IX Conferência Meninos de Oiro “À Luz do Farol – A Missão dos Centros de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental” com a presença da Presidente do IAC Dulce Rocha, 14 maio ESE de Setúbal

Maio 6, 2018 às 5:51 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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“Temos de olhar para os bebés como seres muito competentes”

Maio 6, 2018 às 1:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Åsmund Gimre on Unsplash

Texto do https://www.dn.pt/ de 15 de abril de 2018.

Joana Capucho

Clementina Almeida, psicóloga clínica com especialidade em bebés, diz que os pais precisam de muita informação para saberem lidar melhor com o desenvolvimento dos filhos

Se uma criança for forçada a deixar de usar fraldas sem estar preparada para o fazer, o processo pode arrastar-se durante meses ou até anos. “Muitas vezes os infantários decidem fazer o desfralde, mas as crianças não estão prontas. Se respeitarmos o seu desenvolvimento, as coisas vão acontecer naturalmente”, diz Clementina Almeida, psicóloga especialista em bebés, autora do livro Luca, o hipopótamo que não queria deixar as fraldas.

Depois da publicação de um livro sobre os medos e outro acerca das birras, a psicóloga lançou recentemente dois novos títulos: Pipo, o urso que não queria ficar sozinho e Luca, o hipopótamo que não queria deixar as fraldas. O objetivo é ajudar os mais pequenos – e os adultos – a gerirem duas situações que provocam grandes emoções: as perdas e o desfralde. “Os pais precisam de muita informação para saberem lidar melhor com o desenvolvimento dos filhos”, diz ao DN. Por isso, organiza os livros “ao contrário do que é habitual”: “Com base na ciência, ponho um animal a fazer o que é suposto as crianças fazerem, para que se identifiquem, entendam as suas emoções e se acalmem. E no final tenho algumas estratégias genéricas para os pais.” Assim como explicações para que percebam o porquê de determinados comportamentos.

No que diz respeito ao desfralde, Clementina Almeida diz que os pais devem estar atentos aos sinais, nomeadamente às competências físicas (ser capaz de ficar sentado algum tempo, ter controlo muscular da bexiga e intestino), cognitivas (saberem quando precisam de ir à casa de banho) e emocionais (estarem prontas para abandonar a fralda). E dá algumas dicas para que o processo ocorra de forma tranquila, como “não ter pressa, dar o exemplo, ler histórias, criar rotina e contar com os “acidentes””.

David Miranda utilizou algumas destas estratégias com a filha, Benedita, de 3 anos. “Hoje em dia existe muita imposição, nomeadamente nas escolas, mas nós temos uma abordagem muito liberal. E procurámos um infantário que também a tivesse”, afirma o autor do blogue Duas para um. Recorda-se que o desfralde terá acontecido “aos dois anos, dois anos e meio”, de forma natural. “Fomos conversando, lendo histórias. Foi a Benedita que disse que queria deixar a fralda, como a personagem da história. Primeiro durante o dia, depois à noite. Houve deslizes, raros, o que comprova que foi no momento certo”, refere.

Se o desfralde for mal conduzido, Clementina Almeida, fundadora do espaço ForBabies, diz que pode dar origem a retenção de urina ou fezes, atrasar o processo, levar a situações de vergonha ou “até provocar situações de obstipação”.

A importância do luto

Pipo é um urso que não queria ficar sozinho. Com a ajuda dos pais, aprendeu a lidar com a tristeza e o medo de estar separado daqueles de quem mais gosta, recorrendo a “um tesouro invisível cheio de joias – pedacinhos de quem se ama”. É com esta história que Clementina espera ajudar crianças que são obrigadas a lidar com a morte de alguém próximo, de um animal de estimação ou com a separação. Foi a mais difícil de escrever, assume, já que não é fácil falar de perdas.

“Temos de olhar para os bebés como seres altamente competentes. Não podemos pensar que não sentem ou não veem. Nestas situações, são muitas vezes deixados de parte”, indica a psicóloga, destacando que “o desaparecimento de alguém pode gerar angústia”. A criança pode, inclusive, pensar que, a qualquer momento, os pais podem desaparecer. “Temos de deixar que se despeça do que perdeu. Permitir que faça o luto, o que pode ser feito com um desenho para enviar para a “estrelinha” ou uma carta a dizer que gosta da pessoa.”

O nível de desenvolvimento da criança ditará a forma como vai entender a perda ou a separação. “Deve usar-se a imaginação para explicar a situação. Fazê-lo à medida das suas capacidades de entendimento. Se ela resolver ir brincar a meio da conversa, é normal.” É a forma de lidar com a dor. “Dê-lhe tempo.” E em caso de morte, “nunca exponha a criança a um funeral”.

Quando o casal se divorcia, Clementina Almeida diz que “o ideal é que ambos expliquem que o pai e a mãe gostam muito da criança, mas deixaram de gostar um do outro. Devem dar a segurança que, nos momentos mais importantes, vão estar os dois.” Segundo a psicóloga, entre os vários modelos de guarda partilhada há casos em que a criança passa uma semana com cada um, semanas divididas pelos dois e até situações em que é mantida a casa do casal, e pai e mãe saem alternadamente. Uma situação que não será viável para a maioria das famílias, mas “que preserva tudo”.

Da coleção de Clementina Almeida fazem parte os livros Duda, o leão que tinha medo e Tita, a zebra que não queria ter riscas. Tudo começou com Olívia, a ovelha que não queria dormir. David Miranda diz que foi um dos primeiros livros que leu à filha, e ajudou a criar “um momento zen” antes de ir para a cama. Olha para “os livros como um guião para ajudar a resolver os problemas das crianças”.

 

 


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