China está a separar milhares de crianças muçulmanas dos pais e a “reeducá-las”

Julho 22, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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SOPA Images/ Getty Images

Notícia da Visão de 9 de julho de 2019.

Os uighures são muçulmanos que vivem em Xinjiang, no noroeste da China. As autoridades estão a separar famílias, enviar crianças para colégios internos e os pais para campos. Aqueles que escaparam para Turquia falaram à BBC e só pedem para voltar a ver os filhos

Xinjiang é um território autónomo no noroeste da China. Faz fronteira com oito países, entre eles a Mongólia, a Rússia, o Cazaquistão e a Índia. Até há pouco tempo, a grande maioria da sua população era Uighur, uma etnia com traços culturais ligados ao islamismo. Mas a relação entre esta minoria étnica e o povo chinês tem causado vários episódios de violência e perseguição.

Uma grande reportagem emitida na semana passada pela BBC denuncia que as autoridades chinesas estão a separar famílias muçulmanas, situações em que os pais são colocados em campos, ou até mesmo prisões, e as crianças são enviadas para colégios internos onde lhes é incutida a língua, a cultura e a paixão pela China. Alguns conseguiram fugir para outros países.

Abdurahman Tohi é um das centenas de muçulmanos uighures que agora vive na Turquia. Há três anos que não vê nem sabe nada sobre a mulher e os filhos, depois de os mesmos terem partido para Xinjiang numa curta visita aos avós. Este ano, descobriu na internet um vídeo do seu filho de quatro anos, num orfanato, a falar não na língua materna, mas em mandarim. Quando lhe perguntam qual a sua terra natal, a criança responde com entusiasmo “República Popular da China”.

Estes e mais casos são dados a conhecer através de uma série de entrevistas feitas pelo jornalista da BBC na Turquia, o único sítio onde os uighures são livres para falar à imprensa. A grande maioria não sabe onde estão os filhos e outros familiares e emociona-se ao mostrar fotografias dos mesmos às cameras.

Na mesma reportagem, a BBC relata a visita a uma escola em Xinjiang que alberga mais de 800 crianças. “O governo chinês permitiu a entrada de alguns jornalistas (…) isto é o que eles querem que o mundo veja”, afirma o narrador da reportagem, insinuando, e mais tarde comprovando, que as instalações foram modificadas com o intuito de transparecer uma imagem mais livre. Por exemplo, a retirada de câmaras de vigilância e a colocação de espaços de lazer, como campos de basquete, em sítios que normalmente estão vazios.

Os números indicam cerca de 400 crianças separadas dos pais e internadas em colégios onde lhes são ensinadas a língua oficial da China, aspetos da cultura e da identidade do país, convencendo-os de que estão a ser inseridos na sua verdadeira identidade cultural. Separados dos familiares e da sua religão, os jovens estão, segundo as autoridades chineses, a ser desviados do extermismo religioso e da violência.

Pode ler e assitir à grande reportagem da BBC aqui.

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