Quer um filho mais saudável? Deixe-o brincar ao ar livre

Setembro 4, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 29 de agosto de 2018.

Bárbara Wong

Há uma “epidemia silenciosa” que afecta as crianças, e o segredo para combatê-la é sair para a rua, defende Angela Hanscom.

As crianças estão a ficar doentes, com menos resistência física e também psicológica. Têm medos, inseguranças, são hiperactivas. Há uma “epidemia silenciosa” no mundo moderno que está a atacá-las e o combate faz-se com o brincar ao ar livre, de preferência na natureza. Mas nada de brincadeiras organizadas, diz Angela Hanscom, terapeuta ocupacional pediátrica norte-americana, fundadora de um programa que promove o contacto com a natureza e autora do livro Descalços e Felizes.

A sociedade ocidental tornou-se demasiado “programada”, começa por dizer Hanscom ao PÚBLICO por e-mail, ou seja, as crianças têm horários para tudo, até para brincar. “Esse hiperfoco na escola e nas actividades extras não deixa espaço para experiências enriquecedoras e feitas sem pressa, especialmente ao ar livre”, lamenta. E essa foi uma das razões por que criou o programa TimberNook, com o objectivo de “proporcionar experiências únicas de jogo ao ar livre que inspiram as crianças a jogar e a desenvolver-se”.

O projecto começou na América do Norte, EUA e Canadá, e já atravessou oceanos – pelo Pacífico chegou à Austrália e à Nova Zelândia, e pelo Atlântico conquistou o Reino Unido. A ambição é chegar a mais países, reconhece, sobretudo às escolas, onde se pode fazer um trabalho mais próximo com as crianças. Mas os pais também têm a responsabilidade de agarrar nos filhos e levá-los a contactar com a natureza. “Estamos a descobrir que precisamos de recordar e reeducar os pais sobre a importância do brincar ao ar livre. A nossa sociedade está a tornar-se cada vez mais programada, tanto em casa como na escola”, critica a especialista.

Como é que nos esquecemos da importância da natureza? “Nas últimas décadas, as prioridades da nossa sociedade mudaram muito. O horário de jantar da família foi substituído pelo treino de futebol à noite. O jogo e a brincadeira foram retirados de muitos jardins-de-infância e pré-escolares para se encaixarem mais actividades académicas”, justifica Angela Hanscom, atirando também culpas aos meios de comunicação social que inundam as famílias com notícias que se traduzem em medos e que as levam a não querer que os filhos brinquem na rua sem a supervisão de um adulto por questões de segurança.

Além de os pais terem medo que os filhos sejam raptados, roubados, agredidos, há também a preocupação com a segurança dos equipamentos, por exemplo nos parques e recreios. No livro, a terapeuta relata que muitas escolas tiraram equipamentos como escorregas altos de metal – “que pareciam ser desafios impossíveis” – e substituíram-nos por “brinquedos mais simples, de plásticos coloridos, que fazem pouco para inspirar as crianças em crescimento” e dá conta de como espaços interiores de brincadeira se tornaram uma moda. “Um parque deveria inspirar e desafiar crianças, não aborrecê-las”, escreve.

Benefícios desconhecidos

Mas por que é importante brincar ao ar livre, de que forma contribui para o crescimento saudável da criança? “É tão importante lembrar que, se queremos filhos ‘seguros’, temos de permitir que tenham liberdade de movimentos e também oportunidades de liberdade de brincar. Os sistemas neurológicos das crianças são projectados para procurar a informação sensorial de que precisam a qualquer momento. Se continuarmos a restringir as oportunidades de brincadeira e movimento das crianças, continuaremos a ver um aumento de problemas sensoriais, como a diminuição da consciência espacial, o controlo inadequado do comportamento, a diminuição da competência em habilidades sociais e lúdicas e muito mais!”, alerta.

Hanscom faz uma relação directa entre a ausência de contacto com a natureza com problemas motores – crianças sem noção espacial, que tropeçam a todo o momento –, e com questões como a falta de atenção, hiperactividade e dificuldades de aprendizagem. “As crianças precisam de oportunidades para se movimentarem em diferentes direcções para que o líquido do ouvido interno se movimente também, isso ajuda-as a desenvolver o equilíbrio. Este sentido é fundamental para organizar todos os outros. Ajuda a regular e a acalmar o corpo e a mente e ajuda a manter a atenção.”

E, na escola, quando brincam muito no recreio, não chegam à sala de aula com demasiada energia? “Se damos às crianças tempo e espaço para brincar ao ar livre, vamos descobrindo que se tornam mais organizadas, atentas, criativas e capazes”, responde, acrescentando que à medida que vai estudando a relação criança/natureza mais benefícios encontra – “é como as camadas da cebola: encontramos cada vez mais benefícios que desconhecíamos. Alguns dos maiores benefícios são: ajudar a superar medos, aprender regras, tornar-se independente, aprender a jogar, a interagir e aumenta a criatividade”.

Quanto aos problemas motores, brincar ao ar livre permite desenvolver a força das mãos para mais tarde segurar o lápis correctamente; desenvolver os músculos dos ombros necessários para a postura e atenção; andar descalço ajuda a desenvolver pequenos músculos nos pés e tornozelos que ajuda as crianças a ficarem mais ágeis e conscientes de seu corpo no espaço, enumera. O segredo é uma hora diária de movimento, de preferência a subir e a descer árvores, a correr, a inventar brincadeiras. “A chave é dar-lhes experiências diárias de movimento.”

Quanto aos smartphones e gadgets electrónicos, é óbvio que Angela Hanscom é contra. “A electrónica é muito viciante para crianças pequenas e, infelizmente, muitas vezes substitui o precioso tempo em que poderiam estar a remexer a terra, a subir colinas ou a escalar árvores – tudo experiências que apoiam o desenvolvimento de formas que a electrónica não consegue.”

 

IV Encontro “A CPCJ Serpa e a Escola/2018 – Construindo Futuro (s)”, 7 de setembro em Serpa, com a presença de Melanie Tavares do IAC

Setembro 4, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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A Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança,irá participar no encontro com a comunicação “Os Gabinetes de Apoio à Família / GAAF’s na Prevenção e Reparação.”

Mais informações sobre o encontro no link:

http://www.cm-serpa.pt/noticias.asp?ID=2649

 

“Bullying” e crimes sexuais contra crianças aumentam em Portugal

Setembro 4, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Foto: Daniel Garcia/Unsplash

Notícia da Rádio Renascença de 23 de agosto de 2018.

“Estas situações continuam a acontecer debaixo de uma cultura do silêncio”, alerta APAV, que hoje divulga estatísticas relativas a crianças e jovens vítimas de violência doméstica.

Os pedidos de apoio relativos a crimes sexuais contra crianças e jovens e à violência em meio escolar aumentaram, nos últimos anos, em Portugal. É a conclusão Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV), que esta quinta-feira divulga estatísticas relativas aos últimos quatro anos.

Os dados mais significativos dizem respeito aos anos de 2016 e 2017, altura em que aumentaram os casos de violência sexual: entre 30% e 60%.

No que diz respeito ao “bullying”, o aumento abrange o período analisado pela estatística (2013/2017) e tem merecido a preocupação da associação.

“É uma situação que nos continua a preocupar e na qual a APAV tem investido, não só no apoio como na prevenção, trabalhando estas questões junto das escolas, dos alunos, dos professores e do pessoal não docente, numa lógica de cultivar uma cultura da intolerância à violência”, afirma à Renascença Carla Ferreira, da associação.

Outro dado a reter é o facto de 70% dos pedidos de apoio dizerem respeito a atos de violência em ambiente familiar.

“Continuamos a ter aqui uma enorme prevalência de situações que acontecem no contexto doméstico – portanto, mais de 70% destas situações que nos foram reportadas acontecem em contexto doméstico e mais de 60% destas crianças vítimas foram-no vítimas por parte do pai ou da mãe, portanto são filhos ou filhas dos alegados autores”, refere Carla Ferreira.

Os dados indicam também “um decréscimo quer do número de vítimas apoiadas quer do numero de crimes registados” entre 2013 e 2015. Carla Ferreira deixa, contudo, um alerta: “não devemos que isto nos contente muito, porque sabemos que muitas destas situações continuam a acontecer debaixo de uma cultura do silêncio, que tem de ser combatida”.

Os números dos últimos dois anos podem levar-nos a pensar que haverá menos violência, mas “isso não ser necessariamente assim”, frisa.

“Não podemos deixar de estar atentos a estes casos que acontecem com estas vítimas, que são vítimas especialmente vulneráveis, e deixar que as situações possam estar a acontecer e estarmos todos a contribuir para este silêncio”, sublinha.

A estatística revela ainda casos residuais de xenofobia, racismo e discriminação religiosa. “São número muito pequeninos em relação ao global do número de crianças e jovens que apoiamos, mas há uma tendência crescente”, admite a responsável da APAV.

Entre 2013 e 2017, a associação apoiou 4.687 crianças e jovens, vítimas de 8.035 crimes.

O documento citado na notícia é o seguinte:

Crianças e Jovens Vítimas de Crime e de Violência 2013-2017

 


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