Os cuidados a ter com os bebés antes de os levar para a praia

Agosto 21, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do site Sapo Lifestyle

Cerca de 22% das crianças com menos de 24 meses tem uma pele muito sensível, apresentando mesmo 8% uma pele atópica. Para proteger os mais pequenos nos meses de maior calor, siga os conselhos do dermatologista David Serra.

Suave, macia, delicada mas… frágil! A estrutura da pele do bebé é muito semelhante à de um adulto, mas a camada córnea é mais fina e as células da epiderme são menos aderentes entre elas. A pele do bebé tem também menos gordura. Por isso, a diminuição de produção de sebo limita a resistência contra o quente ou frio. Mas as diferenças não se ficam por aqui. A pele do bebé tem uma capacidade muito elevada de absorção.

O peso da área da superfície da pele é três a cinco vezes maior em recém-nascidos do que em adultos. Esta diferença significativa implica que o organismo de um recém-nascido absorva concentrações muito mais elevadas do que um produto para adultos para a mesma zona de aplicação. Qualquer produto que entre em contacto com a pele do recém-nascido será, assim, facilmente absorvido, o que não é benéfico.

Desta forma, o risco de toxicidade nesta fase da vida da criança, é elevado e requer o máximo de cuidado na escolha de um cuidado adaptado.

O pH da pele do bebé é diferente do pH da pele do adulto.

Os recém-nascidos têm um pH próximo de 7, neutro, enquanto o pH do adulto é ácido (oscila entre 5,5 e 6,5) proporcionando uma boa proteção da pele contra as bactérias. Esta é a razão pela qual a pele do bebé fica sujeita a infeções, e é mais frágil e delicada.

A pele do bebé é mais suscetível a alergias do que a pele dos adultos. A epiderme do recém-nascido absorve substâncias com mais facilidade. Por isso, os produtos que utilizar, nesta ou em qualquer outra altura do ano, devem ser hipoalergénicos e adaptados à pele sensível do bebé, como recomendam os especialistas. No mercado, são muitas as marcas que investiram em fórmulas que garantem essa segurança.

Guia prático para proteger a pele dos mais pequenos na praia

Para preparar a pele para a praia, David Serra, dermatologista, sugere quais os hábitos que os pais devem abraçar para protegerem a pele dos seus filhos e ainda identifica o tipo de produtos de proteção solar que é mais indicado para a pele infantil. Até aos 12 meses, “é desaconselhada a exposição solar direta prolongada”, começa por referir o especialista. Entre as 11h00 e as 16h00, os mais pequenos não devem apanhar sol.

Esse cuidado deve ser mantido, sempre, “com crianças de pele muito clara, cabelos louros, ruivos ou castanhos-claros, olhos azuis ou verdes e com história familiar de cancro de pele ou com pais com muitos sinais”, acrescenta o especialista. Até aos dois anos, “o protetor solar deve conter apenas filtros físicos”, sublinha ainda David Serra. Filtros que não reagem quimicamente com a pele para proteger a criança.

Antes, formam uma barreira que reflete tanto as radiações UVA, como as UVB, protegendo a pele da criança. No momento de sair de casa, há uma lista de objetos fundamentais a não esquecer antes de ir para a praia, que deve conferir. Deve incluir, além do chapéu, óculos de sol e um guarda-sol. “O vestuário é a forma mais eficaz de proteger a pele do sol”, justifica o dermatologista David Serra

“O protetor solar deve ser aplicado antes de sair de casa e renovado regularmente, em função da atividade da criança e se toma banho. A aplicação deve ser uniforme e abranger toda a pele exposta”, recomenda ainda o especialista. No momento de escolher, prefira leites ou loções aos protetores em spray, visto que “obrigam à utilização de maior quantidade de produto e hidratam mais”, refere ainda.

Escolha sempre produtos com fator de proteção “SPF 50+ e o símbolo UVA também deve estar presente”, aconselha David Serra. Depois de saírem da praia ou se os seus filhos estiveram a chapinhar numa piscina com água salgada, lave sempre a pele com água doce. “A exposição ao sol deve ser gradual e não súbita. Deve ser de pouco tempo nos primeiros dias de exposição”, alerta ainda o dermatologista.

Texto: Filipa Basílio da Silva

Gémeas em garagem. Ministério Público abre processo – notícia da RTP com declarações de Manuel Coutinho do IAC

Agosto 21, 2019 às 2:25 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia com declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

As gémeas de dez anos que viviam numa garagem na Amadora estavam sinalizadas há seis anos. A Comissão de Proteção de Crianças e Jovens confirma que recebeu nova sinalização em 2016 e remeteu o processo para o Ministério Público.

O Instituto de Apoio à Criança considera que houve uma falha na avaliação do risco.

As duas meninas, atualmente com dez anos, nunca foram à escola.

A reportagem pode ser visualizada no link:

https://www.rtp.pt/noticias/pais/gemeas-em-garagem-ministerio-publico-abre-processo_v1167797

Gémeas retiradas aos pais não sabem ler nem escrever. Foram sinalizadas três vezes

Agosto 21, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Público de 20 de agosto de 2019.

Crianças de dez anos “presenciavam agressões físicas e psicológicas entre os pais”, apontam as autoridades. Câmara da Amadora diz que nunca foram inscritas na escola. Ministério Público não revela o que fez em 2016, quando o caso ali deu entrada.

Ana Henriques

As gémeas que moravam até à passada semana numa garagem sem as mínimas condições de habitabilidade no concelho da Amadora com os pais não sabem ler nem escrever. Chegaram aos dez anos sem nunca ter ido à escola.

Estavam sinalizadas desde 2013 pela Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ), e a sua situação era conhecida do Ministério Público desde 2016. Porém, foi preciso esperar até este mês de Agosto para as autoridades intervirem após uma nova denúncia, retirando temporariamente as gémeas aos pais, que foram detidos por maus tratos, mas aguardam julgamento em liberdade. A Câmara Municipal da Amadora diz não existirem quaisquer registos de tentativa de inscrição das duas crianças na rede escolar pública, nem tão pouco nenhum pedido de habitação municipal por parte do casal. “Do ponto de vista social nunca existiu qualquer pedido de apoio por parte da família junto da autarquia”, refere ainda a Câmara da Amadora. Informações que tanto o pai das crianças, João Moura, um transmontano de 50 anos, como a mãe, Mariana Santos, uma brasileira de 34 anos, contestam.

Segundo o casal, as crianças chegaram a frequentar o infantário. Mas quando tentaram inscrevê-las na escola faltava-lhes documentação para o fazer, alegam, e por isso nunca o conseguiram. “Primeiro disseram que só podiam entrar aos sete anos. No ano seguinte faltava documentação”, diz a progenitora, assegurando que as filhas têm as vacinas em dia e são devidamente acompanhadas pela médica de família. Uma delas chegou a contrair escarlatina, e mais recentemente tiveram as duas varicela, descreve.

Com a demolição da casa clandestina onde moravam, a meio caminho entre a Reboleira e a Damaia, em 2016, a situação de precariedade da família agravou-se. Acabaram por se mudar para o outro lado da rua, para uma exígua garagem convertida em lar. As gémeas passaram a viver em condições que a PSP qualifica agora como “deploráveis e sem salubridade”. O casal não esconde as condições em que subsistem. Dormem num sofá logo à entrada, atrás do qual existe uma copa sem fogão sequer. Parte das refeições são feitas num snack-bar no centro da Damaia, ou então num grelhador ao ar livre. No acanhado espaço cabe ainda um compartimento minúsculo com sanita e alguidar para os banhos – a água é aquecida no micro-ondas – e, por fim, um quarto atafulhado de brinquedos e outros pertences, onde as gémeas têm um beliche. Dois cães e quatro gatos, três dos quais ainda crias, completam o cenário.

Além de andarem mal vestidas, as crianças “presenciavam agressões físicas e psicológicas entre os pais”, apontam as autoridades. Os primeiros episódios de violência registados remontam à altura em que ainda moravam na casa entretanto demolida. Mariana Santos, cuja magreza extrema diz dever-se talvez a uma anorexia nervosa, garante que o companheiro nunca lhe bateu durante as discussões. Mas em 2013, após a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens ter decretado que se afastasse de João Moura com as filhas, acedeu a ficar num centro de acolhimento. “Regressámos a casa 15 dias depois, quando percebi que estava grávida”, conta. A gravidez acabou por correr mal e perdeu o bebé.

Três anos mais tarde, a mesma comissão é novamente avisada de que a mulher e as filhas continuam expostas a violência doméstica. “Após várias diligências, os processos de promoção e protecção foram remetidos aos serviços do Ministério Público, por não ter sido possível obter o consentimento dos pais para a intervenção da comissão, por desconhecimento do seu paradeiro”, descreve esta comissão. É então há três anos que o caso das duas crianças chega ao Ministério Público.

O PÚBLICO tentou saber junto da Procuradoria-Geral da República (PGR) que sequência foi dada a estes processos, mas sem sucesso. “O processo criminal encontra-se em investigação e está em segredo de justiça. Foi também instaurado pelo Ministério Público um processo de promoção e protecção. No âmbito deste processo proceder-se-á ao completo diagnóstico da situação actual e do quadro familiar e social que à mesma conduziu”, limitou-se a responder a PGR, acrescentando que as meninas contam neste momento com acompanhamento psicológico.

João Moura vive dos biscates na área da electricidade automóvel. Já a mulher deixou de trabalhar há anos. “As meninas não estavam presas na garagem, como foi noticiado”, assegura. “Não eram maltratadas, nem passavam fome. Só tenho pena de não terem ido à escola.”

“Ensinei-lhes uns números e umas letras”, conta a mulher. “Mas também não sabia ensinar-lhes mais, não sou professora.” Na última semana tem falado com elas ao telefone: “Dizem-me que estão fartas das férias, que querem voltar a casa.”

*Com Sónia Trigueirão

Caso Team Strada. E agora, como é que lido com os meus filhos? Experimente começar com uma conversa

Agosto 21, 2019 às 6:00 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo24 de 29 de julho de 2019.

Margarida Alpuim

As notícias da semana passada sobre a Team Strada e o fascínio pelo mundo dos youtubers e influencers voltou a chamar a atenção para os riscos dos comportamentos online desregrados. Numa sociedade em que nascemos “com o nariz colado ao ecrã”, duas psicólogas sugerem estratégias para que os pais possam ajudar os filhos a fazer uma utilização segura da Internet. As conversas sem julgamento de valor criam espaço para fazer perguntas, partilhar angústias e promover o juízo crítico — mas nem sempre é fácil saber por onde começar.

“Uso das tecnologias? Sim. Desde pequenos? Sim.” Só que com regras. Quem o diz são duas psicólogas que trabalham com jovens, uma na área da ciberpsicologia e outra na promoção de comportamentos saudáveis.

As especialistas falaram ao SAPO24 a propósito da polémica com a Team Strada: o caso mediático de um projeto de jovens youtubers coordenados por um adulto, Hugo Strada, que tem sido alvo de crítica pela proximidade física considerada excessiva que estabelece com os membros mais novos do grupo, alguns deles menores de idade. O Ministério Público já confirmou a abertura de um inquérito relativo à ação deste homem de 36 anos.

Ivone Patrão, docente no ISPA – Instituto Superior de Psicologia Aplicada e investigadora na área dos comportamentos e dependências online, e Margarida Gaspar de Matos, professora universitária e colaboradora numa rede da Organização Mundial de Saúde que estuda os comportamentos dos adolescentes, dão voz a uma visão que tem vindo a ficar cada vez mais clara nos últimos anos: a Internet tem aspetos positivos para o desenvolvimento infantil e juvenil, informa, entretém, “só que não é baby-sitter”, e precisa de ser utilizada com supervisão.

A afirmação parece óbvia e simples, mas, quando chega a hora de definir limites e de encontrar estratégias para ajudar os mais novos a fazerem um uso saudável das tecnologias, muitas vezes os adultos não sabem por onde começar.

“Os pais estão receosos destas conversas, não sabem como as fazer. Mas, se não começarem a experimentar, também nunca as fazem”, afirma Ivone Patrão. A especialista encoraja os responsáveis a não terem medo: “A conversa não é nada de transcendente. Até porque há coisas que os pais vão certamente logo perceber”.

O que fazer, então?

Antes de mais: Conversar com “serenidade” e evitar os diálogos extremados

“Quando os pais ficam aflitos e começam a proibir [a utilização da Internet] e a dizer que é um horror, não criam bom impacto”, explica desde logo Margarida Gaspar de Matos. Reações como esta, acredita a psicóloga, levam os filhos a dizerem: “O meu pai não percebe nada disto”. “E riscam os pais da lista” de pessoas a quem recorrer em caso de dúvida.

A ideia não é os pais “impedirem os filhos de acederem aos vídeos ou à Internet. Isso é uma política muito catastrófica, que só faz com que cada um fique radicado na sua certeza”, continua.

Ivone Patrão concorda. As conversas sobre os limites e disciplina no uso da Internet devem acontecer sem que haja “um juízo de valor à partida”. Não traz bons resultados dizer: “Isto não presta, isto não vale nada, não vejas isto”. Isso afasta os mais novos, considera a psicóloga.

Quando os adultos reagem de forma radical sem entrarem em diálogo com os filhos e “sempre com o sermão no cantinho do seu cérebro”, Margarida Gaspar de Matos diz que o resultado acaba por ser as crianças ou os jovens deixarem de falar com os pais e  ficarem “sozinhos, sem saber o que hão de fazer”.

A alternativa, defende, é ter uma “conversa que não seja assustadora, que seja serena”. “Uma atitude de serenidade; de disciplina, mas de diálogo”, sublinha. Desta forma, “se os filhos por algum motivo ficarem aflitos, vão perguntar aos pais”.

Ivone Patrão, que é também terapeuta familiar, reforça a ideia: as crianças e os jovens “têm de estar à vontade para dizerem aos pais ‘Vi isto’ ou ‘Apareceu aquilo’”, referindo-se ao facto de por vezes aparecerem imagens com conteúdos inapropriados para os mais novos — como homens e mulheres nuas. Em vez de o responsável a dizer “Apareceu isto? Então, nunca mais vês”, a psicóloga sugere que a conversa seja ao contrário e que se entre em diálogo: “Quando isso aparecer, o que é que achas que deves fazer?”. Assim, diz, “começamos a imprimir juízo crítico, a imprimir as questões da valorização, do respeito, de como se comunica”, continua.

A ideia é “pô-los a pensar” a partir dos conteúdos que lhes chegam: “O que te pareceu o comportamento deste youtuber? E esta linguagem?”. Ivone Patrão dá um exemplo: usar algumas expressões “em determinado contexto e para fazer humor é uma coisa, passar o dia a dizer asneiras é outra”. “Temos de ter espaço para falar disto. E não me parece que as famílias tenham este espaço”, considera.

Estratégias construtivas para criar disciplina

Uma forma de criar espaços de conversa é jogar com os filhos e ver alguns vídeos com eles. Sabendo que os pais não podem “estar a supervisionar a todo o segundo”, refere Ivone Patrão, “é muito importante que se estabeleçam bem as regras quanto ao número de horas que [os filhos] estão online e quanto ao tipo de conteúdos que são visualizados. E que se dê espaço para falar sobre como está a correr o cumprimento” das regras estabelecidas: “Mostra lá o que tens estado a ver?”, “Em que é que estás mais interessado agora?”. “Senão, os pais perdem o fio à meada” e não se instala o hábito de ir conversando sobre o tema.

É precisamente por isso que as duas especialistas concordam com a ideia de que seja criada disciplina desde cedo.

Margarida Gaspar de Matos põe o relógio da utilização da Internet a contar logo a partir dos três anos — para as crianças com dois anos ou menos é mesmo desaconselhável, acrescenta. A ideia é limitar o tempo que as crianças estão online. “Não é preciso grandes explicações. É só dizer que, tal como não podem comer ou dormir o dia todo, também não podem estar ao computador todo o dia. Só podem estar meia hora depois do lanche”, exemplifica.

“Se a criança se habituar que a vida é assim — com uma disciplina à volta da utilização dos ecrãs —, vai considerar isso normal”, completa.

“O que também se tem de fazer desde os três, quatro anos é dar alternativas a estar com o nariz no ecrã. Sugerir outras coisas para fazer. Pode ser ler, ajudar nas tarefas da casa, fazer legos, praticar um desporto. E atividades em família”, salienta Margarida Gaspar de Matos. A psicóloga lembra até que os momentos passados em família proporcionam um espaço para conversas informais, sem ser “aquela hora da conversa de que os adolescentes não gostam nada”. Naturalmente, “à medida que se vai fazendo uma caminhada ou se vai fazendo um bolo, as pessoas estão na conversa e os temas surgem”.

Ivone Patrão adverte para que, nos dias de hoje, nas conversas que têm com os filhos, não basta aos pais perguntar: “O que está a acontecer na escola? E cá em casa? E com os avós?”. “Não. Então e online? O que é que está a acontecer online? Também temos de olhar para isso”, exclama. Até porque às vezes “podem andar a acontecer coisas online que influenciam o estado de humor daquela criança ou daquele jovem e os pais não sabem”, alerta.

A polémica que se gerou na última semana sobre a Team Strada e as mensagens que têm circulado nas redes sociais — por exemplo, “nunca esperei isso do Hugo Strada, realmente ele magoou muitos”, “eu gostava tanto da Team Strada” ou “cansei de estar calada e como medo. Isto é abuso psicológico” — revelam que há muitos jovens a sentirem-se afetados pela situação de alguma maneira.

Caso Team Strada: “Quem visualiza está em risco, mas quem está dentro pode estar em perigo”

Na sexta-feira, dia 26 de julho, a Procuradoria-Geral da República confirmou a “instauração de um inquérito” em relação à atuação de Hugo Strada, o adulto mentor do grupo. Em causa estão imagens da interação entre ele e os jovens que têm gerado controvérsia.

Toda a polémica e o possível fim do grupo pode ter um impacto real quer nos participantes da Team Strada, quer nos fãs, acredita Ivone Patrão.

“Quem visualiza [os vídeos da Team Strada] está em risco, mas quem está dentro deste enredo pode estar em perigo”, avança a investigadora, advertindo que nesta fase apenas é possível comentar em termos hipotéticos, uma vez que não há informação oficial sobre as dinâmicas no interior do grupo.

Caso os atuais membros da equipa estejam “a ser alvo de algum tipo de abuso psicológico ou até sexual”, eles estão em perigo. A psicóloga não tem dúvidas: Dadas as circunstâncias, “tinha de  ser aberto inquérito” para averiguar os comportamentos em questão.

Por outro lado, se para os membros do grupo a Team Strada era, possivelmente, além de um projeto de vida, um espaço de “carinho”, há uma perda a considerar.

“Se isto era uma forma de eles receberem afeto, isso agora vai-lhes ser retirado”, explica. Se a equipa funcionava como um “grupo de pertença”, estes jovens sentiam-se integrados num grupo de pessoas “com quem se identificavam, com quem faziam todas as atividades, riam, choravam”. Caso tenha de acabar, “não deixa de ser uma perda”, esclarece a psicóloga.

Dependendo da gravidade das situações, estes jovens “podem vir a desenvolver sintomatologia negativa — revolta, tristeza, ansiedade”. “É importante que haja suporte. Da família, dos amigos. Pode haver até alguns casos de jovens que necessitem de acompanhamento psicológico”, adianta a especialista, deixando a ressalva de que “não gosta de psicologizar tudo” e que as respostas devem ser dadas consoante a reação de cada um.

Ao mesmo tempo, os jovens que veem ou viam os vídeos da Team Strada também “estão em risco”, por estarem expostos todos os dias a conteúdos desadequados, podendo começar a “achá-los normais” e a perder “o juízo crítico”.

Aquilo que os pais podem fazer para ajudar os filhos a gerirem as emoções e a fazerem uma leitura saudável do caso passa primeiro por “dar espaço para eles falarem. Muito. Ouvir. Dar espaço para colocarem cá para fora todas as suas angústias, ansiedades. O que acham, o que pensam”, sugere Ivone Patrão. E depois tranquilizá-los — “Agora podes visualizar outras coisas”, “Os projetos têm princípio, meio e fim” — e perceber se o discurso está “fora da realidade e a inundar a liberdade de alguém”. Nesses casos, os pais podem ajudar os filhos a recentrarem-se e recordar os valores que querem alimentar na família.

Para as situações mais extremas, caso os jovens se sintam “sozinhos, amedrontados, isolados, sem ninguém com quem falar”, Margarida Gaspar de Matos lembra que existem linhas de apoio para onde as crianças e os jovens podem telefonar e que são atendidos por alguém que os ajuda primeiro a baixar os níveis de ansiedade, e depois a encontrar formas de apoio para lidarem com o momento que estão a viver. Um exemplo desses serviços, gratuitos, é a Linha SOS Criança (número: 116 111).

Para que não se chegue a estes pontos de rutura, a docente da Universidade de Lisboa insiste no papel fundamental da prevenção e na importância de que os filhos recebam afeto de forma a que se sintam “enraizados” e “contentes com a vida”, evitando assim que, por estarem fragilizados, se vejam envolvidos em situações de vulnerabilidade.

A Team Strada é um projeto criado em abril de 2018 com o objetivo de juntar jovens youtubers. Num livro publicado em outubro do ano passado, a Team Strada apresenta os seus membros como estando “prontos para fazer as melhores pranks [partidas], causar o pânico e aventurar-se em grandes desafios”.

O criador e mentor da equipa é Hugo Strada, de 36 anos, também ele youtuber, e que se identifica como gestor de artistas e influencers e produtor de eventos.

O projeto conta também com uma casa, onde os jovens se juntam para criar conteúdos “que são publicados no YouTube, a principal plataforma da Team [o canal está neste momento inacessível]”, pode ler-se no livro.


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