Hiperatividade pode ser “uma expressão extrema” dos traços de personalidade (e a genética pode aumentar o risco)

Dezembro 18, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 26 de novembro de 2018.

De entre todas as causas que podem levar à hiperatividade, a probabilidade de ser devido a factores genéticos é de 70% a 80%. A descoberta foi agora publicada por um grupo de investigadores da Universidade de Aahus, na Dinamarca .

causa da hiperatividade tem grandes probabilidades de ter origem genética. Um grupo de investigadores da Universidade de Aahus, na Dinamarca, descobriu que variantes genéticas podem aumentar o risco de ter défice de atenção ou hiperatividade.

“Sabemos que é altamente hereditário. Entre todas as causas que podem conduzir até à hiperatividade, os factores genéticos podem chegar entre os 70% e 80% de probabilidade”, explicou Anders Børglum, professor e coautor da investigação, que agora foi publicada na revista científica “Nature Genetics”. Os investigadores acreditam que a descoberta vai fazer com que se compreenda melhor a perturbação e, consequentemente, os desenvolvimentos no tratamento.

No entanto, apesar da certeza da relação entre a hiperatividade e as variantes genética, refere o jornal britânico “The Guardian”, ainda não é possível especificar com rigor que variantes são essas pois foram identificados vários genes que aumentam os riscos.

As conclusões do estudo agora publicado são resultado de uma investigação que avaliou 55 mil pessoas – sendo que a mais de 20 mil foi diagnosticada hiperatividade ou défice de atenção. Em 12 regiões do genoma, os cientistas encontraram alterações que aumentam o risco – algumas em menos de 1%.

“Estamos extremamente entusiasmados com estes resultados. Procurávamos isto há imenso tempo. Estas 12 regiões [que identificámos] representam apenas a ponta do iceberg”, referiu o investigador, sublinhando que a equipa espera encontrar centenas de outras.

A investigação aponta ainda para que o transtorno do défice de atenção e hiperatividade se trata de “uma extrema expressão” dos traços de personalidade encontrados numa população. O estudo, defendeu ainda Børglum, pode significar ainda a desestigmatização do problema, reduzindo o sentimento de culpa que muitas vezes diz encontrar nos pais das crianças com este transtorno.

 

 

 

Lançamento dos Resultados Nacionais do Estudo HBSC 2018 – 19 dezembro na Fundação Calouste Gulbenkian

Dezembro 18, 2018 às 2:30 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Inscrição gratuita, mas obrigatória no seguinte link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeJ-uInMvcBnvg9IkSlcOfWPHC-VVXunIECglzeFuH0ObibWg/viewform?vc=0&c=0&w=1&fbclid=IwAR1yiVA37Qrc_C_PXKZN8-6TWUcHgwxV3CJyyBVja6OttwKeeaRZA7Bfwzw

80% dos jovens em Portugal são felizes

Dezembro 18, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Notícia do Expresso de 15 de dezembro de 2018.

O Health Behaviour in School-Aged Children mostra jovens felizes, a fumar menos, mas também exaustos e a beber mais.

Os jovens portugueses consideram-se felizes, dizem ser fácil falar com os pais, cultivam a amizade, a diversidade e a tolerância, não recorrem tanto ao bullying, fumam pouco e consomem menos drogas, e iniciam-se sexualmente mais tarde. Mas — há sempre um ‘mas’ — não gostam da escola, têm cada vez mais amigos virtuais, dizem que estão exaustos e queixam-se de mal-estar físico, consomem mais álcool, dormem menos e pior, não acreditam na intervenção social e assumem comportamentos de risco no que toca à prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e da gravidez não planeada. Numa percentagem baixa mas alarmante, referem ir para a escola e para a cama com fome, por falta de comida suficiente em casa.

São estas as principais conclusões do Health Behaviour in School-Aged Children 2018, financiado pela Organização Mundial da Saúde, que em Portugal é levado a cabo, desde 1996 e a ritmo quadrienal, pela equipa Aventura Social da Faculdade de Motricidade Humana — e em que participaram 6997 jovens do 6º, 8º e 10º anos. “Se é verdade que 80% dos adolescentes se consideram feliz, há uma média de 20% que precisam de atenção especializada. Isto significa um em cada cinco, e isso pode mesmo ser demais”, adianta a coordenadora da equipa, Margarida Gaspar de Matos, ao Expresso, notando que, do ponto de vista das políticas públicas, seria necessária a assunção de “medidas que apoiem os jovens na prevenção das circunstâncias e comportamentos lesivos da sua saúde, bem-estar e participação social”.

Apatia social e sexual

É justamente neste item que a psicóloga aponta uma das maiores surpresas do estudo, que desenha “um perfil de apatia juvenil em questões de cidadania ativa e associativismo”. Isto sugere não só uma falta de fé dos jovens nas instituições, como a noção de que a sociedade como um todo “é um assunto onde não é interessante investir, seja porque ninguém lhes liga, seja porque estão demasiado bem ou demasiado mal”.

Em relação à sexualidade, o inquérito apontou para um início de atividade sexual mais tardio do que no de 2014. Porém, Gaspar de Matos não atribui este resultado a uma “educação para a saúde dissuasora”. Pelo contrário, “os esforços de educação para a saúde diminuíram muito durante o ministério liderado por Nuno Crato”, mais centrado na promoção das competências matemáticas. Para a coordenadora, a “forte componente virtual” da atual cultura juvenil pode ter “abrandado o interesse pela sexualidade”. Por outro lado, frisa Gaspar de Matos, “o SNS não está preparado para atender os problemas emocionais dos adolescentes nem das crianças”. O estudo será apresentado na quarta-feira, dia 19.

 

 

Pais devem “calçar os sapatos da criança” quando publicam fotos nas redes sociais

Dezembro 18, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do 24Sapo de 25 de novembro de 2018.

A presidente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens defendeu que os pais devem ter cuidado quando expõem os filhos nas redes sociais e que é preciso saber distinguir entre público e privado.

Em entrevista à agência Lusa, quando completa um ano de mandato à frente da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ), Rosário Farmhouse sublinhou que não pretende dar receitas sobre a matéria, mas defendeu que é preciso saber distinguir entre o que é privado e o que é publico quando está em causa o direito à imagem dos mais novos.

Na opinião da responsável, os pais “podem perfeitamente partilhar nas suas redes privadas” as fotografias dos filhos, já que “os avós gostam, os familiares que estão mais longe gostam muito”, mas devem ter mais cuidado quando a partilha é feita de uma forma pública.

“É imaginarem que é a mesma coisa que, nos tempos antigos, porem a criança numa montra da cidade, por onde passam imensas pessoas que estão a olhar para ela. Querem isso? Não querem isso? Estão a protegê-la?”, questionou.

Rosário Farmhouse não tem dúvidas: “Eu acho que todo o cuidado é pouco e a exposição não beneficia”.

Para a presidente da CNPDPCJ, é preciso ter cuidado para que os pais não transformem a privacidade das suas crianças em algo que é de acesso a todos, lembrando que as crianças não foram consultadas sobre isso e os pais não fazem ideia de que impacto essa exposição terá no futuro nas suas vidas.

Por outro lado, defendeu que a sociedade atual não pode ser uma sociedade em que vale tudo e em que a “desculpa da liberdade” serve para “pisar tudo e todos”.

“Tem que haver mínimos e os direitos fundamentais têm que ser respeitados, e é esse equilíbrio que temos de ir encontrando neste mundo desafiante que é agora o das novas tecnologias”, sublinhou Farmhouse.

Frisou que é preciso “calçar os sapatos da criança” e pensar se a criança vai ou não gostar de se ver nas imagens publicadas: “Tenho confiança que cada um pensará nisso antes de expor as suas crianças”.

Anunciou que a comissão nacional se prepara para apresentar publicamente, no dia 05 de dezembro, um projeto de parentalidade, que vai começar em janeiro do próximo ano, e que tem como objetivo desenvolver ferramentas para o desenvolvimento de “competências parentais positivas” que tornem as famílias “cada vez melhores famílias”.

De acordo com Rosário Farmhouse, o projeto terá a duração de dois anos e é financiado pelo Programa Operacional Inclusão Social e Emprego (POISE).

A responsável disse também que este é um projeto acessível a todas as famílias, que incluirá pequenos jogos e dicas para pais, que será testado nas zonas norte, centro e Alentejo para depois poder ser disseminado por todo o país em 2021.

 

 


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