Imigrantes de segunda geração saem-se melhor na leitura do que portugueses

Abril 24, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Estudos sobre a Criança, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 27 de março de 2018.

Diferença de 12 pontos no PISA não é significativa, mas não deixa de reflectir o empenho dos pais destes jovens na aprendizagem da língua, defende investigador.

JOANA GORJÃO HENRIQUES

Os filhos de pais estrangeiros não estão condenados a ter maus resultados. Já ter nascido em Portugal e falar português em casa pode fazer a diferença. Um estudo divulgado há dias, pela Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE), mostra que nos últimos testes do Programme for International Student Assessment (PISA), que avaliam as competências de leitura dos jovens aos 15 anos, os chamados imigrantes de segunda geração em Portugal até se saíram melhor do que os portugueses.

Estes alunos obtiveram mais 12 pontos na Leitura do que os portugueses, analisa o especialista em estatística João Marôco. Em 2015, pela primeira vez, Portugal ficou acima da média da OCDE com 498 pontos (a média foi de 493).

A análise foi feita a partir de um relatório da OCDE, que saiu a 19 de Março, The Resilience of Students with an Immigrant Background. O especialista do ISPA — Instituto Universitário e coordenador do PISA de 2015 em Portugal lembra que o peso dos imigrantes na amostra nacional é reduzido: 3% no caso de segunda geração e de 4% na primeira.

Embora a diferença de 12 pontos não seja especialmente significativa, o facto de ela existir pode explicar-se pelo empenho dos pais na aprendizagem da língua como factor de integração, refere. Na literacia em Ciências e Matemática os números são aproximados entre portugueses e imigrantes de segunda geração.

As maiores distâncias de performance verificam-se entre portugueses e imigrantes de primeira geração, algo que é explicado pelo menor estatuto socioeconómico e cultural destes últimos, refere.

Outro dado: em geral, os alunos que falam português em casa têm desempenhos significativamente superiores a de quem não fala.

Na base de dados da OCDE não é possível diferenciar o país de origem dos alunos. O investigador admite que imigrantes de diferentes países apresentariam resultados diferentes.

No relatório, a OCDE diz que em Portugal as diferenças de performance no PISA entre alunos nativos e imigrantes não são explicados por diferenças socioeconómicas e culturais dos dois grupos. Mas o analista discorda: em Portugal os imigrantes de segunda geração têm um estatuto socioeconómico e cultural que é duas vezes superior ao dos portugueses. Já os imigrantes de primeira geração são mais desfavorecidos. Isto significa que “é evidente a inclusão bem-sucedida” dos imigrantes da segunda geração na sociedade portuguesa.

O estudo citado na notícia é o seguinte:

The Resilience of Students with an Immigrant Background

 

Um cão como ligação entre o mundo e uma criança autista

Abril 24, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 9 de abril de 2018.

Poderá um cão ajudar crianças com perturbação do espectro do autismo? O presidente da Associação Portuguesa de Cães de Assistência (APCA) não tem dúvidas: “Sim, pode.” Um cão, treinado, diz Rui Elvas, será um ponto de focalização para a criança, ajudando-a em momentos de maior ansiedade. “Uma ida ao centro comercial, com todos os estímulos visuais e sonoros, pode ser muito difícil para uma criança com autismo. Um cão de assistência será uma espécie de porto seguro”, exemplifica ao PÚBLICO o responsável pela APCA.

A associação, que nasceu há quatro anos, já treinou 11 cães para acompanhar crianças com perturbações do espectro do autismo, e dos 240 pedidos que tem em lista de espera, 70% são para este tipo de patologia. O primeiro a ser treinado, há dois anos, foi o Sinatra, um labrador. O último foi a cadela Lia, que aterrou no final da semana passada na Madeira, mesmo no meio da família de Francisco, de quatro anos, a quem, em Março de 2016, os médicos diagnosticaram autismo.

É ele que corre todo o comprimento do pequeno cais da praia de Machico, a segunda cidade da ilha, a 30 quilómetros a leste do Funchal. Uma após outra, vai retirando da praia de calhau rolado pequenas pedras que depois atira com cuidados mil para o mar. Lia, um cão-d’água português, está deitada a observar.

A interacção entre os dois é nula, neste momento. Rui Elvas nota que é cedo. Lia — o nome foi escolhido para rimar com “ia”, um dos poucos sons que Francisco já articula — tem quatro meses, e chegou à Madeira naquele mesmo dia. É o início de um processo longo de familiarização e treino, que, segundo Rui Elvas, vai ajudar a criança a lidar com as ansiedades e frustrações que acompanham o autismo.

“Enquanto os adultos pressionam a criança, o cão de assistência não pede nada em troca. Não exige, não força. Está simplesmente lá para ela”, sintetiza o presidente da APCA.

Carla Pereira, 47 anos, mãe de Francisco, quer acreditar que sim. Que vai ajudar a ligar o filho ao mundo. Conheceu a APCA no final do ano passado, no dia de Natal. Uma reportagem na televisão contava a história da entrega de um cão a uma família com três crianças com perturbações do espectro do autismo, nos Açores. “Estava a ver e pensei: porque não? Mal não irá fazer”, recorda ao PÚBLICO, enquanto acompanha o vaivém do filho, entre o início da praia e o meio do cais.

As dificuldades de linguagem e de socialização de Francisco confundiram no início a família e os médicos. “Pensámos que era surdez, e fizemos uma imensidão de exames, mas o Francisco não tinha problemas de audição”, conta Carla Pereira, que ensina Matemática na escola secundária da cidade.

Quando o diagnóstico de autismo foi feito, já a família desconfiava. O atraso na linguagem foi o primeiro sinal de alerta. As dificuldades de socialização, a confirmação.

Desde então, Francisco é acompanhado pelo Centro de Desenvolvimento da Criança, no Serviço de Pediatria do Hospital Dr. Nélio Mendonça, no Funchal. Terapia da fala. Terapia ocupacional. Psicologia. Quando falou com o neuropediatra sobre o que tinha vista na televisão, o clínico não se opôs. “Mal não fará”, ouviu Carla Pereira.

Em Fevereiro, dois meses depois de ter conhecido o trabalho da APCA, já Rui Elvas estava na Madeira a visitar a família. O objectivo é perceber quais são as necessidades da criança. O contexto familiar e que tipo de cão se adequa melhor.

“Não saltar, não ladrar”

Neste caso, foi escolhido um cão-d’água português, que, aponta Rui Elvas, é uma raça com características muito próprias que vão ao encontro das necessidades das crianças com perturbações do espectro do autismo. À cabeça, está a maior esperança média de vida (14/15 anos) quando comparada com outras raças, o que garante à partida mais tempo com a criança/jovem. “Em segundo lugar, amadurecem mais rápido, o que permite que comecem a ser treinados mais cedo”, enumera Rui Elvas, apontando para Lia, que se mantém imóvel e em silêncio. “Se fosse um labrador, com esta idade, não estava quieto”, compara o treinador.

Lia, continua, teve de esperar quatro meses para ser entregue, por ser essa a idade mínima para poder ser vacinada contra a raiva e viajar de avião. Não fosse isso, podia ter sido introduzida na família mais cedo. “O normal é acontecer entre as oito e as 12 semanas, para o cão se habituar aos movimentos muitas vezes bruscos e aos barulhos que as crianças fazem.”

Outra vantagem do cão-d’água é o pêlo. Esta raça, originária do Algarve, que ganhou nova vida em 2009 quando foi adoptada pelos Obama na Casa Branca, tem cabelo em vez de pêlo. “A questão das alergias não se coloca, o que é uma enorme vantagem.”

A primeira fase do treino do animal é a obediência, como se fosse um normal cão doméstico. “É importante estabelecer três regras simples: não saltar, não ladrar e não morder”, enumera Rui Elvas, que nesta fase, como na seguinte, se limita a orientar a família. “A ideia é supervisionar e facilitar, promovendo sempre a relação entre o cão e a nova família.”

O segundo momento do treino é mais técnico. Específico para a criança a quem o cão irá prestar assistência. No caso das perturbações de autismo, os cães são treinados para acompanhar a criança de forma a estarem presentes quando for necessário acalmá-las. “Existe muitas vezes a tendência para as crianças fugirem, e o cão é treinado para evitar isso.”

Tudo isto custa dinheiro. A aquisição, o treino e a certificação de um cão de assistência para crianças com autismo atingem os cinco mil euros. No Orçamento do Estado para este ano, por força de uma proposta do PAN, foi incluindo uma alínea que prevê o apoio financeiro às escolas que certificam os cães de assistência. Mas até agora nada foi concretizado. Por isso, a APCA tem de ser criativa. “Vamos retirando parcelas das famílias que podem pagar, para que outras, que não têm possibilidades económicas, possam também ser apoiadas” explica Rui Elvas. Muitas vezes não é suficiente. A associação tem recorrido ao crowdfunding ou a eventos para angariação de fundos, como o que aconteceu em Dezembro, nos Açores.

A APCA, que tem também treinado animais para a Dinamarca, Suíça, Alemanha, Luxemburgo, Angola e vai estar dentro de semanas em Inglaterra, nasceu em 2014 e integra, entre treinadores, terapeutas, veterinários e psicólogos, um total de 13 pessoas.

A ideia de constituir uma associação sem fins lucrativos surgiu quando uma família bateu à porta da K9 Training Center, a escola de treino canino que Rui Elvas mantém no Estoril, a perguntar se podiam treinar um cão de assistência para uma criança diabética. “Percebemos que essa área não estava a ser trabalhada e decidimos criar a associação para dar resposta a estas situações.”

Para além dos 11 cães treinados para dar assistência a crianças com autismo, a APCA já entregou outros oito, para patologias tão distintas como a diabetes (cães são treinados para supostamente detectarem crises de hipoglicemia) ou a mobilidade reduzida. O objectivo, diz Rui Elvas, é continuar a ajudar as pessoas.

 

Porque é que as crianças pedem sempre a mesma história na hora de dormir?

Abril 24, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia da https://www.tsf.pt/ de 9 de abril de 2018.

A psicóloga Clementina Almeida acredita que esse pedido está relacionado com uma necessidade de rotina. “A rotina dá-lhes uma sensação de previsibilidade. Não é por acaso que eles pedem para ler aquela história outra vez e outra vez e é sempre a mesma – porque isso lhes dá segurança”, explica a psicóloga clínica.

Clementina Almeida explica que a previsibilidade, o saberem o que vem a seguir, ajuda as crianças a acalmarem-se e os momentos que antecedem a hora de dormir são muito importantes.

Para Clementina Almeida, não interessa qual é a rotina (porque cada família é uma família), o que importa é que ela exista.

Ouvir a psicóloga Clementina Almeida no link:

https://www.tsf.pt/sociedade/interior/porque-e-que-as-criancas-pedem-sempre-a-mesma-historia-na-hora-de-dormir-9244306.html


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