EUA. Criança de 7 anos morre de desidratação depois de atravessar fronteira com família

Dezembro 14, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , ,

Notícia do Observador de 14 de dezembro de 2018.

Uma criança da Guatemala morreu de desidratação dois dias após ter sido detida com a família por atravessar ilegalmente a fronteira dos EUA. Relatório diz que não comia nem bebia água há dias.

Uma menina de 7 anos morreu de desidratação depois de ter sido detida juntamente com a sua família por terem atravessado ilegalmente a fronteira do México para os EUA.

A menor, cuja identidade não foi revelada e da qual só se sabe a idade e que tinha nascido na Guatemala, foi detida na fronteira juntamente com 163 pessoas no dia 6 de dezembro, pelas 22h00, perto da localidade de Lordsburg, no Novo México. A detenção foi feita pela U.S. Customs and Border Protection (CBP), a autoridade de proteção das fronteiras dos EUA.

De acordo com os registos da CBP, consultados pelo Washington Post, a menor começou a ter convulsões às 6h25 já do dia seguinte à sua chegada, 7 de dezembro. Segundo os paramédicos que a socorreram pouco depois desse momento, a rapariga de 7 anos estava com uma temperatura de 105,7 graus fahrenheit (40,9, em celsius). De acordo com o comunicado emitido pela CBP, a vítima mortal não teria “comido nem bebido água durante vários dias”.

A criança ainda foi transportada de helicópetro para um hospital pediátrico em El Paso, cidade texana na fronteira com o México, onde acabou por morrer menos de 24 horas depois.

Através de comunicado ao Washington Post, a CBP apresentou as suas “mais sinceras condolências à família da criança”, mas rejeitou ter havido falhas da parte dos seus agentes. “Os agentes da CBP tomaram todas as medidas possíveis para salvar a vida da criança sob as circunstâncias mais difíceis”, disse o porta-voz da CBP Andrew Meehan. “Como pais e mães, irmãos e irmãs, sentimos a perda de qualquer criança.”

 

 

Concerto Solidário “Crianças Somos Todos Nós” 15 de dezembro, 23.15 h na RTP1

Dezembro 14, 2018 às 4:48 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: , ,

Compre o CD Solidário do Concerto!!

mais informações sobre o programa no link:

https://www.rtp.pt/programa/tv/p36495

Plasticus maritimus. Como explicar o problema do plástico às crianças

Dezembro 14, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , , , ,

Notícia do Observador de 28 de novembro de 2018.

Ana Dias Ferreira

Tem direito a nome científico (inventado pela bióloga Ana Pêgo) e deu um livro da Planeta Tangerina. O problema do plástico nos oceanos está agora acessível a uma criança. Vamos formar ativistas?

É uma espécie exótica e invasora que se encontra em todos os mares e zonas costeiras do mundo. Pode apresentar-se sob uma grande variedade de formas e em todas as cores, incluindo a transparente ou mesmo “invisível”. Em geral, desloca-se fácil e rapidamente, em função dos ventos e correntes. Tem grande facilidade de se adaptar a todos os ecossistemas. Nome científico? Plasticus maritimus, uma designação inventada pela bióloga Ana Pêgo (e agora um livro), que nos últimos quatro anos tem feito questão de gastar o seu latim para falar do problema do plástico nos oceanos.

“O meu objetivo é chegar ao máximo de pessoas. Essa tem sido a minha arma de combate: informar”, diz a bióloga marinha de 47 anos. Munições não lhe faltam: em 2014 reconstruiu o esqueleto de uma baleia de 10 metros só com objetos de plástico branco encontrados na praia, na instalação “Balaena plasticus”, este ano reposta no Centro Cultural de Belém. Em 2015 criou a página Plasticus maritimus para partilhar fotografias do lixo que começou a colecionar e que deu origem a várias exposições. Desenvolve regularmente oficinas e ateliers sobre o ambiente para crianças e famílias, em instituições como a Gulbenkian e o Oceanário. Passa a vida a “escrever para todo o lado”, seja sobre as largadas de balões promovidas pelas câmaras municipais ou os pacotes de sumo com palhinhas distribuídos nas escolas. Agora escreveu também um livro, em parceria com Isabel Minhós Martins, da editora infanto-juvenil Planeta Tangerina, e com ilustrações de Bernardo P. Carvalho. Um guia de campo, como os biólogos fazem quando querem identificar determinadas plantas e animais, para falar desta “espécie invasora” que representa já 80% do lixo que existe nos oceanos e que ameaça sobrepor-se aos peixes em 2050. Objetivo: sensibilizar para um uso mais sensato dos plásticos (metade usados apenas uma vez), formar ativistas, levar à mudança. “Acho que se as pessoas forem informadas sobre o impacto dos nossos hábitos diários, se souberem que as largadas de balões e os cotonetes que atiram para a sanita vão parar ao mar, vão querer fazer alguma coisa. Não podemos continuar à espera que os outros resolvam os assuntos. Temos de ser ativos.”

Dando o exemplo do sabonete em lugar do gel de banho, Ana Pêgo defende que “não é preciso fazer uma mudança radical para começar a ‘desplastificar’”, basta começar por chegar ao supermercado e “não querer as bolachas que são vendidas dentro de dois pacotes”, ou fugir das embalagens de uso único. Esse é também todo o espírito (e mérito) do livro: dar sugestões concretas, descomplicar o que é complicado e tornar um dos maiores problemas e desafios do nosso planeta acessível a uma criança de oito anos.

É por isso que Plasticus maritimus – uma espécie invasora começa por mostrar, antes de mais, qual é a importância de salvar os oceanos, principais reguladores do clima e que produzem mais de 50% do oxigénio que respiramos. Ou que explica afinal o que é o plástico, com direito a uma “pequena aula de físico-química” que mostra como se fabrica e por que é um material tão especial e duradouro, podendo ficar dezenas, às vezes centenas de anos no meio ambiente. É por isso também que depois dos números assustadores — “todos os anos, cerca de oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos, o que equivale a serem despejados no mar, a cada hora que passa, cerca de mil toneladas de plástico, um camião cheio por minuto” — se mostram alternativas e bons exemplos que já estão a ser seguidos noutros países, como a lei aprovada em França para banir a louça descartável de plástico até 2020. Ou que se dão ainda sugestões de hábitos a implementar no dia-a-dia, com direito a umas quantas notas de como lidar com a atitude dos outros se nos acharem extraterrestres por recusarmos coisas que não são essenciais, identificarmos bizarrias que não deviam existir (como laranjas descascadas vendidas em placas de esferovite e envolvidas em celofane) ou mandarmos arranjar os objetos que se estragam em vez de ir a correr comprar outros.

Estes hábitos são contra-corrente no mundo da novidade e do “usa-e-deita-fora”,  mas “o livro acaba por sair em plena explosão do plástico”, diz Ana, que em tempos se sentiu sozinha a alertar para uma questão a que ninguém parecia ligar. A sua instalação da baleia branca era o elefante na sala, mas em janeiro deste ano o elefante chegou a Bruxelas, com a apresentação da primeira grande Estratégia Europeia sobre Plásticos por parte da Comissão Europeia. “Este já não é um problema que está lá longe, na ilha do Pacífico feita de plástico, que tem 17 vezes o tamanho de Portugal e que continua a aumentar. É um problema que está aqui na Europa, aqui em Cascais, na nossa costa. Há animais que aparecem mortos e que comeram plástico.” Estão nas notícias, nas imagens (chocantes) postas a circular, começam a estar na agenda política.

Para Ana Pêgo, são os governos e os municípios que podem educar os cidadãos, mas também os cidadãos que podem exigir mais dos seus governos, através das suas escolhas. Mais do que no ecoponto amarelo, acredita numa série de “erres” antes do reciclar (repensar, recusar, reduzir, reparar e reutilizar), e acredita sobretudo no conceito de economia circular: “A reciclagem ainda tem um longo caminho pela frente e gasta recursos, além de que o plástico não é reciclável até ao infinito, ou não é facilmente reciclável de todo”, defende. “Acho que o futuro é a economia circular, que promove a reutilização de recursos e a reparação de materiais”. Citando o livro: “a ideia é que uma matéria-prima, quando é extraída da natureza, circule dentro deste circuito por muito, muito tempo… dando tempo à natureza de se regenerar.”

No seu guia de campo, e como um verdadeiro especialista à procura de uma determinada espécie no seu habitat natural, ensina a preparar uma saída para limpar as praias do Plasticus maritimus: o equipamento a levar, os cuidados a ter, os melhores locais e épocas. Para além de bióloga marinha, Ana Pêgo assume-se como beachcomber, isto é, alguém que não se limita a recolher lixo mas que coleciona e se interessa pela origem e a história dos objetos que encontra. Já apanhou 133 palhinhas na mesma praia e 253 tampas de garrafas em 20 minutos, num passeio no Cabo Raso, e tem coleções de pentes, peças de Lego, rodas, isqueiros, escovas de dentes ou embalagens de soro (todas mostradas no livro). A paixão pelo mar veio-lhe dos tempos de criança e de morar a 200 metros da Praia das Avencas, “o quintal mais incrível que alguém podia ter”. Adora baleias e esta é, resume, a sua forma de as salvar.

 

 

Uma Aventura de Natal, Animação de Férias de Natal 2018 no Museu da Presidência – 17 a 21 dezembro

Dezembro 14, 2018 às 10:22 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

mais informações no link:

http://www.museu.presidencia.pt/index_detail.php?sid=4942

Férias de Natal em Serralves – 17 dezembro a 28 dezembro

Dezembro 14, 2018 às 8:30 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
Etiquetas: ,

mais informações no link:

Quase um terço das mulheres com filhos são mães tardias em Portugal

Dezembro 14, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
Etiquetas: , , , , ,

Notícia do Público de 28 de novembro de 2018.

Muitos fetos crescem no útero “como se passassem fome”, conclui investigador, face ao cada vez maior número de bebés que nascem com baixo peso em Portugal, perto de 9% do total em 2015.

Alexandra Campos

As mulheres são mães cada vez mais tarde em Portugal. O aumento da proporção de “mães tardias” (como convencionamos designar as mulheres que têm filhos com 35 ou mais anos) não é de agora, mas o mais impressionante é o ritmo a que está a acontecer em Portugal. Em 2015, as mães nestas idades mais avançadas representavam já quase 30% do total, colocando Portugal na quinta posição da União Europeia (UE) a este nível, revela o European Perinatal Health Report, que esta segunda-feira é divulgado.

E a tendência continua a agravar-se: em 2016, de acordo com os cálculos do PÚBLICO a partir dos dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, a proporção de mães tardias terá ultrapassado já os 31%, quando em 2010 não chegava a 22%.

 “Ter filhos tarde é uma tendência geral na Europa. Apenas em quatro países (Alemanha, Estónia, Holanda e Suécia) aconteceu o inverso, com um decréscimo entre 2010 e 2015″, mas em Portugal e Espanha verificou-se um aumento da ordem dos oito pontos percentuais, destacam os autores deste relatório, em que se traça um retrato da saúde materna e neonatal em 31 países da Europa (os da UE mais a Suíça, a Islândia e a Noruega) com base nos dados relativos a cinco milhões de partos ocorridos em 2015, comparando-os com os números de 2010.

“É interessante verificar que foi nos países mais afectados pela crise económica e financeira que as mulheres mais adiaram a maternidade”, destaca Henrique Barros, presidente do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), o parceiro nacional do projecto europeu (Euro-Peristat) que esteve na base deste documento. Além de Portugal, no grupo dos países que a percentagem de mães tardias disparou entre 2010 e 2015 estão justamente a Grécia e a Irlanda e também Espanha e Itália.

“Encorajar a maternidade em idades mais jovens implica políticas de suporte às mães e pais trabalhadores. E os serviços de saúde em países com mães com maiores percentagens de mães em idades mais avançadas têm que garantir que as suas necessidades durante a gravidez são asseguradas”, sublinham os autores do documento.

Henrique Barros enfatiza a importância de olhar para este tipo de dados, comparando vários períodos e países, para se poder perceber com maior profundidade o que está a acontecer e, assim, poder definir políticas de saúde pública.

Quantas grávidas fumam?

A percentagem de mães com 35 ou mais anos é apenas um dos múltiplos indicadores que surgem no extenso relatório, que é o quarto elaborado pelo Euro-Peristat desde 2004. A boa notícia é que Portugal está bem posicionado em muitos dos indicadores considerados, como o da maternidade infantil e o da maternidade na adolescência (antes dos 20 anos), mas o reverso é que há alguns, também relevantes, em que a situação se tem agravado.

Os dados indicam, por exemplo, que estão a nascer no país cada vez mais crianças que não foram adequadamente nutridas no útero das mães, frisa Henrique Barros. A percentagem de bebés que nascem com baixo peso (menos de 2500 gramas) em Portugal ascendia já a 8,9% em 2015, uma das proporções mais elevadas dos países da União Europeia e que se pode justificar apenas em parte pelo aumento da maternidade tardia e pelo maior número de gémeos, devido ao crescente recurso a técnicas de procriação medicamente assistida.

Para se ter uma ideia das disparidades a este nível, em países como a Islândia, a Suécia, a Finlândia e a Estónia, a taxa de bebés com baixo peso à nascença era inferior a 4,5%. E em vários países até decresceu neste período de forma significativa, como aconteceu na Noruega e na Áustria. Em Portugal já era elevada em 2010 e ainda aumentou mais, colocando o país na quarta posição desta lista, apenas suplantado nesse ano pelo Chipre, pela Bulgária e pela Grécia.

Muitos são bebés que nascem com menos peso do que seria de esperar para a sua idade gestacional, acentua o investigador. “Temos demasiadas mulheres a fumar durante a gravidez, a não fazer uma nutrição adequada, a engravidar com doenças crónicas”, elenca, em jeito de explicação. “São bebés gerados em condições semelhantes à de passar fome”, ilustra.

Este é justamente um dos indicadores que merecia uma análise mais aprofundada, sugere Henrique Barros, reflectindo que, se temos “menos bebés pré-termo” e mais de baixo peso, “alguma coisa se está a passar com os aspectos nutricionais”. Face à ausência de indicadores que seriam importantes para se perceber melhor a situação, “resta-nos especular, em vez de explicar”, lamenta. “Não sabemos quantas mães fumaram durante a gravidez, quantas tinham excesso de peso antes de nascer, quantas foram às consultas.”

Sem dados sobre o tabagismo durante a gravidez em Portugal, o relatório inclui números de 19 países. E as disparidades são enormes. Em Espanha, por exemplo, 18,3% das grávidas fumavam, enquanto na Noruega isso acontecia com menos de 5%.

Quanto às taxas de mortalidade neonatal (até 28 dias após o parto), estas variavam entre 1.5 por mil nados-vivos ou menos na Eslovénia, Islândia, Finlândia, Noruega, República Checa, Estónia e Suécia e 3.5 na Irlanda, Malta, Roménia e Bulgária. No geral, a situação melhorou, tendo as taxas baixado cerca de 10% face a 2010.

Portugal está bem colocado, mas tem havido oscilações e há países em que os números são mais baixos, o que significa que “há espaço para melhorar”, acentua Henrique Barros. “Precisamos de saber não só quantos morrem mas em que circunstâncias morrem”, reclama. A agravar, diz, desconhecemos os dados dos hospitais e maternidades privadas, onde são feitos já “cerca de 15%” dos partos: “É como se as nossas estatísticas ignorassem 15% da população”.

Quanto à percentagem de partos por cesariana, neste período a situação melhorou em Portugal, apesar da ligeira inversão verificada em 2017 (quando a proporção de partos cirúrgicos nos hospitais públicos subiu para 27,7%, ainda assim menos de metade do que acontece nas unidades privadas). Seja como for, defende, os números continuam a ser demasiado elevados.

Mais informações no link:

http://www.europeristat.com/index.php/reports/european-perinatal-health-report-2015.html


Entries e comentários feeds.