Pensar o Acolhimento Residencial de Crianças e Jovens, na Fundação Calouste Gulbenkian, 5 de dezembro, 18h30m

Dezembro 2, 2018 às 7:43 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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As crianças brincam cada vez menos e isso prejudica o seu desenvolvimento

Dezembro 2, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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JOGAR ÀS CARTAS – Quando foi a última vez que jogou às cartas em casa. Todos temos aquele baralho na gaveta e é a atividade ideal para passar um serão em família sem olhar a horas iStock

Notícia do DN Life de 20 de novembro de 2018.

Brincar é assunto sério. Tão sério que na Declaração Internacional dos Direitos da Criança que hoje, 20 de novembro, comemora 59 anos, pode ler-se «Brincar é um direito inegável, independentemente do lugar do mundo e das circunstâncias em que vivamos». É um direito, uma mais-valia, uma aprendizagem e uma oportunidade para formar – ou estreitar – laços. No entanto, as crianças brincam cada vez menos e as consequências começam a notar-se. Onde para a brincadeira?

Texto de Ana Patrícia Cardoso | Fotografia de i-Stock

Quando exatamente é que a brincadeira deixou de ser uma parte fundamental da infância? Entre a entrada da tecnologia no quotidiano familiar e um aumento generalizado dos níveis de stress na idade adulta, foi diminuindo o tempo e a liberdade de as crianças serem crianças.

Para Carlos Neto, professor e investigador da Faculdade de Motricidade Humana da Universidade Nova de Lisboa, existe claramente um problema para resolver.

«Uma criança hoje passa, em média, cerca de 45 a 50 horas na escola, das quais 35 sentadas. Em casa, estão no sofá sem poder explorar, descobrir, correr. 70% das crianças portuguesas brinca menos de uma hora por dia. Não temos harmonização entre o tempo passado a trabalhar, na escola e na família. A médio e longo prazo vamos ter problemas sérios de saúde pública relacionados com depressão e ansiedade.»

Longe vai o tempo das horas incontáveis a jogar à bola na rua. Com a noção de risco cada vez mais presente na nossa vida, os pais passaram a controlar cada passo dos mais pequenos. Para o professor, esta noção nem sempre está correta.

«Existe uma superproteção parental generalizada porque há uma perceção exagerada do perigo. Mas Portugal é o quinto país mais seguro do mundo. Não tem sentido essa ideia.»

Com a vida preenchida ao minuto, sobra pouco tempo livre para as crianças desenvolverem a sua autonomia. As brincadeiras tornaram-se momentos estruturados, sem espaço para aventuras, trambolhões ou roupa suja.

O pediatra Mário Cordeiro defende que planear não é mau, mas há que deixar espaço para o imprevisto. «Podemos planear uma atividade e ainda ter espaço de liberdade e imaginação e, acima de tudo, espontaneidade.»

Já Carlos Neto defende que tempo livre não é o mesmo que tempo planeado para brincar. «O brincar não se ensina, o brincar vive-se. As crianças precisam de tempo livre, verdadeiramente livre. Este é um direito fundamental para o seu desenvolvimento.»

E culpar a tecnologia não é o caminho. «O mundo tecnológico veio para ficar como a televisão nos anos 1960. Temos de conviver com ele e trouxe-nos muitas coisas boas. Não devemos submeter as crianças à tecnologia desde cedo, é danoso. Agora tem de haver bom senso em perceber que o corpo tem de ser ativo. As crianças não podem viver o mundo só na ponta dos dedos», considera o especialista.

A falta de tempo, os horários sobrecarregados dos pais, as inúmeras responsabilidades que acumulamos. Os pais chegam cansados a casa e sobra pouca energia – física e mental – apara brincar com os filhos. A média de tempo útil dos pais para brincar com os filhos são 27 minutos por dias apenas. Para o professor, «o problema é que as crianças são vítimas do trabalho dos pais. Não existe qualidade de tempo familiar em Portugal.»

BRINCAR EM CENÁRIOS DE CRISE

Para uma criança que vive um cenário de guerra, uma crise humanitária ou de violência, brincar torna-se um escape, um reduto de normalidade, uma forma de sobrevivência. Beatriz Imperatori, diretora executiva da Unicef Portugal, fala da urgência da brincadeira para fugir ao horror.

«Oferecemos um ambiente terapêutico seguro para crianças e famílias em contexto de emergência. Estes espaços permitem às crianças reduzir o impacto da situação. A promoção da resiliência nas crianças e de um sentido de normalidade nas suas vidas é conseguido através de rotinas de aprendizagem e, sobretudo, do brincar. Brincar é um direito de todas as crianças, em qualquer contexto, em qualquer lugar. Em todo o mundo, as crianças nascem com especial apetência para brincar, divertir-se e aproveitar a sua infância. Os primeiros 1 000 dias de vida moldam o futuro de uma criança. Brincar é crucial para lhes dar o melhor começo de vida possível.»

A IKEA ESTÁ PARA BRINCADEIRAS

Um dos projetos da multinacional sueca é exatamente estimular a vontade de brincar. Em crianças e adultos. Há alguns anos que o Grupo Ikea desenvolve o Play Report (Relatório do Brincar), em que analisa a importância e benefícios da brincadeira, para crianças e adultos, por todo o mundo.

Os resultados não são animadores. 51 por cento das crianças gostavam de passar mais tempo com os pais e têm a ideia de que estes estão sempre a correr.

49 por cento dos pais diz não ter tempo para brincar com os filhos e 53 por cento admite que gostaria de se voltar a ligar com a sua criança interior.

Para sensibilizar os mais velhos a dar a importância que os momentos a brincar merecem, o gigante do imobiliário lançou o movimento Vamos Brincar.

https://www.youtube.com/watch?v=11CmLTDRo4s

 

mais fotos no link:

https://life.dn.pt/familia/as-criancas-brincam-cada-vez-menos-mau-desenvolvimento/?fbclid=IwAR1AI1U_zcDyb5zWeK8H0NftRLl7M27s7gWRDhwWN1D1B5y6V0TKv2rY16I

 


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