Ação de Formação de Curta Duração “Patrimónios do brincar e educação para a inclusão e sustentabilidade” 28 setembro em Cernache

Setembro 12, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

mais informações no link:

https://www.facebook.com/loureiro.adr/

Como sou visto pelos meus filhos?

Setembro 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , ,

Texto do site Sapo Lifestyle de 30 de julho de 2019.

Perceber os dois lados para um desenvolvimento familiar saudável

Como é visto pelos seus filhos? Será essa perceção a que gostaria que eles retivessem? Enquanto psicoterapeuta, muitas vezes, oiço em consulta o lado dos pais sobre como veem os filhos. Mas, depois, também oiço o lado contrário, os filhos, cuja compreensão, tantas vezes, contrasta com a opinião dos próprios pais. Pelo que observo, as duas visões são importantes para o desenvolvimento familiar saudável, estimulando a comunicação entre os seus elementos.

Grande parte das questões familiares que nos chegam a consulta envolvem dificuldades na comunicação e interação entre os seus membros, tornando-se interessante ver os dois lados de uma mesma moeda, que é o seio familiar.

No que toca às dinâmicas familiares, existe uma ampla investigação sobre a importância das mesmas para o desenvolvimento das crianças. Contudo, geralmente essas investigações centram-se no ponto de vista dos pais e no tipo de atitudes que os mesmos poderão ter no sentido do desenvolvimento e bem-estar dos seus filhos.

Mais recentemente, as pesquisas voltaram o foco para a perspetiva dos filhos, quanto aos estilos parentais adotados pelos seus pais, percebendo qual é o mais valorizado pelos filhos, bem como o mais benéfico para o seu desenvolvimento.

Os quatro estilos parentais

Vários autores da área indicaram que é importante ter em conta três aspetos principais no crescimento dos seus filhos:

  1. A socialização;
  2. As práticas parentais utilizadas para que os filhos atinjam os objetivos;
  3. O clima emocional no qual a socialização acontece entre ambos.

No relacionamento com os seus filhos, e com o objetivo de influenciar o clima emocional, cada educador pode adotar diversas atitudes e comportamentos, ou práticas parentais. Com base nisso, podemos identificar quatro estilos parentais. São eles: o permissivo, o autoritário, o autoritativo/democrático e o negligente. De modo a perceber cada um deles, iremos recorrer a duas dimensões: a responsividade (apoio prestado e sentido) e a exigência (que os pais colocam na aplicação de regras e limites).

Que estilo parental é o mais indicado?

Sabemos e compreendemos que não existe uma receita mágica para educar um filho saudavelmente. E reconhecemos que, atualmente, muitos pais deixaram de ter tempo para intervir ativamente na educação dos seus filhos, adotando, assim, um estilo mais negligente, não servindo de referência para o crescimento deles.

Tendo em conta a anterior tabela, bem como os resultados apurados em diversas investigações, podemos concluir que o estilo parental autoritativo é o mais adequado. Este estilo permite que os pais se envolvam, respondendo às necessidades da criança ou jovem (atenção, incentivo, auxílio, diálogo, diversão), bem como acompanha os comportamentos do filho (exigindo a obediência de regras, limites e cumprimento dos seus deveres), favorecendo o respeito pelos pais, mas também estimulando a autonomia e autoafirmação dos filhos.

Aqui, há a salientar que a comunicação é essencial. Só assim os pais conseguem perceber quais as perceções dos seus filhos face ao seus comportamentos e atitudes. Porque, mesmo que um pai/mãe pense que é responsivo e exigente, é importante saber qual a opinião dos seus filhos, pois pode diferir da sua.

É um desafio fácil? Não é. É uma tarefa exigente para qualquer pai/mãe, mas estará a contribuir, assim, para o crescimento emocional dos seus filhos, de modo que se tornem adultos saudáveis.

Margarida Rogeiro / Psicóloga e Psicoterapeuta

Crianças não precisam ser boas no que fazem, crianças precisam ser felizes

Setembro 12, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Artigo de opinião de Ruth Manus publicado no Observador de 17 de agosto de 2019.

Esses adultos ultra competitivos nascidos nas décadas de 70 e 80 viraram pais. E começaram a usar as crianças como mais uma ferramenta para comprovar o seu sucesso.

Acho que até os anos 80 ou 90, acontecia uma coisa muito impressionante com as crianças: elas eram criadas como crianças. As atividades principais eram estudar e brincar. Nada além disso. Os pés podiam ficar sujos por brincarem descalças, as roupas não eram importantes e a sensação de missão cumprida por parte dos pais era atingida quando as crianças passavam de ano e, acima de tudo, quando eram visivelmente felizes.

Não sei bem o que aconteceu para que as coisas mudassem. Mas apostaria no constante e cruel clima de competitividade no qual vivem os adultos de hoje. Especialmente os nascidos nas décadas de 70 e 80, como é meu caso, enfrentaram (e ainda enfrentam) um ambiente profissional — e, consequentemente, social também —  que funciona quase como uma corrida: quem é o melhor, quem ganha mais, quem foi promovido antes, quem corre mais quilómetros, quem tem o cargo mais alto, quem tem mais reconhecimento.

Só que esses adultos ultra competitivos viraram pais. E começaram a usar as crianças como mais uma ferramenta para comprovar o seu sucesso. Escolhem as melhores escolas, as melhores atividades complementares, as melhores roupas, os melhores brinquedos, os melhores alimentos. Chamam isso de amor, uma vez que acarreta em aumento de despesas. Mas não é difícil perceber que, frequentemente, tudo isso tem muito mais de vaidade do que de afeto.

As notas precisam ser altas. Dificuldades que resultem em perda de rendimento não são admitidas. Sujar as roupas? Nem pensar. Brincar descalços? Só na praia. E desde que não entre areia no carro. Nos “tempos livres” as crianças tocam piano, aprendem mandarim, jogam ténis, dançam ballet. Técnica, regras, performances. Espontaneidade? Não há tempo para isso.

Brincar tornou-se secundário. Secundário e chato. Porque não pode ter sujeira, não pode ter gritaria, não pode ter correria. Daí a secreta paixão dos pais pelos eletrónicos (de preferência com fone de ouvido, sejamos sinceros). O que os pais querem, são miniaturas de adultos, não crianças. Desses que saem de casa às 8 da manhã, voltam às 5 da tarde, tomam um banho, completam suas tarefas do dia, comem sem se sujar, brincam sem bagunçar. Adultos, não crianças.

Em Portugal há uma expressão que me impressiona muito, dita frequentemente às crianças: “tens muito jeito”. Quando uma criança dança ou joga bola, os adultos avaliam a performance e classificam em ter ou não ter jeito para a coisa. Quando a performance é satisfatória, a frase “tens muito jeito” é dita, em forma de elogio. E aí eu me pergunto: as crianças só devem dançar, cantar, jogar bola ou fazer acrobacias quando levam jeito? Caso contrário é melhor parar?

As crianças não têm que ser boas no que fazem. Elas têm que gostar do que fazem. Têm que ser felizes dentro das possibilidades. Filhos não são instrumentos de competição, nem de realização pessoal. Filhos são indivíduos em busca de felicidade. E era para isso que os pais deveriam servir, para facilitar esse caminho. Não para exigir as melhores notas na escola, boas avaliações nos cursos de língua estrangeira, roupas limpinhas no final de um domingo e brincadeiras serenas e silenciosas. Porque isso, definitivamente, não é coisa de criança. Pelo menos não de criança feliz.


Entries e comentários feeds.