Crianças e idosos juntos na sala de aula para definirem o amor, em Vila Nova de Gaia

Março 14, 2018 às 9:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Nelson Garrido

 

Artigo de Miguel Dantas para o jornal Público, em 21 de fevereiro de 2018.

 

No poema da Dona Porcina descreve-se o seu primeiro beijo. Quem o ouve talvez ainda não o tenha dado mas o entusiasmo destes miúdos com menos de uma década de vida fazem-na recuar dos seus 95 anos até ao tempo de meninice. Na Escola Básica das Matas, em Vila Nova de Gaia — uma escola do primeiro ciclo com jardim de infância —, fala-se de amor. Crianças do pré-escolar ao quarto ano aguardam a visita dos seus colegas séniores. Os mais novos fazem desenhos para lhes entregar à chegada. Ao acabarem o trabalho, exibem as suas obras à educadora de infância, cheios de orgulho e aguardando o elogio devido.

Os idosos chegam à escola com um sorriso rasgado. As crianças do quarto ano sabiam o nome de cada um e cumprimentaram individualmente os utentes do Lar de Idosos da Santa Casa da Misericórdia de Gaia, que se deslocaram ao estabelecimento de ensino acompanhados por uma funcionária. Os desenhos surpresa que os pequenos do pré-escolar realizaram constituíram “um miminho extra”.

Durante o mês de Fevereiro, a Escola das Matas — que pertence ao Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos — promove uma acção que junta crianças e idosos, pretendendo partilhar a visão que as diferentes faixas etárias possuem sobre o amor. O Projecto Gerações, que tem participantes entre os três e os 95 anos de idade, reuniu poemas e desenhos realizados pelos participantes. A turma do pré-escolar, uma das turmas do quarto ano e alguns utentes do lar da Santa Casa da Misericórdia gaiense associaram-se ao projecto.

A apresentação multimédia — que reuniu poemas e desenhos relacionados com o amor — foi feita com acompanhamento da música O amor é mágico dos Expensive Soul. Os alunos do quarto ano foram trauteando a música, à medida que os poemas e desenhos iam sendo projectados no quadro branco. A cada poema, o rosto do autor iluminava-se. Este efeito não se fez só sentir nas crianças — os idosos não poupavam sorrisos.

Fernanda Seixas, professora da turma do quarto ano, disse ao PÚBLICO que este convívio intergeracional tem como principal objectivo ensinar aos mais jovens “os valores da tolerância e integração”. Cumulativamente, pretende-se que gerações do futuro aprendam desde tenra idade a respeitar e valorizar a população com maior experiência de vida.

Também a educadora de infância, Maria João Lima, diz que se devem adoptar nas escolas portuguesas projectos que, como este, “sejam dinamizadores” e sirvam como uma “abertura de horizontes” das crianças. A educadora realça também a importância da participação familiar na vida escolar pois estes projectos apenas são possíveis devido ao “empenho e envolvimento dos pais”.

O encontro das crianças com os idosos já é acontecimento recorrente na escola gaiense devido à existência de uma parceria com o lar da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Gaia, que permite que tanto as crianças como os idosos se visitem mutuamente.

No início da apresentação destes trabalhos sobre o amor, a professora Fernanda Seixas relembrou a dificuldade que grandes escritores como Camões, Camilo Castelo Branco e Florbela Espanca sentiram ao tentar definir este “sentimento que arde sem se ver.

Os poemas vão das — naturais — abordagens engraçadas até aos jogos de palavras e reflexões profundas. Os desenhos realizados pelos alunos da pré-escolar, recheados de corações, mostram a visão de uma criança sobre o sentimento que, em Fevereiro — mês dos afectos e de S. Valentim —, assume importância redobrada.

A dona Porcina — nome carinhoso pelo qual é tratada a senhora de 95 anos — é uma das utentes que visitou a escola gaiense. Vivaça e muito bem-humorada foi sorrindo ao ler os poemas e desenhos que as crianças fizeram. O seu poema faz-nos recuar no tempo até ao seu primeiro beijo. Ri-se quando a professora Fernanda o declama para as turmas.

“As crianças fazem-me lembrar a minha vida de meninice. Tenho muitas saudades dessa vida”, diz , com um brilho nos olhos. Dona Porcina garante que as crianças têm em si “o amor mais puro que existe” porque “não existe nele qualquer malícia”. Para ela, as crianças presentes no convívio são os seus “filhinhos de outros pais”.

Júlia Mendes, funcionária do lar da Santa Casa da Misericórdia, refere que, para os cidadãos séniores “é uma alegria” visitar as crianças.

O próximo evento que aproximará as duas gerações já está a ser delineado. Desta vez, serão as crianças que visitarão o lar gaiense. Uma peça de teatro surpresa foi prometida à comitiva sénior que visitou as turmas da Escola Básica das Matas.

 

Aniversário do IAC: há 35 anos ao serviço da Criança

Março 14, 2018 às 1:50 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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No dia 14 de março assinala-se o 35º aniversário da criação do INSTITUTO DE APOIO À CRIANÇA presidido pela Drª. Dulce Rocha. O IAC é uma instituição Particular de Solidariedade Social, sem fins lucrativos, criada em 1983 por um grupo de pessoas de diferentes áreas profissionais – médicos, magistrados, professores, psicólogos, juristas, sociólogos, técnicos de serviço social e educadores.

Desde 1983 que o Instituto de Apoio à Criança tem sido uma importante realidade ao serviço da criança, da família e da comunidade, especialmente para muitas crianças o suporte que lhes falta, o garante dos seus direitos, interesses e necessidades. Sabemos que não vamos resolver todos os problemas das crianças em perigo, mal-amadas, desaparecidas e exploradas sexualmente e que sofrem tão dolorosamente as consequências de uma sociedade tantas vezes desumanizada e injusta socialmente.

Como dizia o Dr. João dos Santos, sócio-fundador do Instituto de Apoio à Criança “o destino do homem determina-se na forma como é gerado, no calor dos braços que se lhe estendem, na ideologia que o envolve e na liberdade que lhe é proporcionada para imaginar, experimentar e pensar.

Façam o que eu digo, não façam o que eu faço? notícia da Sábado com declarações de Manuel Coutinho do IAC

Março 14, 2018 às 12:07 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A notícia contém declarações do Dr. Manuel Coutinho (Secretário–Geral do Instituto de Apoio à Criança e Coordenador do Sector SOS-Criança do Instituto de Apoio à Criança).

Jovens e internet: que idade para o consentimento parental?

Março 14, 2018 às 11:10 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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MAL LANGSDON/REUTERS

 

Artigo de Opinião de Tito de Morais e Cristina Ponte, para o jornal Público, em 21 de fevereiro de 2018

Aumentar para 16 anos a idade do consentimento poderá contribuir para agravar um problema, em vez de o resolver.

O Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), que produz efeitos a partir de 25 de maio, impede as empresas de serviços digitais de realizarem práticas de data-profiling de menores de idade, transferirem dados pessoais a entidades terceiras sem consentimento explícito prévio, e impõe o “direito ao esquecimento”. Por sua vez, menores de 16 anos devem obter consentimento parental para aceder a serviços digitais, uma medida que agora se situa nos 13 anos.

Saudando os aspetos positivos desta regulamentação, discordamos do aumento de idade no contexto português onde em muitos lares têm sido os mais novos a levar as famílias para o digital e onde permanece um fosso digital entre gerações.

Capacitar crianças, adolescentes e respetivas famílias em matéria de segurança digital tem sido objetivo de projetos comparticipados pela União Europeia, como o SeguraNet, do Ministério da Educação, e o Consórcio InternetSegura, liderado pela FCT. A sua atenção às redes sociais é uma prioridade sabendo como elas são populares entre os mais novos.

O atual programa de TIC considera as redes sociais como matéria curricular no 8.º ano de escolaridade, ou seja, cobrindo os 13/14 anos. Dado que os usos da internet começam antes e nem sempre são devidamente acompanhados no ambiente familiar, temas como o da utilização ética, responsável e segura das TIC, onde se inclui a segurança online e a proteção da privacidade, deveriam passar a integrar o curriculum escolar mais cedo.

Em 2014, o estudo Net Children Go Mobile, que incidiu sobre os 9-16 anos, indicou que 80% das crianças portuguesas de 11-12 anos referiam ter um perfil numa rede social: já então era elevada a taxa de falsa informação sobre a idade — com ou sem consentimento parental — para criar uma conta. O estudo revelou também competências e cuidados no manejo de contatos: cerca de três quartos declarou aceitar apenas pedidos de contato por parte de pessoas que conhecia, sendo esse valor o mais elevado entre os sete países do estudo. A promoção precoce de literacias digitais faz o seu caminho.

Aumentar para 16 anos de idade o requisito do consentimento parental para recolher e tratar dados pessoais pode resultar em mais jovens a dar informação falsa sobre a idade, contornando possíveis resistências parentais e uma cultura de protecionismo. Essa ilusão etária impede os operadores de adequarem medidas e ferramentas de segurança e proteção da privacidade à idade real dos utilizadores mais novos. Resumindo, em vez de se colocar o foco na informação, na educação, em serviços e ferramentas que possam contribuir para proteger crianças e jovens dos potenciais riscos a que podem estar expostos online, adotar os 16 anos como idade do consentimento poderá contribuir para agravar um problema, em vez de o resolver.

Crescendo em tempos digitais, há direitos das crianças também a considerar a essa luz, como sublinha a UNICEF: o direito a ser ouvido em matérias que lhe dizem respeito; o direito a liberdade de expressão, pensamento e consciência; o direito a ter informação adequada à sua idade; o direito ao lazer e atividades recreativas e culturais, entre outros.

O tema da idade para o consentimento parental à luz do Artigo 8.º do RGPD será discutido nas próximas semanas no Parlamento português. Esperamos que, à semelhança da Dinamarca, Espanha, Irlanda, Letónia, Polónia, Reino Unido, República Checa e Suécia, Portugal tire partido da latitude consignada no Artigo 8.º do RGPD, optando pelo requisito do consentimento parental aos 13 e não aos 16 anos de idade.

Com essa decisão por parte das autoridades portuguesas e reforçando a sua literacia digital comercial, adolescentes de 13 ou mais anos de idade poderão usufruir da proteção dos seus dados pessoais e da sua privacidade, continuando a usufruir das oportunidades e dos benefícios proporcionados pelas TIC no domínio do acesso à informação, comunicação, comércio, educação, formação e desenvolvimento pessoais, lazer e entretenimento, expressão da sua criatividade e afirmação de uma cidadania ativa e participativa.

A inclusão digital de nove em cada dez cidadãos portugueses é uma das metas apontadas pelo Roteiro Inovação para 2030. Essa meta necessita mais de políticas que favorecem competências digitais do que da criação de barreiras e obstáculos artificiais.

Prioridade da infância é BRINCAR, e não criar currículo!

Março 14, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Photo by Lotte Meijer on Unsplash

 

No mundo competitivo que a gente vive, é natural ver muitos pais e mães preocupados em oferecer uma infinidade de cursos para a criançada já na primeira infância. É inglês, música, robótica, reforço escolar, enfim, tudo para capacitá-los a encarar os desafios profissionais que aparecerão lá na frente. No entanto, especialistas são cada vez mais taxativos: brincar ainda é o maior catalisador das competências humanas. É nas pequenas distrações cotidianas que os pequenos aprendem habilidades importantíssimas para a carreira que vem anos mais tarde.

O pediatra Daniel Becker, pesquisador do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro e um dos criadores do programa Saúde da Família, defende que essa visão curricular sobre as atividades nas quais a criança precisa se envolver pode acabar fazendo com que ela desenvolva comportamentos de competitividade e individualismo.

O especialista defende que, na infância, a prioridade deve ser o livre brincar, atividade que não pode ser repetida em outra etapa da vida e que é capaz de estimular uma série de competências humanas que nenhuma sala de aula poderá ensinar.

“Nós vivemos uma cultura de excesso de valorização da aprendizagem com adultos, é um paradigma da escola do desenvolvimento. Como se o desenvolvimento de uma criança só se desse na sua interação com adultos, em aulas, supervisões, atividades programadas e estruturadas. Quando, na verdade, isso só provê essa criança de um tipo de ganho, um tipo de inteligência”, diz ele.

Segundo o pediatra, uma criança que brinca no parque com amigos vai aprender a negociar, interagir, ter empatia, ouvir o outro, se fazer ouvir, avaliar riscos, resolver problemas, desenvolver coragem, autorregulação, auto estímulo, criatividade, imaginação… Uma série de habilidades que nenhuma aula vai oferecer para ela.

“E elas são muito mais importantes para um adulto bem-sucedido do que uma aula de Kumon ou violino. Não que precisemos desvalorizar a importância de matricular nossos filhos em algumas atividades, mas é importante nunca esquecer que brincando livremente na natureza a criança está aprendendo.”

Becker ainda aponta que esse “excesso curricular” pode acarretar até prejuízos:

“Há algumas pesquisas que já estão avaliando que as crianças da geração Y, os millennials, que foram superprotegidas e foram vítimas desse excesso de escolarização, estão se tornando adultos narcisistas, incapazes de lidar com a frustração e com o conflito, tendem a fugir das intempéries… A criança tem que cair e ralar o joelho. Porque a vida dói, a realidade dói. Mas passa. E, no dia seguinte, o machucado ganhou uma casquinha, o corpo está reagindo e fazendo alguma coisa. Daqui a pouco, aquela marquinha sumiu e o joelho voltou ao normal. Olha tudo o que ela aprendeu ali sobre enfrentar a dor, sobre saber que essa dor passa e que o corpo funciona e se regenera. Que aula vai oferecer a ela essa experiência?”

Fonte: http://marcoleaoto.pt


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