França: Responsabilidade criminal aos 13 anos gera polémica

Julho 2, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Euronews de 14 de junho de 2019.

A polémica está instalada em França, com a decisão da ministra da Justiça de reduzir a idade da responsabilidade criminal.

Nicole Belloubet apresentou um projeto para tornar os jovens criminalmente responsáveis a partir dos 13 anos.

Em França, todos os anos há cerca de 2000 mil jovens, de menos de 13 anos, que enfrentam processos penais. Atualmente, o ator de uma infração, de menos de 13 anos, está sujeito a medidas educativas se o juiz o considerar capaz de entender a consequência dos atos praticados. Com a nova lei essa possibilidade deixa de existir.

A ministra justifica a medida também como resposta às convenções internacionais que exigem a definição de uma idade a partir da qual seja possível perseguir penalmente e deter um jovem.

A ser aprovado o projeto de reforma, a França passará a ter a terceira idade mais baixa de responsabilidade criminal na Europa. Na Suíça e Reino Unido a idade é 10 anos; na Itália e Alemanha, 14 e em Espanha e Portugal, 16.

Mas nem todos estão de acordo. O sindicato dos magistrados fala de “progresso”, mas considera que “a definição da idade não vai resolver o problema dos meios de combate à criminalidade jovem”.

Para a presidente da região parisiense trata-se de uma decisão “extremamente grave”. Valérie Pécresse diz que será um sinal de impunidade, para os manipuladores de crianças.

Com esta reforma, os jovens até 13 anos estarão ao abrigo da presunção de irresponsabilidade.

A ministra defende que o “limite de idade não deve ser rígido e que os magistrados poderão decidir caso a caso”.

Atrofia Muscular Espinhal. O que pode a ciência fazer pelas crianças como a Matilde?

Julho 2, 2019 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da TSF de 28 de junho de 2019.

Por Sara Beatriz Monteiro

Matilde tem dois meses e meio e uma doença rara: atrofia muscular espinhal do tipo 1. A esperança da família é que o medicamento mais caro do mundo possa prolongar a vida da bebé. Os pais já contactaram a farmacêutica e há a possibilidade de trazerem o medicamento para Portugal.

Os sinais surgiram poucos dias depois de nascer. Matilde não tinha força nos braços, não abria as mãos, tinha dificuldades em respirar e em engolir. Como o peso aumentava normalmente, os médicos diziam que era normal, que “os bebés não são todos iguais”. Os sintomas continuaram e, um mês e meio depois do nascimento, o diagnóstico chegou: atrofia muscular espinhal do tipo 1.

A família tinha agora nos braços a tarefa de lidar com uma doença genética, que evolui de forma galopante e, em muitos casos, fatal. Disseram-lhes que existia em Portugal um medicamento, aprovado há pouco mais de um ano, que melhorava a qualidade de vida dos doentes sem curar a doença: o Nusinersen.

“Em Portugal, existe um tratamento que foi aprovado no ano passado, que é o Spinraza (nome comercial do Nusinersen), que atrasa a progressão da doença. Dá melhorias motoras e confere também melhorias respiratórias”, começa por contar à TSF a mãe de Matilde, Carla Martins.

Matilde deve começar o tratamento dentro de poucas semanas, mas a mãe sabe que a filha não terá uma vida igual às das outras crianças: “Ela vai precisar de máquina para respirar, nunca vai andar, nunca se vai sentar e vai precisar de um aparelho para ajudá-la a tossir. É essa a qualidade de vida que esta medicação dá à minha filha.”

Pais tentam trazer o medicamento mais caro do mundo para Portugal

A esperança dos pais de Matilde tem um nome difícil de pronunciar: Zolgensma. É o medicamento mais caro do mundo, custa 1,9 milhões de euros, e foi aprovado há pouco mais de um mês nos Estados Unidos da América. Ao contrário do Nusinersen que apenas melhora o funcionamento do gene defeituoso, o Zolgensma repõe o gene e promete dar mais qualidade de vida, explica o neurologista pediátrico José Pedro Vieira.

“Os resultados que já se obtiveram com o Nusinersen em bebés já sintomáticos mostra uma melhoria e uma não progressão da doença. Com o Zolgensma, os resultados são de certo modo semelhantes, sendo que a melhoria parece mais importante do que aquela que se obtém com Nusinersen.”

Depois do choque inicial, os pais decidiram angariar donativos para trazer o medicamento para Portugal. Através da página Matilde, uma bebé especial conseguiram angariar até agora quase 400 mil euros.

“A informação que obtivemos do Infarmed e da Novartis [a farmacêutica que comercializa o Zolgensma] é recente e o que nos foi informado foi que existe a possibilidade de a medicação poder vir para a Europa, através de um médico. Isto é, um médico fazer essa requisição, mas não nos garantiram nada e também não nos falaram em valores. Falaram apenas que existia essa possibilidade.”

O Zolgensma cura a atrofia muscular espinhal?

O presidente da Associação Portuguesa de Neuromusculares, Joaquim Brites, saúda a onda de solidariedade, mas defende que o Zolgensma não pode ainda ser considerado uma cura para a doença.

“Neste momento, é uma esperança para um tratamento mais efetivo, mas nada indica que seja uma cura definitiva. Participaram nesses ensaios clínicos 24 doentes nos EUA, entre todos os vários estados, e desses 24 só 15 apresentam um sinal de melhoria significativo”.

Joaquim Brites lembra que “existem à volta de dez doentes diagnosticados em Portugal” com o mesmo grau da doença a serem tratados com o Nusinersen: “É um tratamento administrado em ambiente cirúrgico. São várias ampolas em que o principal objetivo é atenuar os efeitos da doença. Não se trata de uma cura, porque não vai reparar a célula, mas vai atenuar os efeitos e até ver os efeitos têm sido muito bons.”

A visão de Joaquim Brites é partilhada pelo neurologista pediátrico José Pedro Vieira. O especialista acredita que “não é razoável colocar uma expectativa exagerada nesta intervenção”.

“Apesar de haver resultados aparentemente melhores com o Zolgensma, a restituição do estado normal não aconteceu em todos os casos, nem nada que se pareça. Houve sim uma melhoria, mas uma cura, no sentido de o bebé voltar ao estado normal, não aconteceu uniformemente. Não foi a regra, antes pelo contrário. Foi mais a exceção do que a regra”, sublinha José Pedro Vieira.

No mesmo plano, o neurologista lembra que a doença progride rapidamente e que, caso esteja numa fase muito avançada, o Zolgensma pode não fazer efeito: “Há a questão da acessibilidade. Enquanto uma das intervenções [o Nusinersen] é rapidamente acessível, a outra intervenção [o Zolgensma] ainda não sei como é que se irá processar. Esta doença é uma doença com progressão suficientemente rápida para não haver lugar a muitas indecisões e a muito protelamento.”

Apesar de não existir ainda uma cura, José Pedro Vieira acredita que a ciência vai fazer com que cada vez menos crianças sofram com a doença: “Há um interesse enorme em todo o mundo em fazer um diagnóstico pré-sintomático, ou seja, fazer um rastreio neonatal e identificar todas as pessoas portadoras de anomalia, destinadas a ter a doença, e tratá-las antes de terem a doença”.

Os pais de Matilde mantêm a esperança e lutam contra a doença enquanto lutam contra o tempo. Correm contra o avançar dos dias para dar anos de vida à filha e a todas as crianças que sofrem da mesma doença, garante Carla Martins: “A verdade é que nós queremos e estamos a fazer de tudo para obter esse tratamento e quem sabe conseguirmos abrir a porta para outras crianças em Portugal”.

Deixem a adolescência em paz!

Julho 2, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Eduardo Sá publicado no Observador de 16 de junho de 2019.

Dêem-lhes tempo para ser adolescentes! Deixem-nos errar. Deixem-nos querer mudar o mundo. Deixem-nos ter sonhos. Deixem-nos pôr os pais em causa. Mas não deixem (nunca!) de ser pais.

A adolescência não é fácil! Não é fácil ter um corpo aos safanões, no modo (às vezes, “desengonçado”) como se cresce. E, da mesma forma como é acolhedor, logo depois, que se “desmancha”, se insubordina e, até, magoa. E se torna feio diante de tudo aquilo que nele não se deseja. Não é fácil ter a cabeça aos solavancos e o mundo tão depressa parecer claro e “arrumado” como, logo a seguir, passivo, apático ou desleixado. Não é fácil a sexualidade, que faz da cabeça um corrupio e um tumulto, e traz um terramoto de reacções que parecem levar a que se erotize tudo e mais alguma coisa. E faz com que se tema que a vida se transforme num furor, incontrolável, de instintos e de impulsos.

Não são fáceis as pessoas. Porque — muito depressa! ~- tratam um adolescente com complacência como, logo a seguir, se abespinham com os seus apartes e com a sua irritante timidez. Não são fáceis as palavras, que ora saem em jacto, cheias de “picos” — e agrestes! — ora se resumem a monossílabos, a murmúrios e a “grunhidos”. Não são fáceis os esgares, o revirar dos olhos, a cara que estala, de tanto se corar, e os enxofranços, por tudo e por nada, mesmo que não se queira. Não é fácil a escola, que exige muito mais do que tudo aquilo que ela dá. Não é fácil — sobretudo quando o presente se impõe, espartilha e desarruma — que o futuro não seja, senão, longe demais. Não são fáceis os grupos, que mimam, misturam, ligam e integram como, a seguir, são parciais, e se tornem volúveis e excluem. Não é fácil a moda, que tão depressa democratiza como, logo depois, segrega, pela forma como impõe marcas e modelos e é volátil e efémera. Não são fáceis as amizades, que fazem com que, de manhã, se seja “a melhor amiga”; ao almoço, se deixe de se falar; à tarde, haja reconciliações com lágrimas; para que, no final do dia, se mude de grupo. Não é fácil reagir aos apelos das novas tecnologias e moderá-los, sem que se fique “agarrado” a elas e, depois, “viciado” nelas. E não é fácil ser-se irreverente e insolente e assustado e engasgado; tudo de seguida. Não são fáceis as regras. Que tão depressa parecem sem nexo e arbitrárias como, a seguir, opressivas mas compreensíveis. Não são fáceis os amores, que fazem do embirrar o prelúdio do “morrer de amor” com que se vai ao “dar um tempo”, muito depressa. Não é fácil a agenda. Que comporta trabalho, trabalho e mais trabalho e pouca vida própria. Não são fáceis os humores. Que tão depressa trepam com o entusiasmo como, a seguir, se afundam de razões que a razão não descortina. Não são fáceis os pais, que vão de farol a nevoeiro e, a seguir, são desidealizados, e as suas incoerências e as suas fraquezas trazem a insegurança de só se ter a certeza de não se querer ser igual a eles. E não são fáceis, ainda, porque tanto condescendem como, depois, reprimem, repreendem e rivalizam nos amuos e nas birras. E “pegam” e “atazanam”. E terminam a considerar que um adolescente está “impossível” ou, nos dias piores, que está “estúpido de todo”. E não é fácil que todos assumam que, quando não é a “idade do armário”, a adolescência só possa ser uma “idade parva”, claro.

É verdade que, apesar de tudo o que é difícil, os adolescentes conseguem rir. E abraçam causas. E são sensatos. E não dizem aos pais nem metade daquilo que sentem, para os protegerem. E é verdade que se safam com as notas porque, na verdade, ninguém os ensina a estudar. E que fazem por aprender por mais que a forma como são ensinados não comporte escutá-los, dar-lhes voz ou convidá-los a perguntar e a pensar. Só não entendo que haja quem, falando para os adolescentes, lhes diga que a adolescência é fácil. Porque não é verdade! Porque isso parece fazer dos adolescentes consumidores de slogans e, muito pouco, pessoas discernidas.

Todos os pais que foram adolescentes sabem que a adolescência não é fácil. Mas que aquilo que complica a adolescência é a forma alarmada como os pais lidam com ela. Como se não estivessem autorizados a ter opiniões claras. E a ser um reservatório de sabedoria. E a definirem regras. E a exigirem em função de tudo aquilo que façam. E a conviverem com a intuição dos adolescentes que faz flashs o tempo todo mas que precisa de legendas, quase sempre.

Por isso, deixem-nos ser adolescentes; sem que deixem de ser pais. Dêem-lhes tempo para ser adolescentes! Deixem-nos errar. Deixem-nos querer mudar o mundo. Deixem-nos ter sonhos. Deixem-nos reclamar e reivindicar. Deixem-nos experimentar a liberdade. Deixem-nos pôr os pais em causa. Mas não deixem (nunca!) de ser pais. E lembrem-se que muitas das dificuldades dos pais, hoje – um certo tom “certinho” e assustado que possam ter, um lado pouco “escutador” e, até, as confusões que façam entre dizerem “não!” e serem maus e, mesmo, as vossas pequenas infelicidades ou a vossa tentação de serem “pais de manual”  – terão mais a ver com a adolescência que não tiveram do que pode parecer. Por isso, façam melhor! Assumam que não é fácil ser-se adolescente. Mas não se esqueçam que pior que a adolescência aos 13, aos 14 ou aos 15 é a adolescência depois dos 30. Por isso, deixem-nos ser adolescentes! Dêem-lhes luta. Cresçam com eles. Mas deixem a adolescência em paz.

Motivar e aprender com a leitura da imprensa – Crianças

Julho 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Blog RBE de 15 de junho de 2019.

De acordo com um relatório do National Literacy Trust para a First News, a leitura da imprensa pode ter um impacto significativo nas competências de leitura e motivação das crianças.

Envolver-se em atividades de alfabetização em torno da leitura da imprensa pode ter um impacto significativo nas competências de leitura e motivação das crianças, de acordo com um relatório do National Literacy Trust para a First News .

No âmbito do desenvolvimento da pesquisa, foi avaliado nas escolas o impacto de um programa de leitura de imprensa (The First News Reading Package). O programa de atividades em torno das notícias atuais foi desenvolvido ao longo de oito semanas, e incluiu questionários de compreensão de leitura, testes e quebra-cabeças, concebidos com o objetivo de desenvolver o vocabulário dos participantes e despertar o seu interesse em ler a imprensa.

Para medir o impacto do desenvolvimento dessas atividades utilizou-se o New Group Reading Test, cujos resultados mostraram que as crianças participantes tiveram progresso significativo nas suas competências de leitura, bem como melhorias nos seus conhecimentos e nas suas competências dedutivas.

As pesquisas realizadas antes e depois do projeto mostraram como as suas atitudes em relação à leitura, em geral, e à leitura da imprensa, em particular, foram transformadas:
Houve aumento nas taxas de leitura no lazer, tanto na ficção (53% a 58%) como na não-ficção (40% a 48%).
A probabilidade de ler a imprensa no tempo de lazer duplicou (de 28% para 42%).
A percepção da leitura da imprensa como atividade interessante e divertida também aumentou (respetivamente de 58% para 74% e de 32% para 53%).
A participação no projeto também converteu os participantes em utilizadores das bibliotecas. O número de crianças que passou a ter um media favorito duplicou e a First News tornou-se a escolhida por 72% do total. Os jornais passaram da sexta para a terceira posição na sua lista de materiais de leitura para o tempo livre.

Pode aceder ao relatório completo neste link .

Fonte: National Literacy Trust.

Referência:

Article title: Motivar y aprender con la lectura de prensa

Website title: Elisa Yuste. Consultoría en cultura y lectura

URL: https://www.elisayuste.com/motivar-y-aprender-con-la-lectura-de-prensa/


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