Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia

Setembro 5, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Up to Kids

By Centro Sei

Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia

“Odeio matemática!” – É frequente ouvirmos os nossos filhos/alunos fazerem este tipo de desabafo. Com igual frequência podemos cair no erro de achar que se trata de simples preguiça ou desmotivação para aprender a disciplina. Contudo, a frustração associada a esta frase tão frequentemente pronunciada pode, por vezes, refletir uma verdadeira dificuldade em aprender e desenvolver o cálculo matemático. À dificuldade de aprendizagem associada ao raciocínio lógico-matemático dá-se o nome de Discalculia ou Perturbação da Aprendizagem Específica, com défice no Cálculo.

Podemos generalizar que todas as crianças que não gostam de matemática têm discalculia?

Claro que não. Mas existe um conjunto de sinais de alerta relacionados com esta dificuldade de aprendizagem a que pais e professores devem estar atentos. Quanto mais cedo for feito o despiste da discalculia, mais cedo se implementará uma estratégia de reeducação para a criança. Isto poderá evitar o desgaste de repetidas situações de stress relacionadas com problemas escolares, os quais resultam muitas vezes numa crescente desmotivação em prosseguir os estudos.

Os sinais de alerta associados à discalculia dependem da idade/fase escolar da criança

Pré-escolar:

– Dificuldade em compreender o sentido do número;

– Dificuldade em aprender a contar;

– Dificuldades na identificação de número. Quer a nível visual (por ex. trocas entre o 2/5, o 3/8 ou o 6/9) quer a nível auditivo;

– Dificuldade em memorizar números;

– Dificuldade em organizar objetos de uma forma lógica: por formas, cores ou tamanhos;

– Dificuldade em reconhecer grupos e padrões;

– Dificuldade em usar conceitos comparativos tais como: maior/menor; mais alto/mais baixo;

– Dificuldades na lateralidade: distinguir entre a esquerda e a direita;

Idade Escolar:

– Dificuldade em compreender a linguagem e os símbolos matemáticos: “diferença”, “soma”, “igual”, “+”, “-“, “=”, etc.;

– Dificuldade em compreender o valor obtido pela modificação de um número: limitações em perceber que os números 560, 605 e 506 são diferentes, apesar de constituídos pelos mesmos três números (“5”, “6” e “0”);

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos básicos através da soma, subtração, multiplicação e divisão;

– Dificuldade em compreender que 5 é o mesmo que 3+2 ou o mesmo que 4+1. Que 5+4 é igual a 4+5, ou que 8×2 é igual a 2×8;

– Dificuldade em desenvolver competências para a resolução de problemas matemáticos mais complexos;

– Fraca memória de longo prazo para funções matemáticas;

– Pouca familiaridade com o vocabulário da matemática;

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos de forma oral, nomeadamente no caso de problemas muito extensos, e na presença de informação desnecessária e demasiadas abreviaturas;

– Dificuldades na compreensão do conceito de medida;

– Relutância em participar em jogos que requeiram o uso de estratégia;

– Dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números;

– Dificuldade em identificar as horas, por não conseguir distinguir o ponteiro das horas e dos minutos;

– Dificuldade em compreender o valor das moedas. Ex. A criança não compreende que uma moeda de 1 euro é igual a 2 moedas de 50 cêntimos ou 5 moedas de 20 cêntimos.

Se o seu filho ou aluno apresenta alguns destes sinais, poderá ser sinal de uma discalculia. Nesse caso, deverá recorrer a ajuda técnica especializada para fazer uma avaliação psicopedagógica da criança e despistar eventuais dificuldades de apredizagem. Só assim poderá implementar-se um plano de intervenção adequado que ajude a criança a colmatar as dificuldades sentidas e promover o seu sucesso escolar.

Principais sinais de alerta para a PHDA de acordo com diferentes idades

Setembro 5, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Up to Kids

By Centro Sei

Principais sinais de alerta para a PHDA de acordo com diferentes idades

É difícil de detetar e fácil de confundir.

Sim, é uma alteração neurológica cada vez mais comum mas, ao contrário do que possa parecer, nem sempre é simples identificar os sintomas da Hiperatividade com Défice de Atenção (PHDA).

Não pense que esta perturbação é provocada por falta de empenho ou de dedicação e até de uma eventual má educação dada pelos pais em casa. Não! Se o seu filho tem este problema é porque se verificam fragilidades nas ligações neuronais em determinadas áreas cerebrais, normalmente mais pequenas se comparadas com as de outras crianças.

O que é a PHDA

A PHDA é uma condição física crónica que se caracteriza pelo subdesenvolvimento e disfunção de algumas partes do sistema nervoso central.  Manifesta-se, regra geral, por volta dos 3 anos e, quase sempre, antes de atingir os 7.

Consiste numa perturbação do desenvolvimento neurológico que provoca um excesso de atividade motora, baixo controlo da impulsividade e/ou dificuldades de concentração. Estas crianças têm dificuldade em selecionar informação e em prestar atenção a dois estímulos em simultâneo.

Surge, geralmente na primeira infância, com diversos sinais de alerta, que variam consoante o género e a idade. Podem prejudicar ou ter impacto na aprendizagem e no desenvolvimento social.  Estima-se que afete entre 5 a 7 por cento das crianças em idade escolar e cerca de 4 por cento dos adultos.

Os especialistas não têm dúvidas, as crianças com hiperatividade não tratadas a tempo terão mais dificuldades na adolescência, tanto ao nível do aproveitamento escolar, como, também, da socialização. A falta de intervenção adequada pode ter um efeito devastador ao longo da vida.

Para que não persistam dúvidas: regra geral, as crianças e os adultos com hiperatividade têm uma inteligência acima da média e podem vir a aproveitar o seu potencial, caso sejam bem acompanhadas à medida que vão crescendo.

Não existe, todavia, uma intervenção que suprima esta condição neurológica, mas quanto mais cedo o diagnóstico melhor.

A equipa do SEI tem vasta experiência em lidar com esta perturbação, nomeadamente ao nível da deteção precoce e da implementação de estratégias psico-educacionais capazes de minimizar o problema, melhorando o desempenho escolar ou profissional e as relações interpessoais.

Dentro da PHDA há diferentes níveis de intensidade, ou seja, os sintomas vão variando de pessoa para pessoa, do mais ligeiro ao mais grave.

Neste artigo pretendemos assinalar os principais sinais de alerta de acordo com a idade da criança. Consulte a lista e observe o seu filho por um período de tempo, nos diversos contextos do seu dia-a-dia, e verifique se apresenta alguns dos sinais de alerta.

Lembre-se que, ocasionalmente, todas as crianças manifestam comportamentos mais impulsivos, agitados ou desatentos. É necessário saber distinguir os diferentes comportamentos de acordo com os contextos.

Se suspeitar que o seu filho possa ter uma PHDA consulte um profissional e solicite uma avaliação especializada.

Principais sinais de alerta para a PHDA

Idades compreendidas entre os 3 anos e os 7 anos

  • Apresenta dificuldades em iniciar tarefas e/ou rotinas diárias, como vestir ou arrumar os brinquedos;
  • Frequentemente, ignora ou cumpre tardiamente as instruções/indicações/pedidos que lhe são dados;
  • Apresenta/Manifesta dificuldade em manter-se sentada durante as refeições ou na realização de atividades de grupo comparativamente com as crianças da mesma idade;
  • Levanta-se, mexe-se ou conversa em situações onde é pedido/suposto ficar sossegada ou em silêncio;
  • Apresenta dificuldades em terminar uma atividade para iniciar outra;
  • Esforça-se para fazer as atividades/tarefas com cuidado;
  • Necessita de ser relembrada, frequentemente, para parar ou ouvir;
  • Tem dificuldade em prestar/manter a atenção comparativamente com as crianças da sua idade;
  • Vai buscar coisas/materiais sem permissão;
  • É incapaz de esperar pelas instruções/indicações da tarefa antes de a iniciar;
  • Demora bastante tempo e/ou necessita de encorajamento para realizar as suas rotinas diárias;
  • Apresenta dificuldade em relembrar-se das indicações/pedidos;
  • Apresenta dificuldade em lembrar-se/recordar-se de factos que aprendeu recentemente;
  • Tende a ficar aborrecida ou irritada (frustrada) em situações de menor importância;

Idades compreendidas entre os 8 anos e os 12 anos

  • Apresenta dificuldades em iniciar tarefas/atividades, principalmente/especialmente quando a tarefa/atividade apresenta mais do que um passo;
  • Frequentemente, é inquieta/irrequieta;
  • Frequentemente, é irrequieta, conversadora em situações onde é pedido/suposto ficar sossegada ou em silêncio;
  • Tende a esquecer-se do que acabou de ouvir ou ler, a não ser que seja algo do seu interesse;
  • Frequentemente, realiza as tarefas/atividades de forma apressada e/ou descuidada;
  • No quotidiano não é capaz de demonstrar todas as suas capacidades/competências, na escola ou na realização dos trabalhos de casa;
  • Desconcentra-se, e/ou fica “no mundo da lua”, frequentemente;
  • Frequentemente, muda de tarefa/atividade sem terminar as anteriores;
  • Apresenta dificuldades em lembrar-se do que fez no seu dia-a-dia;
  • Tende a esquecer-se de entregar/fazer recados e/ou os trabalhos de casa;
  • Esforça-se para não perder as suas coisas;
  • Apresenta dificuldades em esperar pela sua vez, para se juntar numa conversa ou atividade;
  • Preocupa-se, que se vá esquecer do que quer dizer, a menos que o diga imediatamente;
  • Apresenta dificuldades em pensar nas consequências das suas ações;
  • Frequentemente, fala ou faz coisas sem pensar nas consequências;
  • Trabalha devagar;
  • Apresenta dificuldade em terminar tarefas/atividades dentro de um período de tempo razoável;

Adolescência

  • Apresenta dificuldades em organizar-se ou estabelecer prioridades;
  • Apresenta dificuldades em iniciar os trabalhos de casa e/ou uma tarefa/atividade proposta/atribuída;
  • “Desliga”/Desconcentra-se quando está a ouvir alguém ou a ler;
  • Frequentemente, necessita de reler as informações dadas ou de pedir às pessoas que repitam o que disseram porque não se lembra;
  • Apresenta dificuldade em manter-se focada;
  • Frequentemente, se desconcentra da tarefa/atividade, a menos que a mesma seja do seu interesse;
  • Frequentemente, realiza as tarefas/atividades de forma rápida e desconcentrada/desorganizada, originando erros;
  • No quotidiano, não é capaz de demonstrar todas as suas capacidades/competências, na escola ou na realização dos trabalhos de casa;
  • Apresenta dificuldade em recordar-se/lembrar-se das informações quando necessário;
  • Esforça-se, na realização dos testes, para se recordar/relembrar o que estudou e/ou sabia na véspera;
  • Apresenta dificuldades em lembrar-se do que fez no seu dia-a-dia;
  • Frequentemente, esquece-se de escrever o que tem de fazer e de as fazer;
  • Frequentemente, age de maneira impulsiva;
  • Fala ou faz coisas sem pensar no que pode resultar;
  • Frequentemente, trabalha devagar;
  • Apresenta dificuldade em cumprir prazos e/ou em finalizar os testes dentro do tempo atribuído;
  • É inquieto/irrequieto frequentemente;
  • Frequentemente, não consegue parar de falar ou de mexer nos objetos com a mão.

Regras sim. Autoritarismo não!

Setembro 5, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Up to Kids

By Centro Sei

Regras sim. Autoritarismo não!

Estratégias para treinar o comportamento do seu filho

Todas as crianças precisam que os pais lhes apresentem regras claras, constantes e coerentes. Não ao ponto de serem “pais tiranos” que impeçam a criança de crescer livre de espartilhos e pressões, mas firmes o suficiente para lhes transmitir, desde cedo, como funciona o mundo e a sociedade que as rodeia. Isto é fundamental para que a criança aprenda a distinguir o que é certo do que é errado, e para que se sinta mais estruturada, segura e protegida. Isso fará dela uma criança mais espontânea para explorar o mundo que a rodeia, e com mais espírito de aventura para enfrentar os desafios sem (tantos) medos ou vacilações.

Claro que manter a persistência e a coerência nem sempre é fácil para os pais que, cansados de uma vida agitada e sem tempo, chegam a casa no final de um dia de trabalho para serem recebidos com birras, desarrumações generalizadas e comportamentos hostis. Isto torna-se ainda mais difícil quando os pais não compreendem o significado por detrás dos comportamentos mais impulsivos e irrazoáveis dos seus filhos, impedindo-os de reagir adequadamente às situações. Porém, há quase sempre uma razão, quase uma intenção, mesmo que inconsciente, por detrás de cada “mau comportamento”. Frequentemente, a criança está apenas a testar a resiliência dos pais, como forma de se assegurar da sua capacidade para segurá-la com força e protegê-la de todos os perigos.

Em seguida, damos-lhe uma série de estratégias comportamentais para lidar com o seu filho, ANTES e DEPOIS de ocorrer o comportamento indesejado.

COMO LIDAR ANTES DO COMPORTAMENTO INDESEJADO

A EVITAR:

Partir do princípio que as suas expetativas já foram percebidas.

– Não devemos partir do princípio que a criança já sabe o que dela esperamos;

– Quando as expetativas não estão claras e bem definidas, há maior probabilidade de ocorrem problemas comportamentais.

Dar as instruções à criança, gritando de longe

– As instruções importantes devem ser transmitidas cara-a-cara com a criança e com contacto ocular.

Não informar a criança de alterações/mudanças/transições que vão acontecer

– As mudança podem ser difíceis, sobretudo se a criança estiver envolvida numa atividade/contexto de que gosta;

– Avisar a criança antes da transição permite-lhe escolher um bom momento de paragem entre uma coisa e outra.

Sobrecarregar a criança

– Emitir muitas instruções e/ou perguntas diminui a capacidade da criança para escutar, responder e lembrar-se das tarefas.

A PROMOVER:

Estar atento ao contexto da criança

– Cansaço, ansiedade, distrações, fome (entre outros) podem dificultar o contexto da criança e levá-la a ter comportamentos mais difíceis.

Tenha em consideração o impacto destes fatores quando está a lidar com a criança. Tente controlar estas variáveis e/ou adaptar os seus pedidos ao contexto da criança.

Adaptar o contexto envolvente

– Por ex. quando a criança estiver a fazer um trabalho de casa, desligue a TV;

– Por ex. ajude a criança a manter a secretária livre de brinquedos e outros distratores.

Colocar as suas expetativas de forma explícita

– Mesmo quando a criança “já deveria saber” o que é esperado dela, faz toda a diferença apresentar novamente as suas expetativas de forma explícita.

Sente-se com o seu filho e explique-lhe as suas expectativas de forma clara.

Fazer contagens decrescentes antes da transição entre atividades diferentes

– Se o seu filho estiver a ver TV, avise-o de que “dentro de 10 minutos ele vai…”.

Um pouco depois diga-lhe que “dentro de 2 minutos vamos…”. Isto permite à criança preparar-se mentalmente, e auto-regular o seu comportamento.

Oferecer diferentes escolhas ao seu filho

– Por exemplo: “preferes fazer o trabalho antes ou depois de…”;

Esta abordagem vai desenvolver a sua responsabilidade, maturidade e auto-regulação.

COMO LIDAR DEPOIS DO COMPORTAMENTO INDESEJADO

A EVITAR:

Atenção negativa

– Gritar e ralhar com o seu filho pode aumentar os problemas de comportamento, dado que as crianças tendem a preferir atenção negativa a nenhum tipo de atenção.

Consequências retardadas

– Se a consequência (por ex. o castigo ou ralhete) não for seguida e claramente associada ao comportamento indesejado, poderá transmitir-lhe a ideia de que quer castigá-lo só por castigar.

Consequências exageradas

– Por vezes, enquanto adultos, a frustração leva-nos a ter reações exageradas, quase impulsivas. Na ausência de uma reação adequada e assertiva da parte do adulto, a criança não consegue antecipar claramente os seus limites nem percebe até onde pode ir, dificultando-lhe a tarefa de auto-regular as suas próprias reações e comportamentos.

Consequências positivas, apesar do mau comportamento

– Por ex. a criança faz birra porque não quer fazer os trabalhos de casa e o adulto cede, respondendo-lhe: “então vá…, fazes só a metade dos exercícios”

A PROMOVER:

  1. Atenção positiva para um comportamento positivo

– Tentar “apanhar” a criança num momento em que esta apresenta um comportamento positivo e reforçá-la por isso;

– Fazer isto de forma persistente, mesmo se estiver frustrado e cansado de chamar a sua

atenção.

  1. Ignorar de forma ativa

– Consiste em ignorar propositadamente a criança enquanto esta se “porta mal”, e depois reforçar positivamente assim que ela apresentar o comportamento pretendido;

– Não recorra a esta estratégia para lidar com comportamentos graves, nem para momentos em que ignorar significa reforçar o comportamento indesejado (por ex. não ignorar o seu filho quando ele se recusa a pôr a mesa).. Aja com autoridade (diferente de “autoritarismo”)

– Imponha as regras de forma clara, assertiva e sem hesitações. Evite entrar em argumentação ou negociação com a criança. A explicação dos motivos deve ser realizada posteriormente.

  1. Aplicar o Time-Out corretamente

– Time-out é uma técnica comportamental que tem por objetivo ajudar a criança a controlar-se internamente e a refletir nas suas ações. Consiste em retirar a criança do local onde ocorreu o comportamento e levá-la para outro sítio onde ficará sozinha durante alguns minutos, sem distrações. Durante esse período (por ex. 1 minuto por cada ano de vida da criança), o adulto não deve falar-lhe nem dar-lhe atenção;

– Termine o time-out apenas quando a criança se tiver acalmado durante alguns minutos;

– Seja claro a explicitar antecipadamente quais os comportamentos que conduzem a um time-out;

– Seja consistente a introduzir time-outs, apesar do cansaço e saturação que possa sentir;

– Após o time-out, a criança deve voltar à tarefa anterior para evitar que este seja usado como fuga.


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