Manter ou não as rotinas dos miúdos nas férias, eis a questão

Julho 24, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do DN Life de 20 de julho de 2019.

Flexibilidade é palavra de ordem quando falamos de férias escolares. Só assim os mais pequenos conseguem aproveitar verdadeiramente o período de pausa dos compromissos escolares. No entanto, até aos três anos é importante manter algumas rotinas. Como gerir os horários? Quando voltar à normalidade? O pediatra Hugo Rodrigues e a psicóloga clínica Olga Reis deixam alguns conselhos.

Texto de Joana Capucho

Se o seu filho não quiser ir para a cama antes das 23.00, não se preocupe muito com isso. Durante as férias, deixe-o deitar-se mais tarde, garantindo que dorme o número de horas recomendado para a idade. E também não precisa de assegurar que almoça às 12.30 como é habitual no período de aulas. “Não é preciso um grande stresse com as rotinas, porque tentar mantê-las nas férias acaba por ser uma fonte de discussão e não de prazer, o que é contraproducente”, diz o pediatra Hugo Rodrigues.

Estas considerações são válidas a partir dos três anos, ressalva o pediatra da Unidade Local de Saúde do Alto Minho, em Viana do Castelo. “As crianças mais pequenas precisam das rotinas para se sentirem seguras, tranquilas, para poderem antecipar o que vem a seguir. Por isso, faz sentido nos aspetos mais básicos do dia-a-dia – como comer e dormir – manter alguma regularidade em relação ao padrão habitual, apesar de haver espaço para alguma flexibilidade”, aconselha Hugo Rodrigues.

A partir dessa idade, não existe um limite relativamente aos horários nas férias. “É preciso bom senso”, sublinha o pediatra, destacando que é importante analisar os comportamentos da criança para perceber se lida bem com as novas rotinas. “Se estiver bem-disposta e tranquila, é porque não há problema com o que se está a fazer. Mas se estiver cansada e irritada, tem de se repensar os horários”.

“Não tem mal nenhum, pelo contrário, quebrar um pouco as rotinas, uma vez que passamos o ano inteiro com inúmeras atividades”

A preparação é importante: “Não deve haver uma mudança muito grande de um dia para o outro. Deve ser uma coisa progressiva”. Numa criança maior meia hora ou uma hora não fazem diferença, mas nos primeiros anos de vida é uma mudança que pode ser agressiva.

Olga Reis, psicóloga clínica e autora do livro Acabar com as fraldas e o xixi na cama, também considera que “não tem mal nenhum, pelo contrário, quebrar um pouco as rotinas, uma vez que passamos o ano inteiro com inúmeras atividades”. Reforçando a necessidade de não fugir muito dos horários habituais com crianças até aos três anos, diz que a partir dessa idade “os horários podem ser flexíveis”, mas com muita atenção ao número de horas de sono.

“No que diz respeito à alimentação, também “não há grandes benefícios em ter um sistema muito mecanizado ao longo do ano”.

“Se a criança se deita mais tarde não pode ser obrigada a acordar muito cedo para ir para a praia. O sono é muito importante”, afirma a psicóloga. Nos primeiros anos, as crianças precisam de dormir entre 10 a 12 horas, que podem ser compensadas com as sestas, e até aos 10 anos são recomendadas 9 a 10 horas de sono.

No que diz respeito à alimentação, também “não há grandes benefícios em ter um sistema muito mecanizado ao longo do ano”. De acordo com os especialistas, não há problema se saltar um ou outro lanche, mas deve ter cuidado com a ingestão de açúcar, pois há uma tendência maior para consumir sumos, gelados e doces. “Podem fazer um gelado com um sumo de frutas natural, por exemplo”, sugere Olga Reis. Apesar de poder haver uma aposta em refeições mais leves, deve ser assegurada uma alimentação equilibrada.

Promova experiências diferentes

Tal como para os adultos, é importante para as crianças quebrar a monotonia em relação às atividades que fazem durante o ano letivo. “Quanto mais experiências diferentes as crianças tiverem, melhor se desenvolvem”, destaca Hugo Rodrigues, acrescentando que nas férias há a oportunidade de experimentar “coisas mais físicas e mais artísticas”. Sugere, por exemplo, idas ao teatro ou a concertos. “São coisas que não se fazem habitualmente e que podem despertar áreas e curiosidades diferentes”.

Destacando a importância de “conviver com outras pessoas”, o pediatra considera que as crianças devem evitar os ecrãs durante as férias. “Há momentos para isso”, reconhece, “mas como exceção”. Como regra, aconselha, as crianças devem “andar no exterior, estar com outras crianças, com outros adultos, e passar o menor tempo dentro de casa”.

“Cerca de um mês antes do início do ano letivo, as famílias devem tentar “restabelecer a rotina”

Levá-los para o exterior pode ser um grande desafio, sobretudo se estivermos a falar de adolescentes. “Mas é fundamental tirá-los de casa, dizer-lhes para saírem, estar com amigos. Podem ir de autocarro ou de comboio até à praia, por exemplo”, propõe Hugo Rodrigues. Cabe aos adultos “dar-lhes autonomia e responsabilidade q.b., porque a superproteção dificulta o crescimento”.

Ao contrário do que acontecia com as gerações anteriores, que queriam sair de casa para estar com os amigos, os adolescentes “colmatam o estar com os outros com a comunicação através das tecnologias – não exatamente da mesma forma e se calhar com alguns handicaps“.

O regresso às rotinas

Cerca de um mês antes do início do ano letivo, as famílias devem tentar “restabelecer a rotina”, aconselha Olga Reis. Se isso não for possível, uma vez que há famílias que tiram férias mais tarde, os horários devem voltar à normalidade “pelo menos duas semanas antes de iniciar a escola, para haver uma adequação de todo o funcionamento físico e cognitivo”.

Se não houver essa adaptação aos horários, há tendência “para haver birras e chatices”. “Como as crianças não têm maturidade emocional muito desenvolvida, o corpo encarrega-se de libertar os stresses e as necessidades – e às vezes não há compreensão das famílias e há mais chatices”.

Mães de 41,7% dos adolescentes obesos também o eram antes de engravidar

Julho 24, 2019 às 11:39 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 24 de junho de 2019.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

Maternal body mass index, gestational weight gain, and the risk of overweight and obesity across childhood: An individual participant data meta-analysis

Obesidade infantil continua a diminuir em Portugal

Julho 24, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 10 de julho de 2019.

Lusa e PÚBLICO

Dados preliminares apontam para uma melhoria dos resultados, tanto no excesso de peso das crianças como na obesidade. Os Açores são a região onde mais crianças têm excesso de peso: uma em cada três.

Os Açores são a região com maior prevalência de excesso de peso infantil, com uma em cada três crianças com peso a mais, e o Algarve a que tem menor valor (21%), de acordo com dados divulgados esta quarta-feira.

De acordo com o COSI Portugal 2019, o sistema de vigilância nutricional das crianças em idade escolar (dos seis aos oito anos), coordenado pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, a prevalência da obesidade infantil aumentou com a idade, com 15,3% das crianças de oito anos obesas, incluindo 5,4% com obesidade severa, um valor que é de 10,8% nas crianças de seis anos (2,7% obesidade severa).

Os dados indicam que na última década a prevalência de excesso de peso e de obesidade infantil tem baixado em Portugal. Entre 2008 e 2019, a prevalência de excesso peso infantil caiu de 37,9% para 29,6% e a de obesidade nas crianças baixou de 15,3% para 12,0%.

Todas as regiões portuguesas mostraram ao longo dos anos de funcionamento do COSI uma redução na prevalência de excesso de peso, incluindo obesidade. A queda foi mais acentuada nos Açores (de 46% para 35,9%) e na região Centro (de 38,1% para 28,9%).

Os dados preliminares do COSI Portugal 2019 indicam que a Região do Algarve foi a que apresentou menor prevalência de excesso de peso infantil (21,8%) e os Açores a maior (35,9%). Já a Região do Alentejo foi a que mostrou menor prevalência de obesidade infantil (9,7%).

Segundo a informação recolhida, são os rapazes os que mais se desviam do peso normal. O excesso de peso atinge 29,6% dos meninos (contra 29,5% das meninas), dos quais 13,4% são obesos e, destes, 4,1% têm obesidade severa.

Coordenado por Ana Rito, investigadora do Departamento de Alimentação e Nutrição do Instituto Ricardo Jorge, o COSI Portugal 2019 revela também que a prevalência de baixo peso foi igualmente maior nos rapazes (1,6%) comparativamente com as raparigas (0,9%).

Na 5.ª ronda COSI Portugal, realizada durante o ano lectivo 2018/2019, foram convidadas a participar 8.844 crianças das escolas do 1.º ciclo do ensino básico, das quais 7.210 foram avaliadas (48,9% raparigas e 51,1% rapazes).

A amostra deste ano, com 228 estabelecimentos de ensino participantes, foi a maior de todas as fases do COSI até ao momento.

O COSI Portugal está integrado no sistema europeu de vigilância nutricional infantil, no qual participam 43 países da Região Europeia da OMS, e constitui por excelência o estudo principal que disponibiliza dados de prevalência de baixo peso, excesso de peso e obesidade de crianças portuguesas dos seis aos oito anos de idade.

Os dados do COSI Portugal 2019, que integra o “Childhood Obesity Surveillance Initiative” da OMS/Europa, são apresentados esta quarta-feira em Lisboa, num encontro sobre obesidade infantil que decorre no auditório do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge.

Mais informações no link:

http://www.insa.min-saude.pt/wp-content/uploads/2019/07/COSI-2019_FactSheet.pdf?fbclid=IwAR3JLppLqbPA7H5yeXTE5JVvNQIy5zPHwboQ6BF6Mo2GLHoBH6acb2XJsCI

site:

COSI Portugal


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