A violência do parto, a alegria do nascimento. 20 imagens vencedoras do concurso de fotografia para grávidas

Março 13, 2018 às 9:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Fotografia de Vanessa Mendez

 

Foram anunciadas as 20 fotografias vencedoras do concurso “Birth Becomes Her”, dedicado a imagens tiradas a grávidas, ao parto e à amamentação. Mostram a violência do parto e a alegria do nascimento.

Um bebé a deixar o corpo da progenitora, uma mãe a amamentar o filho e a experiência de quem passou por um parto natural depois de submetida a uma cesariana. O concurso “Birth Becomes Her” chegou ao fim e premiou 20 das mais de mil fotografias que foram submetidas ao julgamento do júri. As imagens mostram a realidade nua e crua de vir ao mundo — e de trazer uma nova vida ao mundo, também.

A imagem vencedora veio de Lochristi, na Bélgica, e mostra um parto em casa dentro de uma banheira transparente: o bebé deixa o corpo da mãe e, à sua espera, está a irmã mais velha. A fotografia “O Incrível Primeiro Encontro dos Irmãos”, tirada por Marijke Thoen, também foi a escolha do público e portanto fica de fora das cinco categorias a concurso: Parto, Pós-Parto, Amamentação, Nascimento e Maternidade.

Veja todas as fotografias da fotogaleria AQUI.

 

Notícia do Observador em 20 de fevereiro de 2018

Criminalidade nas escolas de Lisboa aumentou 10%

Março 13, 2018 às 2:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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LEONARDO NEGRÃO / GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 13 de março de 2018.

Rute Coelho

Escolas de Lisboa contrariam descida do número de ocorrências a nível nacional. PSP registou 1797 crimes em 2016-17

A Escola Básica 2,3, sede do agrupamento do Alto do Lumiar, convivia paredes meias com o tráfico de droga na rua. De vez em quando apareciam seringas no recreio e havia consumo nas encostas da escola. Mas o problema foi ultrapassado com a polícia a atacar o tráfico e os casebres dos toxicodependentes a serem substituídos por um hipermercado. O Programa Escola Segura da PSP, que já tem 25 anos de existência, está cheio de histórias felizes como esta. Mas, se a nível nacional as ocorrências registadas pelo programa diminuíram, na área do comando metropolitano de Lisboa da PSP (Cometlis) – que inclui concelhos como Amadora, Loures e Sintra – aumentaram 10% no último ano letivo.

Em 2016/17 registaram-se 1797 crimes (furtos, roubos, agressões, tráfico de droga, etc), o que representou uma subida de 10% face ao ano anterior (1631 crimes), segundo dados oficiais do Cometlis facultados ao DN. Curiosamente, a nível nacional a criminalidade em ambiente escolar registou uma descida também de 10% (dados divulgados no início do ano).

A polícia identificou 1881 suspeitos da prática de crimes nos recintos e perímetros escolares, mais 8% do que os 1797 do ano anterior. Também fez 62 detidos, mais 6%, face aos 58 do ano anterior. As ocorrências não criminais (distúrbios escolares) subiram 15,36% num total de 1126, quando tinham sido 976 no ano letivo de 2015/16.

O patrulhamento e apoio dos agentes da Escola Segura à comunidade escolar faz toda a diferença, asseguram os diretores de escolas, os pais e a comunidade educativa em geral (ver texto secundário).

Polícias próximos dos alunos

A escola EB 2,3 D.José I, do Alto do Lumiar é um dos 150 estabelecimentos de ensino da área da 3ª Divisão da PSP de Lisboa (Benfica) abrangidos pelo programa Escola Segura. Só nessa zona territorial da PSP foram registados 312 crimes no ano letivo 2016/17, quando no ano letivo anterior tinham sido 287.

O comando de Lisboa da PSP adiantou que a escola do Alto do Lumiar era das que tinha mais ocorrências, nomeadamente tráfico e consumo de droga junto aos seus muros.

A equipa da Escola Segura da PSP que presta serviço na escola (onde estão alunos até aos 16 anos) mudou esse panorama nos últimos cinco anos, em articulação com a comunidade escolar.

Os agentes Carla Pires, 42 anos, há 14 a prestar serviço na escola, e Vítor Jesus, 42 anos, há uma década ali, já são praticamente da casa. É uma escola em território educativo de intervenção prioritária (TEIP) e por isso conta com uma mediadora escolar para resolver conflitos e uma assistente social. Mas os dois polícias também fazem patrulha a várias outros estabelecimentos de ensino da zona, como o colégio de S. João de Brito (no ranking das melhoras escolas) ou a secundária do Lumiar.

“Tentamos criar proximidade com os alunos, por isso eles tratam-nos como Vítor e Carla. Mas sabem que não podem ultrapassar aquela linha”, contou o agente Jesus, enquanto cumprimenta as auxiliares e os alunos da EB 2,3 Alto do Lumiar. “Fizemos um trabalho intenso ao longo destes anos, a controlar o problema da droga e a dar ações de formação sobre o bullying e violência no namoro, entre outros fenómenos, e agora estamos a colher os frutos disso”, refere Vítor. “O que conseguimos foi em parceria com a comunidade escolar e com a Comissão de Dissuasão da Toxicodependência (CDT)”, acrescentou Carla. Os dois polícias também são pais: Jesus, de uma adolescente de 14 e de outra com nove; Carla, de uma menina com 3 e de um rapaz com 7.

Encostados aos bairros da droga

“Estamos ao pé do bairro da droga com a maior toxicidade que é o da Cruz Vermelha. Depois temos aqui perto as Galinheiras, com tráfico de armas e droga, a Charneca e a antiga Musgueira. Como a realidade dos nossos alunos é esta, e as rusgas são na casa deles, eles acabam por não usar da violência nem a consomem porque já vivem nesse filme. Têm vontade de aprender e sair dessa realidade”, contou a diretora da Escola EB, 2,3 Alto do Lumiar, Maria Caldeira, no cargo desde julho mas há 12 anos na direção, coordenadora de projetos do agrupamento e responsável pela segurança. Na escola juntam-se mais de 20 nacionalidades diferentes, “muitas delas africanas, da Guiné, S. Tomé e Cabo Verde” e também meninos de etnia cigana que começaram a aparecer ali há 10 anos.

Levavam navalhas para a escola

No recreio da EB 2,3 está sempre atento um vigilante particular: Ribeiro de Sousa, 67 anos, agente reformado da PSP, integrado no gabinete de segurança do Ministério da Educação. “Ainda há pouco tempo alguns alunos de etnia cigana andavam aí com navalhas que trouxeram de fora. Dei conhecimento à direção e depois o agente Jesus conseguiu juntar os jovens e persuadi-los a entregarem as navalhas”, contou. “A minha missão aqui é controlar os alunos, para que não danifiquem as infraestruturas e evitem conflitos”. Se fosse cumprido o Estatuto do Aluno à risca, diz, “os miúdos nem podiam usar telemóveis no recreio”. Mas usam.

Depois também há as situações que chegam a tribunal de Família e Menores, como esta: “Uma aluna levantou uma cadeira para um colega dentro da sala e ficou com 18 meses de suspensão por causa disso”. É por isso que as ações de formação dadas pelos polícias são muito importantes, como frisa o agente Vítor Jesus: “Aproveitamos essas ações de 45 minutos ou de 90 minutos sobre o cyberbullying ou as redes sociais para lhes dar alguns conselhos”. Os dois agentes também acabam por dar sugestões sobre percursos a evitar no regresso a casa, uma vez que boa parte daquelas crianças desloca-se a pé.

Se houver uma desordem que ganhe proporções graves dentro da escola ou junto aos muros da mesma, podem ser chamados os 14 agentes que estão adstritos ao programa Escola Segura da PSP na 3ª Divisão, explicaram os agentes. “Nunca aconteceu”, ressalva Jesus. Na manhã em que o DN esteve na escola houve apenas uma ocorrência no exterior, relacionada com o furto de um telemóvel. Também houve uma briga entre dois alunos que foi resolvida pela mediadora escolar Inês Leão.

 

 

Estes alunos melhoraram as notas por causa dos tablets

Março 13, 2018 às 12:30 pm | Publicado em Livros | Deixe um comentário
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Notícia da http://www.tvi24.iol.pt/ de 12 de março de 2018.

Fundação Gulbenkian distribuiu equipamentos por alunos e professores de uma escola. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

Alunos de duas turmas dos 7.º e 10.º anos receberam tablets “para usar como quisessem”, no âmbito de um estudo que concluiu que a maioria ficou mais motivada e aprendeu mais.

A Fundação Gulbenkian queria perceber o que acontece numa escola em que os tablets fazem parte do dia-a-dia e para isso distribuiu equipamentos por todos os alunos e professores. Durante dois anos letivos, dois investigadores acompanharam todo o processo.

O professor universitário José Luís Ramos, um dos autores do estudo ’Tablets’ no Ensino e na Aprendizagem. A sala de aula Gulbenkian: Entender o presente, preparar o futuro, começa por sublinhar que os alunos não são todos iguais, não utilizam as tecnologias da mesma maneira nem com os mesmos fins.

Além disso, acrescenta, os resultados do estudo não podem ser extrapolados para a realidade nacional, uma vez que foram acompanhadas apenas duas turmas de uma escola de Lisboa.

No entanto, notou-se “maior motivação e uma atitude mais positiva para com a escola e a aprendizagem” entre a maioria dos alunos.

Regra geral, “os alunos que mais utilizaram os tablets”foram também “os que mais aprenderam”, diz o professor, considerando que “os tablets podem ser um recurso muito interessante para a aprendizagem dos alunos”.

Alunos e professores receberam um tablet, contou o professor, sublinhando que houve um ou outro encarregado de educação que não ficou agradado com a ideia de o seu filho estar ligado em rede 24 horas por dia e que acabou por proibi-lo de tocar nos aparelhos.

Houve alunos que usaram os tablets com muita intensidade para diversão, outros que os usaram pouco, mas de forma eficiente, segundo o estudo que será apresentado terça-feira na Fundação Calouste Gulbenkian.

Alguns alunos utilizaram a tecnologia a seu favor, mas também houve outros que baixaram as notas. “Sabemos que alguns alunos tiveram alguma dificuldade em gerir o seu tempo”, admitiu o professor.

Durante dois anos, os investigadores conseguiram acompanhar a utilização do uso dos tablets graças a um dispositivo de investigação, que passava pela observação de aulas, gravação de aulas – “tivemos mais de 500 horas de aulas gravadas” – entrevistas a alunos e a professores, explicou José Luís Ramos.

 

 

 

Bilinguismo – barreira ou facilitador?

Março 13, 2018 às 6:00 am | Publicado em Estudos sobre a Criança | Deixe um comentário
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Photo by Daiga Ellaby on Unsplash

É frequente o surgimento de dúvidas acerca do bilinguismo: ajudará ao desenvolvimento da criança ou, pelo contrário, dificultará a correta aquisição linguística? A crença generalizada nalguns mitos chega a influenciar o modo como as pessoas interagem com as crianças expostas a mais que uma língua, quer sejam os próprios pais e família quer sejam os seus educadores/professores, médicos…

O bilinguismo é definido como a capacidade de uma pessoa ter um controle nativo de duas línguas tendo, por isso, competências comunicativas idênticas, quer ativas (falar e escrever) quer passivas (ouvir e ler) em ambas as línguas.

No desenvolvimento linguístico das crianças importa distinguir aquelas que são verdadeiramente bilingues, das crianças que fazem a aprendizagem de uma segunda língua. No caso das crianças bilingues, estas aprendem as duas línguas durante os primeiros anos de aquisição da linguagem (entre os 1 a 5 anos de idade) e essa aquisição dá-se em contexto informal, sem recurso a um professor. As crianças que aprendem uma segunda língua normalmente fazem essa aprendizagem após a aquisição da língua materna (depois dos 5 anos de idade) e é realizada num contexto mais formal, exigindo em princípio um esforço escolar acrescido.

A predisposição das crianças para a aprendizagem linguística não ocorre per se. As experiências comunicativas a que a criança é exposta influenciam diretamente o desenvolvimento da linguagem. É possível constatar que a qualidade e quantidade das interações comunicativas se reflete em diversos domínios linguísticos, nomeadamente no nível de vocabulário, no domínio das regras específicas de uso da língua, assim como na maior ou menor utilização de estruturas complexas.

Para que uma criança aprenda uma língua basta que a mesma esteja exposta a ela, isto é, que ouça as outras pessoas a falar e que estas falem com ela. Se uma criança está exposta a mais que uma língua no seu dia-a-dia será natural que aprenda a compreender e a se expressar em ambas.

Estão generalizados alguns mitos relacionados com o bilinguismo e, por vezes, surgem dúvidas se o mesmo ajuda a crianca a desenvolver ou se, pelo contrário, dificulta a correta aquisição linguística. Estes mitos chegam a influenciar o modo como as pessoas interagem com as crianças expostas a mais que uma língua, quer sejam os próprios pais e família quer sejam os seus educadores/professores, médicos…

Dado que a globalização mundial torna o acesso às várias línguas mais facilitado, em parte devido à circulação de pessoas pela migração, surge a necessidade de desvendar dois desses mitos que assumem um papel influente na escolha ou rejeição do bilinguismo.

Estar exposto a duas ou mais línguas em idades precoces predispõem a criança a ter um atraso da linguagem.

Em todo o mundo ocidental ainda existem terapeutas e médicos que aconselham os pais de crianças que estão expostas a mais que uma língua a eliminar uma delas. Nestas situações os pais acabam por optar por deixar de expor a criança à lingua minoritária pois crêem que o domínio da língua que é utilizada no ambiente global lhes trará mais oportunidades. Esta ideia é facilmente aceite por se pensar ainda que o facto de a criança ouvir mais que uma língua levará a que a mesma fique confusa e que por isso desenvolva atrasos linguísticos.

No entanto não existem evidências científicas de que o bilinguismo está associado a atrasos ou perturbações da linguagem, ou que o facto de se eliminar uma das línguas trará automaticamente benefícios na outra. Por outro lado, o término da exposição repentino de uma língua poderá trazer problemas emocionais e psicológicos pois sabe-se que a língua está ligada à emoção, ao afeto e à identidade.

Estudos recentes comprovam que o uso de mais que uma língua no dia a dia das crianças tem uma influência positiva no desenvolvimento de alguns processos cognitivos como a atenção seletiva e o controlo inibitório (capacidade para evitar elementos distratores), quando comparadas com crianças monolingues da mesma idade. Estas e outras funções executivas estão relacionadas com o planeamento de ações e a tomada de decisões mas, acima de tudo, com o convívio em sociedade.

O bilinguismo infantil não traz benefícios apenas para o desenvolvimento linguístico das crianças. Outros estudos evidenciam também resultados bastante positivos em tarefas não linguísticas relacionadas com o controlo para inibir informações distratoras, o que traz benefícios claros para a atenção seletiva e sustentada necessária para o desenvolvimento cognitivo e escolar das crianças.

O uso das duas línguas na mesma frase indica que a criança não consegue distinguir as várias línguas.
Sabe-se que quando uma criança está a aprender duas línguas, estas passam por uma etapa de mistura entre as duas. Há quem diga que o facto de uma criança produzir palavras de ambas as línguas numa mesma frase revela a sua confusão linguística que se reflete na incapacidade de a criança distinguir as línguas entre si. Está provado, no entanto, que a utilização de duas línguas numa mesma frase por bilingues adultos espelha uma excelente competência linguística. Também se pode verificar que as crianças que usam palavras das duas línguas numa mesma frase acabam por produzir mais frases numa só língua o que demonstra claramente que são capazes de separar ambas as línguas.

 

Recomendações aos pais

Embora seja difícil citar todos os aspetos aos quais os pais devem ter em conta quando a sua criança está numa situação de aprendizagem linguística bilingue, apresentam-se algumas sugestões que certamente os ajudarão neste processo.

Interaja naturalmente com o seu filho sem a necessidade de escolher uma ou outra língua. Certifique-se apenas de que o seu filho ouça ambas as línguas de forma frequente e em circunstâncias diferentes. Tente que essa exposição seja consistente;

Crie oportunidades para que o seu filho utilize as várias línguas às quais está exposto;

Leia livros com o seu filho em cada uma das línguas que ele está a aprender;

Se tem mais que um filho, converse com ambos na mesma língua e não use uma para cada filho. Como já foi dito, a língua está fortemente ligada às emoções e o facto de utilizar línguas diferentes para com os seus filhos poderá criar sentimentos de exclusão e levantar questões emocionais, afetando assim, o seu comportamento.

Evite mudar radicalmente a língua com que fala com o seu filho, principalmente quando tem menos de seis anos. Por exemplo, não comece a falar em Inglês com o seu filho se sempre falou em Português.

Se quer que o seu filho utilize uma determinada língua consigo encoraje-o a usá-la sempre que ele se dirija a si. Peça para ele repetir o que disse na língua preferida e ajude-o na escolha das palavras apropriadas para o que quer transmitir.

Não faça da aquisição bilingue uma questão central na vida dos seus filhos e não os repreenda ou castigue por usarem ou não usarem uma língua em particular. Siga a sua intuição e se sentir que o seu filho não está a falar como deveria durante os anos pré-escolares peça ao seu médico para prescrever um exame auditivo e uma avaliação de terapia da fala mesmo que lhe digam que o atraso pode ter como origem o bilinguismo.

O bilinguismo não tem que ser uma barreira à aquisição linguística por parte das crianças e pode até ser um impulsionador, trazendo mais oportunidades no decorrer da vida da criança.

 

Bibliografia:
SIM-SIM, Inês. Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
DE HOUWER, Annick. Two or More Languages in Early Childhood Some General Points and Practical Recommendations. ERIC Digest,1999
BRENTANO, Luciana. Fontes, Ana Beatriz. Bilinguismo escolar ou familiar?. Organon, Porto Alegre, nº 51, julho-dezembro, 2011, p. 19-38

Por Terapeuta da Fala Andreia Batista

Fonte: Up to Kids


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