As novas tecnologias e os olhos das crianças: que perigos?

Fevereiro 12, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Sapo Lifestyle

A visualização de imagens em ecrãs e o seu impacto na saúde ocular é um tema que preocupa os pais de crianças e adolescentes. Sabendo que existem algumas ideias pré-concebidas, que nem sempre correspondem à realidade, será importante que a informação sobre os reais efeitos de smartphones, tablets e computadores na saúde ocular seja a correta. As explicações são do médico Renato Silva, Oftalmologista no Hospital CUF Porto.

A síndrome visual do computador

Ao olhar fixamente para um ecrã ou um livro o reflexo de pestanejo fica diminuído, aumentando a evaporação da lágrima. Em utilizadores crónicos e prolongados de ecrãs, também as glândulas de Meibomius funcionam pior. Estas glândulas são responsáveis pela produção da camada lipídica da lágrima, que lhe dá estabilidade e diminui a sua evaporação. Estas alterações diminuem a quantidade e qualidade da lágrima, provocando sintomas típicos de olho seco tais como sensação de corpo estranho, ardor, olhos vermelhos, sensação de peso nas pálpebras ou necessidade de pestanejar ou fechar os olhos.

Por outro lado, ao olhar para um objeto ao perto, o olho precisa de fazer esforço para focar, um mecanismo que é conhecido como acomodação. A manutenção da acomodação por períodos moderados provoca cansaço ocular originando sintomas como visão enevoada, dores de cabeça, dificuldade de focagem ou sensação de peso nos olhos.

As crianças e adolescentes não sabem exprimir tão bem como um adulto aquilo que sentem. Apesar das alterações oculares observáveis serem iguais às que estão presentes nos adultos, o sintoma que as crianças mais descrevem é a visão desfocada, sendo raro referirem outros sintomas. Muitas vezes as crianças apresentam-se apenas com pestanejos frequentes ou com necessidade de coçar os olhos, não conseguindo nomear quaisquer outros sintomas.

Estes sinais e sintomas, apesar de surgirem para todas as atividades de perto, tais como a leitura de livros ou trabalhos de precisão, são mais frequentes na visualização de ecrãs.

Estes sintomas são transitórios e desaparecem algum tempo após a ausência de visualização dos ecrãs.

O desenvolvimento de miopia

Apesar do principal fator de risco para o desenvolvimento de miopia ser a existência de história familiar, existem fatores ambientais que têm influência no aparecimento e evolução desta patologia.

Alguns estudos recentes vieram mostrar que a visão prolongada ao perto poderá ter um impacto relativamente pequeno no desenvolvimento de miopia, apenas em idades mais precoces, até aos 12 anos. Em nenhum estudo foi demonstrado que a utilização de ecrãs tivesse um risco superior no desenvolvimento da miopia do que a leitura de livros.

Nos últimos anos tem sido comprovada a importância da exposição à luz natural como fator preventivo do aparecimento e progressão da miopia. Esta associação é hoje clara, sabendo-se que quanto menor a idade, maior a importância da exposição à luz natural. No entanto, o benefício na prevenção da miopia está demonstrado pelo menos até aos 18 anos.

Tendo em conta o conhecimento atual é recomendada, para crianças e adolescentes, uma utilização de ecrãs inferior a 2 horas por dia, com a realização de intervalos de, pelo menos, 5 minutos a cada 30 minutos. Os ecrãs deverão estar afastados dos olhos para o esforço de acomodação ser menor.

Recomenda-se também a exposição à luz natural, com uma duração igual ou superior a 2 horas por dia, devendo a realização de atividades ao ar livre ser preferida à utilização de ecrãs dentro do portas.

As explicações são do médico Renato Silva, Oftalmologista no Hospital CUF Porto.

 

 

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