“Nos primeiros cinco meses de 2019, o SOS-Criança, do Instituto de Apoio à Criança, interveio em cerca de 1800 situações.”

Junho 19, 2019 às 1:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Neste dia 1 de junho, em que se assinala o Dia Mundial da Criança, o Instituto de Apoio à Criança, recorda que, desde 1982, presta serviços gratuitos de utilidade pública, relevantes, e acessíveis a toda a comunidade, comprovando cada vez mais a pertinência da sua existência e a qualidade do seu trabalho na defesa e promoção dos Direitos da Criança.

O IAC intervém com especial enfoque na área da criança maltratada, negligenciada, abusada sexualmente, desaparecida ou privada de meio familiar securizante, trabalhando, diariamente com crianças e suas famílias, em diversos contextos e em diferentes áreas.

O SOS-Criança, serviço técnico especializado e único no nosso país, é uma mais-valia a nível nacional e internacional e tem como principal missão ouvir e dar voz à Criança, nas suas diferentes valências.

O SOS-Criança ajuda a Criança, o Jovem e a Família através da linha telefónica gratuita 116111, por E-mail (soscrianca@iacrianca.pt), Chat (http://www.iacrianca.pt) – das 9h às 19h, todos os dias úteis.

As situações de Crianças Desaparecidas e abusadas sexualmente dispõem do número gratuito 116000 (24h/365). Neste âmbito, é de salientar a intervenção incisiva do IAC, que juntamente com os seus parceiros, a nível nacional e internacional, se tem revelado imprescindível.

Para além do Atendimento Psicológico e Jurídico gratuito, o SOS-Criança conta ainda com uma equipa de Mediação Escolar, a nível nacional, que promove, integra e autonomiza Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família, com o objetivo de combater o insucesso, o abandono, o absentismo, o bullying, a violência escolar e os comportamentos aditivos.

Recentemente, o SOS-Criança desenvolveu o projeto da Escola Alfaiate, que se constitui como uma nova forma de olhar o aluno, agindo em benefício de uma educação à medida de cada criança do Ensino Básico. Esta nova ação promove as condições psicológicas, sociais e pedagógicas que contribuem para a consolidação do sucesso escolar e do projeto de vida de cada criança. A Escola Alfaiate pretende ser inclusiva, e à medida de cada aluno. Com o respeito pelas diferenças e com espírito de cooperação é possível humanizar o espaço escolar e a vida de todos os seus intervenientes.

Nos primeiros cinco meses de 2019, o SOS-Criança, do Instituto de Apoio à Criança, interveio em cerca de 1800 situações que direta ou indiretamente envolviam crianças, que precisaram de proteção e apoio.

Manuel Coutinho

Secretário-Geral do IAC

 

Lisboa, 31 de Maio de 2019

“Poderíamos prevenir doenças se durante a infância tivéssemos tempo com os nossos pais”

Junho 19, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 27 de março de 2019.

Marta Gonçalves

Conte o tempo que passa todos os dias com o seu filho. Conte os minutos em que está com ele e não está a despachá-lo para ir para a escola, a dar-lhe o jantar ou a prepará-lo para a cama. Conte quando está mesmo com ele. Quanto tempo tempo brinca diariamente com o seu filho?

Estar não é estar presente. Estar presente é muito mais do que estar apenas ali. Estar com um filho é ter tempo para brincar. E é também a importância destas horas que estão na base da Greenspan Floortime, uma abordagem desenvolvida no final dos anos 70 do século passado pelo psicólogo infantil norte-americano Stanley Greenspan.

Este modelo tem sido aplicado em crianças com perturbação do espectro do autismo. Falámos com Jake Greenspan que é, além de filho do fundador da abordagem, um dos responsáveis pelo centro de desenvolvimento Greenspan Floortime, em Washington, nos EUA. Esta quinta-feira, está em Coimbra para um workshop.

Qual é a génese desta abordagem?
O meu pai foi um dos primeiros médicos a defender que logo no nascimento as crianças têm emoções. E que são também estas primeiras experiências emocionais que influenciam a forma como estamos no mundo: aquilo que nos assusta e o que nos entusiasma, o que gostamos e o que detestamos. Até essa altura – estávamos no final da década de 70 – acreditava-se que só por volta dos três ou quatro anos é que as nossas emoções e traumas se desenvolviam. Na realidade, lembramo-nos de todas as experiências anteriores, que ficam gravadas ao nível neurológico. É mais ou menos assim que começa a desenvolver a sua teoria: a Greenspan Floortime. Acreditava que passamos por seis fases desenvolvimento e que as emoções são a força propulsora da vida. Por exemplo, não desenvolvemos a linguagem e o pensamento apenas por uma razão cronológica, mas sim porque as nossas experiências emocionais nos levam a explorar e a aprender, tal como também nos podem reprimir. Defendia que ao controlarmos o ambiente a que a criança é exposta e ensinando os pais a interagirem com os filhos de uma forma mais carinhosa e positiva se pode “religar” o cérebro. Quando há uma predisposição para um atraso na fala ou um défice social, isso pode significar que aquela parte do cérebro não está a funcionar tão bem como as restantes e, aumentando a quantidade de experiências emocionais significativas, pode “religar-se” essa parte do cérebro. E é a isso que chamamos a Floortime: em que os pais, filhos e terapeutas passam mais tempo no chão a conhecerem-se e em que os adultos ouvem mais vezes as crianças.

Porque são tão importantes as emoções?
Sabemos que o cérebro organiza as informações principalmente de duas formas. Por exemplo, quando olhamos para uma cor e vemos que é azul, essa é a primeira forma. Depois, sendo consciente ou não, fazemos logo a distinção se gostamos ou dessa cor. Essa é uma distinção emocional e a segunda forma. Todos guardamos um ficheiro emocional associado a cada experiência. É por isso que aquilo que gostamos procuramos fazer mais vezes, enquanto tentamos evitar o que não gostamos – sobretudo as crianças. Se passarmos um bom bocado a conversar, jogar ou a olhar para alguém vamos querer voltar a fazê-lo. No entanto, se for uma má experiência, não queremos repetir. As emoções são uma das partes mais importantes da forma como o cérebro funciona.

E de que forma a Greenspan Floortime é útil para uma criança com perturbação do espectro do autismo?
Isso depende de cada criança. Diria que a abordagem é tão boa quanto o tempo que lhe dedicarmos e nos EUA temos muitas famílias que, em casa, não dedicam o suficiente, acabando por desistir. Por outro lado, as famílias que seguem o programa tal como se fosse um plano de medicação têm resultados. Algumas crianças – e não estou de todo a dizer que isto é uma cura para o autismo – foram tiradas da categoria da perturbação do espectro do autismo. Ou seja, inicialmente, foram avaliadas por um médico que diagnosticou a perturbação do espectro do autismo e agora, depois da nossa abordagem, foram reavaliadas e já não se enquadram nos critérios. Claro que não tenho a certeza de que o diagnóstico foi desde logo bem feito, mas o que é certo é que já não apresentam os sintomas que apresentavam. Outras crianças têm tido progressos mais pequenos, depende sempre da capacidade de cumprimento do plano e do perfil biológico de cada criança.

Na prática, o que é que é feito?
Existe um laço biológico entre pais e filhos, essa relação deve ser parte do programa. Alguns estudos defendem que o cérebro da criança fica mais ativo com a voz dos pais do que com a voz de um estranho. As partes do cérebro que estão mais ativas são os centros emocionais, comunicacionais e sociais. E, por definição, o autismo é um atraso ou uma dificuldade em comunicar e relacionar-se com os outros, ou seja, no desenvolvimento das capacidades socioemocionais. Portanto, quem melhor que os pais para estimular essas partes do cérebro? Ao mesmo tempo, os pais não podem fazer tudo sozinhos e também precisam de orientação. O ideal é ter o acompanhamento de pelo menos um profissional que entenda a abordagem.

Que tipo de exercícios fazem?
Não há exercícios específicos. A ideia do Floortime é que devemos seguir as crianças para ativarmos o seu cérebro, a criança tem de ser um participante ativo e a única forma de garantir que participa é fazendo as coisas que ela quer fazer: se gosta de camiões, usamos camiões; se gosta de correr, corremos com ela; se gosta de andar as voltas, ajudamos a dar voltas. É baseado nos interesses de cada um, não nas idades.

Qual o tempo necessário até se verem resultados?
O único estudo alguma vez feito sobre a quantidade de tempo a que a criança deve estar exposta a esta abordagem concluiu que para conseguir uma mudança neurológica significativa, o mínimo de tempo são 20 horas por semana, ou seja, uma média de três ou quatro horas diárias.

Quais as melhorias ou mudanças registadas?
Cada uma das crianças com que lidamos torna-se mais ligada, feliz e em sintonia com as pessoas que se preocupam com ela. Torna-se mais amável e ama mais. Basicamente, constroem-se relações. Depois, melhora a sua comunicação e não estamos, necessariamente, a falar da linguagem. A forma como todas as crianças comunicam antes de desenvolverem a linguagem é com o corpo: sorriem, choram, apontam, acenam, puxam, empurram… E, na maioria das crianças com autismo, ninguém retrocede para trabalhar com elas primeiro a linguagem corporal e só depois a linguagem.

Acredita que esta abordagem deve ser combinada com outras terapias?
Não, mas apenas porque o que queremos realmente é que esta abordagem seja usada pelo terapeuta da fala, pelo terapeuta ocupacional, pelo professor de educação especial… todos devem usar a abordagem. Não é combinada com nada, é usada dentro de cada uma dessas sessões.

Pelo menos em Portugal, a Greenspan Floortime não é uma abordagem amplamente conhecida. Como espera que isto seja recebido?
O melhor que guardo da experiência no estrangeiro é a dinâmica familiar que não há nos EUA. É muito mais próxima e as famílias gostam de estar mais tempo juntas. Isso é fundamental para desenvolver esta abordagem com sucesso. Infelizmente, nos EUA é o contrário e estamos a ir contra a norma cultural ao dizermos aos pais para passarem tempo com os filhos. Aqui, os pais já passam tempo com os filhos, estamos apenas a ensinar estratégias para conseguir extrair resultados disso. Sei que em Portugal ainda não é uma abordagem muito difundida, embora creio que existem duas ou três clínicas que a aplicam.

Posso concluir da nossa conversa que, independentemente de as crianças terem ou não uma perturbação do espectro do autismo, acredita que é essencial os pais terem tempo para brincar com os filhos?
Correto. Estudos recentes defendem os benefícios de cada um dos pais estar pelo menos 30 minutos diários com os filhos. E a nossa abordagem defende o mesmo, apenas dez vezes mais tempo que esse [risos]. Cada criança precisa do tempo e da atenção dos pais e os 30 minutos por dia são o mínimo dos mínimos. Sinceramente, acho que poderíamos prevenir determinadas doenças no futuro se durante a nossa infância tivéssemos tempo com os nossos pais. Funciona assim como uma espécie de medicamento em antecipação. Talvez não resultasse em algumas crianças, mas pelo menos estaríamos a começar a intervenção mais cedo. Este é o nosso objetivo: que as todas as famílias percebam a importância de brincar com as crianças. E, se existir um factor biológico que provoque algum tipo de atraso no desenvolvimento, então intensificamos consoante a necessidade de cada uma delas.

Férias com Ciência do Pavilhão do Conhecimento – 24 de junho a 6 de setembro

Junho 19, 2019 às 7:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.pavconhecimento.pt/ferias-com-ciencia/?fbclid=IwAR0GoxN7kpBFcVqsk72pi_bXo4kZDNCywP7UslXmsofllTxr_jgNXIyaOLA

Casos de abuso sexual de menores de 14 anos não param de crescer desde 2013

Junho 19, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Observador de 28 de maio de 2019.

A APAV sinalizou no ano passado 1.504 crimes sexuais que envolveram 941 vítimas menores de idade. A maior parte destes crimes têm como agressores os próprios pais das crianças.

Só no ano passado, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) acompanhou 269 crianças com menos de 14 anos vítimas de abuso sexual, um número que não para de aumentar desde 2013. São mais 70 vítimas do que em 2017 e mais 132 face a 2013, segundo indica o relatório da instituição que será divulgado esta terça-feira e foi avançado pelo Jornal de Notícias e pelo  Público.

A maior parte destes crimes, acrescentam os dados, têm como agressores os próprios pais das crianças. Só através do programa específico da APAV, 881 vítimas já recorreram à Rede Care, mais de 80% eram raparigas. “Estes são crimes votados ao silêncio, mas, pouco a pouco, têm sido tornados públicos por quem está próximo das vítimas. Temos feito um bom trabalho de sensibilização muito grande, que já envolveu 11 mil pessoas, e isso tem ajudado a mudar mentalidades”, explicou ao JN Carla Ferreira, responsável da Rede Care.

Os dados indicam ainda que a APAV sinalizou um total de 1.504 crimes sexuais que envolveram 941 vítimas menores de idade no ano passado. Este era um número que tinha vindo a descer desde 2015. O abuso sexual de crianças foi, aliás, a situação que mais pedidos de ajuda motivou entre 2013 e 2018.

Outros crimes incluídos nas estatísticas da APAV dizem respeito a maus tratos físicos ou psicológicos, em contexto de violência escolar, entre outros.

Relatório citado na notícia no link:

https://apav.pt/apav_v3/index.php/pt/2028-estatisticas-apav-criancas-e-jovens-vitimas-de-crime-e-de-violencia-2013-2018

 


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