Adolescentes portugueses estão exaustos. Os que não gostam da escola triplicaram nos últimos 20 anos

Dezembro 23, 2018 às 6:43 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 19 de dezembro de 2018.

Mais de metade dos alunos portugueses dizem-se maus alunos. O novo inquérito sobre o estilo de vida dos adolescentes mostra-os cada vez mais exaustos, tristes e medicados.

Natália Faria

A matéria nas aulas é demasiada, aborrecida, difícil. A avaliação é um stress. E o pior mesmo é a comida do refeitório. Em cada 100 adolescentes portugueses, quase 30 (29,6%) dizem que não gostam da escola. Mas o que mais surpreendeu os autores do novo grande inquérito sobre os estilos de vida dos adolescentes portugueses foram os níveis de exaustão e de tristeza: 17,9% dos adolescentes inquiridos disseram-se cansados e exaustos “quase todos os dias”, 12,7% acusaram dificuldades em adormecer e 5,9% confessaram que se sentem “tão tristes que não aguentam”.

Se recuarmos a edições anteriores deste inquérito, que vem sendo repetido de quatro em quatro anos desde 1998, houve agravamentos em todos aqueles indicadores. Quanto à má relação dos alunos com a escola, “é um problema crónico” que triplicou nos últimos 20 anos. “É uma desgraça continuada”, constata Margarida Gaspar de Matos, a investigadora que coordena a equipa que faz esta análise aos adolescentes portugueses para a Organização Mundial de Saúde (OMS) – este ano com inquéritos distribuídos a 6997 jovens de Portugal continental, do 6º, do 8º e do 10º ano de escolaridade.

Em 1998, 13,1% dos alunos diziam não gostar da escola. Vinte anos depois, essa percentagem aumentou para os referidos 29,6%. E se, no primeiro inquérito, apenas 3,8% acusavam a pressão com os trabalhos da escola, este ano foram 13,7%. Por outro lado, quando os investigadores perguntaram aos alunos do 8º e do 10º ano se pretendiam ir para a universidade, apenas 54,8%, pouco mais de metade, portanto, responderam que sim. Em 2010, as respostas positivas tinham sido 69,3%.

Pior: mais de metade dos alunos (51,8%) consideram-se maus alunos. “Quando lhes perguntamos porquê, a resposta é chapa um: ‘Não tenho boas notas’, ‘não tenho boas notas’, ‘não tenho boas notas’. Não falam da dificuldade em aprender, eles estão é stressadíssimos com as notas. Parece que a escola toda se centrou na questão da avaliação em vez de no gosto pela aprendizagem”, acrescenta a investigadora, para quem o combate a “este cancro que é o desgosto pela escola” exige que se dê mais atenção à flexibilização curricular. Afinal, 87,2% dos alunos queixam-se que a matéria é demasiada, aborrecida (84,9%) e difícil (82%).

“Parece que o ensino está todo virado para a nota em vez de para o conhecimento académico e das pessoas. E isto é uma escola muito punitiva. É uma escola que existe para enfardar conhecimento e não para fazer com que as pessoas desabrochem do ponto de vista da cultura e do conhecimento do meio”, insiste a investigadora, reivindicando a recuperação, nas escolas, dos espaços em que os “os adultos de referência possam contactar com as crianças sem que seja numa troca à volta das matérias”. É que, como se não bastasse, 56,9% dos alunos acusaram a pressão também dos pais para que tenham boas notas.

Tristes e exaustos

Recolhidos através de um questionário online, preenchido em contexto de aula, por alunos de 387 turmas de escolas públicas, estes resultados hão-de integrar o grande retrato internacional da adolescência, chamado Health Behaviour in School-Aged Children, da OMS, que congrega dados semelhantes de 44 países e que deverá ser divulgado dentro de mais ou menos um ano.

Na altura, será possível comparar os estilos de vida dos adolescentes portugueses com os dos outros países, em áreas como o apoio familiar, a escola, saúde, bem-estar, sono, sexualidade, alimentação lazer, sedentarismo, consumo de substâncias e violência. Por enquanto, o retrato que se afigura aos investigadores portugueses é preocupante, com os indicadores reveladores de mal-estar a equipararem-se (e a agravarem-se, nalguns casos), aos de 1998, depois de vários anos de aparente melhoria.

As respostas revelam, por exemplo, que, apesar de a grande maioria (81,7%) dos jovens se considerar feliz, tem aumentado a percentagem dos que se dizem sentir tão tristes que não aguentam… quase todos os dias: eram 3,5% em 2006 e subiram para os 5,9% em 2018. Ao mesmo tempo, os que se dizem tristes quase todos os dias aumentaram de 5,3% para 9,2%, depois de em 2006 terem recuado aos 4,6%.

Já nos comportamentos autolesivos houve “uma diminuição tão ligeirinha que é quase um empate técnico”: 19,6% dos alunos do 8º e do 10º ano assumiram ter-se magoado de propósito pelo menos uma vez nos 12 meses anteriores ao inquérito.

O que deixou “apavorada” a coordenadora deste estudo foi a quantidade de jovens que se declararam exaustos: 17,9% em 2018, acima dos 10,3% de 2014 e dos 9,5% de 2010. Nem 2002, que “foi o ano terrível em que tivemos alguns dos piores indicadores”, foi tão mau. Nesse ano, o valor foi de 16,8%. O estudo não permite estabelecer nexos causais. Mas Margarida Gaspar de Matos, que além de investigadora é psicóloga clínica, recorre à sua experiência profissional para arriscar algumas explicações susceptíveis de ajudarem a perceber para o cansaço e a exaustão dos jovens: “O stress por causa das notas, o abuso do ecrã e as poucas horas de sono”.

Notas de rodapé: 56,6% dos alunos do 8º e 10º ano declararam passar várias horas por dia ao telemóvel. E cerca de metade do total de inquiridos apontou problemas como dificuldades em adormecer, sono agitado, e acordar cedo demais e a meio da noite. Outros indicadores de mal-estar decorrem dos 27,6% dos que se disseram preocupados “todos os dias, mesmo várias vezes ao dia”.

 

 

Websites para os seus filhos visitarem durante as férias de Natal

Dezembro 23, 2018 às 5:18 pm | Publicado em Site ou blogue recomendado | Deixe um comentário
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Texto do site Internet Segura de 14 de dezembro de 2018.

As férias de natal começam hoje para os mais jovens.

Como tal, o Centro Internet Segura reuniu uma listagem de websites que podem cativar o interesse dos mais jovens durante esse período. É importante manter o equilíbrio entre as horas passadas nas tecnologias e o tempo dedicado à família e amigos, incentivando-os a realizar atividades lúdicas.

https://www.cartoonnetwork.pt/

https://canalpanda.pt/

http://play.barbie.com/pt-pt

http://www.escolavirtual.pt/Pais-e-Alunos/pre/

https://www.tabuadas.pt/

http://www.gameseducativos.com/

Relembramos a importância de acompanhar os seus filhos nestes jogos virtuais, para que, facilmente lhes dê sugestões sobre quais os melhores comportamentos a adotar quando utilizam a Internet.

Navegue em Segurança!

 

Pais, se tremem à primeira birra no Natal, “algo está mal”

Dezembro 23, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 20 de dezembro de 2018.

Como dizer não no Natal? Faz sentido dar tudo o que as crianças pedem? Há estudos que dizem que “o grau de satisfação e de felicidade da criança começa a baixar a partir do terceiro presente que recebe”

Susana Pinheiro

O Natal está a chegar e muitas crianças têm uma lista sem fim para pedir ao Menino Jesus ou ao Pai Natal. Como dizer-lhes “não” sem que façam uma birra? Ou será melhor dar-lhes tudo para que não sofram uma desilusão? Mesmo no Natal, “os pais que dizem ‘sim’ a tudo, não estão a ser pais. Não estão a educar, mas a estragar”, alerta o psicólogo Eduardo Sá. “Se tremem à primeira birra dos filhos, algo está mal”, realça. É preciso uma “firmeza serena” para dizer não. Há que ser “assertivo”, sublinha também o pedagogo Renato Paiva. As crianças e os jovens têm de perceber que não podem ter tudo, que têm de fazer por merecer o que recebem e aprender a seleccionar. “A vida adulta é feita de escolhas”, sustenta o autor de livros como Queridos Pais, Odeio-vos.

“Eles só puxam a corda se sentirem que os pais são todos tremeliques”, aponta Eduardo Sá. Na realidade, é uma questão de quase “tentativa e erro”, continua. “As crianças atiram o barro à parede a ver se cola”, para ver até onde conseguem ir. Mas, salvaguarda o autor do Livro de Reclamações das Crianças, “estão bem atentas ao que os pais podem ou não comprar”. É, de todo, uma “ideia errada pensar que são pequenos tiranos”, diz. “São, sim, negociadores.” Por isso, faz parte da função dos pais saberem dar-lhes a volta quando começam com birras. E, se for preciso, zangarem-se e fazerem cara feia, aconselha.

Os limites fazem parte da educação, mesmo no Natal. “Eles podem ser os príncipes e princesas lá de casa, mas quem manda são os reis e as rainhas. Importa deixar isso bem vincado”, defende Renato Paiva.

“Se a criança ficar desiludida, paciência. A frustração faz parte da vida”, afirma, por seu lado, o pediatra Mário Cordeiro. Até porque, corrobora Renato Paiva, “aprender a frustrar nesta fase mais precoce da vida fará com que saibam lidar com adversidades e frustrações futuras de forma mais madura, equilibrada e com menor sofrimento”.

Se a criança fizer uma birra, aconselha Mário Cordeiro, “há que mostrar que está desenquadrada do espírito de Natal, que é um espírito de humildade, solidariedade, afecto e alegria pela dádiva, e não um momento narcisista de ‘quero tudo, já’”. Na realidade, não se pode ter tudo. Ponto final.

“Se a criança está a fazer birra porque não recebeu o brinquedo x, vamos propor que experimente o jogo y. Não nos devemos justificar muito com os presentes”, aconselha Renato Paiva.

Listas, sim ou não?

Para Eduardo Sá, “é óptimo que as crianças façam uma lista de Natal, porque é uma maneira de não arriscarem a ter as prendas que os pais gostariam de ter tido quando eram da idade deles”.

Já Mário Cordeiro é “contra as listas de exigências e a escravidão de quem oferece — quem dá tem de ter o mesmo júbilo de quem recebe, e quem escolhe tem de pensar no outro e ‘estar presente’ — daí o nome ‘presente’”.

“‘Prendas’ é quando se dá um prémio por algo que se fez de talentoso, ou quando [a criança] se transcendeu na escola, no que for. O presente é… estar presente na vida dos outros através desse objecto — é o que acontece no Natal”, distingue o pediatra e autor de Educar Com Amor.

Se os pais optarem por deixar fazer a “carta ao Pai Natal”, devem explicar que esta “não é uma lista de compras, mas de sugestões”, aconselha Renato Paiva. É importante “deixar bem claro que não serão todos e até pode acontecer não ser nenhum. É uma lista de possibilidades!”

O melhor é não dar mais de três presentes, recomenda, por seu lado, Susana Albuquerque, coordenadora de educação financeira da Associação de Instituições de Crédito Especializado, sustentando-se em estudos franceses e norte-americanos. “O grau de satisfação e de felicidade da criança começa a baixar a partir do terceiro presente que recebe”, garante. “Depois, é muito importante dizer ‘não’, porque os filhos não podem ter tudo o que pedem. E estamos a ajudá-los a desenvolverem competências para saberem poupar e como gerir o orçamento”, continua. “A educação financeira faz-se desde sempre. Não necessitam de saber quanto dinheiro [os pais] têm ou podem gastar, mas podem ter uma ideia para melhor perceber as opções”, acrescenta Renato Paiva. Deve explicar-se que se o gastamos hoje não teremos amanhã.

Susana Albuquerque aconselha a envolver as crianças no orçamento de Natal. Assim, tomam “consciência” do valor das coisas, do investimento que os pais fazem. “Um dos problemas em relação à gestão do dinheiro resulta de não se falar abertamente sobre o dinheiro na família e é preciso que as crianças conheçam as possibilidades financeiras dos pais.” Eles devem perceber que deve haver uma “boa saúde financeira”, que se deve poupar e ter uma reserva para imprevistos. E deve-se ainda “ensiná-los a ‘esperar para ter’”. Pode não ser hoje nem amanhã, é quando houver dinheiro, ou no dia do aniversário, por exemplo. “O esperar para ter aumenta a satisfação”, realça.

Certo é que as campanhas publicitárias, os descontos e as facilidades de pagamento são como sereias que cativam os pais a comprar por impulso. Se o fazem, com que cara dizem ‘não’ aos mais pequenos? “Se as crianças presenciam ou percebem que se comprou algo por impulso, na próxima visita ao centro comercial vão querer comprar algo de que nem se tinham lembrado”, refere Renato Paiva. Por isso, lembra: “Educamos mais pelo que fazemos do que pelo que dizemos”. “O exemplo é sempre mais significativo.”

 

 


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