IV Encontro da CPCJ de Moura “A criança como sujeito de direitos: Prática e compromissos para o sucesso” 5 setembro

Agosto 29, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Portugal precisa de (mais) literatura para jovens

Agosto 29, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de Rita Pimenta publicado na Revista Cátedra Digital

Livros para crianças e jovens há muitos. Literatura nem por isso. A atenção das editoras a este segmento de mercado tem sido constante, mesmo nos anos de crise. No entanto, o incremento maior de obras escritas por autores portugueses verifica-se no álbum ilustrado e para as idades mais baixas.

Para os adolescentes e jovens (dos 12 aos 18 anos), são as traduções que mais ocupam as prateleiras das livrarias e das casas. Poucos nomes se juntaram aos há muito reconhecidos autores que criaram histórias que os adultos de hoje não esquecem, como Alice Vieira, Álvaro Magalhães, Ana Maria Magalhães, Ana Saldanha, António Mota, António Torrado, Isabel Alçada, José Jorge Letria, João Pedro Mésseder, Manuel António Pina, Sophia de Mello Breyner Andresen ou Teresa Maia González. E muitas crianças e jovens continuam a gostar de ler estes autores.

“As crianças não mudaram nada. O que mudou foram os adereços. Tudo o mais, os ciúmes, as zangas, as tristezas e alegrias, está tudo tal e qual como naquele livro”, disse recentemente Alice Vieira ao jornalista Tiago Palma, a propósito do seu primeiro livro para a infância, Rosa, Minha Irmã Rosa (1979

Mas não se fique com a ideia de que o mercado português se limita a oferecer obras traduzidas para os leitores que estão a abandonar a infância. Certos autores portugueses de gerações mais recentes vêm dedicando também algum do seu talento à literatura para jovens, não sendo, no entanto, este o seu público-alvo preferencial. São eles Afonso Cruz (Vamos Comprar Um Poeta, O Pintor debaixo do Lava-Loiças), Cristina Carvalho (Rebeldia, O Gato de Uppsala), Richard Zimler (O Cão Que Comia a Chuva) ou Valter Hugo Mãe (O Paraíso São os Outros). Com sucesso.

Outros autores – na verdade, autoras – surgiram nos últimos anos em dedicação praticamente exclusiva à literatura juvenil: Ana Pessoa (Supergigante, Mary John) Ana Soares e Bárbara Wong (colecção Olimpvs), Carla Maia de Almeida (Irmão Lobo, Amores de Família), Margarida Fonseca Santos (colecções A Escolha É Minha, Desafios em 77 Palavras) e Maria Francisca Macedo (colecção O Clube dos Cientistas). Também com sucesso.

No domínio da poesia, continuam a impor-se os autores João Pedro Mésseder (Olhos Tropeçando em Nuvens e Outras Coisas: Haicais ou quase), José Fanha (Esdrúxulas, Graves e Agudas, Magrinhas e Barrigudas) e José Jorge Letria (O Livro das Rimas Traquinas, A Guerra), a quem se juntam agora João Manuel Ribeiro (Palavras-Chave, Notícias Fugazes do Amor) e Manuela Leitão (Poemas da Horta e Outras Verduras, Poemas para as Quatro Estações).

O inconfundível humor de Luísa Ducla Soares continua a dirigir-se sobretudo aos mais novos, tendo, no entanto, a escritora alguns títulos vocacionados para jovens, como Diário de Sofia & Cª. Aos 15 Anos e Atenção! Sou Um Adolescente (Editorial Presença) ou a biografia de Teixeira de Pascoaes (Porto Editora).

Álvaro Magalhães adaptou-se aos novos tempos sem perder identidade nem qualidade literária em títulos como Poesia-me (ilustração de Cristina Valadas) ou em colecções como O Estranhão ou As Novas Crónicas do Vampiro Valentim (bem acompanhado pelo ilustrador Carlos J. Campos). E ainda a série (de futebol) Os Indomáveis FC.

Nomes como Rosário Alçada Araújo (Num Tempo Que já lá Vai), ou Joana Bértholo (O Museu do Pensamento) ajudam a compor uma oferta que se vai diversificando, sem, no entanto, podermos prever se continuará a ser alimentada por estas autoras, já que se desdobram em diferentes géneros literários e em inúmeras actividades culturais.

Livros de pendor científico e cultural para jovens também não contam com muitas assinaturas portuguesas, mas queremos aqui assinalar o trabalho da editora Planeta Tangerina com os títulos Lá Fora – Guia para Descobrir a Natureza (Maria Ana Peixe Dias e Inês Teixeira do Rosário), Cá Dentro – Guia para Descobrir o Cérebro (Isabel Minhós Martins e Maria Manuel Pedrosa) e, mais recentemente, Atlas das Viagens e dos Exploradores: as Viagens de Monges, Naturalistas e Outros Viajantes de Todos os Tempos e Lugares (Isabel Minhós Martins, com ilustração de Bernardo P. Carvalho).

Ainda um reparo feliz para Sou o Lince-Ibérico: o Felino mais Ameaçado do Mundo (Maria João Freitas, com ilustração de Nádia e Tiago Albuquerque), editado pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

Também o físico Carlos Fiolhais e o divulgador de ciência David Marçal têm contribuído para que os jovens se deixem conquistar por temas científicos de uma forma acessível e bem-humorada, sem deixar de ser rigorosa. Aqui ficam dois títulos destes autores aconselhados pelo Plano Nacional de Leitura (PNL) relativamente ao primeiro trimestre de 2018: A Ciência e os Seus Inimigos (Gradiva) e Não se Deixe Enganar (Contraponto).

Plano Nacional de Leitura está diferente

Contabilizando as indicações do PNL para os primeiros seis meses deste ano, observámos que havia 79 resultados (títulos) para leitores dos 12 aos 14 anos. Já para quem tem entre 15 e 18 anos surgiam 116 sugestões de livros.

Assim sendo, os adolescentes e jovens entre os 12 e os 18 anos, se quiserem seguir os critérios do PNL para estes primeiros meses, podem escolher entre 195 títulos. Mas, destes, apenas 45 são de autores portugueses. Ou seja, somente 23% das propostas do Plano. Entre eles, encontram-se autores como Fernando Pessoa, Eugénio de Andrade, Júlio Dinis, Alexandre O’Neill, Mário Cesariny, José Pacheco Pereira ou António Damásio.

São pequenos indicadores que nos permitem inferir que neste segmento faltam novos autores ou mais produção de textos literários por parte dos que já se dedicaram à literatura juvenil.

“Os livros que constam das listas PNL 2027 resultaram de uma seleção prévia feita pelas editoras posteriormente apreciada por um conjunto de especialistas independentes, de reconhecido mérito e qualificação nas diferentes áreas do saber”, explica-se no site do Plano, que está diferente.

Desde o dia 16 de Julho que os livros recomendados pelo Plano Nacional de Leitura deixaram de ser organizados por níveis de escolaridade, passando a haver uma base de dados online de atualização semestral. A primeira já foi lançada e nela baseámos os dados acima referidos. Em Dezembro, haverá nova listagem de sugestões.

Os livros recomendados podem ser encontrados através de um motor de pesquisa por idade, nível de leitura (pré-leitura, inicial, mediana, fluente), tema (banda desenhada, ensaio, poesia ou biografia), língua ou formato (livro, livro com CD e/ou DVD, livro-álbum). O sistema resulta de uma parceria com A Rede de Bibliotecas de Lisboa.

Palavras para quê?

A qualidade de muitos ilustradores portugueses, com forte projecção internacional, vem motivando uma aposta em livros cujo texto muitas vezes se reduz a breves legendas ou a ideias muito simples. Algumas obras prescindem mesmo das palavras e são objectos artísticos que conquistam também os adultos.

Bons exemplos desta prática têm sido os de editoras independentes como a Bruaá, Kalandraka, Orfeu Negro, Pato Lógico ou Planeta Tangerina. Divulgam ilustradores, artistas plásticos e designers portugueses, frequentam feiras internacionais e conseguem dinamizar com competência e criatividade o mercado nacional do livro ilustrado. Ainda bem.

A presença de Portugal na Feira do Livro Infantil de Bolonha vai aumentando a sua pujança e visibilidade, mais pela força da imagem do que da palavra. Nada contra. Mas é de literatura que vamos sentindo falta. Sem drama.

Congratulamo-nos com o facto de em Junho deste ano Portugal ter sido país convidado nas semanas internacionais do livro infanto-juvenil em Colónia, Alemanha. Nelas participaram os escritores e ilustradores: Afonso Cruz, Alice Vieira, Carla Maia de Almeida, Catarina Sobral, Fatinha Ramos, Inês Teixeira do Rosário, Isabel Minhós Martins, Madalena Matoso e Maria Ana Peixe Dias.

Um programa que incluiu leituras dos autores portugueses em bibliotecas e escolas, numa iniciativa com o apoio de Camões — Instituto da Cooperação e da Língua, através da Embaixada de Portugal/Camões Berlim, do Leitorado de Colónia e da Direcção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB).

Este último organismo, a par com a Rede de Bibliotecas Escolares, muito têm contribuído para a conquista de novos leitores e para a dinamização de actividades à volta do livro e da leitura. A DGLAB.

Em 2017, venderam-se 11,8 milhões de livros

Segundo a GfK Portugal, o negócio editorial fechou no ano passado com um valor total de 147 milhões de euros, revelando crescimento de 3% face ao ano anterior (142,4 milhões). Isto apesar de terem sido vendidos menos livros. Em 2017, foram comercializadas cerca de 11,8 milhões de unidades, mas em 2016 vendeu-se um pouco mais: 11,9 milhões de livros.

Não foi possível obter dados discriminados para os livros infanto-juvenis, mas é sabido que é um dos segmentos que mais vendem.

Importância maior que os lucros de curto prazo é a certeza de que a conquista precoce de leitores e a aposta na sua relação continuada com os livros permitirão não apenas a continuidade do negócio editorial, mas a formação de cidadãos cultos e com sentido crítico. Fazem falta.

 

 

Conferência “O Olhar da Criança: Educação Intercultural e Intervenção Social” na ESECS do IPLeiria, 17 de novembro de 2018

Agosto 29, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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https://www.ipleiria.pt/esecs/17-novembro-20180900-1700-auditorio-1-esecs/


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