Vai visitar um recém-nascido? Conheça as regras

Agosto 8, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do DN Life de 7 de julho de 2019.

Não fazer visitas antes de o bebé completar 28 dias, nunca dar beijos e evitar os palpites. Esta são algumas das regras mais importantes para garantir a segurança do recém-nascido. Pediatras dizem que 90% das pessoas falham quando visitam bebés.

Texto de Joana Capucho

Aparecem sem um telefonema prévio a perguntar se a visita é oportuna. Levam crianças para ver o recém-nascido. Tocam-lhe nas mãos. Dão-lhe beijos. E, para piorar, ainda soltam um “se calhar está com fome” quando a criança chora. “Noventa por cento das pessoas cometem erros quando visitam um bebé”, diz a pediatra Paula Vara Luiz. “As pessoas não têm noção do que é um recém-nascido” e, por vezes, “os pais ficam numa posição em que não se querem afirmar para não parecerem mal-educados”.

Quem acompanha a gravidez geralmente tem muita vontade de estar presente nos primeiros dias de vida do bebé, mas, apesar de as intenções serem as melhores, os erros são frequentes. Há um conjunto de regras básicas a ter em conta, que, se não forem cumpridas, colocam em causa a saúde e a segurança do recém-nascido. “Estes comportamentos errados podem gerar infeções no período neonatal que carecem de internamento. E o internamento é a situação mais violenta em pediatria”, diz a pediatra.

“Após o nascimento de um bebé as famílias precisam de tranquilidade. Por isso, sugere a pediatra Graça Gonçalves, “as visitas são bem-vindas se forem levar comida, lavar a roupa ou limpar a casa. Não devem ir para dizer coisas ou estar com o bebé”.

Dependendo do local da infeção, a criança pode ficar com sequelas. “Podem ser necessárias terapias invasivas, como a ventilação mecânica”. Em última instância, “uma simples constipação no adulto pode mesmo causar a morte de um bebé”. Por isso, falámos com duas pediatras para elaborar uma lista de regras importantes a ter em conta quando pensar visitar um recém-nascido.

Visitas proibidas até completar 28 dias. “Um recém-nascido não recebe visitas nos primeiros 28 dias de vida”, diz Paula Vara Luiz. Só devem ser permitidas visitas dos familiares mais próximos ou amigos muito chegados. Uma opinião partilhada pela pediatra Graça Gonçalves: “No início da vida é muito mau haver visitas a recém-nascidos”. Até aos 28 dias, sublinha, “escusam de aparecer”.

Para evitar surpresas desagradáveis, a consultora internacional de lactação sugere que o pai envie uma mensagem quando o bebé nascer, a dizer “nasceu, pesa x e pode receber visitas em casa dentro de x tempo”. Nem pensar aparecer na maternidade. “É absurdo encher o quarto de visitas. No privado, as mães recebem visitas de manhã à noite. Ficam muito cansadas”, refere Graça Gonçalves.

Após o nascimento de um bebé as famílias precisam de tranquilidade. Por isso, sugere a pediatra, “as visitas são bem-vindas se forem levar comida, lavar a roupa ou limpar a casa. Não devem ir para dizer coisas ou estar com o bebé”. E convém que sejam rápidas.

Telefonar antes de aparecer. Nunca apareça sem avisar. Se quiser fazer uma visita, confirme com os pais qual a melhor altura. E, se possível, volte a perguntar quando estiver próximo da hora agendada. “Nos primeiros trinta dias a mãe está à beira de um ataque de nervos, exausta. As visitas são de uma agressividade, de uma violência enormes. As mães têm de ser sempre avisadas, mesmo depois do primeiro mês”, refere Paula Vara Luiz.

Nunca levar crianças. À exceção do agregado familiar, as crianças não devem estar com os recém-nascidos. “Tanto metem a mão no rabo, como no nariz e depois na chupeta. E espirram para cima do bebé”, exemplifica Paula Luiz. Teoricamente, podem estar na presença dos bebés a partir do primeiro mês, mas com muitos cuidados. Nos primeiros meses de vida, não devem manipular o bebé.

Se estiver doente, não vá. Mesmo que seja familiar próximo ou amigo chegado, nunca deverá visitar o recém-nascido se estiver doente. Enquanto um adulto reage com ranho a uma constipação, o bebé pode desenvolver uma bronquiolite, com necessidade de internamento.

“Só deve estar ao colo da mãe, do pai e um pouco dos avós. As outras pessoas não devem mexer no bebé, porque albergam microrganismos que podem não lhes fazer mal mas que não são benéficos para o bebé. Este só deve receber e contactar com os microrganismos dos pais.”

Não mexer no bebé. “Só deve estar ao colo da mãe, do pai e um pouco dos avós. As outras pessoas não devem mexer no bebé”, aconselha Graça Gonçalves. E explica porquê: “As pessoas albergam milhentos microrganismos que podem não lhes fazer mal, mas que não são benéficos para o bebé. Este só deve receber e contactar com os microrganismos dos pais”.

Pode ver o bebé e conversar com os pais, mas não precisa de lhe pegar ao colo. “A não ser que a mãe peça. Deve oferecer os préstimos, mas sem impor”, indica a pediatra.

Lavar sempre as mãos. Assim que chegar a casa da família, deve lavar de imediato as mãos. “Os avós gostam muito de pegar nos bebés, mas devem fazê-lo durante pouco tempo e sempre com as mãos lavadas”, diz Paula Vara Luiz. Por pouco tempo entenda-se “10 a 15 minutos no máximo”. De seguida, o bebé deve voltar para o seu ambiente.

Esqueça os beijos. As duas pediatras são unânimes: não se deve dar beijos aos bebés. “Os pais dão. Eles estão habituados ao cheiro e às bactérias dos pais, mas os estranhos não devem dar beijos ao bebé. Os outros familiares devem dar na cabeça e nas zonas onde tem cabelo”, sugere Paula Vara Luiz. Graça Gonçalves diz, ainda, que “é absurdo” beijar as mãos dos bebés. “É dos piores sítios. Se fizeram muita questão, devem dar nos pés”.

Não dê palpites. Faça elogios. O cansaço, a ansiedade e as hormonas deixam as mães extremamente vulneráveis no período pós-parto. “Têm umas hormonas muito especiais nesta fase da vida, através das quais fazem a vinculação à criança e a amamentação. Estas dão-lhes uma sensibilidade ao que é dito e feito muito maior do que o habitual”, diz a consultora internacional de lactação da clínica Amamentos. Por isso, é importante que as visitas não deem palpites ou sugestões, porque um simples “se calhar está com fome” pode ter um efeito muito negativo sobre a mãe, que coloca em causa se o seu leite é bom ou se está a falhar. “Coisas que parecem inocentes, aos ouvidos da mãe naquela altura são tudo menos inocentes”. O melhor mesmo, diz Graça Gonçalves, é dar elogios. “Isso enche o ego das mães”.

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