Serviços de streaming: será que há demasiados programas para crianças?

Abril 27, 2019 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 12 de abril de 2019.

Com a chegada de novas plataformas de streaming, como a Disney+ e a Apple TV+, há cada vez mais programação infantil disponível neste formato. Os especialistas afirmam que não há motivos para alerta, desde que os pais imponham limites.

Reuters

Independentemente de preferirem a Elsa, o SpongeBob ou a heroína russa Masha, as crianças têm hoje motivos infinitas​ para implorar mais tempo de ecrã. No entanto, quase ninguém acha que exista demasiados programas para os mais novos.

As empresas de media têm investido fortemente em conteúdo infantil, à medida que criam novos negócios digitais para persuadir directamente os consumidores. Na quinta-feira, a Walt Disney anunciou detalhes sobre o Disney+, um serviço de streaming que se estreia nos Estados Unidos em Novembro, por 6,99 dólares por mês (6,20 euros). Será lançado gradualmente na Europa a partir do início de 2020, sendo que não existem datas concretas para a chegada Portugal.

O benefício para a Disney, Netflix, Viacom e outras empresas de media é claro: prender os telespectadores enquanto ainda são jovens, com conteúdo que geralmente tem merchandising e está ligado a parques temáticos. O modelo de streaming, em particular, faz sentido: as crianças são, por natureza, binge-watchers (quem vê de seguida muitos episódios de uma série), com um apetite infinito para repetições.

No entanto, os especialistas que estudam o consumo de media pelas crianças não estão preocupados com a explosão da oferta, desde que os pais imponham limites, afirma Shelley Pasnik, directora da organização sem fins lucrativos Center for Children and Technology. “A parentalidade já não implica confiar na limitação imposta pelos produtores audiovisuais. Em vez disso, cabe aos pais e às regras que existem em casa tornar [o conteúdo] limitado e ajudar as crianças a entender quando devem parar”, defende Pasnik.

Ao considerar as suas regras sobre o tempo de ecrã, os pais que querem proteger os filhos dos anúncios provavelmente reconhecem o valor de serviços sem anúncios, como Disney+ e Apple TV+, a próxima aposta da Apple Inc. Mas esse formato poderá dar um falso conforto: quando se trata de vender produtos, o conteúdo pode ter o mesmo efeito que os anúncios. “Mesmo que não haja anúncios a interromper a narrativa, a pessoa pode não estar ciente de que o seu filho ou filha esteja a desenvolver uma grande afinidade com uma personagem e torna-se uma loucura no momento de ir às compras”, diz Pasnik.

O controlo parental — que pode ser difícil de encontrar — não é uma solução fácil. Em vez disso, os especialistas dizem que os pais devem ajudar seus filhos a fazer escolhas em torno da programação; que vejam [o conteúdo] com eles, se possível; e que falem sobre o que viram, ajudando a estabelecer a ligação com os valores da família. “Os pais precisam comunicar por que razão um programa pode ser visto e ajudar os filhos a processar as mensagens subjacentes naquilo que acabaram de assistir”, aponta Jill Murphy, vice-presidente do Center for Children and Technology.

 


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