“Tenho 14 anos e abandonei as redes sociais depois de descobrir o que foi publicado sobre mim”. Relato de uma adolescente na primeira pessoa

Maio 7, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da Visão de 25 de abril de 2019.

São meia dúzia de minutos de leitura ávida que mal nos deixa respirar. Esta é a experiência de Sonia Bokhari, aluna do 8º ano, quando se inscreveu nas redes sociais.

Nunca imaginara nada daquilo. Sonia escrevia compulsivamente, era a líder da Aliança Gay-Hetero na sua escola e também pertencia ao Clube do Ambiente. Resolveu abrir conta no Facebook e no Twitter. Foi então que descobriu o que tanto a mãe como a irmã já tinham postado sobre ela – acabou por decidir fechar as contas e desaparecer dali, em seguida.

O relato faz parte de uma série de reportagens da Fast Company e começa assim: “Ah, isso é engraçado!” Era o último comentário da minha irmã, de 21 anos, à mais recente atualização do Face da nossa mãe. O primeiro de muitos: afinal, as redes sociais têm tido uma importância significativa na vida da minha irmã desde os seus 13 anos e, desde então, publica regularmente.”

A regra lá em casa, conta Sonia, é a comum a muitos pais de crianças pequenas: como o que não faltam por aí são avisos sobre os riscos do uso abusivo das redes sociais, tanto ela como a irmã só poderiam inscrever-se depois dos 13 – e isto mesmo que muitos dos seus amigos já o fizessem desde os dez. E ela acatou isso sem grande contestação.

“É verdade que isso me deixava algo curiosa, mas nada que me perturbasse no dia a dia. E como não tinha smartphone nem autorização para me inscrever, acabou por não ser propriamente um problema para mim.”

Até que chegou o dia D – e Sonia fez como esperado. Inscreveu-se e, claro, dado que as redes eram uma presença tão valorizada nos telemóveis lá de casa, o primeiro perfil que pesquisou foi o da mãe. Mas a reação não foi a melhor.

“Foi quando percebi que, embora essa fosse a primeira vez que andava por ali, estava longe de ser a primeira vez que as minhas histórias apareciam online. E quando vi as fotos que tinham vindo a ser publicadas nos últimos anos, senti-me profundamente envergonhada e mesmo traída.”

É que, ali, à vista de todos, estavam os momentos mais “embaraçosos” da sua infância – desde a carta que tinha escrito para as fada dos dentes aos cinco anos a fotos suas a chorar quando era mais pequena, e outras ainda já mais velha.

“Tudo sem que eu tivesse qualquer conhecimento. Parecia que a minha vida inteira estava documentada no Facebook e eu não fazia ideia.”

Sonia reconhece a razão por que a mãe o fez: afinal, para a família e amigos em geral aquilo eram só, como ela fiz, “momentos engraçados e fofos”. Mas para ela não.

“Para mim foram mortificantes. Além disso, percorrendo os comentários da minha irmã, apercebi-me do que ela se riu à conta daquilo.”

O impacto na vida de Sonia foi tremendo, ela que tinha acabado de fazer 13 anos e achava que ia finalmente começar a sua vida nas redes sociais.

“Só que afinal já havia centenas de fotos e histórias online, para sempre, quer eu quisesse quer não. E eu não tinha controlo algum sobre aquilo. Obviamente, senti-me traída.”

Depois da fúria, a calmaria e um pedido: “Não voltem a fazer isso sem a minha permissão.”

E mãe e irmã prometeram não voltar a fazê-lo, embora não sem antes mostrarem a maior surpresa perante aquela reação. “Que não era para me envergonhar, era só para contar as minhas gracinhas e assim manter um registo do que eu fazia quando era pequena.”

E, por fim, com muita tranquilidade – e, até, mais maturidade do que as pessoas à sua volta – Sonia relembrou: “Nós, os adolescentes, passamos a vida a ser alertados para o facto de que tudo o que postamos fica online para sempre. Mas então digo-vos que os pais também devem refletir sobre a forma como isso pode afetar a vida dos seus filhos quando estes se tornam jovens adultos.”

E na altura em que Sonia se tornou mais ativa no Facebook e no Twitter ainda nem tinha pensado seriamente na sua pegada digital. Era outubro e, durante aquele mês, houve uma série de apresentações na sua escola sobre isso e sobre segurança online.

Os autores pertenciam a uma organização chamada OK2SAY, que educa e ajuda os adolescentes a sentirem-se seguros online. O primeiro grande conselho foi que nunca publicassem nada negativo sobre alguém – nem fotos inapropriadas – porque isso pode afetar profundamente a vida desse pessoa, tanto na escola como em futuras oportunidades de emprego.

“Também nos alertaram sobre predadores online, algo que sempre me perturbou, porque poderia, por qualquer razão acabar no perfil de alguém que acabasse por me fazer mal. É verdade que não tinha muito com que me preocupar, já que não tinha entrado em contacto com estranhos nem partilhado informações pessoais.”

Só que, nessa altura, Sonia já cometera o mais comum dos erros de quem é inexperiente em redes sociais: todas as suas contas eram públicas. Quando se apercebeu disso – e do impacto que isso tinha – foi logo a correr às definições. A sua ideia, inicialmente, era só remover tudo o que incluia a sua localização. Mas acabou por apagar tudo o que tinha publicado.

“Percebi que ter 13 anos e andar já nas redes sociais, afinal, não era assim tão fantástico”, confessa. Um ano depois, as suas contas, acrescenta, permanecem inativas. “Penso que poderei voltar a usá-las, em algum momento, no futuro, mas para já não.”

E esta é a explicação: “Pode parecer uma decisão dramática, mas tudo o que vi e ouvi foi mais do que suficiente para me convencer o quanto prefiro ficar longe de tudo isso. Não sinto que esteja a perder seja o que for da minha vida social e sempre me poupo a uma série de riscos.”

Houve, reconhece Sonia, alguns amigos que a acusaram de ser chata, mas não a deixaram de tratar da mesma maneira. Aliás, salienta, a sua decisão acabou por influenciá-los – graças a todas as suas reticências, passaram a ter mais cuidado. “Já não partilham o local onde estão nem o seu nome completo e mantêm as suas contas privadas. Nesta altura, já acho que a minha geração vai ter de ser mais madura e responsável do que a dos nossos pais.”

Diz Sonia que, para quem é agora adolescente, ser anónimo não é mais uma opção – afinal, para muitos deles as decisões sobre a sua presença online são tomadas ainda antes de aprenderem falar.

“Agora que já passou algum tempo desde soube o que a minha irmã e mãe publicavam sobre mim, consigo reconhecer que isso permitiu que tivéssemos uma conversa sobre isso, algo que todo os pais precisam fazer com os seus filhos. E, mais importante ainda, tornou-me consciente de como quer usar as redes sociais hoje e no futuro. “

 

 

 

Jornadas sobre Bullying, 1ª edição Pais e Professores, com a participação de Cláudia Manata do IAC – 8 e 22 de maio em Lisboa

Maio 7, 2019 às 7:00 pm | Publicado em CEDI | Deixe um comentário
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A Dra. Cláudia Manata do Outeiro do IAC-CEDI (Centro de Documentação e Informação sobre a Criança), irá participar nas jornadas no dia 8 de maio com a comunicação “As Crianças e as Novas Tecnologias : Riscos : Oportunidades”.

mais informações no link:

https://www.aegv.site/

Prémio de Jornalismo Os Direitos da Criança em Notícia 5ª Edição – Premiados

Maio 7, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Categoria Imprensa

 

1º Prémio ex aequo

Ana Cristina Pereira, Público

A escola pode ser um lugar onde as crianças ciganas se sentem protegidas

1º Prémio ex aequo

Carolina Reis, Expresso

Filhos da violência

Menção Honrosa

Isabel Stilwell, Máxima

“Por favor, faça com que os meus pais parem!”

Menção Honrosa

Joana Gorjão Henriques, Público

SEF detém crianças requerentes de asilo contra recomendações da ONU

Menção Honrosa

Inês Schrek, Jornal de Notícias

Crianças com cancro não perdem o comboio da escolaridade


 Categoria de Televisão

 

 1º Prémio ex aequo

Sofia Barciela, TVI

Uma escola para vida

1º Prémio ex aequo

Miriam Alves, SIC Notícias

Capitães da Areia

Menção Honrosa

Catarina Neves, SIC

Os (im)perfeitos iguais

 

  Categoria de Rádio

 

1º Prémio

Isabel Meira, Antena 1 e Antena 2

Zohra: uma partitura para a Liberdade

Menção Honrosa

Bárbara Baldaia, TSF

O melhor que aconteceu na minha vida foi o autismo da Caui

Menção Honrosa

Guilhermina Sousa, TSF

Rua dos Sonhos 31

 

Categoria Online

1º Prémio

Aline Flor, Público

Os jovens sabem que a violência no namoro nem sempre se vê

 

Informações sobre o Prémio no link:

Prémio de Jornalismo Os Direitos da Criança em Notícia 5ª Edição

 

Três horas para brincar e pelo menos 10 horas para dormir. As recomendações da OMS para crianças com menos de 5 anos

Maio 7, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia e imagem do Observador de 24 de abril de 2019.

Vera Novais

A Organização Mundial de Saúde divulgou esta quarta-feira um conjunto de recomendações sobre atividade física e momentos de repouso para crianças com menos de cinco anos. Muita corrida e poucos ecrãs.

Quanto tempo por dia deve uma criança praticar atividades físicas? Três horas a partir do primeiro ano, mas “quanto mais melhor”, recomenda a Organização Mundial de Saúde (OMS). Quando ao tempo em frente a um ecrã, “quanto menos melhor” e nunca mais de uma hora.

A atividade física deve começar logo no primeiro ano de vida. Se o bebé ainda não for capaz de se sentar, deve passar pelo menos meia hora por dia de barriga para baixo, e nunca mais de uma hora preso numa cadeira ou nos transportadores usados pelos pais. As recomendações também têm em conta as horas de sono, que vão diminuindo à medida que a criança cresce, mas nunca menos de 10 horas.

A OMS esclarece a atividade física pode, muitas vezes, dizer respeito aos jogos e brincadeiras das crianças em que há movimentos moderados ou até intensos — e não necessariamente uma aula de ginástica ou natação. E que os momentos sedentários também são necessários, mas não aqueles que são passados em frente a um ecrã de televisão ou telemóvel. Como exemplos atividades nos momentos sedentários, estão os jogos menos exigentes fisicamente — como montar um puzzle ou até ler um livro.

As recomendações constam no documento “Diretrizes para a Atividade Física, Comportamento Sedentário e Sono — para crianças com menos de cinco anos”, publicado esta quarta-feira. O objetivo é fornecer recomendações sobre os períodos de atividade ou repouso para crianças menores de cinco anos, tendo em conta a sua saúde e bem-estar, porque a atividade física (e o sono) antes dos cinco anos está relacionada com alguns indicadores de saúde, como acumulação de gordura, saúde óssea e cardíaca, desenvolvimento cognitivo e motor. E têm uma vantagem adicional, os hábitos e estilo de vida adotados na primeira fase da vida podem influenciar os hábitos no futuro.

O documento visa também colmatar uma lacuna, já que as recomendações da OMS em relação à atividade física, divulgadas em 2010, não contemplam esta faixa etária. Os autores acautelam, no entanto, que as recomendações para crianças com deficiências ou doenças crónicas devem ser adaptadas pelos médicos que as acompanham.

Depois dos cinco anos e até aos 17, a atividade física é recomendada com o objetivo de melhorar a função cardiorrespiratória (coração, sistema circulatório e pulmões) e desempenho muscular, melhorar a saúde óssea e reduzir sintomas de ansiedade e depressão. O ideal é que as crianças e jovens pratiquem atividades físicas moderadas ou intensas durante 60 minutos por dia, sejam jogos, desportos ou caminhadas para a escola. Além disso, o exercício físico intenso deve ser realizado três vezes por semana.

As recomendações destinam-se a decisores políticos, sejam eles nos ministérios da Saúde, Educação ou Segurança Social, a trabalhadores de organizações não-governamentais, dos serviços de apoio ao desenvolvimento infantil, mas também a pediatras, médicos, enfermeiros e terapeutas ocupacionais. Claro que os pais, enquanto primeiros cuidadores são quem mais facilmente as poderá colocar em prática.

 

 

Duas crianças retiradas à família por risco de mutilação genital

Maio 7, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 27 de abril de 2019.


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