Quando a depressão e a ansiedade tramam vida aos adolescentes

Novembro 16, 2018 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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D.R.

 

Artigo de Clara Soares para a Visão, publicado em 29 de Outubro de 2018.

 

O artigo da VISÃO “Os Miúdos não estão bem” foi distinguido na categoria de Jornalistas, na 9ª edição do “AUA! – Angelini University Award”, este ano com o tema “viver com doença mental grave”. Recorde a versão digital do artigo e conheça os motivos da ansiedade e depressão nos adolescentes, os relatos na primeira pessoa, pareceres clínicos, um guia dirigido aos pais e pistas para enfrentar o mal-estar na primeira geração a crescer no mundo digital.

 

“Quando comecei a ter enjoos e vómitos, antes de ir para as aulas, percebi que tinha um problema. Ficava melhor quando comia menos, só que perdi peso e sentia-me mal e triste.” Beatriz tinha então 14 anos, frequentava um colégio privado e até tinha boas notas. O problema era a pressão dos testes e o ambiente competitivo entre colegas. “Foi um grande alívio entrar para o liceu público, mas durou pouco porque eu exigia muito de mim. E tudo piorou”, lembra agora. “Em situações novas ou que não podia controlar, tinha medo de falhar, de não estar à altura do que achava que esperavam de mim”, acrescenta.

Beatriz não está sozinha. O estudo National Health Behaviour in School HBSC/OMS, de 2014 (com uma amostra de 6 026 adolescentes do 6º ao 10º anos) mostra que nem tudo vai bem com os jovens portugueses. Gina Tomé, psicóloga e investigadora da Aventura Social (grupo de investigação sobre o comportamento juvenil), nota que, entre 2010 e 2014, “houve menos 3,4% de alunos a gostarem da escola e aumentarem os sinais de mal-estar, desesperança e dificuldade em lidar com conflitos”. Tais resultados traduziram-se no plano psicológico: “Os que responderam que se sentem nervosos diariamente passaram dos 6,2% para os 8,4%; os que se dizem irritados quase todos os dias eram 3,7% e agora são 5,9%; e os que estão tristes ao ponto de parecer que não vão aguentar situavam-se nos 3,8%, uma percentagem que subiu para os 5,5%.” O projeto ES’COOL – Promoção da Saúde Mental nas Escolas, que envolveu 200 professores, permitiu apurar algumas causas: “Pressão ligada aos resultados escolares, problemas no ambiente familiar e nas relações interpessoais.”

 

 

Aos 19 anos, Beatriz pode dizer, por experiência própria, que pedir ajuda faz toda a diferença e que o facto de ser compreendida a levou a reorientar-se e a seguir em frente. Aprendeu a controlar a respiração e, com o apoio de um psicólogo, a conhecer e a respeitar os seus limites, no mundo virtual e no real. Convidada a dar dois exemplos, avança estes: “À noite, e em certas alturas do dia, passei a desligar as notificações do telemóvel e já não vejo as pressões dos outros como minhas.” 
E se a ansiedade lhe bater à porta sem pré-aviso? “Dou conselhos a mim própria como se fosse uma pessoa de quem goste muito!” Palavra de adolescente.

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