia do “resolve por ti próprio”, do “não sejas queixinhas”. É importante que saibam pedir ajuda.

A ideia das queixinhas tem mesmo de acabar para as crianças se sentirem à vontade para pedir ajuda?
Exatamente. E também nos cabe a nós saber a diferença entre algo que a criança nos passa e que merece toda a nossa atenção, e outras, mais pontuais, em que devemos capacitar as crianças para saberem responder às mesmas situações. Mas penso mesmo que, quando uma criança recorre a nós e nos pede ajuda de alguma forma — e em idades precoces não é fácil verbalizar isso —, devemos estar muito atentos ao seu pedido e não desvalorizar.

Já me disse que não acredita que existam vítimas mais fáceis de acordo com o contexto ou com o meio. Mas acha que as crianças obesas, dado que a obesidade infantil é cada vez mais um problema crescente em Portugal, podem ser mais afetadas pelo bullying?
Da minha experiência e daquilo que tenho visto, não acho que seja a razão principal para as crianças serem vítimas de agressões. Até porque se uma criança tiver excesso de peso, mas os pais a tiverem capacitado para ter bons níveis de autoestima, não creio que o peso faça desta criança uma vítima certa. Não se trata de uma coisa específica, mas mais das diferenças, que acabam por ser um fator para apontar alguma coisa ao outro, seja usar óculos, tirar muito boas notas, entre outros.

Quais são os principais sinais de que uma criança está a ser vítima de bullying?
Apesar de depender um bocadinho da idade, pegando nesta faixa etária do primeiro ciclo, muitas vezes os primeiros sinais são fatores físicos. Queixam-se de dores de barriga, que podem ser sinal de ansiedade, e também se recusam a ir para a escola. Existem também mudanças no próprio comportamento: evitam situações de recreio, que é algo que é esperado que as crianças gostem, preferem estar próximo das auxiliares, mostram desinteresse pelas aulas e pela aprendizagem, quando antes gostavam de tudo o que tivesse a ver com a escola. Também passam a dormir pior, quando até eram miúdos que dormiam bem, e passam a estar mais dependentes dos adultos e com medo de ficarem sozinhas, sendo que este não era um comportamento habitual.

Perante a confirmação de uma situação de bullying, o que é que os pais devem fazer?
Normalmente, os pais têm muito a tendência de procurar logo os pais do agressor ou mesmo a própria criança para tirar as coisas a limpo, digamos assim. Mas aqui é importante que os pais percebam que é preciso respeitar o vínculo da criança. Isto porque, muitas vezes, o que acontece é que os pais ficam ainda mais ansiosos com a situação do que o próprio filho e essa falta de gestão emocional (embora se compreenda a posição dos pais) pode afetar ainda mais a criança e inibi-la de contar mais coisas que se possam ter passado.

Para além de que, se os pais forem procurar o agressor ou os pais destes, a criança que foi vítima pode também ficar com receio das consequências que essa ação pode ter para ela. É, por isso mesmo, importante que os pais incluam o filho no plano de ação para gerir o sucedido, o que vai conferir algum poder à criança. Devem reunir toda a informação, perceber a que adultos devem dirigir-se na escola, seja o professor titular, os funcionários ou o psicólogo da escola, caso esta posição exista, e depois sim, falar com a própria direção do estabelecimento de ensino. Mas perceber primeiro junto da criança o que pretende fazer, para esta não sentir que a situação lhe está a fugir do controle.

Por outro lado, que sinais existem nos miúdos que podem ser indicadores de um comportamento agressivo para com os outros?
Nesse caso, é preciso prestar atenção a um nível reativo e comportamental. Uma criança que não aceite um não facilmente, que tenha sempre de escolher a brincadeira, mesmo as próprias atitudes e respostas que dá aos pais, podem ser indicadoras de que algo se está a passar, bem como a intolerância à frustração — essencialmente, é mesmo a nível do comportamento.

E, neste caso, qual deve ser o plano de ação dos pais?
Em primeiro lugar, não devem desvalorizar e colocar de parte a situação, é importante perceberem, por mais complicado que seja, que o seu filho pode estar a ter um comportamento agressivo. E atenção que uma criança até pode estar a ter esse tipo de comportamento sem que exista uma intenção de magoar o outro: muitas vezes, os miúdos são expostos a videojogos mais violentos, por exemplo, e acham que isso é um comportamento normal entre pares.

É preciso mostrar à criança o impacto que o seu comportamento está a ter nos outros e, de alguma forma, esta perceber que há consequências para as suas atitudes. Muitas vezes, os agentes educativos das crianças, quer sejam os pais ou os professores, castigam os miúdos com punições que nada tiveram que ver com as suas atitudes e, dessa forma, sem conseguir encontrar uma relação direta, a criança não entende o porquê de aquilo estar a acontecer, bem como o porquê de dever ter agido de outra forma.

O que tentamos, em conversa com os pais e professores, é que estes aprendam que devem deixar claro à criança o porquê de esta estar a ser chamada à atenção, e encontre junto dos adultos uma consequência que também ache justa para mudar o seu comportamento.

Existem situações em casa, como a criança assistir a muitas discussões dos pais, por exemplo, que podem influenciar o surgimento de um comportamento mais agressivo numa criança?
Pode ter influência, sim. Mas é importante ter em conta as próprias características individuais da criança. A tendência para um comportamento de bullying não é algo que vem só do meio ambiente, mas, como é óbvio, sim, assistir a discussões pode ter um peso.

Quais são as consequências, já na vida adulta, de passar a infância a ser vítima de bullying?
É óbvio que isso tem consequências, tanto na relação consigo mesmo, especificamente no conceito de autoestima, mas também na relação com o outro. Há adultos que, com acompanhamento, conseguem trabalhar em si próprios e ultrapassar o que se passou, mas existem sempre consequências na forma como nos vemos a nós próprios e como nos vamos relacionar, em todos os contextos, com os outros.

E uma criança que teve comportamentos de agressor, caso isso nunca tenha sido trabalhado, pode tornar-se uma pessoa mais violenta?
Sim, pode. Principalmente se estivermos a falar de uma pessoa que, em criança, não conseguia lidar com a frustração. Se tal não for devidamente trabalhado, é possível que a situação, com o tempo, ganhe outros contornos. Por isso é que este projeto das “Escolas de Empatia” é importante, e é necessário, desde tenra idade, começar a trabalhar as competências sociais e de empatia das crianças.

Já todos ouvimos que as crianças são cruéis. Concorda com esta afirmação?
Eu vejo um bocadinho as duas coisas: quando um miúdo repete um comportamento agressivo para com os outros, mesmo que já lhe tenha sido explicado que não é aceitável e entende isso, e ainda assim continua a fazê-lo, aí sim, existe uma intenção de magoar. Mas também há outras situações onde as crianças têm comportamentos considerados agressivos uma ou outra vez, mas depois de lhes ser explicado que não é correto, param com os mesmos. Não quero propriamente dizer que existem miúdos cruéis, mas há algumas crianças que repetem comportamentos já com intenção de magoar.

Há, então, crianças que querem mesmo magoar os outros?
Sim, há. Mas também temos que ver que não é da mesma forma que um adulto ou adolescente pretende magoar, é de uma forma muito mais simples. Mas sim, existem crianças que têm intenção de magoar o outro e, nesses casos, é importante intervir para que elas percebam que devem mudar o seu comportamento para bem do seu relacionamento com os outros.

Escolas perderam mais de 400 mil alunos em menos de 10 anos

Setembro 13, 2019 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Nuno Veiga / LUSA

Notícia da Rádio Renascença de 1 de agosto de 2019.

Relatório “Educação em Números” mostra que também se registou uma quebra de 30 mil professores.

As escolas portuguesas perderam em menos de 10 anos mais de 400 mil alunos e mais de 30 mil professores, quase metade dos quais do 3.º ciclo e ensino secundário, segundo dados oficiais.

O relatório “Educação em Números – Portugal 2019”, da Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência (DGEEC), mostra que entre os anos letivos 2008/09 e 2017/18 as escolas perderam 427.163 alunos, passando de 2.056.148 para 1.628.985 estudantes.

A quebra de educadores de infância e professores dos 1.º, 2.º, 3.º ciclos e do ensino secundário foi de 31.147, com o valor mais exuberante a registar-se nos professores do 3.ºciclo e ensino secundário, que no ano letivo 2008/09 eram 91.325 e em 2017/18 se fixavam em 76.722.

Nos restantes níveis de ensino, os dados do relatório indicam que em 2008/09 havia 18.242 docentes no pré-escolar, 34.361 no 1.ºciclo de ensino (do 1.º ao 4.º ano), 34.069 no 2.ºciclo (5.º e 6.º ano) e 91.325 no 3.ºciclo (7.º, 8.º e 9.º ano) e ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º).

Quanto aos estabelecimentos de ensino, o documento mostra que em 2017/18 havia menos 3.878 escolas públicas e privadas em Portugal do que em 2007/08 (eram 12.347), porque o número de escolas públicas caiu de 9.764 para 5.836, enquanto as privadas aumentaram de 2.583 para 2.633.

O relatório citado na notícia é o seguinte:

Educação em números : Portugal 2019


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