Portugal é pioneiro em rede para casos graves de abandono escolar

Agosto 27, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Paulo Pimenta

Notícia do Público de 6 de agosto de 2019.

Samuel Silva

O nosso país será o primeiro da UE a dar enquadramento legal às escolas de segunda oportunidade, que trabalham com estudantes que, por falta de qualificações, estão em risco de exclusão social

Estas escolas destinam-se a jovens com mais de 15 anos sem qualificação profissional e que tenham abandonado a escola há pelo menos um ano.

As escolas de segunda oportunidade, que trabalham com adolescentes e jovens adultos que abandonaram a escola sem concluir a sua formação, vão ser formalmente reconhecidas pelo Governo. O Ministério da Educação publica hoje um despacho que cria um enquadramento legal para esta oferta. Portugal é o primeiro país a fazê-lo.

Estas escolas destinam-se a jovens com mais de 15 anos que não tenham qualificação profissional e que tenham abandonado a escola há pelo menos um ano. São pessoas que se encontram muitas vezes em risco de exclusão social, dada a falta de qualificações. Em Portugal, o modelo já existe há 11 anos, com a criação da Escola de Segunda Oportunidade de Matosinhos, e tem crescido nos últimos anos.

O despacho que é publicado hoje vai permitir “institucionalizar um modelo que até agora não tinha enquadramento legal”, explica ao PÚBLICO o secretário de Estado da Educação, João Costa, que assina o diploma. Portugal será o primeiro país a reconhecer formalmente as Escolas de Segunda Oportunidade, que começaram a surgir na Europa na segunda metade dos anos 90. A rede europeia de segunda oportunidade tem cerca de 40 estabelecimentos de ensino e associações que prosseguem este modelo de ensino. Foi criada em 1999, na sequência do reconhecimento da educação de segunda oportunidade pela Comissão Europeia. Quatro anos antes, o Livro Branco da Educação na União Europeia de 1995 pôs esta resposta em cima da mesa para dar saída ao problema de abandono escolar precoce que foi identificado um pouco por toda a Europa.

A solução agora encontrada é uma forma de “reconhecer o trabalho que estas instituições já fazem”, prossegue João Costa. O secretário de Estado também acredita que o novo enquadramento legal vai abrir espaço para um alargamento da oferta neste tipo de formação, especialmente em zonas onde existem “focos grandes de exclusão social” e não existem ofertas deste tipo, como é o caso da Área Metropolitana de Lisboa.

A escola de segunda oportunidade mais próxima da capital fica em Samora Correia, no concelho de Benavente. A maior parte destas escolas está no Grande Porto. Além da escola de Matosinhos, existem outros projectos como o Arco Maior e também na Maia e em Valongo.

Esta medida entra em vigor no início do novo ano lectivo e será operacionalizada através da assinatura de protocolos entre cada uma das escolas, a Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e entidades parceiras, que podem ser autarquias e empresas, mas também instituições de solidariedade social ou do movimento associativo de cada um dos territórios. A intenção é que a intervenção das escolas de segunda oportunidade tenha sempre uma “dimensão comunitária”.

Os estudantes das escolas de segunda oportunidade vão continuar a ter que estar formalmente inscritos num agrupamento de escolas da rede pública. Estas escolas têm que enquadrar formalmente a formação dos alunos nos instrumentos de certificação disponíveis na lei, como o Programa Integrado de Educação e Formação (PIEF), destinado aos jovens dos 15 aos 18 anos que se encontram em risco de exclusão escolar e social, ou os cursos de Educação e Formação de Adultos (EFA), para os alunos maiores de idade. O despacho identifica, porém, a possibilidade de ser adoptado um “modelo pedagógico personalizado” enquadrado pela lei que introduziu a flexibilidade curricular no ano passado.

O diploma estabelece ainda as linhas orientadoras para criar um plano nacional — baptizado Programa 2 O — que dê resposta aos jovens que abandonaram o sistema educativo e estão em risco de exclusão social. Apesar de a taxa de abandono escolar ter atingido, no último ano, o valor mais baixo de sempre (11,8%), a tutela “sabe que Portugal ainda apresenta um número significativo de alunos que abandona a escola sem concluir a escolaridade obrigatória”, reconhece-se no diploma.

Petição para Comissário Europeu para as Crianças

Agosto 27, 2019 às 2:20 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Petição para Comissário Europeu para as Crianças

Com a oportunidade de um novo Comissário Europeu, a Eurochild – organização da qual o IAC é membro associado – lançou uma petição para recolha de assinaturas em que visa apoiar a criação de um novo cargo na Comissão Europeia – O Comissário Europeu para as Crianças – no próximo mandato da Comissão Europeia, 2019-2024. Com um líder político focado neste domínio, a Europa deverá priorizar o combate aos múltiplos desafios com que as crianças se deparam.

Sabia que existe um Comissário Europeu para as Pescas mas nenhum Comissário para as Crianças?

Os líderes europeus estão prestes a decidir relativamente aos lugares de topo na Comissão Europeia, o braço executivo da União Europeia (UE). Durante os próximos 5 anos, estes Comissários Europeus, serão responsáveis por proporem leis e definirem as prioridades políticas da UE, bem assim as respectivas dotações financeiras.

Apesar dos direitos da criança serem garantidos por lei, ainda há muito por fazer.

1 em cada 4 crianças está em risco de pobreza na UE, os sistemas de protecção social são demasiado débeis para apoiarem as famílias e crianças com necessidades; desigualdades estruturais bloquearam crianças e famílias num ciclo de desfavorecimento. Em Dezembro de 2009, a UE reconheceu os direitos da criança, contudo 10 anos mais tarde, não existe ainda uma única autoridade na UE com a responsabilidade de detectar lacunas ao nível das políticas europeias com impacto na vida das crianças.

A carta de petição a Donald Tusk, Presidente do Conselho Europeu, afirma que o papel de um Comissário Europeu para as Crianças terá o intuito de promover e advogar em prol dos direitos das criança na UE, bem assim junto de países em fase de adesão, assim como em matéria de acção externa. O Comissário assegurará que todas as políticas e fundos europeus tenham um impacto positivo na vida das crianças.

Os jovens inquiridos na sondagem Europe Kids Want acham que a UE torna as suas vidas melhor, mas que pode fazer mais. A Declaração de Bucareste para as Crianças, desenvolvida pelas próprias crianças, naquela que foi a primeira Cimeira Europeia das Crianças durante a Presidência Romena do Conselho da UE em Maio deste ano, também aponta para o facto destas procurarem uma maior participação na tomada de decisão pública.

A Eurochild prevê que este cargo responda às necessidades das crianças, sociedade civil e outros actores visando uma maior visibilidade política para os direitos da criança.

Certos da vossa melhor atenção e participação,

LINK para assinatura da petição: http://www.commissionerforchildren.com/…
#childcommissioner #childrights #institutodeapoioacriança #eurochild

Conhecer os amigos dos filhos e os pais deles reduz episódios de bullying

Agosto 27, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 6 de agosto de 2019.

Portugal é dos países onde os pais mais conhecem os amigos dos fılhos, mas o cenário muda quando se olha apenas para as escolas favorecidas. Especialistas mostram, contudo, reservas nesse tipo de divisão

Um estudo que parte de dados do PISA concluiu que, quando os pais conhecem os amigos dos filhos (e os respectivos pais), as ocorrências de bullying diminuem e os estudantes mostram melhor desempenho na resolução conjunta de problemas. Apesar de a investigação não conseguir provar uma causa-efeito directa neste último ponto, assegura que os resultados do PISA vão ao encontro desta expectativa.

Para esta análise foram utilizados 288 mil inquéritos feitos no âmbito do PISA dirigidos a pais e estudantes de 18 países da OCDE sobre a frequência com que foram vítimas de  bullying físico e psicológico. Portugal teve 13.600 pais e alunos a responder. No estudo reforça-se que, quando se cultivam estas relações, os estudantes terão mais relutância em praticarem bullying. Além disso, se todos se conhecerem, será mais fácil definir normas.

Simão Bento, estudante de 18 anos e presidente da associação de estudantes da Escola Secundária Camões, em Lisboa, é a da opinião que “existem dois lados da moeda”: “Conhecer os amigos do filho pode ajudar, os jovens podem sentir-se mais intimidados, mas também podem estar mais reticentes em expor um caso de bullying, principalmente no ensino básico”, afirma.

Segundo a psicóloga Margarida Gaspar de Matos, existe um respeito maior “quando os miúdos conhecem os pais dos amigos” — no fim de contas, “não vão bater no amigo com quem lancham em casa”. Mas reconhece que pode dar-se exactamente o fenómeno oposto: os filhos podem ter medo de que, ao contarem aos pais que foram vítimas de  bullying, estes sejam “demasiado protectores” e reajam de forma excessiva na escola. “É difícil gerirmos o modo como podemos ajudar os nossos filhos. Temos de falar muito com eles e a qualidade do diálogo deve começar cedo”, explica.

Depois de a filha passar por esta situação, Rui Martins, da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação, é a favor de uma abordagem que envolva toda a comunidade escolar: “Na altura foi uma surpresa, pensei que só acontecia aos outros. Só é possível resolver estas situações se todos trabalharem em conjunto, pais, directores, psicólogos… Quem faz bullying também precisa de ser ajudado.”

O “perigo” de generalizar

Geórgia, Espanha e Irlanda são os países onde os pais mais conhecem os amigos dos filhos e os respectivos pais — Portugal situa-se em sexto lugar na lista e acima da média da OCDE. Por outro lado, é em França, Hong Kong e Macau que os pais menos conhecem os amigos dos seus filhos. O estudo aponta duas razões para estes dados: por um lado, o número de vezes que o aluno tem de mudar de escola — em Espanha, um aluno de 15 anos só tem de mudar de escola uma vez, aos 12 anos, enquanto em França terá de mudar três vezes, aos 6, 11 e 15 anos.

Por outro, a participação dos pais em reuniões e conferências escolares, que potenciam as relações entre eles — na Geórgia, Alemanha, Irlanda, Escócia e Espanha, oito em cada dez pais foram a reuniões escolares; já em países como França, Coreia, Macau e Hong Kong, menos de sete em cada dez pais participou nestas actividades. Não constam no documento os dados de Portugal.

“Há uma tendência para que a participação de um maior número de pais torne o ambiente escolar mais interessante”, começa por dizer Rodrigo Queiroz e Melo, director executivo da Associação de Estabelecimentos do Ensino Particular e Cooperativo. “Os alunos exprimemse e aprendem mais. Também se sentem mais seguros”, conclui.

Embora Margarida Gaspar de Matos defenda que “a qualidade da relação entre a escola e a família” seja importante para a criança, e que “a comunicação entre os dois é um valor acrescentado”, ressalva: “Não me parece que exista uma relação directa entre conhecer os amigos dos filhos e o sucesso escolar. Existem pais atentos, empenhados e que estão interessados na evolução do filho na escola.”

Manuel Pereira, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares, partilha da mesma opinião: “É perigoso generalizar na educação. Tive alunos que tinham tudo para dar errado e acabaram por ser muito bem sucedidos. Não são a regra, mas esses casos existem.”

Quando os dados da investigação comparam os alunos que andam em escolas mais ou menos favorecidas do ponto de vista socioeconómico, Portugal muda de posição e passa para o grupo de quatro países onde a clivagem é mais acentuada. Ou seja, no México, República Dominicana, Geórgia e Portugal, quanto mais favorecida for a escola, menos pais e filhos se conhecem e contactam uns com os outros. O oposto acontece na Bélgica, Hong Kong, Luxemburgo, Macau, Chile e Malta.

Diferenças regionais?

Se Rui Martins acredita que “existe um factor de competição em escolas de elite”, que cria uma barreira para que os pais conheçam os amigos dos filhos, há quem tenha mais dificuldades em aceitar a divisão entre escolas favorecidas e desfavorecidas em Portugal. Manuel Pereira considera que as diferenças se situam noutro patamar, o das realidades urbanas e rurais. “Em zonas menos populosas é mais fácil conhecer os amigos dos filhos em relação às zonas urbanas, que estão cheias de alunos”, explica.

Já a psicóloga Margarida Gaspar, apesar de concordar que não é “totalmente possível separar o mais favorecido do mais desfavorecido a nível nacional”, acredita que também não é possível fazer uma divisão entre o rural e o urbano: “Não é útil dividirmos o país, porque depois passamos a ver o mundo através desses óculos de categorias”, defende.

Texto editado por Rita Ferreira

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Do parents of 15-year-olds know many of their child’s school friends and their parents?

Caixa da raiva: o melhor recurso contra a raiva e a ira das crianças

Agosto 27, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site CriandocomApego de 6 de agosto de 2017.

A caixa da raiva surgiu de uma ideia da psicóloga espanhola Marina Martín para ensinar as crianças a controlar a raiva e a ira. Essa ferramenta tem sido recebida como um dos melhores recursos para ajudarmos nossos filhos a autocontrolar suas emoções e sentimentos.

Segundo a psicóloga, a ideia da caixa da raiva nasceu da leitura do conto “Vaya Rabieta” (“Que birra”), de Mireille d´Allancé.

O conto Vaya Rabieta

Na narrativa, Roberto é o protagonista. Ele vive um mau dia: os país zangaram com ele, não gostava da comida e desobedeceu a seus país. Logo, você pode imaginar que tudo acabou com o menino cheio de raiva. No conto, a raiva é ilustrada como um grande monstro que sai do pequeno corpo de Roberto. Esse monstro domina o menino e pode fazer o que quiser com ele, sem qualquer controle.

É por isso que o grande monstro destroi tudo o que encontra: desfez a cama, jogou longe o abajour, os livros, os brinquedos. Depois de se dar conta do que aconteceu, o menino tenta reparar tudo o que a raiva havia destruído. Enquanto tratava de arrumar o quarto e colocar cada coisa em seu lugar, a raiva foi se tornando cada vez menor. Ficou tão pequena que coube em uma caixa.

A caixa da raiva

É da ideia de dito conto que a psicóloga sugere trabalhar com o menor a ideia de que cada vez que sinta raiva ou ira, pode desenhar em um papel tudo o que está sentido. Essa é a maneira de mandar pra fora tudo o que lhe está fazendo mal.

Certamente, os desenhos trarão traços fortes, marcados pela impulsividade e pelo desequilíbrio vivenciado quando essas emoções dominam o ser. Pouco a pouco os traços vão se tornando mais claros. É aí quando a criança se dá conta de que está se acalmando.

Após terminar o desenho, explique à criança que deve amassá-lo e coloca-lo em uma caixa fechada, para que sua raiva não possa sair.

A caixa da raiva pode ter várias formas. Construa uma junto com seu filho. Uma dica útil é usar essa ferramenta no cantinho da calma. Conjugar esses dois recursos pode ser muito eficiente para ensinar a criança a identificar e regular as emoções.

Nós adoramos o recurso e, em seu tempo, o utilizaremos com nossa filha. Já mostraremos a nossa pronta. E você, se anima a fazer uma para seu filho? Depois compartilhe conosco sua experiência.

Dicas de leitura

Na nossa seção Dicas de leitura, você encontra muitas dicas incríveis histórias, fábulas, poemas, livros e vídeos infantis. Além disso, confere dicas de atividades e jogos de leitura, de contação de histórias e formas de organização da biblioteca infantil em casa. Visite:

Educação Emocional

Na seção Educação Emocional aprendemos como ajudar nossos filhos a reconhecer e identificar as emoções corretamente. A partir do desenvolvimento da inteligência emocional, a criança está preparada para vivenciar situações várias de uma maneira equilibrada. Descubra mais:

 


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