Como lidar com a fase da adolescência rebelde do meu filho?

Maio 7, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto e imagem publicados no Facebook do UDIJ no dia 17 de abril de 2018.

O tempo é um grande aliado neste processo. Devemos ter presente que os nossos filhos ao crescer, passam por várias fases e uma delas, provavelmente a mais difícil, é a adolescência.
Este é um tempo de plantar e saber esperar pelos frutos mais tarde. Agora é normal que as suas orientações já não sejam cumpridas como gostaria, agora pode até sentir que nada do que lhe diz ele cumpre ou aceita, sem pelo menos reclamar.
É uma altura de muitas mudanças, em que os nossos filhos começam a querer afirmar-se, a ter controlo da sua vida, a considerar que é altura de serem eles a comandar e por isso, sempre que são colocados numa situação em que têm que cumprir “ordens”, regras estabelecidas, elas são questionadas. Nesta altura, gritar, dar grandes sermões ou até mesmo ameaçar castigar, já não são de grande valia.

Deixe passar a fase de fúria do seu filho e depois converse com ele, oriente, seja firme na sua posição de pai e transmita-lhe segurança, autoridade (não autoritarismo). Pode parecer que ele não ouviu, que não quer saber, mesmo porque ainda é muito imaturo, mas a informação chega. Um dia, esta fase termina e tudo o que lhe foi transmitindo com amor e firmeza vai dar os seus frutos. É altura de treinar muito a sua paciência e saber esperar, nunca desistido. O seu filho, mesmo reclamando, espera de si orientação, regras, segurança, liderança, e claro, muito amor.

Relativizar:

Não esteja constantemente a repreender o seu filho por tudo o que ele faz. Sempre que o criticar, lembre-se que ele vai sentir que está errado, que nunca acerta ou que nunca o satisfaz.

É preciso encontrar uma medida onde o seu filho sinta que a chamada de atenção ao comportamento rebelde dele não muda em nada o amor que sente por ele e que aconteça o que acontecer, irá continuar a acreditar que ele pode fazer melhor do que fez hoje.
É muito importante que saiba separar a pessoa dos atos. Condene o comportamento indesejado, mas jamais misture esse comportamento ao que o seu filho é. Não lhe diga que ele é uma desilusão para si, liga-lhe antes que ficou triste ou chateado com determinado comportamento. Não lhe diga que ele deixou de ser o filho amoroso que era em pequeno, diga antes que ele deverá esforçar-se para ser mais amoroso com os pais, que o seu esforço em ser mau não resulta, porque o conhecem bem e sabem que ele é muito melhor pessoa do que quer mostrar, (acompanhe com um sorriso)

Não comparar:

Quando estiver a repreender o seu filho, nunca o compare com o irmão, primo ou amigo que tenha um comportamento exemplar. Ao contrário do que possa pensar, em vez de o encorajar a melhorar terá o efeito oposto. Ele sentir-se-á diminuído, humilhado e estará a desencoraja-lo a fazer melhor, criando entre vós uma distância cada vez maior.

Nunca lhe dizer que ele será mal sucedido a vida toda:

Por mais que a situação hoje seja complicada e a convivência difícil, esforce-se por ser positivo. Nunca ameace o seu filho, dizendo que caso ele não faça isto ou aquilo, ele nunca será alguém na vida.
Não é a ameaça de fracasso que vai estimular o seu filho adolescente, que já está numa fase difícil. Ele não está preocupado em antecipar problemas futuros, ele está focado no presente e não vai entender que os pais só querem protegê-lo do fracasso, vai sim interpretar as suas palavras como uma falta de confiança nele.
Dirija os seus esforços em estratégias para que ele melhore. Foque-se em que seja traçado um objectivo de cada vez, passo a passo. Priorize com ele o que precisa ser melhorado. Pode ser uma nota ou um comportamento. Se sentir dificuldade em fazer isto, procure ajuda profissional (para lidar com as questões emocionais, relação familiar, para um reforço escolar, etc.). Pode e deve sempre ir tentando construir com eles pequenos objectivos, para que ele sinta o gosto de ter vitórias naquilo que gosta de fazer.

Negociar:

Estabelecer regras e limites é fundamental, mas igualmente importante, especialmente nesta fase é negociar.
Se considera e informa o seu filho que ele deve desligar o computador em determinado horário, ou que quando sai com os amigos deverá chegar até uma hora estabelecida e ele não cumpre, o melhor é não reagir impulsivamente na hora. Espere o dia seguinte para ter uma conversa. Estarão ambos menos reativos e a probabilidade de haver mudanças de comportamento a médio prazo é maior. Demonstre firmeza, mas deixe o seu filho falar. Diga-lhe em que é que ele errou, transmita-lhe as consequências do seu ato, e termine dizendo que sabe que a partir dali ele saberá cumprir cada vez melhor e quanto mais ele cumprir, maior liberdade vai adquirindo porque demonstrando responsabilidade, poderá sempre ser beneficiado.

Porque é que o meu filho fora de casa tem um excelente comportamento com outras pessoas?

Muitos pais surpreendem-se pelo facto dos filhos serem amáveis e gentis fora de casa. Como se explica isto?
Para muitos adolescentes o amor do pai e da mãe é sempre acompanhado de exigências e de pontos de vista sufocantes, como se sentissem que o nível de amor dos pais dependesse de contrapartidas.

É frequente em consulta, ter à minha frente um adolescente sensível, colaborante, amável, cheio de ideias e projetos, enquanto os pais o descrevem como desmotivado, arrogante e rebelde. Isto é normal e não deve assustar os pais, nem fazê-los sentir-se incapazes ou menos amados pelos filhos.

Os avós, os tios, pais de amigos, professores ou pessoas próximas, podem ser grandes aliados para um desfecho positivo desta crise. Infelizmente, muitos pais vêem isso como uma competição, ou ameaça (não me obedece mas obedece aos outro), e acabam não usando a seu favor a abertura a terceiros.
É altura de ultrapassar as suas inseguranças e pedir ajuda a terceiros, eles poderão ajudar muito e aliviar a tensão familiar.

Tentar perceber o que está por detrás da rebeldia:

O comportamento do seu filho vem com mensagens subliminares e quase nunca é o que os pais pensam ser. Para o entender, fale menos e escute mais.
Se um pai desde a infância, passa mais tempo a dar ordens, a ralhar, sem dar espaço à conversa tranquila e interessada com o seu filho, está a perder a oportunidade de conhecer melhor, de perceber as mudanças que vão surgindo.
Nenhum comportamento começa do nada, sem motivos. O despertar de determinado comportamento na adolescência vem da própria transição, mas também carrega as inseguranças e pensamentos do jovem.

Demonstrar ao seu filho que o ama tal como ele é:

O adolescente rebelde sofre, e muito. Ele não acorda a planear como infernizar a vida dos pais por prazer, ele sofre internamente com exigências que não consegue cumprir, não consegue às vezes entender.

É natural os pais idealizarem um futuro para os filhos, segundo as suas crenças e experiências, contudo o percurso dos filhos será único, só deles. A forma como aprendem e crescem, é uma experiência deles e é aqui que geralmente se geram conflitos e mal entendidos. Os jovens acusam os pais de serem os responsáveis por não atingirem os seus sonhos e os pais acusam os filhos de não se terem tornado como eles deveriam ser. Claro que estão todos a dar o seu melhor, a dificuldade é que cada parte julga a outra sem se ouvirem realmente.

Na verdade os pais de adolescentes precisam aceitar duas perdas: A perda da sua criança, do seu bebé que cresceu, e a perda da ilusão de um adolescente ideal segundo a sua crença. Um jovem seguro, equilibrado, com objetivos claros de vida.
Aceitar o filho real, da forma que é, com seus defeitos e qualidades, é o primeiro passo para atenuar a rebeldia.

Fácil? Não, mas quando ele for adulto os frutos virão e serão tão mais doces quanto o amor, firmeza, segurança e aceitação oferecer ao seu filho enquanto cresce.

Autor: Sílvia Henriques, Assistente Social e Terapeuta Familiar – UDIJ

 

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