Alguns pais esquecem-se de usar os cheques-dentista dos filhos. E até há quem os perca

Agosto 2, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Público de 22 de julho de 2018.

Quase uma década depois de a distribuição de cheques-dentista pelas crianças de sete, 10 e 13 anos que frequentam escolas públicas ter arrancado em Portugal, muitos destes vales de 35 euros não estarão a ser aproveitados, apesar de a taxa de utilização global a nível nacional ter aumentado no ano passado e estar agora perto de 78%. Num estudo sobre os factores de não-adesão aos cheques-dentista anunciado como pioneiro e publicado na última edição da revista Acta Médica, conclui-se que muitos encarregados de educação se esquecem e deixam passar o prazo de validade dos primeiros vales que os menores recebem e que alguns até admitem que os perdem.

Há algumas localidades em que a percentagem de utilização dos cheques-dentista dados às crianças nestas faixas etárias para serem usados em consultórios dentários privados, no âmbito do Programa Nacional de Saúde Oral, é inferior à média nacional, ainda que estes dados não sejam divulgados publicamente. É o caso da área abrangida pelo Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) de Lisboa Ocidental e Oeiras, onde no ano lectivo 2014/2015 a adesão a esta que é, para muitas famílias, a única possibilidade de proporcionarem cuidados de saúde oral às crianças, se ficou pelos 23%.

Foi para tentar perceber os motivos que justificam a reduzida adesão neste ACES que Rita Filipe, médica da Unidade de Saúde Pública do agrupamento, decidiu avançar com uma investigação em conjunto com Pedro Aguiar, da Escola Nacional de Saúde Pública. O “estudo de caso-controlo” envolveu 270 alunos (metade não tinham usado os vales e a outra metade utilizou-os) de 35 escolas públicas daquela área geográfica.

Apesar de a amostra ser limitada a este agrupamento e não ser assim representativa, os resultados fornecem pistas interessantes: mais de um quinto (21,5%) dos encarregados de educação inquiridos que não utilizaram os primeiros cheques-dentista distribuídos aos alunos com cáries admitiram que isso aconteceu porque se esqueceram e deixaram ultrapassar o prazo de validade e 4,4% revelaram que os perderam. Também é elevada a percentagem dos que afirmaram não ter, sequer, recebido os cheques-dentista naquele ano lectivo (17%).

Mas o principal motivo invocado para a não-utilização do cheque é o facto de os alunos serem já seguidos por dentistas particulares (23,7%) que não são aderentes ao programa. E em 5,9% dos casos os pais responderam que não precisavam dos vales porque as crianças têm seguro de saúde.

O estudo permite ainda perceber que há algumas dificuldades na localização de médicos aderentes ao programa (10,4%). Acresce que 9,6% dos encarregados de educação queixaram-se de não ter recebido informação sobre como utilizar os vales e sobre a sua importância. São resultados que demonstram “uma baixa valorização [pelos encarregados de educação] da importância da saúde oral e de como utilizar os serviços de saúde”, concluem os investigadores.

No total, cerca de um terço dos alunos não utilizou o cheque-dentista nem foi seguido por dentista particular, “perdendo-se uma oportunidade para a prestação de cuidados de saúde oral personalizados, preventivos e curativos, de forma gratuita”, notam.

Adesão nacional é “satisfatória”

A percentagem da adesão é muito inferior às médias nacionais globais que têm sido divulgadas pela tutela, no âmbito do Programa Nacional de Promoção de Saúde Oral. Rita Filipe adianta que a taxa do ACES Lisboa Ocidental e Oeiras continuou baixa nos últimos anos lectivos e que haverá outros locais onde o fenómeno também se verifica, a crer em relatos de alguns colegas. “Deve haver muitas assimetrias”, acredita.

Sublinhando as “fragilidades” deste estudo, que “não tem uma amostra representativa” e se circunscreve a um ACES, o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), Orlando Monteiro da Silva, prefere destacar a taxa de utilização a nível nacional, que na sua opinião é “muito satisfatória”, ainda que seja “passível de ser melhorada”. “Este é um programa de sucesso que reconhecidamente tem contribuído para ganhos em saúde”, enfatiza.

Segundo os últimos dados disponíveis e que constam do Relatório sobre o Acesso a Cuidados de Saúde nos Estabelecimentos do SNS e Entidades Convencionadas recentemente tornado público, a taxa de utilização nestes grupos etários aumentou de facto nos últimos anos – em 2017 chegou a 77,9%, quando no ano anterior era de 75,9%, apesar de o número absoluto de vales distribuídos pelas crianças nestas faixas etárias ter diminuído 3,3% neste período.

Depois de ter pedido informação mais detalhada à Direcção-Geral da Saúde (que gere este programa), o presidente do Conselho Geral da OMD, Paulo Melo, confirmou que neste ACES a taxa de utilização dos vales é muito baixa, tendo em conta a percentagem da região (Lisboa e Vale do Tejo). Admitindo que haja locais com uma taxa de utilização mais baixa do que a média nacional, Paulo Melo adianta que a informação agora conhecida sobre este ACES serviu de alerta para a necessidade de se olhar para os dados sobre a utilização dos primeiros cheques distribuídos nas escolas.

Quanto aos motivos que podem justificar a não utilização dos cheques, Orlando Monteiro da Silva destaca que já há muito tempo se percebeu que há dois grupos de famílias que tendem a aderir menos a este programa, por um lado as mais desfavorecidas do ponto de vista sócio-económico e com menor literacia e, por outro, aquelas em que os menores são já seguidos por médicos dentistas privados.

Neste estudo, porém, não se provou que a taxa de utilização fosse influenciada pela maior ou menor escolaridade dos encarregados de educação. Não será também por causa do prazo para a utilização do cheque ser curto que a adesão foi menor, porque, quando o vale é emitido, pode ser usado até quase um ano depois, diz Rita Filipe. O problema, especula, é que os encarregados de educação pensam que têm muito tempo para os usar e depois acabam nalguns casos por se esquecer.

Também seria importante, defende a médica, apostar numa maior divulgação deste programa e aumentar o número de médicos dentistas aderentes. Um simples telefonema a alertar os encarregados de educação para o fim do prazo de validade também seria determinante para aumentar a adesão, sugere ainda.

O certo é que o Governo já decidiu desmaterializar os cheques-dentista, no âmbito do Programa Simplex, com o objectivo de evitar eventuais extravios e esquecimentos, medida que foi anunciada em 2017 para entrar em vigor no ano lectivo que arranca em Setembro próximo. O PÚBLICO perguntou ao Ministério da Saúde se a medida vai mesmo entrar em vigor neste ano lectivo mas não obteve resposta em tempo útil.

A distribuição de cheques-dentista começou em 2008 com as mulheres grávidas seguidas no Serviço Nacional de Saúde e os idosos beneficiários do complemento solidário, estendeu-se às crianças em 2009 e incluiu os utentes infectados com o vírus VIH/sida em 2010. Mais tarde, passou a englobar intervenções precoces em casos de risco de cancro oral e, posteriormente, abrangeu os adolescentes, primeiro os de 16 anos e, posteriormente, os de 18 anos.

Às crianças de sete e 10 anos podem ser atribuídos até dois vales por ano lectivo e, aos jovens de 13 anos, podem ser distribuídos até três. Cada cheque tinha, até à chegada da troika a Portugal o valor de 40 euros, que nessa altura foi reduzido para 35 euros, valor que ainda não foi reposto, lamenta o bastonário.

 

 

 

27ª Ação de Formação para Animadores “A Adolescência como uma Experiência Radical” 25 a 27 de Outubro em Caneças

Agosto 2, 2018 às 2:57 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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O IAC – Projecto Rua vai promover entre os dias 25 a 27 de Outubro de 2018 mais uma ação de formação para interventores sociais. Este evento irá decorrer na Quinta das Águas Férreas em Caneças, em regime residencial, com o apoio da Câmara Municipal de Odivelas.

mais informações no link:

http://www.iacrianca.pt/index.php/setores-iac-pr/noticias-projecto-rua/item/945-27-acao-de-formacao-para-animadores-a-adolescencia-como-uma-experiencia-radical

As tarefas adequadas à idade dos filhos: “Ó mãe, quero um copo de água!”

Agosto 2, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Filipe Raminhos

Texto da Sábado de 1 de janeiro de 2017.

“Tanto eu como a mãe sempre praticámos desporto e achámos importante ela ter estas actividades, mas se calhar metemo-la em demasiadas coisas e esquecemo-nos de lhe dar outras competências mais básicas”, diz à SÁBADO André (nome fictício), consultor, 38 anos.

Tempo e muita paciência
Pais convertidos numa espécie de mordomos dos filhos são um paradigma desta geração, em que alguns nem se levantam para ir buscar um copo de água. O problema são as consequências deste tipo de situação. “As crianças precisam de regras para crescerem com competências emocionais e comportamentais. Quanto mais se sentirem úteis, mais autónomos serão no futuro”, explica a psicóloga de adolescentes Bárbara Ramos Dias. A ideia é começar a ensiná-los o mais cedo possível e fazer o reforço pela positiva. “É normal que uma criança de 3 anos não faça a cama perfeita, mas já consegue puxar as orelhas e, se a incentivarmos (‘que orgulho, ajudas muito a mãe’), ela interioriza essas tarefas mais facilmente”, aconselha.

Ressalva: ensinar exige tempo e uma grande dose de paciência. Por isso, não desista logo à primeira, nem ceda à tentação de gritar. A próxima vez que o seu filho lhe pedir um copo de água, tente a seguinte solução: “Eu até ia, mas tu já és crescido e sabes onde estão os copos.”

Entrevista publicada originalmente na edição n.º 654 da revista SÁBADO de 10 de Novembro de 2016

visualizar as tarefas no link:

http://www.sabado.pt/vida/detalhe/as-tarefas-adequadas-a-idade-dos-filhos-o-mae-quero-um-copo-de-agua

 

Substitua os celulares e tablets de seus filhos por instrumentos musicais!

Agosto 2, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Laith Abuabdu on Unsplash

Texto do site O Segredo de 1 de março de 2018.

A forma como criamos nossas crianças mudou muito de uns tempos para cá. Agora, a estratégia adotada por muitos pais para acalmar seus filhos é dar-lhes um tablet ou um smartphone. Dentro desse contexto, as brincadeiras ao ar livre a atividades manuais ficam cada vez mais esquecidas.
Essa forma de criação é contestada pelo neuropsicólogo espanhol Álvaro Bilbao, que em seu livro “El cerebro del niño explicado a los padres” (O cérebro da criança explicado aos pais – em tradução livre), diz que, se queremos criar crianças mais inteligentes, devemos substituir seus tablets por instrumentos musicais.
Bilba acredita que as aulas de música estimulam a capacidade de raciocínio das crianças, mais do que a tecnologia. Além disso, os pais têm um papel importante na inteligência de seus filhos. Um estudo que foi publicado na revista Psiquiatría Molecular afirma que 50% da inteligência da criança é determinada pelos genes, mas os outros 50% dependem dos estímulos que elas recebem.
“A chave do desenvolvimento potencial do cérebro da criança está na sua relação com os pais. Ainda que a genética tenha um peso importante, sem essa presença não se materializa”, diz Bilba.
Abaixo estão listadas algumas estratégias defendidas por especialistas para desenvolver a inteligência das crianças:
Estudar música
Pesquisadores da Universidade de Toronto realizaram um estudo, publicado na revista Psychological Science, que relacionou o desenvolvimento cognitivo com o estudo e a aprendizagem de música. Para o estudo, três grupos de crianças de seis anos estudaram, separadamente, durante um ano, canto, piano e expressão dramática. As crianças que se dedicaram a estudar música foram as que mostraram maiores padrões de inteligência
Menor contato com a televisão
Anos atrás, filmes de desenhos animados que aliavam figuras desenhadas ao som da música clássica de compositores como Mozart e Beethoven eram muito populares. Diversos especialistas aprovavam esses filmes, afirmando que ajudavam a estimular a inteligência de bebês e crianças, mas essas teorias foram desmentidas por estudos internacionais. De acordo com a Associação Americana de Pediatria, crianças com menos de dois anos não devem ter contato com televisão.
Evitar jogos que afirmam ajudar no desenvolvimento cerebral
Recentemente vêm surgindo muitos jogos eletrônicos e aplicações móveis que afirmam ajudar no desenvolvimento do cérebro e da memória. No entanto, a maioria deles não são embasados cientificamente. Tenha cuidado.
Assistir a filmes/documentários em línguas estrangeiras
Crianças que são ensinadas a assistir filmes em línguas estrangeiras desde cedo tendem a adaptar-se mais facilmente a outros vocábulos e a outros sons.
Ler histórias com seus pais antes de irem para a cama
Quando os pais leem histórias para seus filhos antes de irem para a cama, é importante que convidem as crianças para participar. Por exemplo, o pai lê uma página e o filho outra, e assim sucessivamente. De acordo com um estudo canadense, este método ajuda as crianças a melhorarem sua capacidade de aprendizagem.

 


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