“Binge drinking” prejudica a memória e deixa sequelas no cérebro para sempre

Outubro 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Sapo LifeStyle de 9 de outubro de 2018.

A memória é a primeira vítima da ingestão compulsiva de grandes quantidades de álcool, o chamado binge drinking, geralmente protagonizada por adolescentes em curtos espaços de tempo, alertam investigadores chilenos que estudaram as consequências de uma prática tolerada por ser considerada um hábito ocasional.

A compulsão etílica, ou “binge drinking” em inglês, consiste em beber muito álcool em pouco tempo. E se for associada ao tabaco, ao consumo de canábis ou a narcóticos, o efeito sobre a saúde pode ter consequências ainda mais graves.

Novos estudos demonstram que embora sejam hábitos restritos, em geral, a finais de semana e festas ocasionais, essa compulsão etílica “pode gerar muitos problemas” no cérebro que se perpetuam, além de aumentar a propensão para vícios de longo prazo, declara Rodrigo Quintanilla, um dos investigadores da Universidade Autónoma do Chile que estudou as consequências dessas práticas altamente toleradas.

Embora os jovens tenham facilidade em recuperar relativamente rápido das “bebedeiras”, o consumo de álcool produz “variações e mudanças no hipocampo, que tem a ver com a memória”, explica à AFP o cientista.

É isto que o álcool em excesso provoca no cérebro 

Particularmente, “afetam o equilíbrio inflamatório e o redox glial, deteriora a plasticidade sináptica, a memória e o metabolismo periférico mediante um mecanismo dependente do sistema de melanocortinas”, um dos principais atores na consolidação dos vícios durante a adolescência e a idade adulta, segundo o estudo apresentado em revistas científicas e na Associação Americana para a Investigação do Alcoolismo.

Os jovens, recorda Quintanilla, costumam acreditar que são “invencíveis” e “não equacionam os danos em que incorrem”, mas existem “mecanismos e vias bioquímicas dentro do hipocampo que serão afetados com o tempo”.

A adolescência é um período da vida crucial para o desenvolvimento dos circuitos cerebrais responsáveis pela emoção e cognição, que supõe mudanças no volume cortical, no crescimento axonal, na expressão génica e na definição das conexões corticais mediante um processo conhecido como “poda sináptica”.

3,3 milhões de mortes por ano

Neste estudo, os investigadores também tentam descobrir o que pode levar o consumo moderado passar à ingestão descontrolada e à dependência

“Quando se torna adulto, o cérebro terá mais sensibilidade a certos estímulos stressantes ou da própria vida cotidiana”, como o stress no trabalho, ou a combinação com o consumo de outras drogas, diz Quintanilla. “São respostas que ficam em aberto porque nos dedicamos a analisar e esmiuçar uma parte do elo” no estudo com animais, que não pode ser feito com pessoas.

“Não podemos pegar em adolescentes e observar os seus cérebros”, exclama. Para prosseguir o estudo, a partir de agora deverão “levantar informações sobre o consumo de álcool e os hábitos de consumo, assim como aplicar ano a ano um teste cognitivo para saber a progressão dos danos”, acrescentou.

Com 3,3 milhões de mortes anuais, o alcoolismo é a terceira causa de morte no mundo, atrás do tabaco e da hipertensão. No caso dos jovens entre 10 e 24 anos, 7,4% das mortes e deficiências são atribuídas ao álcool.

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