Adolescentes portugueses trocam Facebook pelo Instagram

Março 23, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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PAULO SPRANGER/GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 5 de março de 2018.

Ana Rita Guerra

Rede de partilha de fotos e vídeos foi a que mais cresceu no ano passado e já é a segunda mais utilizada em Portugal

As notícias da morte do Facebook ao longo dos anos têm sido claramente exageradas, mas a tendência de perda de utilizadores entre os 12 e os 17 anos está a acelerar mais do que o previsto. Há pelo menos cinco anos que diversos estudos se debruçam sobre este problema na rede social mais utilizada do mundo: os mais jovens não querem estar onde estão os adultos. Os números recentes da eMarketer mostram que os adolescentes americanos estão a deixar o Facebook em grandes quantidades e a voarem para a aplicação de mensagens efémeras Snapchat. Mas, em Portugal, a tendência não é bem essa. A rede social que os jovens portugueses preferem agora é o Instagram, que, apesar de também pertencer ao conglomerado de Mark Zuckerberg, tem características mais atrativas para essa faixa de idades.

“Toda a gente começou a deixar de usar [o Facebook] e depois lá não dá para pôr as Stories”, confirma Sofia Matos, de 15 anos. “No Insta dá para pôr histórias e começou a ficar mais na moda.” A criação desta funcionalidade, Instagram Stories, foi uma das iniciativas recentes mais bem-sucedidas da rede social. Permite criar uma história curta com fotografias, frases, clips de vídeo e emojis que desaparece ao fim de 24 horas – uma cópia clara do conceito do Snapchat (e que, na verdade, também existe no Facebook). É a funcionalidade que os jovens portugueses parecem preferir. “Eu quando vou ao Instagram o que costumo ver mais é Stories”, diz ao DN Baltazar Nunes, de 17 anos, que fez exatamente o mesmo que Sofia: desinstalou a app do Facebook do telemóvel e só deixou a do Messenger. “O Instagram é para pôr fotografias e editá-las com filtros diferentes e acho que o Facebook ficou mais antiquado. As pessoas gostam de coisas mais modernas e diferentes”, resume. Baltazar diz que a tendência é a mesma entre todos os seus amigos e dura há cerca de um ano. “O Instagram tem funções completamente diferentes” reitera. “No Instagram, não sei explicar, mas tenho mais amigos que veem.”

Sofia, que já nem se lembra da palavra-passe da conta no Facebook, só usa a app do Messenger para enviar fotografias a si mesma e poder guardá-las. Explica que um dos motivos pelos quais deixou de gostar de ir à rede era estar rodeada de adultos. “No Facebook tinha muitos familiares e no Insta não tenho quase ninguém.”

A mesma transição aconteceu com Mara Machado, que vai fazer 16 anos em maio. No caso de Rafael de Barros, de 13 anos, a passagem para o Instagram deveu-se à popularidade entre os amigos. “Fiz porque ouvia toda a gente a falar sobre isso, queria ver como era e como funcionava”, diz ao DN. Ainda assim, Rafael não é um grande utilizador de redes sociais; mantém o Facebook por causa do Messenger, apesar de quase nunca entrar no seu perfil, e prefere o WhatsApp como meio de comunicação.

Em todos os casos, os pais dos adolescentes criaram contas no Instagram para poderem seguir a atividade dos filhos, sendo que são contas privadas – o adolescente tem de aceitar o pedido para ser seguido e a regra é não o fazer se não conhecer a pessoa.

“Ela acha o Instagram mais seletivo”, conta Ana Machado, mãe de Mara, que agora usa a rede de partilha de fotos para divulgar o seu trabalho de estética. “Um mundo um pouco mais fechado.”

Anabela de Barros, mãe de Rafael, continua a ter as palavras–passe das contas do adolescente, mas diz notar uma grande diferença entre rapazes e raparigas. “Elas expõem-se muito mais”, considera. “Há aquela coisa de se mostrarem.”

Tendência nacional

Estes casos refletem uma tendência nacional que foi atestada pela Marktest num estudo divulgado no final de 2017. Segundo os dados apurados no relatório “Os Portugueses e as Redes Sociais”, da Marktest Consulting, o Instagram foi a rede que teve o maior aumento relativo em 2017, na ordem dos 35%, e é já a segunda rede mais usada pelos portugueses. Enquanto a taxa de utilização global é de 50,3% entre todos os portugueses que usam redes sociais, a penetração na faixa etária dos 15 aos 24 anos é bem mais impressionante: 80,4%.

O Facebook continua a ser a rede mais utilizada, tendo registado durante o ano de 2017 uma taxa de penetração de 95,5% entre o universo de utilizadores de redes sociais. Mas, mesmo que os adolescentes não apaguem as suas contas no site criado por Mark Zuckerberg por uma questão de conveniência – por exemplo, login noutras apps, ligação entre contas ou manutenção do Messenger -, deixaram de ser utilizadores reais. No caso de Mara Machado, a jovem cancelou mesmo o seu perfil e já só usa o Instagram. Os dados da Marktest, curiosamente, indicam que existe uma incidência superior de utilização da rede de partilha de fotos entre as mulheres. Por outro lado, “os residentes na Grande Lisboa e no Grande Porto e indivíduos das classes mais baixas também referem mais do que a média ter conta no Instagram”, indica o relatório da consultora.

E o Snapchat?

A eMarketer prevê que, só neste ano, o Snapchat adicione 1,9 milhões de utilizadores americanos com menos de 25 anos, enquanto o Facebook vai perder 2,1 milhões de utilizadores nessa faixa etária (os analistas questionam se será troca por troca). No ano passado, a rede de Zuckerberg perdeu 1,4 milhões de adolescentes entre os 12 e os 17, três vezes mais que o previsto, e a tendência repete-se noutros grandes mercados, como o do Reino Unido. A aplicação de mensagens efémeras em fotos e vídeos continua a ter mais jovens entre os 12 e os 24 do que o Instagram nos Estados Unidos, mas mesmo assim tem uma dimensão mundial inferior. O Snapchat contabiliza 187 milhões de utilizadores diários, enquanto o Instagram tem 500 milhões.

A que se deve esta diferença entre os jovens americanos e os portugueses? Baltazar Nunes resume desta forma: “O Snapchat é como o Facebook, há uns anos toda a gente usava e deixaram de usar, passou tudo a usar o Instagram.” Sofia Matos confirma: “O Snapchat uso para tirar fotos, porque tem lá efeitos giros, mas já não uso muito.” Rafael de Barros e Mara Machado nem sequer têm lá conta.

Talvez reflitam uma transição que vai chegar a outros mercados, ou estejam a responder às próprias decisões da Snap, casa-mãe do Snapchat, que nos últimos tempos fez um grande esforço para atrair utilizadores mais velhos. Na conferência com analistas para discutir os resultados do quarto trimestre fiscal, o CEO da Snap, Evan Spiegel, falou dos resultados das novidades introduzidas gradualmente na aplicação do Snapchat com esse propósito. O executivo mostrou uma série de indicadores encorajadores, entre os quais melhor envolvimento e interação com utilizadores acima dos 35 anos. É uma faixa etária que normalmente não se associava à aplicação de mensagens efémeras, e que choca com o desejo dos adolescentes de socializarem em ambientes virtuais com poucos ou nenhuns adultos.

A Snap parece estar a tirar notas da experiência do Facebook e do Instagram: é que, embora haja muita atenção devotada às preferências dos adolescentes, estes não têm o mesmo poder de compra das faixas etárias superiores, que estão mais bem distribuídas pelas redes sociais controladas por Mark Zucker- berg.

É um caminho inverso ao que o Instagram fez, quando usou os métodos bem-sucedidos do Snap- chat para atrair utilizadores mais velhos – com resultados muito positivos em mercados como o português. As Stories de que os adolescentes falaram, uma inspiração direta do conceito do Snapchat, aumentou o envolvimento com os utilizadores e acelerou o crescimento em novas contas. É possível até traçar um paralelo entre o ganho de utilizadores no Instagram e a desaceleração do crescimento no Snapchat, o que, por sua vez, levou a Snap a tomar medidas controversas.

De facto, o redesenho mais recente da interface do Snapchat foi feito precisamente para atrair outros públicos, mas causou uma autêntica revolta entre os utilizadores fiéis, que estão a fazer circular uma petição contra com mais de 1,2 milhões de assinaturas. A consultora LikeFolio reportou uma explosão de comentários de pessoas que trocaram o Snapchat pelo Instagram por causa do novo layout, que foi avaliado negativamente por 80% dos utilizadores.

A juntar a esta repercussão inesperada do redesenho, a Snap tombou 6,1% em bolsa e perdeu mais de 1,3 mil milhões de dólares de capitalização bolsista por causa de um tweet de Kylie Jenner, uma das figuras mais populares do clã Kardashian. “Entãooooo há mais alguém que já não vai ao Snapchat? Ou sou só eu… ugh isto é tão triste.” Muitos dos seus seguidores do Twitter (um total de 24,5 milhões) concordaram com o que a celebridade escreveu, apesar de Kylie ter publicado logo a seguir que ainda adora o Snapchat, o seu “primeiro amor”.

mais informações no relatório:

Os Portugueses e as Redes Sociais 2017

 

Escolas e professores apanhados a promoverem viagens de finalistas

Março 23, 2018 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social, Relatório | Deixe um comentário
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Notícia e fotografia do https://observador.pt/ de 22 de março de 2018.

Relatório da Inspeção-Geral de Educação e Ciência revelou que houve escolas e professores a promoverem viagens de finalistas. Visados podem incorrer em processos disciplinares.

A  Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) detetou escolas e professores que promoviam viagens de finalistas junto dos alunos, conta esta manhã o Jornal de Notícias. Além disso, alguns professores chegavam mesmo a acompanhar os estudantes nas viagens e agora os responsáveis e docentes podem incorrer em sanções disciplinares. na sequência do relatório, o Ministério da Educação proibiu os 811 agrupamentos de ensino secundário de promover ou organizar viagens de finalistas.

O relatório do IGEC foi também enviado para a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) e para o Instituto do Consumidor, “a fim de ser analisado no âmbito das competências destas entidades”. Nos últimos meses foram realizadas várias inspeções depois das denúncias de que atividades de promoção de viagens de finalistas estavam a decorrer “em ambiente escolar”.

Os inspetores interrogaram presidentes de associações de estudantes e diretores de escolas sobre a forma como são promovidas, negociadas e preparadas estas viagens, destinadas sobretudo a alunos do 12.º ano. O presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos disse que “as escolas receberam uma comunicação sobre as viagens de finalistas”, mas que “o aviso do Mistério da Educação peca por tardio porque, nesta altura, as viagens que se vão realizar já estão todas organizadas”.

As viagens de finalistas acontecem na altura das férias da Páscoa, com o principal destino a ser o sul de Espanha, para onde viajam cerca de 20 mil alunos todos os anos. A GNR já começou a operação “Spring Break”, na segunda-feira, que pretende sensibilizar os estudantes para os comportamentos de risco relacionados com o consumo de álcool e drogas. Entre os dias 23 e 25 de março os militares da GNR vão realizar ações de fiscalização nas fronteiras terrestres de Vilar Formoso (Guarda), em Caia (Portalegre) e Vila Real de Santo António (Faro). As férias escolares da Páscoa são entre 26 de março e 6 de abril.

 

 

 

IndieJúnior – 27 de abril a 6 de maio em Lisboa

Março 23, 2018 às 2:23 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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mais informações:

http://indielisboa.com/festival-indiejunior/

Crianças retiradas aos pais – debate na TVI24 com a presença da Presidente do IAC Dulce Rocha

Março 23, 2018 às 1:30 pm | Publicado em O IAC na comunicação social, Vídeos | Deixe um comentário
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Debate realizado na TVI24 no programa 21ª Hora no dia 22 de março com a presença da Drª Dulce Rocha, Presidente do Instituto de Apoio à Criança.

Visualizar o debate no link em baixo a partir do 1: 02: 43 m

http://tviplayer.iol.pt/programa/21-hora/55d74f360cf2cfab91830ad8/video/5ab43c670cf248c46ec4b297

Dois anos depois de saírem de um Centro Educativo, 31% dos jovens reincidiram

Março 23, 2018 às 12:00 pm | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 6 de março de 2018.

Relatório da Direcção de Serviços de Justiça Juvenil traça o percurso de 191 jovens. Peritos concordam: é mais importante o antes e o depois do que o que acontece no centro onde cumprem a medida de internamento.

JOANA GORJÃO HENRIQUES

Dois anos depois de terem cumprido uma medida tutelar de internamento num centro educativo, 31% dos jovens reincidiram, ou seja, voltaram a ser condenados, mostram dados compilados no relatório de avaliação da Direcção de Serviços de Justiça Juvenil (DSJJ), com a colaboração dos centros educativos e das equipas de Reinserção Social.

De um universo de 220 jovens que saíram de um centro educativo entre Janeiro de 2015 e Junho de 2017 foi possível avaliar o percurso de 191. A DSJJ concluiu, na análise que já foi entregue ao Parlamento, que no total houve 41 jovens (21,5%) que voltaram a ser condenados em processo penal ou tutelar educativo, na sequência de julgamento. E que outros 26 (13,6%) tinham processos em fase de inquérito no âmbito dos quais podiam vir, “no futuro, a ser condenados em processo penal ou com aplicação de medida tutelar educativa”.

Lei Tutelar Educativa abrange crianças e jovens com mais de 12 anos e menos de 16 que cometem actos qualificados como crime. A partir dos 16 passam a poder ser responsabilizados criminalmente.

Os números mostram que quanto mais tempo passa desde a saída do centro educativo, maiores são os riscos de reincidência. Dos 191 jovens que a DSJJ seguiu, 36 tinham saído dos centros havia seis meses, 71 havia 12 meses e 84 havia dois anos. As taxas de reincidência registadas em cada grupo foram, respectivamente, de 5,5%,18,3% e 31%.

Projecto Reincidências — Avaliação da Reincidência dos Jovens Ofensores e Prevenção da Delinquência, promovido pela Direcção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) e realizado pela Universidade do Minho, concluiu em dois momentos, relativos a períodos diferentes, que os jovens que voltaram a cometer delitos representavam um terço do total (33,2%) num caso e 29,2% noutro. Isso permite a Celso Manata, responsável pela DGRSP, dizer que as taxas gerais de reincidência gerais têm vindo a diminuir ligeiramente.

As taxas são também mais baixas se comparadas com outros países europeus, analisa Maria João Leote de Carvalho, representante portuguesa no European Council for Juvenile Justice e investigadora do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa. Os mais recentes dados do Ministério da Justiça britânico mostram, por exemplo, que a taxa de reincidência de crianças e jovens foi de 42,2% um ano depois de cumprida a medida (o dobro da referenciada neste relatório português) e chegou quase aos 80% passados dez anos.

A investigadora ressalva, no entanto, que a comparação com outros sistemas tem de ter em conta factores como a natureza da intervenção, que em Portugal tem um carácter não penal, e os escalões etários abrangidos, que não são coincidentes (por exemplo, em Inglaterra a idade criminal é aos 10 anos).

Voltando ao relatório, 70,2% dos 124 jovens que não apresentavam quaisquer indicadores de possível reincidência (nem condenações, nem processos em curso) foram considerados integrados, isto é, estavam a estudar ou a frequentar um curso de formação ou a trabalhar com assiduidade e com um comportamento adequado — além de estarem integrados na família ou numa instituição. Porém, quase 14% mostraram sinais de integração de risco, não estando a trabalhar nem a estudar ou tendo dificuldades na integração familiar.

Falhas na protecção

Para a procuradora Maria do Carmo Peralta, coordenadora da Comissão de Acompanhamento e Fiscalização dos Centros Educativos (CAFCE), as taxas de reincidência não representam uma consequência do que se passa nos centros, antes resultam daquilo que os jovens encontram cá fora antes e depois de serem internados.

“Em termos de promoção e protecção o sistema continua a falhar”, afirma. Isto, porque a esmagadora maioria dos jovens a cumprir medidas tutelares educativas veio sinalizada de processos de promoção e protecção de crianças em risco ou estava acolhida em instituições de acolhimento, revelou um relatório da CAFCE com dados de 2015. “O sistema tem de ser reequacionado”, refere.

Também Maria João Leote de Carvalho alerta para uma “questão de fundo”: “A reincidência não deve ser lida de forma linear sobre a natureza e eficácia da intervenção da Justiça juvenil.” Não se pode ignorar “a interacção com outros factores e circunstâncias pessoais e sociais relevantes que ocorrem no percurso de vida de qualquer jovem na transição para a vida adulta”. Por isso, é importante perceber também o tipo de reincidência — se indica uma escalada mais grave ou o contrário, acrescenta.

O próprio director dos Serviços Prisionais refere que “há um trabalho de fundo que tem de ser feito com outros interlocutores com vista a uma intervenção” antecipada, nomeadamente com os serviços de protecção para que “noticiem mais cedo o que acontece ao jovem”, de forma a avaliar se se irá “aplicar uma medida educativa”.

No mesmo sentido vai a opinião do procurador Norberto Martins, coordenador dos magistrados interlocutores das comissões de protecção: “O problema maior põe-se cá fora, quando o jovem regressa ao meio natural, vai encontrar a mesma família, os mesmos amigos e o mesmo bairro.”

E acrescenta: “O trabalho do internamento per si de pouco valerá, se no exterior o jovem não for acompanhado pela Reinserção Social ou outras entidades no âmbito da promoção e protecção. Esse acompanhamento, aliás, está expressamente consagrado na lei.”

 

 

 

Educar para a cidadania é construir uma sociedade responsável

Março 23, 2018 às 6:00 am | Publicado em Relatório | Deixe um comentário
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Snews

Snews

Texto do https://www.educare.pt/ de 28 de fevereiro de 2018.

Os sistemas de ensino europeus sabem a importância que a cidadania tem num mundo mais justo, mais crítico, mais democrático. As escolas dedicam tempo a esta tarefa, mas ainda faltam orientações precisas na formação inicial dos professores e uma maior margem de manobra nas direções escolares.

Sara R. Oliveira

A educação para a cidadania é uma prioridade ao nível europeu, faz parte do currículo na maioria dos países, a sua presença nas escolas faz todo o sentido. O relatório Eurydice 2017 sobre o assunto mostra que assim é e revela algumas medidas que se encontram em vigor, sem, no entanto, monitorizar a sua implementação, nem avaliar a sua eficácia. O relatório destaca a importância do pensamento crítico e socialmente responsável em torno destas matérias, bem como a participação de pais e alunos e o envolvimento dos professores para que a cidadania não seja uma palavra sem sentido.

O mundo pula e avança e educar para a cidadania ganha uma importância cada vez maior. Ajuda os alunos a tornarem-se cidadãos ativos, informados e responsáveis, dispostos e capazes de assumirem responsabilidade por si e pelas suas comunidades. Os sistemas de ensino europeus sabem quão importante é ensinar crianças e jovens a comportarem-se de forma responsável, a compreenderem o papel das instituições, a adquirirem competências para desempenharem deveres sociais e políticos no futuro.

“No entanto, apesar do progresso nos últimos anos, quase metade dos países ainda não introduziu regulamentos ou recomendações sobre a inclusão da Educação para a Cidadania na formação inicial de professores”, adianta o relatório Eurydice Education Citizenship School in Europe – 2017. Além disso, não tem havido orientações para avaliar os alunos nesta área disciplinar e as competências dos diretores escolares são limitadas.

“Embora a ênfase esteja nos alunos e no que acontece na escola, o relatório reconhece que os professores desempenham um papel vital no processo de aprendizagem, e reconhece que as atividades fora da sala de aula (como visitas de estudo ou voluntariado e projetos na comunidade) podem contribuir para os objetivos da educação para a cidadania”. Uma educação transversal, portanto, e em vários espaços, dentro e fora da escola. Nos primeiros anos de escolaridade, dá-se mais atenção às regras e à forma de interagir de forma eficaz e construtiva com os outros, no nível secundário investe-se mais nos comportamentos responsáveis e democráticos, devido à capacidade de abstração e ao pensamento analítico mais desenvolvido nos alunos mais velhos.

Na Europa, há 33 sistemas de ensino que dão uma orientação, incluindo material de apoio, na educação para a cidadania em pelo menos um nível de ensino. Destes, 18 têm orientações para todos os níveis. E além do modelo mais tradicional, da aprendizagem orientada pelo professor, também há pedagogias inovadoras. Portugal, Polónia, Suíça e Montenegro têm os parlamentos de jovens para o público escolar. Na Irlanda, os alunos podem planear e executar o seu próprio projeto de ação de cidadania. O Chipre investiu na aprendizagem interativa com um guia de aprendizagem que apoia debates em temas sensíveis como, por exemplo, a eutanásia animal. Na Letónia, selecionam-se filmes sobre casos reais de discriminação para promover o debate, o pensamento crítico e a autorreflexão. Na Holanda, o voluntariado pode ser considerado parte do currículo escolar.

Comunicar, argumentar, ouvir 
O Eurydice salienta as recentes reformas feitas em França para que os professores tenham competências na educação para a cidadania de forma a transmitirem assuntos importantes aos alunos. Um plano de ação com orientações concretas: rejeitar todas as formas de violência e discriminação, promover os valores da República, ter em consideração a diversidade estudantil e acompanhar os alunos no processo de aprendizagem, atuar como educador responsável e ético, integrar ferramentas digitais no percurso de ensino, cooperar em equipa com os pais e parceiros escolares, contribuir nas ações da comunidade escolar.

Já há países europeus concentrados em treinar diretores de escolas para estes assuntos e em desenvolver uma série de medidas, inclusive através do currículo e atividades extracurriculares, com o propósito de envolver os pais e promover a cooperação entre professores. Em Espanha, por exemplo, as cidades autónomas de Ceuta e Melilla deverão avançar com cursos de formação para diretores escolares melhorarem a coexistência nas escolas, planear estratégias e prevenir conflitos.

Mas nem todos os países dedicam o mesmo número de anos a educar para a cidadania, pode variar entre 1 e 12 anos. Estónia, França e Finlândia são os países que dedicam mais tempo. Croácia, Chipre e Turquia dedicam menos. E, por norma, não são feitos testes de avaliação. Os resultados são normalmente usados para atribuir certificados ou tomar decisões formais no que diz respeito à progressão dos alunos.

Educar para a cidadania abre um mundo de possibilidades e envolve várias competências. “A educação é muito mais do que simplesmente ensinar aos alunos os problemas políticos de um país.” É refletir sobre as próprias atitudes, comunicar e ouvir, argumentar e escutar os pontos de vista dos outros. Encorajar os alunos a participarem no processo democrático está incluído nos currículos da maioria dos programas educacionais europeus. “Assim, a educação moderna para a cidadania na Europa tende não apenas a disseminar conhecimento teórico sobre democracia, mas também encoraja os alunos a tornarem-se cidadãos ativos que participam da vida pública e política”, refere o documento.

O relatório europeu destaca, por outro lado, quatro áreas de competências na educação para a cidadania. São pilares importantes. Interagir de forma eficaz e construtiva com os outros, estimular o desenvolvimento pessoal (autoconfiança, responsabilidade pessoal e empatia), comunicando, ouvindo e cooperando com os outros. Pensar de forma crítica, raciocínio e análise, literacia mediática, conhecimento e descoberta, e uso de fontes. Atuar de forma socialmente responsável, incluindo o respeito pelo princípio de justiça e direitos humanos; respeito por outras culturas e outras religiões; desenvolvendo um sentimento de pertença; e ainda questões relacionadas com o ambiente e a sustentabilidade. Agir de forma democrática, incluindo o respeito pelos princípios democráticos, conhecer e compreender os processos políticos, as instituições e organizações.

Citizenship Education at School in Europe – 2017


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