Psicóloga Melanie Tavares “leva” Bullying à Biblioteca Municipal de Loulé

Junho 17, 2019 às 1:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Algarve Primeiro de 13 de junho de 2019.

A Biblioteca municipal de Loulé abre as suas portas para mais uma iniciativa “Semear hoje… colher amanhã” que, no próximo dia 21 irá abordar o tema do Bullying.

A sessão está marcada para as 18h00 e vai abordar um tema transversal a toda a sociedade e desafiar o público a partilhar e a refletir sobre os caminhos a percorrer na busca de resultados, que a iniciativa espera “únicos e incríveis na vida das famílias”.

A oradora desta edição é Melanie Tavares, licenciada em Psicologia Clínica. É comentadora da TVI, coordenadora da Rede Nacional de Gabinetes de Apoio ao Aluno e à Família, coordenadora dos sectores de humanização dos serviços de atendimento à criança e atividade lúdica do IAC – Instituto de Apoio à Criança, responsável pela humanização dos espaços relacionados com os serviços de apoio à criança, nomeadamente centros de saúde, hospitais, escolas, CPCJ e tribunais.

À semelhança do que tem vindo a realizar-se nas sessões anteriores, durante esta iniciativa, os participantes poderão proporcionar aos seus filhos, com idade igual ou superior a 3 anos, a participação numa atividade dedicada à promoção do livro e da leitura dinamizada pelos profissionais da biblioteca, mediante inscrição prévia.

A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição através do seguinte link: http://tiny.cc/CC2106

Para mais informação poderá contactar através do telefone 289 400 882

 

Onde estão de facto medidas efectivas de acolhimento familiar no Portugal do século XXI?

Junho 17, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Sérgio Costa Araújo publicado no Sapo24 de 1 de junho de 2019.

Numa história já muito velha de António Ennes (1848-1901), duas crianças são abandonadas no artifício da “Casa da Roda”. As razões poderão ser muitas: a pobreza da família biológica, o facto de serem enteadas, filhos ilegítimos, poderem interferir em processos de heranças. Estas crianças, as chamadas «enjeitadas», crescem na desordem emocional talvez, tal como nos sugere o autor, pela expectativa sempre presente de reencontrarem os pais. Neste drama moral, oitocentista, “em quatro actos”, a busca da identidade dos pais aumenta a comoção dos personagens que os rodeiam, mas que nem por isso parecem mais comprometidos em ajudá-los a resolver o enigma. Aos enjeitados, restam-lhes pouco mais do que os produtos do seu próprio fado e o facto de despertarem a comoção alheia. E tal como seria de esperar, numa época ainda pré-histórica aos Direitos da Criança, o final não é feliz.

Ainda que a literatura e as telenovelas continuem a servir-se dos dramas destas crianças para emocionar e, com isso, vender, na Europa real muito se evoluiu no campo dos seus direitos. Hoje, a esmagadora maioria dos estados reduziram drasticamente, por exemplo, o número de crianças que crescem entregues a instituições. Investem em contrapartida em medidas efectivas de acolhimento familiar, que incluem a colocação destas crianças aos cuidados de famílias de acolhimento. Deste modo, concretizam o direito de as crianças crescerem numa família, tal como expresso na Convenção dos Direitos da Criança, adoptada pela Assembleia geral das Nações Unidas a 20 de Novembro de 1989.

Segundo o Relatório CASA – Caracterização Anual da Situação do Acolhimento, do Instituto da Segurança Social, lançado em 2018, que apresenta o retrato deste sector em Portugal em 2017, 7553 crianças continuariam entregues aos cuidados de instituições e apenas 246 crianças em acolhimento familiar. Em 2008 eram 918. Estes números são evidências de que em Portugal, apesar de existirem, teoricamente, três grandes vias clássicas para a colocação de uma criança numa família: o apadrinhamento civil, a adopção e o acolhimento familiar, o Estado tem insistido de forma contínua na sua entrega a organizações.

A questão que então se impõe é onde estão de facto medidas efectivas de acolhimento familiar no Portugal do século XXI? Nesta matéria, e em contraciclo com os parceiros europeus, Portugal insiste em medidas de assistencialismo puro que passam pela mera institucionalização, particularmente em estruturas geridas por instituições particulares de solidariedade social. O panorama nacional é por isso simultaneamente inexplicável e preocupante, tornando urgente uma mudança que altere o foco do discurso político, académico e técnico em Portugal, centrado na “institucionalização” de crianças, para a sua “desinstitucionalização”. Mas de que estaremos a falar quando falamos de desinstitucionalização?

A desinstitucionalização centra-se, principalmente, nos aspectos de transição dos cuidados centrados em instituições, para cuidados centrados na família e na comunidade. Segundo o que se encontra na literatura internacional nesta matéria, isto implica uma mudança nos modos de agir que dá mais ênfase aos direitos da criança e à qualidade do encaminhamento que lhe é dada. O processo de desinstitucionalização implica a transformação sistemática de todo o sistema de protecção à criança. Isso poderá começar, por exemplo, com a disponibilização de serviços para ajudar e apoiar famílias e pais e, em última análise, para garantir que separar uma criança da sua família seja realmente o último recurso.

Se a retirada da criança, por exemplo, à família biológica, não puder ser evitada, e no sentido do melhor interesse da criança, opções diferentes devem existir e necessitam de ter em consideração as necessidades e desejos da criança, que deverá participar também ela nos processos de tomada de decisão. Estas medidas devem priorizar medidas de acolhimento familiar.

Os prejuízos para a criança do facto de crescer numa instituição são mais do que evidentes e estão mais do que estudados. Um relatório de Setembro de 2009 da Comissão Europeia aclara, por exemplo, o mito dos benefícios das instituições, ainda que de pequena dimensão, referindo que este tipo de instituições não é definido primeiramente pelo número de crianças e jovens que albergam, mas particularmente pela sua cultura institucional, baseada sobretudo em cinco aspectos: a despersonalização, a criação de rotinas rígidas, o tratamento em bloco, o distanciamento social e o paternalismo — factores que nem a boa vontade do melhor técnico consegue ultrapassar. Adicionalmente, e sobre o impacto da institucionalização, a comunidade científica também apresenta os efeitos adversos globais dos cuidados baseados em instituições: no comportamento e na interacção social, na formação do vínculo emocional, no desenvolvimento intelectual e da linguagem e até no cérebro da criança em desenvolvimento.

Em Portugal o ano de 2019 poderá marcar a tão desejada transformação nesta matéria. Esteve em consulta pública durante um mês, até ao passado dia 27 de Maio, um projecto de decreto-lei do governo que tem por objectivo impulsionar e priorizar o acolhimento familiar face a outras medidas.

As boas notícias desta proposta incluem garantias de protecção laboral e benefícios fiscais às famílias que decidam ser famílias de acolhimento. Agora o importante é que avance. Ao ser aprovado entraremos numa nova era de um sistema renovado, a caminho de se tornar verdadeiramente amigo das crianças. Caso contrário, permaneceremos distantes do interesse da criança e submersos num ambiente que se reveste das propriedades de um objecto arqueológico, que certamente inspirarão muitas outras novelas oitocentistas.

 

O relatório citado no artigo é o seguinte:

CASA 2017 – Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens

 

 

Seis sintomas que ajudam a detetar o vício dos videojogos

Junho 17, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia da Exame Informática de 28 de maio de 2019.

Francisco Garcia

Um problema que só recentemente foi considerado doença e que tem vindo a tornar-se cada vez mais comum na nossa sociedade, que é cada vez mais dependente das novas tecnologias.

Este sábado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a considerar o comportamento obsessivo para com os videojogos uma doença mental. Conheça aqui alguns dos sintomas que, segundo a American Addiction Centers, são comuns em pessoas que sofrem deste distúrbio:

Estilo de vida sedentário – Passar horas em frente a um ecrã pode ter efeitos perigosos no corpo e mente de um jovem. Este cenário pode agravar-se quando a pessoa em causa não pratica desporto, podendo aumentar desmedidamente o peso e acentuar uma má postura, ou em casos mais graves, desenvolver doenças como Diabetes tipo 2.

Ausência de interação social – Embora nalguns videojogos os jogadores interajam uns com os outros, os jogos não devem substituir outras formas de socialização (não virtuais) na vida das crianças. A aprendizagem de ferramentas de comunicação em contextos reais é fundamental no desenvolvimento dos mais jovens e não deve ser substituída por experiências de gaming.

Problemas de concentração – A ação e movimentos rápidos nalguns videojogos é considerada, por alguns especialistas na área, como uma das causas para falta de concentração nalguns jogadores. Associam ainda o tempo investido em videojogos à falta de interesse na leitura, que requer uma atenção prolongada.

Evitar tarefas associadas ao desenvolvimento – Este sintoma pode surgir na adolescência, quando os jovens utilizam os videojogos como um escape para os problemas da sua vida, evitando situações que os obriguem a crescer emocionalmente.

Comportamentos violentos – Algumas crianças e adolescentes que passam muito tempo a jogar videojogos de combate ou violentos, podem estar mais propensos a apresentar alguns sinais de agressividade do que outros que não jogam. A American Addiction Centers aconselha os pais a terem um mecanismo de vigilância semelhante ao que usam para impedir as crianças de ver filmes violentos.

Convulsões e lesões de stress – De acordo com um artigo publicado no British Medical Journal, os videojogos podem aumentar os riscos em jogadores com epilepsia, devido à intensidade das luzes, cores e gráficos. Um comportamento compulsivo com videojogos pode ainda levar a pequenas lesões relacionadas com o stress, nomeadamente nas mãos e pulsos.

 

 

 


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