Prevenir Fenómenos de Dependência Online

Fevereiro 11, 2019 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do site Internet Segura de 18 de janeiro de 2019.

A utilização da Internet, principalmente de plataformas digitais como o Facebook, Instagram ou Youtube ocorre cada vez mais de uma forma regular, independentemente da idade dos seus utilizadores, tornando-se um desafio estabelecer uma utilização saudável das mesmas. Segundo dados obtidos da PORDATA (Base de Dados de Portugal Contemporâneo), o total de utilizadores da Internet até 2018 atingiu os 74,7%.

Dentro da população de utilizadores da Internet, surgem diferentes padrões de utilização: Desde os utilizadores mais casuais, que consultam algumas plataformas online algumas vezes por semana ou por mês, a utilizadores mais intensivos que estão em permanente contacto com diversas plataformas. Esta tipologia de utilizadores  pode estar mais sujeita ao aparecimento de sintomas de dependência associados à utilização intensiva das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Sintomas como a ansiedade, o stress, o desajustamento dos horários de período de sono e refeições, entre outros, podem estar associados a esta utilização intensiva e pouco saudável das TIC. Esteja atento a estes sinais e opte por algumas estratégias de prevenção, nomeadamente:

1 – Registos diários.

Efetue registos relativos ao tempo investido nas diferentes plataformas online e dispositivos que utiliza para comunicar/interagir através da Internet. Aponte num caderno as horas que passa e cada vez que se ligar à rede. Pode inclusive optar pela instalação de aplicações que fazem esta monitorização e lhe enviam alertas sobre o tempo dispendido.

2 – Opinião da família e amigos.

Peça à sua família e amigos mais chegados, um feedback relativo ao tempo que consome quando está online e em que medida este tempo online pode estar a convergir com atividades importantes para si e para os seus amigos e familiares.

3 – Estabeleça limites.

Defina alguns limites relativos ao tempo que passa online. Pode inclusive determinar momentos do dia em que está afastado dos diferentes dispositivos que utiliza para estar online, ou até…

4 – Internet Free Day.

Escolha um dia da semana (ou do fim-de-semana) para promover um “Dia Sem Internet”. Este dia poderá ajudá-lo a lentamente, saber aproveitar as diversas atividades offline e a sentir uma menor ansiedade quando reduz o tempo em que está online.

 

 

YouTube vai proibir vídeos com desafios e partidas que incentivem “a violência ou atividades perigosas”

Fevereiro 11, 2019 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 17 de janeiro de 2019.

A plataforma de partilha de vídeos atualizou as “diretrizes da comunidade” e passou a proibir “conteúdo que incentive atividades perigosas com grandes possibilidades de resultar em ferimentos graves”.

Cláudia Monarca Almeida

O YouTube atualizou esta terça-feira a política de utilização e vai começar a remover vídeos de desafios e partidas que incentivem “a violência ou atividades perigosas que possam resultar em sérios danos físicos, situações stressantes ou morte. Desafios como o Tide Pod Challenge — que mostra os utilizadores a morderem as pastilhas de detergente para as máquinas de lavar — e o desafio do fogo (em que deitam um produto inflamável na pele e depois ateiam fogo) vão ser retirados da plataforma.

“Há muito que o YouTube proíbe vídeos que promovam atividades prejudiciais e perigosas; e revemos e atualizamos regularmente as nossas diretrizes para nos certificarmos de que são consistentes e endereçam apropriadamente tendências emergentes”, disse um porta-voz do site à CNN.

A atualização surge depois de o Bird Box Challenge se ter tornado viral. O desafio, tal como o nome, é inspirado no filme da Netflix, que foi o maior sucesso da plataforma de streaming até ao momento, e num curto espaço de tempo, ao ser visto por mais de 45 milhões de pessoas na primeira semana. Imitando a personagem de Sandra Bullock, vários jovens têm-se filmado a fazer várias atividades com os olhos vendados. Nos Estados Unidos uma jovem de 17 anos colidiu com outro quando conduzia “com os olhos cobertos”. Segundo a polícia local, este foi o “resultado previsível” do Bird Box Challenge.

A popularidade do Bird Box Challenge obrigou a Netflix a emitir um apelo no Twitter. “Não acredito que tenho de dizer isto, mas POR FAVOR NÃO SE MAGOEM COM ESTE BIRD BOX CHALLENGE. Não sabemos como é que isto começou, e apreciamos o amor, mas Boy e Girl [nome dos personagens filhos de Bullock no filme] só têm um desejo para 2019 e é que vocês não acabem no hospital por causa de memes.”

Sob a revisão às “Políticas Acerca de Conteúdo Nocivo ou Perigoso”, o YouTube passa a proibir “desafios que representem um risco aparente de morte” ou que possam causar “danos físicos reais”. Deixam também de ser permitidas “partidas que levam as vítimas a acreditar que correm perigo físico”. Assim, vídeos que contenham “invasões a domicílios ou a simulação de tiros sendo disparados de um carro em movimento” serão retirados da plataforma.

Com a atualização, o YouTube coloca especial enfoque na proteção dos mais novos. Vão deixar de ser permitidos conteúdos que apresentem “crianças a participar em desafios perigosos que impliquem um risco iminente de ferimentos graves” e “partidas abusivas ou perigosas passíveis de causar problemas emocionais a crianças.” Para “desenvolver diretrizes sobre os tipos de brincadeiras que ultrapassam esse limite”, o YouTube diz ter trabalhado diretamente com psicólogos. A “simulação da morte de um dos pais” e a “simulação de abandono por pais ou responsáveis” são os dois exemplos dados de tipos de vídeos que não serão aceites no site.

A nova versão das diretrizes inclui também o reforço no controlo do links externos e as imagens das miniaturas. Utilizadores que divulguem links para “sites pornográficos, malware ou spam” ou usem “imagens [nas miniaturas] que violem gravemente as políticas, como fotos pornográficas ou com violência explícita” vão receber um aviso. À terceira infração em 90 dias, a conta será apagada.

O YouTube anunciou ainda que começou na terça-feira o “período de tolerância” de dois meses, durante o qual os utilizadores poderão ser informados sobre atualizações e alterar os seus conteúdos. “Nos próximos dois meses, conforme intensificarmos a aplicação, todo o conteúdo que violar as diretrizes da comunidade relacionadas a miniaturas, links externos, desafios e partidas será removido, mas o canal não receberá um aviso”, explica o comunicado.

 

Não sobrecarregue os seus filhos com atividades (os especialistas explicam porquê)

Fevereiro 11, 2019 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Sérgio Condeço

Texto do Notícias Magazine de 10 de janeiro de 2019.

Da escola para o futebol, o piano, o inglês e muitas outras atividades, as crianças ficam demasiado ocupadas e sem tempo para terem liberdade, para desenvolverem a criatividade, para fazerem as suas próprias escolhas ou para brincarem. E brincar é oxigénio para os mais pequenos.

Texto Cláudia Pinto | Ilustração Sérgio Condeço/WHO

O tema é debatido recorrentemente e suscita dúvidas. As crianças estão demasiado ocupadas? Têm o tempo todo preenchido e sem alternativa para o que realmente importa para o seu desenvolvimento? Os especialistas acham que sim.

Como noutras áreas de comportamento, não existem fórmulas universais nem regras estanques. Maria José Araújo é professora da Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico do Porto (IPP) e investiga esta área do brincar e do tempo livre há muitos anos.

“As crianças têm de ter oportunidade para brincar e divertir­‑se, visando os propósitos da sua educação e do seu bem­‑estar”, explica. E se na teoria isto é algo que se percebe, na prática, com a logística diária, vidas atarefadas, pais à beira de um ataque de nervos entre os afazeres familiares e profissionais diários, tudo se torna mais complexo. “As crianças dependem dos adultos, dos pais, dos educadores, não decidem sozinhas e ficam à espera que alguém lhes dê essa possibilidade”, sublinha.

Na maioria das vezes, só querem brincar. É a atividade que melhor conhecem desde tenra idade. Mas, no dia­‑a­‑dia, passam demasiado tempo na escola, chegando a ocupar os finais de tarde com atividades desportivas ou de complemento ao estudo. Resta pouca margem para dar largas à criatividade, tão importante no crescimento. “É fundamental que se perceba que brincar é como respirar para as crianças. Estas só aprendem porque brincam”, explica a professora.

Mas o que são afinal os tempos livres? Será que as atividades em que as crianças estão inscritas são consideradas como tal? Afinal, a sigla ATL sugere isso mesmo. Esta designação deve ser entendida como o tempo em que a criança pode dedicar a atividades não estruturadas.

“As estruturadas (inglês, guitarra, ginástica, etc.) são fundamentais para a aprendizagem, em termos intelectuais, sociais, físicos, mas nessas a criança não tem liberdade. Os tempos livres são essenciais para que aprenda a lidar com a frustração”, explica Catarina Mexia, psicóloga e terapeuta do casal no Centro de Estudos da Família e Psicoterapia.

Na incessante tentativa de ocuparmos os miúdos, nem sempre recuperamos hábitos mais simples que podem proporcionar verdadeiro tempo de qualidade em família, como fazer um bolo nas tardes frias de domingo. Sem complicar muito. Ou, pura e simplesmente, não fazer nada.

“As crianças não estão habituadas a parar. Não fazer nada é fazer alguma coisa. Para­‑se, respira­‑se, ou pura e simplesmente descansa­‑se”, sublinha a psicóloga. Não é incomum ouvi‑las comentar que não têm nada para fazer. Mas, afinal, “o tédio é fundamental para a criança descobrir coisas diferentes para fazer”, salienta a médica pediatra do Hospital dos Lusíadas Joana Appleton Figueira.

Além da importância de as crianças terem os seus tempos livres e de não estarem demasiado ocupadas, não é menos relevante deixá­‑las escolher em vez de serem os pais a fazê­‑lo.

“Estamos muito preocupados com a escola, temos uma sociedade hiperescolarizada, e isto não é errado. A escola é fundamental, mas no tempo curricular que está previsto na lei. Nas restantes horas, as crianças, que gostam de fazer muitas coisas, deveriam ter a oportunidade de escolher algumas das suas atividades”, defende Maria José Araújo, que, já em 2009, publicava um livro a alertar para esta realidade, intitulado Crianças Ocupadas, editado pela Prime Books.

Nas aulas que leciona, no IPP, dedica uma unidade curricular a esta questão e uma outra relacionada com a motricidade e o bem­‑estar, de forma a alertar os alunos de hoje, educadores de amanhã, para a valorização do tempo livre como algo essencial para a vida das crianças. O objetivo é formar futuros professores sobre a questão do brincar e da ocupação das crianças após o horário letivo.

Quando as atividades nem sempre correspondem ao que a criança deseja, acaba por ser frequente a desistência. É esse, aliás, um dos motivos que levam mais os pais a recorrer às consultas de Catarina Mexia. “A preocupação que aparece mais em consulta é o que se passa com os filhos, porque é que não persistem e desistem facilmente. A questão é que os pais não estão a ouvir os filhos”, alerta.

Estarão os pais e as escolas a programar o tempo das crianças de forma rígida e exagerada?

“As atividades organizadas são habitualmente propostas pelas instituições e escolhidas pelos pais. Os estudos provam que quando as crianças escolhem o que fazer, e os pais respeitam essa escolha, as crianças não se cansam tanto e usufruem em pleno”, explica Maria José Araújo.

Brincar implica correr, estar ao ar livre, interagir com os amigos e outras crianças. Isto nem sempre é possível em algumas escolas tradicionais. Algumas delas têm espaços condicionados, o que torna também o tempo de recreio mais limitativo.

“A música, a ginástica, o inglês e todas as atividades são realizadas em espaços fechados. As crianças passam de um espaço fechado para outro. No entanto, há muitas escolas e muitas instituições que têm muito cuidado e que fazem um espaço notável ao proporcionarem recreio ao ar livre, idas ao parque, organizam passeios, caminhadas, brincadeiras e jogos no exterior”, adianta a professora.

Por vezes, e porque os pais estão a trabalhar e não têm quem vá buscar os filhos à escola ao final do tempo de aulas, a brincadeira é substituída por “salas com poucas funcionárias para o número de crianças e com uma televisão para os manter quietos. Ou então, em ATL que são prolongamentos da escola, com salas semelhantes e onde se fazem trabalhos de casa”, sublinha Joana Appleton Figueira.

Na sociedade atual existe ainda uma enorme pressão com os resultados escolares, daí que se incentive o estudo. A típica frase: “Tens de ter boas notas para seres alguém na vida” é claramente identificada por cada um de nós. “As crianças já são ‘alguém’ no momento em que nascem. São pessoas de pleno direito. As preocupações dos pais são legítimas e levam‑nos a organizar as atividades que consideram que poderão vir a proporcionar mais oportunidades e um trabalho aos filhos no futuro. Queremos muito que as crianças sejam responsáveis, mas não desenvolvemos a sua responsabilidade e autonomia. Porque isso pressupõe que brinquem e o façam com os outros”, explica Maria José Araújo.

E se lhe disséssemos que a criança está a aprender enquanto o faz? “Brincar é a única forma que a criança tem de aprender quando é pequena, mesmo dentro de uma sala de aula”, acrescenta. Percebe­‑se então a quantidade de vezes em que os miúdos reforçam que querem brincar “só mais um bocadinho” e a insistência para que os adultos partilhem o momento.

Não existem receitas milagrosas nem números mágicos. O que pode ser o ideal para uma família, não tem de ser necessariamente para outra. “Para algumas crianças, principalmente as mais velhas, pode não haver muito tempo livre todos os dias, desde que, durante a semana, existam horas disponíveis para ler, conversar com a família e com os amigos. O tempo livre pode ser passado a ajudar os pais com o jantar sem tecnologias ligadas, enquanto conversam, e deve ser proporcionado diariamente às crianças mais novas, sem ecrãs, com poucos brinquedos acessíveis de cada vez (num quarto cheio, a criança nem consegue decidir com o que brincar)”, sugere Joana Appleton Figueira.

Mais do que a quantidade de atividades, o tempo deve ser passado com qualidade e, se possível, partilhado com os pais. Com alguma organização mas sem exageros. “Por vezes, é mais útil não programar tanto ao fim de semana e deixar acontecer”, conclui Catarina Mexia.

Leituras que ajudam

Numa sociedade contemporânea em que as pessoas estão cada vez mais ocupadas, sobra pouco tempo para se refletir sobre as melhores decisões que se podem (ou devem) tomar no dia­‑a­‑dia. No livro Crianças Ocupadas, a autora procura facultar aos pais um instrumento que lhes permita decidir o que é melhor para os seus filhos.

O quê?… Os adultos não sabem? é um livro que resulta de um trabalho incluído num projeto de educação criativa desenvolvido ao longo de três anos com crianças do 1.º ciclo do ensino básico da escola EBl/JI do Cerco do Porto (Agrupamento de Escolas do Cerco). As crianças tentam explicar, à sua maneira, que precisam que as deixem brincar.

 


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