No Dia dos Namorados, agências da ONU chamam atenção para o casamento infantil

Fevereiro 20, 2019 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Vídeos | Deixe um comentário
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Notícia da ONU News de 14 de fevereiro de 2019.

De acordo com o Unicef, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam todos os anos; para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero.

Todos os dias, dezenas de milhares de meninas se tornam noivas. Casamentos infantis violam os direitos delas, expõem elas à violência em potencial, colocam em risco suas saúdes e criam um futuro negro.

“Aos 14 anos, fui submetida ao casamento prematuro, onde os meus pais me aconselharam a me casar ainda menor de idade. Eles disseram que se eu me casasse não sofreria mais e que quando chegasse ao meu novo lar, tudo seria diferente e eu teria uma vida boa sem depender de ninguém.”

Esta é Mariamo, de Mocambique. Ela contou a história dela ao Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef. Mariamo está entre 21% de jovens mulheres no mundo que segundo a agência, se casam antes dos 18 anos de idade.

“Eu pensava que iria viver uma vida melhor como os meus pais tinha me falado, mas nada daquilo era verdade. Eu sofri, passava as noites sem comer. O meu marido ia pescar e quando voltava eu perguntava, o que vamos comer? Ele dizia, não tenho nada, porque não consegui nada. Você também mulher pode procurar algo para comermos porque você tem mãos.”

Noivas Infantis

De acordo com o Unicef, todos os anos, assim como Mariamo, cerca de 12 milhões de meninas com menos de 18 anos se casam. Até 2030, se o mundo não agir de forma decisiva para terminar o casamento infantil, mais de 150 milhões de meninas podem se tornar “noivas infantis”.

Mas, como aponta o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, isso não precisa ocorrer e programas para terminar com o casamento infantil estão fazendo a diferença, libertando crianças de uniões indesejadas.

Valentines’Day

Neste 14 de fevereiro, Dia dos Namorados ou Valentines’Day, em inglês, também conhecido como Festa de São Valentim, o Fundo da População das Nações Unidas, Unfpa, está abordando o que acontece quando meninas dizem “eu não quero” ao casamento infantil.

Como diz a diretora executive do Unicef, Henrietta Fore, “para muitos, o Dia dos Namorados é associado com romance, flores e propostas de casamento.” Mas ao tempo, como ela destaca, “para milhares de meninas ao redor do mundo o casamento não é uma escolha, mas um fim indesejado de suas infâncias e futuros.”

Como parte de uma campanha, meninas e mulheres compartilharam suas histórias. Kakenya Ntaiya contou que cresceu na região rural do Quênia. Ela explicou que “a forma tradicional de vida para as meninas é passar pela Mutilação Genital Feminina em preparação para o casamento quando jovens.”

Kakenya disse que “escapou do casamento infantil e lutou pela educação dela.” A jovem eventualmente criou a Kakenya’s Dream, o Sonho de Kakenya na tradução em português, uma ONG que usa a educação para empoderar meninas e transformar as comunidades rurais.

Violência Doméstica

O Unicef destaca que o casamento infantil leva a uma vida de sofrimento. Meninas que se casam antes dos 18 anos têm menos chance de estudar e têm mais chance de serem vítimas de violência doméstica.

A agência também destaca que jovens meninas adolescentes são mais susceptíveis a morrerem devido a complicações na gravides e no parto do que mulheres na casa dos 20 anos.

Pobreza

Para o Unfpa, o casamento infantil é o produto tóxico da pobreza e desigualdade de gênero. Muitas famílias acreditam que o casamento irá assegurar o futuro das filhas, mas na verdade, ele muitas vezes atrapalha as perspectivas das meninas.

Como enfatiza a agência, o casamento infantil é um fenômeno global, que afeta meninas em diversas comunidades e religiões.

Em 2017, O Programa Global do Unicef e do Unfpa para lidar com a questão atingiu 1 milhão de meninas e 4 milhões de membros de comunidades com informação e serviços para terminar com o casamento infantil.

Para o Unfpa, tudo muda quando meninas aprendem que existe um futuro melhor à sua disposição.

Abaixo o Unicef cita 10 fatos que ilustram porque é preciso #TerminarOCasamentoInfantil.

  1. Em todo o mundo, se estima que 650 milhões de meninas e mulheres vivas hoje se casaram antes de completarem 18 anos.
  2. Globalmente, o número total de meninas casadas na infância é estimado em 12 milhões por ano.
  3. A região sul da Ásia abriga o maior número de noivas infantis. São cerca de 285 milhões delas, o que representa  mais do que 40% do total no mundo. Em segundo lugar aparece a África subsaariana, com cerca de 115 milhões de noivas infantis ou 18% dos casos no mundo.
  4. A prática do casamento infantil diminuiu em todo o mundo. Na última década, a proporção de mulheres que se casaram quando crianças diminuiu em 15%, de 1 em 4 (25%) para aproximadamente 1 em 5 (21%).  Ao todo,  cerca de 25 milhões de casamentos infantis foram evitados. O aumento dos índices de educação de meninas, os investimentos pró-ativos do governo em meninas adolescentes e as fortes mensagens públicas sobre a ilegalidade do casamento infantil e os danos que causam estão entre as razões para a mudança.
  5. No sul da Ásia, o risco de uma menina se casar na infância diminuiu em mais de um terço, de quase 50% há uma década para 30% nos dias atuais.  A queda foi em grande parte impulsionada por grandes avanços na redução da prevalência do casamento infantil na Índia.
  6. Cada vez mais, os casos de casamento infantil estão migrando do Sul da Ásia para a África Subsaariana. A região apresenta um progresso mais lento e a uma população crescente. Dos casamentos infantis mais recentes, cerca de 1 em cada 3 acontecem agora na África subsaariana, em comparação com 1 em 7 há 25 anos.
  7. Na América Latina e no Caribe, não há evidências de progressos. Os níveis de casamento infantil continuam tão altos quanto há 25 anos.
  8. O casamento infantil ocorre também em países de alta renda. Nos Estados Unidos, a maioria dos 50 Estados tem uma exceção na lei que permite que as crianças se casem antes dos 18 anos. Até 2017, na União Européia, apenas quatro países não toleravam exceções à idade mínima de 18 anos para o casamento.
  9. O casamento na infância tem repercussões em muitas áreas da vida de uma menina. Por exemplo, na Etiópia, a maioria das jovens que se casaram quando crianças deram à luz antes do seu 20º aniversário. As noivas infantis também têm menos chances de receberem cuidados especializados durante a gravidez e o parto. Além disso, as adolescentes casadas na Etiópia têm três vezes mais probabilidade de estar fora da escola do que as jovens solteiras.
  10. Para eliminar o casamento infantil até 2030, conforme estabelecido na Agenda para o Desenvolvimento Sustentável, o progresso global teria que ser 12 vezes mais rápido do que o nivel observado na última década.

 

 

 

II Encontro Natália Pais – 25 de março na Fundação Calouste Gulbenkian

Fevereiro 20, 2019 às 2:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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As inscrições deverão ser feitas para o email (secretariado.alhsac@iacrianca.pt) até dia 10 de março.

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O irresistível Pinguim-de-Adélia – Rute Agulhas sobre parentalidade positiva

Fevereiro 20, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Rute Agulhas publicado no DN Life de 27 de janeiro de 2019.

O Pinguim-de-Adélia («Pygoscelis adeliae») é uma espécie de pinguim que habita a Antártida, e foi assim baptizado em homenagem à esposa do investigador que o descobriu, Jules d’Urville.

Estes animais são muito pequenos e, talvez por isso, esta é considerada a espécie de pinguins mais adorável e irresistivelmente fofa!

A sua época de reprodução ocorre durante o mês de Outubro e constroem os ninhos nas encostas rochosas, utilizando pedras. Tanto o macho como a fêmea tomam conta dos seus ovos, à vez, mantendo-os quentes e protegidos de possíveis predadores. Qualquer pequena pedra é muito importante, e são usadas também como galanteio ou até trocadas por alguns momentos de paixão!

Mas o que têm estes pinguins de tão especial, ao ponto de lhes ser dedicada uma crónica?

O Pinguim-de-Adélia, pela forma doce como interage com os seus pares, pelo cuidado que tem com os seus ovos e, mais tarde, com as suas crias e, ainda, pela partilha dos cuidados por ambos os pais, de forma coerente, que exercem uma verdadeira co-parentalidade (de fazer inveja a muitos seres humanos!), dá o nome a um projecto inovador da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens1.

Chamamos-lhe, portanto, «Adélia – Projecto Parentalidade Positiva». Porque os cuidados não se medem aos palmos, este pinguim tão pequenino é, em boa verdade, um gigante da parentalidade positiva.

De acordo com a Recomendação Rec (2006) 19 do Conselho da Europa – Comité Conselho de Ministros, a parentalidade positiva é definida como «um comportamento parental baseado no melhor interesse da criança e que assegura a satisfação das principais necessidades das crianças e a sua capacitação, sem violência, proporcionando-lhe o reconhecimento e a orientação necessários, o que implica a fixação de limites ao seu comportamento, para possibilitar o seu pleno desenvolvimento».

O que implica, então, este conceito de parentalidade positiva? O que devem, ou não devem, os pais fazer para conseguir exercer uma verdadeira parentalidade positiva?

Em primeiro lugar, promover uma comunicação adequada e saudável com os filhos. Uma comunicação clara e coerente é a chave do sucesso de qualquer relação e a relação entre pais e filhos não é excepção. Implica falar de forma clara e com coerência entre aquilo que é transmitido verbalmente e não verbalmente. Do que adianta dizer uma coisa com palavras, quando, tantas vezes, os olhos, o tom de voz, a postura ou os gestos dizem exactamente o contrário?

Uma parentalidade positiva implica também saber resolver problemas de forma ajustada. Em todas as relações surgem problemas e a adequação de uma relação não se avalia pela existência ou inexistência de problemas, mas sim pela forma como estes são geridos.

Saber resolver problemas envolve uma correcta identificação do problema e das várias alternativas de resolução, a identificação de vantagens e desvantagens de cada alternativa e a antecipação de possíveis consequências. Só então conseguiremos identificar a alternativa mais adequada e definir um plano para a operacionalizar. E não, não existem alternativas que apenas acarretem vantagens.

Nas relações pais e filhos importa também saber definir estratégias para lidar com os comportamentos adequados. Quer isto dizer que não devemos dar atenção apenas aos comportamentos desadequados das crianças. Se queremos que os comportamentos desejáveis se tornem mais frequentes, duradouros e intensos, é fundamental saber reforçá-los. Privilegiar o reforço social (elogio) ou com actividades que a criança goste e, se possível, que envolvam toda a família. Quando foi a última vez que elogiou o seu filho, só porque sim?

E o que fazer face aos comportamentos desadequados da criança? Pois, se queremos exercer a nossa parentalidade de uma forma positiva, então temos mesmo de eliminar as estratégias de natureza punitiva. E por punição não se entenda apenas a punição física, mas também outros comportamentos que são psicologicamente agressivos. Como dar ordens sem explicação, «porque aqui mando eu» e «é não, porque não». Ou, ainda, humilhar ou ameaçar a criança de qualquer forma, intimidando-a ou fazendo-a sentir que não é amada, desejada ou aceite de forma incondicional.

No fundo, pretende-se ajudar os pais a encontrar estratégias alternativas para lidar com os comportamentos negativos como, por exemplo, ignorar, reforçar comportamentos que sejam incompatíveis com aqueles que se pretendem eliminar ou, ainda, retirar privilégios como consequência da sua exibição.

As crianças precisam ainda de limites, de um amor firme com balizas que as orientem e encaminhem. Ouvir um «não», ou até muitos «nãos», não traumatiza as crianças. Contrariamente ao que tantos pais pensam, crescer com um modelo parental de baixo controlo gera mais dificuldades de regulação emocional e comportamental, maior imaturidade e dificuldade na relação com os outros.

Promover a auto-estima da criança é também uma forma de exercer uma parentalidade positiva. Ajudar a criança a identificar os seus pontos fortes e áreas de competência, valorizando-se por aquilo que consegue fazer, mas, acima de tudo, por quem é.

Por fim, importa também partilhar momentos lúdicos e de lazer. Momentos em que brincadeira e divertimento sejam as palavras de ordem, sem que exista, necessariamente, uma agenda de aprendizagens associada a essas actividades. Brincar livremente, deixando fluir a capacidade simbólica da criança, é de uma riqueza sem tamanho. E quando essas brincadeiras são partilhadas em família… tudo ganha uma nova cor!

O nosso Pinguim-de-Adélia tem já um primeiro material a circular pelas famílias de Portugal! Um «quantos-queres» (quem é que ainda se lembra como se faz?) dedicado às várias dimensões da parentalidade positiva. E não é que as crianças de hoje, tal como as do nosso tempo, adoram o «quantos-queres», mesmo com tecnologia zero?

 

 

 

Os ecrãs são ou não inofensivos para a saúde dos mais novos?

Fevereiro 20, 2019 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Texto do Público de 21 de janeiro de 2019.

Especialistas dizem que os dispositivos electrónicos podem não ser a causa de doenças como a obesidade e depressão. Alguns pais mostram preocupações em relação ao uso dos aparelhos.

Mariana e Silva Pereira

O tempo que as crianças e jovens passam à frente dos ecrãs pode não ser tão mau como se pensa, mas é preciso ter cuidado. Quem o diz é Russel M. Viner, director do Colégio dos Pediatras britânico (Royal College of Paedriatics and Child Health), e a investigadora Neza Stiglic, num estudo publicado no início do ano pelo BMJ Journals.

A pesquisa – feita a partir da revisão de 13 trabalhos já publicados sobre a relação entre os dispositivos electrónicos e a saúde (peso e doenças respiratórias e cardíacas), saúde mental, exercício físico, dieta alimentar e sono em crianças e jovens dos 0 aos 18 anos – revelou uma ligação “moderada” entre o uso dos ecrãs e as crianças obesas ou com depressão. Também foram encontradas provas “moderadas” na relação entre o “tempo passado com dispositivos móveis” e “um maior gasto de energia, dietas inadequadas e má qualidade de vida”. Por isso, os autores propõem que se façam novos estudos, uma vez que nos últimos anos houve uma evolução enorme na utilização destes dispositivos.

Por cá, Ivone Patrão, psicóloga e investigadora do ISPA – Instituto Universitário, revela que na sua pesquisa encontra uma “clara relação entre a dependência online – nos rapazes dos videojogos e nas raparigas das redes sociais –, e as alterações no humor, no ritmo do sono, nas forma como se relacionam com os pares e com a família; o que depois se traduz em comportamentos de menor atenção, concentração, de maior irrequietude, ou até de prostração, face ao cansaço”.

A pesquisa de Russel M. Viner e a Neza Stiglic não conseguiu determinar se o uso dos aparelhos é a fonte da obesidade e depressão ou se as pessoas que sofrem destes problemas estão mais expostas a passar mais tempo em frente a um ecrã. Ivone Patrão diz que pode tratar-se de uma “comorbidade”. “Por vezes a criança ou o jovem já estavam, por exemplo deprimidos, e o estar online surge como uma estratégia de escape. Noutras situações, um hobbie passa a ocupar o dia-a-dia do jovem, que desiste de outras actividades para estar cada vez mais tempo online e para sentir o prazer que isso lhe dá”, explica.

Para Tito de Morais, autor do blogue Miúdos Seguros na Net, “a utilização excessiva de dispositivos móveis por crianças e jovens não estará na origem de patologias como a obesidade e depressão, mas contribui para [as] agravar”. O especialista acrescenta ainda que o sedentarismo será o factor que mais influencia a reprodução destas doenças.

Pais devem negociar

Dora e Augusto Silva, pais de um menino de nove e uma menina de cinco anos, que frequentam o Agrupamento de Escolas do Parque das Nações, em Lisboa, confessam viver uma “luta diária” para incutir a máxima: primeiro os trabalhos de casa, segundo as actividades de lazer (e em quantidades limitadas). Como é que o fazem? Fixam um tempo para os filhos usarem o tablet, recorrendo a um temporizador do mesmo. Assim as crianças percebem que já o estão a usar há muito tempo, justificam.

Há quem restrinja mais afincadamente a utilização de aparelhos, como é o caso de Inês Rodrigues, mãe de duas meninas de seis e nove anos, da mesma escola, que não usam os dispositivos todos os dias e só tem autorização para o fazer quando “os deveres escolares estiverem cumpridos”. A mãe também proíbe o acesso aos aparelhos fora de casa.

Os pais dizem que os miúdos passam entre meia a uma hora diária frente aos dispositivos electrónicos, mas que no fim-de-semana a média aumenta. “Pode variar de uma a quatro horas, ou mesmo mais”, confessam Dora e Augusto Silva.

Para Ivone Patrão, os pais devem adoptar uma postura preventiva. A introdução das novas tecnologias pode ser feita desde a infância, “mas com uma bandeira bem levantada”, a da “negociação dos conteúdos e do tempo de acesso”. Os pais devem adoptar um modelo de negociação, estipulando regras: “Não é pelo conflito que vai haver mudança de comportamento, mas pelo parar, sentar e negociar o que cada uma das partes pretende e está disposta a ceder”, afirma a autora do livro #GeraçãoCordão, recomendando ajuda especializada para casos extremos.

Também Tito de Morais partilha da mesma perspectiva, acrescentando que os adultos devem propôr “alternativas em termos de actividades, criando tempos de utilização [dos ecrãs] adequados”. É o que já faz Inês Rodrigues, que procura actividades fora de casa para realizar com as filhas, já Dora e Augusto Silva incentivam os mais novos à prática do desporto ou de um instrumento.

Ainda assim, o casal reconhece pontos positivos aos aparelhos electrónicos, nomeadamente o auxílio ao estudo. Inês Rodrigues também orienta as filhas para a visualização de conteúdos “de alguma forma educativos” com o objectivo de evitar a pesquisa de assuntos “vazios”.

Texto editado por Bárbara Wong

 

 

 


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