Instituto de Apoio à Criança quer otimizar serviços em nova sede

Abril 2, 2019 às 4:10 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Diário de Notícias de 1 de abril de 2019.

O Instituto de Apoio à Criança (IAC) vai inaugurar em 2 de abril a sua nova sede na Avenida da República, numa mudança que visa a otimização dos serviços.

mudança para a nova sede, na avenida da República, permitirá uma “maior concentração de serviços”, para dar uma “resposta mais pronta” aos casos de crianças em risco de que o IAC se ocupa, disse à Lusa a presidente executiva da instituição sem fins lucrativos, Dulce Rocha.

A nova sede vai albergar os serviços jurídico, de relações externas e de atividade lúdica do IAC, o setor de humanização dos serviços de atendimento à criança, o fórum Construir Juntos, o Centro de Estudos, Documentação e Informação sobre a Criança e o Projeto Rua — Em Família para Crescer, embora a intervenção deste último decorra em contexto comunitário. Nas novas instalações vão trabalhar cerca de 40 funcionários.

Fora da nova sede fica o serviço SOS Criança, que vai manter-se nas antigas instalações, na Avenida da Igreja. Dulce Rocha justifica a “impossibilidade de mudar este setor” pelas “limitações de espaço” da nova sede, que funcionará num edifício cedido pela Câmara Municipal de Lisboa.

Olhando ao panorama atual português, no que respeita à proteção de crianças e jovens, Dulce Rocha considera que “a evolução é boa”, mas “ainda há muito por fazer”.

O IAC propõe a definição de “um plano estratégico que inclua mais as crianças” e que, desde o início, lhes atribua o estatuto de vítima, bem como a criação de “uma norma de prevalência que possa garantir a segurança das crianças”.

Para o efeito, a presidente executiva defende a importância de “evitar decisões contraditórias nos tribunais” e de definir “molduras penais mais graves” em casos de violência doméstica, numa conjuntura em que “crimes graves de violência” chegam a ser punidos “com apenas cinco anos”.

“A situação de stress destas crianças é tão prolongada que, mesmo quando não são as vítimas diretas da violência doméstica, esta provoca danos psicológicos, mas também físicos” explica Dulce Rocha, acrescentando que “estes danos não permitem à criança recompor-se e recuperar do sofrimento”, o que pode afetar “o próprio cérebro”.

Entre os casos mais frequentemente tratados pelo IAC, a presidente executiva destaca “situações de fuga de casa” causadas por ocorrências de violência doméstica, bem como situações de necessidade de “atendimento psicológico no serviço SOS Criança”.

Dulce Rocha afirma ainda que “o Estado deve dar mais espaço às organizações não-governamentais, como o IAC e a APAV, por estas estarem mais próximas das vítimas, sem, no entanto, se eximir do seu papel”.

No campo mediático, quando se coloca a hipótese de um eventual efeito de mimetismo decorrente da divulgação destes casos, Dulce Rocha considera que, mesmo havendo a possibilidade de “algum efeito desse tipo, não há outra via que não a denúncia e a reflexão”.

A inauguração da nova sede do IAC vai contar com a presença do Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro António Costa e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina.

 

Desde 1989, mil crianças por ano ligaram para a Linha SOS Criança

Abril 2, 2019 às 2:10 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 1 de abril de 2019.

A Linha SOS Criança foi criada pelo Instituto de Apoio à Criança que inaugura esta terça-feira uma nova sede em Lisboa.

Ana Dias Cordeiro

Nos seus 30 anos de existência, a Linha SOS Criança recebeu mais de 91 mil chamadas, das quais cerca de um terço feitas por crianças que ligaram directamente a reportar uma situação de abuso ou de maus tratos na família – ou fora dela. Foram 30 mil crianças desde 1989.

Também ligam por algo que corre mal na escola – quando não estão a aprender ou porque vivem uma situação de bullying. Há ainda os casos de crianças e jovens que telefonam para partilhar com um adulto a sua tristeza ou angústia, diz o psicólogo Manuel Coutinho, coordenador da linha de emergência para crianças e secretário-geral do Instituto de Apoio à Criança (IAC), no âmbito do qual foi lançada a linha de emergência.

O IAC, que completa este ano 36 anos, inaugura nesta terça-feira a sua nova sede em Lisboa, na presença do Presidente da República, do Presidente da Assembleia da República, do primeiro-ministro e do presidente da Câmara Municipal de Lisboa. Foi fundado em 1983 por um grupo de profissionais de várias áreas – médicos, magistrados, professores, psicólogos técnicos de serviço social ou educadores. Existe como instituição particular de solidariedade social (IPSS) e “a sua grande aposta é a prevenção das situações de perigo”, mas também a intervenção directa, diz ainda Manuel Coutinho.

Em 1989, a SOS Criança “foi inovadora por dar, pela primeira vez, a voz à criança” sem necessidade da intermediação de um adulto, salienta Manuel Coutinho. E isso fez toda a diferença: “Antes disso, se os pais não fossem apresentar a situação, não haveria conhecimento da situação de mau trato. A partir daí, aparece um serviço anónimo e confidencial para onde as crianças podem ligar” por sua própria iniciativa, realça o psicólogo clínico.Nessa altura, os serviços – de saúde, de ensino, ou outras entidades – não estavam ainda sensibilizados para a existência de situações de perigo que não estivessem nos registos. “Quando encaminhávamos a situação, diziam-nos que não havia registo de maus tratos dessa criança. Nós pedíamos que a situação fosse averiguada e comprovava-se que a criança estava em risco ou em perigo”, recorda.

Ajuda ou reencaminhamento

Muita coisa mudou desde então e hoje com a frequência das situações de violência doméstica a que estão expostas, muitas crianças ligam por esse motivo, e alguns casos “não se agravam ainda mais porque as crianças pedem ajuda ao IAC”.

Das 91.038 chamadas recebidas desde 1989 (feitas essencialmente por familiares que têm problemas a reportar relacionados com as suas crianças, vizinhos, professores e educadores), houve reencaminhamento de 13.300 situações para escolas, hospitais, tribunais ou comissões de protecção de crianças e jovens (CPCJ).

As CPCJ foram criadas a partir de 1999, com a entrada em vigor da Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Perigo. Como refere a presidente honorária do IAC, Manuela Ramalho Eanes, num texto escrito em 2017, o IAC é anterior à assinatura em 1989 da Convenção da ONU para os Direitos da Criança.

A SOS Criança iniciou consultas de atendimento psicológico gratuito nas instalações do IAC em 2001. Nestes 17 anos, os psicólogos da linha realizaram 1680 atendimentos – cerca de 100 por ano.

A Escola Alfaiate, o mais recente projecto em estabelecimentos de ensino do IAC, nasceu da constatação de que era preciso pensar a escola “à medida de cada aluno”, explica Manuel Coutinho. O projecto-piloto, lançado em 2017 em cinco estabelecimentos de Lisboa, consiste em apoiar os alunos e a comunidade escolar, para a escola se adaptar à especificidade de cada aluno, e não o contrário, e pretende alargar-se a todo o país.

“Quando se avalia o sucesso ou insucesso escolar, esquecemo-nos muitas vezes que aquela criança pode estar a viver numa situação muito adversa”, diz ainda Manuel Coutinho. “Basta ter uma carência alimentar ou um ambiente hostil na família.”

 

Dia Internacional do Livro Infantil – 2 de abril

Abril 2, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações no link:

http://livro.dglab.gov.pt/sites/DGLB/Portugues/noticiasEventos/Paginas/DIA-INTERNACIONAL-DO-LIVRO-INFANTIL-2019.aspx

Férias debaixo de água no Oceanário de Lisboa – 8 a 22 de abril

Abril 2, 2019 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Mais informações no link:

https://www.oceanario.pt/noticias/um-coelho-a-mergulhar-no-fundo-mar-so-nas-ferias-debaixo-de-agua?fbclid=IwAR3LnQjxYZGxoc1WZFRsi93VTMyS6eP6ZxHMArANLpnYMXpMTUSS-PKzCG0

 

Quando um filho morre, um pai é esquecido

Abril 2, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem do Público de 19 de março de 2019.

Lee e Hannah perderam o filho recém-nascido. Foi em 2013. Lee sentiu que tinha de apoiar a mulher e percebeu que como pai a sua dor não parecia tão importante como a da mãe. Por exemplo, conta à BBC, Hannah recebeu uma carta do hospital a lamentar o sucedido e nem uma palavra para o pai, que também estava em sofrimento, também precisava daquelas palavras. Na hora do luto, a sociedade trata de maneira diferente a mãe e o pai? É esperado que um homem não chore? Hoje é dia de celebrar os pais, uma comemoração, nestes casos, com sabor a raiva, a impotência, a ausência, a melancolia, mas sobretudo, a saudade dos filhos ausentes.

“Há que desmistificar a ideia de que as mulheres sofrem mais do que os homens”, começa por dizer o psicólogo Céu e Silva, da Associação Laços Eternos, que acompanha pessoas em luto, confirmando que dias especiais ou datas festivas são momentos difíceis para quem perde um filho. “Se um pai estiver mais reprimido emocionalmente, é muito doloroso. É uma dor íntima, é a consciência da realidade”, acrescenta.

Os dias festivos são o “confronto com a realidade da ausência” do filho, responde José Eduardo Rebelo, professor universitário e fundador da Apelo, uma associação de apoio a pessoas em luto. São dias que se “vivem com angústia”, diz Maria do Céu Martins, conselheira do luto, com uma pós-graduação em Perda e Luto pela Universidade Católica. “Também há quem consiga viver com serenidade. Encontro pais que preferem ignorar, outros querem que se lembre e que lhe dêem um abraço. Ninguém lhes vai dizer: ‘Parabéns, hoje é dia do pai’, mas pode simplesmente dizer: ‘liguei-te para dar um beijinho’”, exemplifica a conselheira.

Todas as festividades são momentos difíceis. O Natal pode ser das mais complicadas, avança Céu e Silva. José Eduardo Rebelo aponta para a data da morte. Seja qual for, o primeiro ano será sempre o mais difícil de suportar. Nesse “a ausência é mais forte. A partir de determinada altura, a pessoa habitua-se a viver com a ausência, nunca aceitando, mas vive-a com nostalgia. A palavra ‘pai’ a partir daquele instante [da morte] fica ferida, amputada. Sempre que é referida, mexe connosco”, refere o professor da Universidade de Aveiro, que vai lançar o seu quarto livro a 13 de Abril, naquela cidade. Chama-se Luto – vivências, superação e apoio.

Liberdade para exprimir a dor

Este é um dia que se pode viver de muitas maneiras. Para Maria do Céu Martins, a forma mais saudável será ir a um sítio que o filho gostava e recordá-lo. A pior será ignorar. “Quanto mais [o pai] ignorar, mais mostra que não está resolvido”, alerta. “É melhor quando consegue chorar, zangar-se, revoltar-se, para que possamos ajudar a trabalhar as emoções. Quando se obriga a pessoa a pensar sobre o que se passou, consegue encontrar respostas”, justifica.

Os homens não choram porque a sociedade não lhes permite expressarem as suas emoções? José Eduardo Rebelo recorre à biologia para explicar: “Partimos do princípio que existimos para nos perpetuarmos e quem monitoriza a vida é a mulher, é ela que concebe. E isso deixa-nos algumas pistas para perceber como é vivido o luto.”

As mulheres choram, expressam as suas emoções, falam com a família, com amigos, procuram grupos de ajuda, procuram explicações para o que aconteceu. “São as protagonistas da dor”, classifica Céu e Silva. Os homens “são mais pragmáticos e focam-se em actividades concretas como uma forma dissimulada de desanuviar as tensões do próprio luto”, descreve José Eduardo Rebelo. O que não significa que seja uma forma saudável de viver a dor, refere Maria do Céu Martins, que avança que os homens são um grupo de risco – “parece que está tudo bem e, de repente, um dia, podem ter reacções muito complicadas”.

“Às mulheres é-lhes dada mais liberdade para exprimir a dor, para chorar, enquanto ao homem é-lhe praticamente proibido chorar”, identifica José Eduardo Rebelo. A sociedade não espera que os pais chorem, sublinha Maria do Céu Martins. E espera que eles apoiem as mães, guardando a sua dor para si próprios, acrescenta. De regresso ao Reino Unido, Lee confessa à BBC que após a morte do filho, todo o apoio foi para Hanna e para o seu bem-estar, deixando-o negligenciado. Ele sentia também esse peso, o de não sobrecarregar a mulher. “Não queria acrescentar à dor de Hannah a minha própria dor e guardei-a”, diz.

Céu e Silva conta que os pais, quando chegam aos grupos de apoio não é porque confessem precisar de ajuda, mas porque vão acompanhar as mulheres. José Eduardo Rebelo confirma. É raro um homem ligar para as linhas de apoio das associações a pedir ajuda para si. No Reino Unido, Lee criou um grupo informal online onde os pais falam uns com os outros sobre a sua perda.

Eles vão aos grupos e ficam na retaguarda, insiste Céu e Silva. “Eles vão sempre na perspectiva de que estão a apoiar a esposa, nunca nenhum me procurou a dizer que perdeu um filho”, insiste José Eduardo Rebelo. Mas isso não significa que não precisem de ajuda porque quando vão à consulta, sozinhos, “eles choram tanto como elas, sentem o mesmo, têm espaço para expressar a raiva, mas quando estão no grupo não partilham da mesma forma”, testemunha Céu e Silva.

Divórcio, educação e formação

A falta de diálogo entre a mãe e o pai leva, em metade dos casos, ao divórcio, referem os especialistas. “O casal não dá tempo a si próprio para construir, estão divorciados emocionalmente, elas choram e eles fecham-se no seu silêncio”, descreve Céu e Silva. “Há raivas, há culpas que se transformam em incriminações de um contra o outro. A morte é uma prova que degrada as famílias”, lamenta José Eduardo Rebelo.

A forma como os familiares e os amigos vivem a morte também condiciona a expressão das emoções. As pessoas lidam mal com as situações negativas e, por isso, evitam-nas, aponta José Eduardo Rebelo que há 15 anos que se dedica a estudar o luto e a trabalhar com pessoas enlutadas em grupo ou pessoalmente.

O que fazer nessas situações​? “Ouvir as pessoas, validar os seus sentimentos”, responde Maria do Céu Martins. “Os amigos pensam que estão a ajudar quando distraem a pessoa ou quando se afastam e o que é preciso fazer é estar por perto, dar afecto. O apoio faz-se por estar presente”, aconselha.

Enquanto o pai luta por manter o filho vivo dentro de si, há alguém que lhe diz, com a melhor das intenções, “deixa lá, tens outros filhos” ou “precisas de ter coragem”, exemplifica José Eduardo Rebelo – “essa é uma palavra que é proibido dizer a um enlutado, ‘coragem’”, diz contundente –, essas intenções contribuem para que o homem se isole porque os outros não o querem ouvir, não o compreendem. “A sociedade continua a ter dificuldade em ouvir o outro quando atravessa um momento difícil”, confirma Maria do Céu Martins. “A sociedade desvaloriza o luto e apressa-o”, acrescenta Céu e Silva.

Falta educação emocional para lidar com o luto, continua o psicólogo, e essa começa em casa. É preciso espaço para falar de temas que incomodam como a morte, sem o desvalorizar. Assim como é preciso falar na escola. Falta informação, continua. “Não há consciência sobre a morte. Sabemos que vamos todos morrer mas fugimos de falar [sobre o tema]. Não se fala e há dificuldade em lidar com a morte.”

Contudo, os grupos de apoio existem e recebem telefonemas diariamente de pessoas que procuram ajuda. Os médicos de família também já recomendam este apoio aos seus doentes, mas falta formação nesta área para os profissionais ligados à saúde, bem como para os da educação, aponta Maria do Céu Martins, revelando que, em média, cada pessoa experienciará 30 a 40 perdas com significado emocional profundo na sua vida. “A perda é um buraco negro na pessoa e pode ter implicações várias, por exemplo, perda de concentração, doenças, problemas laborais”, enumera, reforçando que é preciso mais reconhecimento do trabalho das associações e dos conselheiros.

Um filho nunca se esquece, terminam os especialistas. “Cada filho que tenhamos é sempre um filho único. Conformamo-nos com a ausência, habituamo-nos à sua ausência, mas o luto prolonga-se durante toda a nossa vida”, conclui José Eduardo Rebelo.

 

 

 


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