Crianças, a “Momo” não existe e não vos vai fazer mal – Notícia do JN com declarações de Melanie Tavares do IAC

Março 1, 2019 às 3:52 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Foto: Pedro Granadeiro/Global Imagens

A notícia contém declarações da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

Notícia do Jornal de Notícias de 1 de março de 2019.

Rita Salcedas

Desafio violento na Internet que tem crianças como alvo está a preocupar os pais, numa altura em que circulam novos relatos de casos. Instituto de Apoio à Criança apela à partilha e diálogo, para evitar consequências graves.

Há alguns meses que o nome “Momo” vai ganhando espaço nas redes sociais, nos jornais, nos alertas da Polícia e, sobretudo, na vida de pais preocupados incapazes de controlar tudo o que os filhos veem na Internet. É uma espécie de desafio, que começou há meses no WhatsApp e que é atribuído como causa de suicídios infantis e ataques violentos, à semelhança da “Baleia Azul”.

Funciona assim: um utilizador desconhecido, que tem como imagem associada a de uma mulher com os olhos esbugalhados e um sorriso que pode assustar os mais vulneráveis, coage menores a cometer atos violentos. Quem envia a mensagem dá indicações à criança para fazer mal a si própria, sob ameaça de que a família sofrerá se as mesmas não forem seguidas, garantindo ter acesso a informações pessoais do destinatário.

De acordo com a BBC, a imagem assustadora em causa pertence a uma escultura que representa uma mulher-pássaro e faz parte de uma exposição sobre fantasmas e espetros de uma galeria de arte em Ginza (Tóquio), de 2016.

Youtube nega “Momo” em vídeos

O fenómeno já não é novo, mas novos casos divulgados nos últimos dias no Facebook trouxeram-no novamente para a atualidade mediática. Pais de crianças – entre os quais uma mãe portuguesa a viver na Alemanha – alertaram, em publicações que se tornaram virais, que a tal figura apareceu em vídeos infantis no Youtube, nomeadamente no jogo Fornite e nos desenhos animados Porquinha Peppa. A plataforma respondeu, num comunicado internacional, não haver nenhuma evidência de vídeos a promover o desafio Momo.

“Contrariamente a relatos da imprensa, não temos recebido qualquer evidência de vídeos que mostrem ou promovam o desafio Momo no Youtube. Conteúdo desse tipo estaria a violar as nossas políticas e seria imediatamente removido quando detetado”, esclareceu ao JN o Youtube.

Instituto de Apoio à Criança não recebeu queixas

No Reino Unido, a divulgação em massa de um novo relato levou especialistas e instituições de apoio à criança, nomeadamente de apoio em situação de risco de suicídio, a alertar que o fenómeno não é mais do que um caso de “pânico moral” criado por adultos.

Em Portugal, o Instituto de Apoio à Criança (IAC) garante não ter recebido qualquer participação a dar conta do caso, considerando que, a ser verdade, é “muito grave e nefasto para a saúde mental e física das crianças”, podendo provocar perturbações de sono, alimentação e outras.

“Geralmente, acontece numa fase em que a criança se está a construir e não tem ainda uma estrutura de personalidade formada para tomar decisões em consciência, não tendo noção do perigo real”, explicou ao JN Melanie Tavares, coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do IAC.

A responsável disse ainda que este tipo de situação causa “angústia dupla”, uma vez que as crianças sofrem por receberem as mensagens e por acharem que não as podem partilhar com os pais – segundo a indicação que recebem na mensagem.

O que se deve fazer?

Neste ou em qualquer caso que cause medo ou ansiedade, as crianças devem partilhar o que viram ou ouviram com os pais. “Não existe consequências” em fazê-lo, descansa a coordenadora.

Já os pais devem abordar as questões com os filhos, podendo aconselhá-los a falarem, em alternativa, com alguém próximo em quem confiem, “como a professora, a tia, o irmão mais velho”. Ocultar nunca é a solução. “Não há nada pior do que a falta de informação. As crianças vão acabar por ouvir falar disso, mas não sabem decifrar”, disse Melanie.

Um caso detetado em Portugal

O Comando Territorial de Coimbra da GNR registou, no ano passado, uma ocorrência relacionada com o desafio viral protagonizado pela sinistra figura. A informação foi avançada ao JN na altura por fonte oficial da Guarda que, por se tratar de caso único, não quis avançar mais pormenores.

 

 

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