As crianças precisam da autoridade dos pais – Eduardo Sá

Julho 9, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Photo by Allen Taylor on Unsplash

Texto de Eduardo Sá publicado no site https://www.eduardosa.com

Há uma linha que separa a autoridade do autoritarismo. A autoridade é um exercício de bondade; o autoritarismo aquilo que se reclama quando os bons exemplos não coincidem com tudo o que se exige. Porque é que as crianças precisam da autoridade dos pais? Porque se as rotinas dão um perímetro mais ou menos familiar a tudo aquilo que desconhecem, a autoridade dá-lhes “um norte”. Um conjunto de nãos que, todos juntos, lhes trazem as regras que, em conjunto com as rotinas, orientam e estruturam as crianças, mesmo quando elas estão longe dos pais. As rotinas e as regras funcionam como um  “estabilizador de humor” que, quando não são demasiado opressivas, se adequam aos ritmos dos filhos e aquilo que se espera delas em termos sociais, fazendo uma ponte entre o dentro e o fora das crianças e o dentro e fora da família.

As crianças precisam de regras, portanto. As regras, se forem claro para elas, consolidam-se em função da autoridade que as crianças reconhecem aos pais. E a autoridade resulta da coerência dos nãos que elas têm por parte dos pais. Ora, é aqui que, grande parte das vezes, tudo se complica. Os pais entendem que explicar, negociar ou justificar as regras os torna mais democráticos e que isso ajudará a que as crianças, percebendo melhor aquilo lhes é pedido, acatem, de forma muito mais fácil, aquilo que eles esperam do seu comportamento. O resultado é, todavia, completamente ao contrário daquilo que os pais mais desejam. As crianças, sempre que sentem este “furor dialogante” dos pais, interpretam-no como um sinal de insegurança; de quem está a exercer a autoridade numa atmosfera de “desculpa qualquer coisinha”. E as consequências não são, seguramente, as melhores. Ficam mais assustadas, porque lhes falta “o norte”. Ficam muito mais agitadas, porque nem sempre aquilo que os pais esperam delas fica muito claro. E ficam muitíssimo mais desafiadoras, porque lidam com eles como se lhes estivessem sempre a dizer: “ainda está para nascer quem terá mão em mim!…”. Como se isso, só por si, não chegasse, à medida os pais vão saltitando entre os avisos, as ameaças, as explicações, a forma como “falam ao coração” e os desabafos com que capitulam diante de tudo isto, ao mesmo tempo que e os momentos se zangam, com clareza,  há muitas outras vezes em que “varrem para debaixo do tapete” uma asneira, duas asneiras, muitas asneiras… que não são “taxadas”, devidamente, pela sua autoridade. O que faz com que, à sétima ou à oitava asneira, os pais se zangam com “juros, sobretaxas e coimas adicionais” o que os leva a que, inevitavelmente, nunca sejam justos (porque a sua zanga acumulada faz com que sejam desproporcionados em relação a essa “oitava” asneira), para além de serem imensamente confusos (porque deixaram passar asneiras, talvez, mais graves do que essa “oitava” que os filhos terão feito, e acabam a zangar-se diante de uma outra que justificaria muito menos zanga da sua parte. Tudo isto quando, no entretanto, explicaram, justificaram e negociaram as regras, “mil vezes”. E depois de terem ameacado e avisado os seus filhos outras tantas “mil”.

Quando me falam do seu desespero e me dizem: “Eu já tentei tudo”, eu sorrio. Sobretudo porque não duvido que o “tudo” de que me falam é, inequivocamente, verdade. E , sempre que reajo e, tentando ser levemente provocatório, lhes digo que – regra geral – os nãos não se explicam, eles ficam um bocadinho atónitos e respondem: “Já percebi! Ou é assim, ou não é!”, rematando, de seguida: “Devo ser, portanto, autoritário!”. Mas, mal eu aceno com a cabeça, concordando como o “Ou é assim…” enquanto lhes garanto que isso não é ser autoritário, eles ficam confusos. Por mais que lhes garanta que as explicações são mais ruído do que uma mais-valia. Porque as crianças já têm nos exemplos dos pais a razão de ser das suas exigências. Por mais que lhes recorde que as crianças reconheçam aos pais a sua autoridade, baseadas no pressuposto que eles nunca lhes exigirão nada que não sirva para as proteger. E que, aquilo em que falham, é o no modo como, nem sempre, são coerentes nos nãos que impõem aos seus filhos, no tom com que se zangam (que faz com que muitos nãos se transformem em nins) e nas consequências que retiram dos nãos (que, ora tão depressa se transformam em castigos em formatos XXL, ora se resumem a um breve sermão). Às vezes, o embaraço dos pais é tão grande, que me perguntam, então, como é que se devem zangar, depois de avisarem os filhos duma forma um bocadinho “seca” (só duas vezes!!). Habitualmente, eu proponho: “E que tal… passar-se?…”, as mães – sobretudo elas – entram em “modo de alarme”. “Tem noção daquilo que eu sou capaz quando me passo?…”- perguntam-me elas. E eu digo: “Acredite que tenho. À “oitava” asneira ninguém se passa em “português suave””.

Moral da história: o “Ou é assim ou não é” dos pais da actualidade não tem nada a ver com os pais de antigamente. É bondoso, é democrático, traz regras e rotinas e faz os filhos crescer. Eu compreendo que os pais da actualidade tenham passado por muitos em que, à conta do “Ou é assim ou não é” de antigamente, se tenham sentido vítimas do autoritarismo. Mas sempre que ficam presos a isso, na ânsia de serem muito melhores pais, estragam os filhos. Porque não há como eles crescerem sem regras claras. E elas precisam de ser uma espécie de “piloto automático de nãos” com que as crianças façam uma triagem entre o bem e o mal, entre o medo e a coragem, entre o desconhecido e a curiosidade e, já agora, entre o passado e o futuro.

 

 

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As “tradições e costumes não justificam pôr em risco a vida da criança” notícia com declarações de Ana Perdigão e Melanie Tavares do IAC

Julho 9, 2018 às 2:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A notícia contém declarações da Drª Ana Perdigão – Coordenadora do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança e da Dra. Melanie Tavares, Coordenadora dos Sectores da Actividade Lúdica e da Humanização dos Serviços de Atendimento à Criança do Instituto de Apoio à Criança.

Notícia e imagem do Público de 7 de julho de 2018.

Plataforma Basta divulgou um vídeo onde se vê um adulto a enfrentar um touro com uma criança ao colo. O episódio aconteceu na Ilha Terceira, Açores. O PÚBLICO questionou alguns especialistas sobre o que pode ser feito nestas situações.
Rita Marques Costa

“As técnicas da comissão [de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CPDPCJ) de Angra do Heroísmo] têm de ir à casa da criança, saber com quem vive, quem é aquela pessoa, e fazer uma investigação. E verificar se aquilo foi um facto esporádico ou se é uma situação que revela negligência de cuidados da criança.” Quem o diz é juiz desembargador Madeira Pinto, do Tribunal da Relação do Porto, sobre o vídeo que mostra um adulto a enfrentar um touro com uma criança ao colo, numa localidade da Ilha Terceira, Açores. “Este pode ser um dado revelador de uma potencial falta de competências parentais para cuidar” de uma criança, acrescenta.

O vídeo em causa foi divulgado pela plataforma Basta — Plataforma Nacional para a Abolição das Touradas, depois de publicado e logo eliminado, diz a associação, na página de Facebook da “Comissão das touradas e Bodo de Leite – Festas da Casa da Ribeira 2018″ — a responsável pelo evento onde terá acontecido o episódio, na quinta-feira.

Neste caso, a integridade física e emocional da criança é colocada em causa “de forma gratuita”, diz Ana Perdigão, jurista do Instituto de Apoio à Criança (IAC). As “tradições e costumes não justificam pôr em risco a vida da criança”.

A psicóloga do IAC, Melanie Tavares, concorda que se expõe a criança a um episódio de “violência gratuita e se banaliza uma forma de violência”, conclui. Pior ainda é se houver grau de parentesco entre o adulto e a criança, porque é uma figura que deve transmitir segurança, mas “coloca-a em risco”.

O juiz desembargador Madeira Pinto reconhece que no caso há “eminente perigo” para a criança. E “evidentemente que o Ministério Público pode intervir, porque poderá haver uma situação de negligência”. Mas sublinha que “se a criança não foi atingida não há crime”.

Por sua vez, o juiz António José Fialho, do Tribunal de Família e Menores do Barreiro, concorda que esta é uma “situação de perigo para a vida ou integridade física” da criança e que se deve apurar se o caso é isolado ou se há outros “factores de risco”.

E deve levar-se as crianças à tourada? Madeira Pinto sublinha que, neste caso em particular, “devemos compreender a própria história e o contexto social da ilha”. “Se as crianças estiverem num local seguro, se aquilo é a tradição da ilha, e se as pessoas querem continuar a tradição, então o Estado não deve intervir.”

O juiz António José Fialho diz que é “uma opção das famílias” e defende que “as touradas têm um suporte cultural no país, pelo que o Estado não se deve imiscuir”.

O PÚBLICO tentou obter declarações da Prótoiro, associação que promove as touradas, e da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens mas não teve resposta.

Associação apresenta queixa contra homem que enfrentou touro com uma criança ao colo – notícia com declarações de Ana Perdigão do IAC

Julho 9, 2018 às 11:30 am | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A notícia contém declarações da Drª Ana Perdigão – Coordenadora do Serviço Jurídico do instituto de Apoio à Criança.

Notícia e imagem do Público de 6 de julho de 2018.

Plataforma Basta apresentou denúncia à Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens. Episódio foi gravado em vídeo. Caso aconteceu numa freguesia na Ilha Terceira, Açores.

Rita Marques Costa

Num vídeo disponível online vê-se, durante 26 segundos, um homem com uma t-shirt amarela, um capote, um touro, algumas pessoas à volta, e, ao colo do adulto, uma criança pequena. Para a plataforma Basta — Plataforma Nacional para a Abolição das Touradas, o episódio – que diz ter acontecido na localidade de Casa da Ribeira, na Ilha Terceira, Açores, na quinta-feira – merece uma denúncia à Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Protecção das Crianças e Jovens (CNPDPCJ).

Segundo a plataforma, o vídeo em que se vê uma tourada à corda, prática comum nos Açores, foi publicado na página de Facebook da “Comissão das touradas e Bodo de Leite – Festas da Casa da Ribeira 2018”. Diversos comentários de cidadãos que criticavam o episódio levaram a que o vídeo fosse eliminado. O PÚBLICO tentou contactar a comissão organizadora do evento, através da junta de freguesia local, mas não obteve resposta.

A plataforma argumenta, num comunicado enviado às redacções, que se “trata de uma situação de total irresponsabilidade e uma clara violação da legislação que protege as crianças em Portugal, além de um grave atropelo à Convenção dos Direitos da Criança das Nações Unidas”.

No mesmo documento, faz um apelo “às autoridades açorianas que investiguem este caso e identifiquem o indivíduo que aparece no vídeo, aplicando a legislação em vigor, e que o caso em apreço sirva de exemplo para situações futuras em touradas à corda, largadas ou demonstrações de toureio”.

O PÚBLICO tentou contactar a CNPDPCJ para perceber as possíveis implicações legais, mas não obteve resposta.

A jurista do Instituto de Apoio à Criança (IAC), Ana Perdigão, diz que “numa situação destas a criança está exposta a perigos que colocam em causa a integridade física e emocional de forma gratuita”. Apesar dos argumentos de que algumas crianças estarão habituadas a situações deste tipo, por conviverem com elas desde tenra idade, Ana Perdigão é categórica: trata-se de uma exposição “gratuita e de alto risco”.

“Mais grave ainda é se o adulto for pai da criança”, diz a jurista do IAC, porque tem o dever de defender os interesses do menor.

Ao PÚBLICO, Sérgio Caetano, coordenador da plataforma, diz que o caso não é singular. “Ainda recentemente denunciámos uma espera de touros feita especificamente para crianças em Angra do Heroísmo.”

No comunicado, a plataforma recorda que “em Fevereiro de 2014 o Comité dos Direitos da Criança da ONU pediu a Portugal para afastar as crianças e jovens da ‘violência da tauromaquia’”

 

 

Bibliotecas de Praia e de Jardim – Em Sesimbra até 31 de agosto

Julho 9, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Nas praias do Meco, Ouro, Califórnia e Lagoa de Albufeira e também no Parque da Vila, na Quinta do Conde, pode desfrutar de um bom livro, consultar a imprensa diária ou participar numa das muitas atividades de promoção do livro e da leitura, que acontecem quase todos os dias.
Com mais de duas décadas de existência, as Bibliotecas de Praia e de Jardim disponibilizam literatura variada, como banda desenhada, ficção científica ou romance, em português, inglês, francês, alemão e espanhol, podendo ser utilizada por todos mediante o preenchimento do cartão de leitor.

Se não teve tempo para ler durante o ano, aproveite as férias de verão para pôr a leitura em dia.

mais informações no link:

http://www.sesimbra.pt/pages/1077?news_id=6120

 


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