As crianças e a morte

Março 6, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de Mário Cordeiro publicado no https://ionline.sapo.pt/ de 13 de fevereiro de 2018.

Mário Cordeiro

Os efeitos da morte inesperada e súbita de uma pessoa querida da criança causam uma dor quase insuportável, um grande sentimento de vazio e de ausência… e de insegurança.

Amanhã é Quarta-Feira de Cinzas. Enterra-se hoje o Carnaval. Morre o Entrudo e abre-se caminho a um período de reflexão e de quaresma (que significa sofrimento e penitência), que culminará com a morte… e a ressurreição. É este o entendimento da moral judaico-cristã e a simbologia destes dias, seja-se crente ou não. E quando a morte é real e surge no seio de uma família onde há crianças? Como agir?

“A morte da avó da Teresa foi de repente. Provavelmente um enfarte, disse o médico. Mas a explicação em nada adiantou ao sofrimento da família, designadamente dos pais da Teresa. Para além do seu drama pessoal, ficaram apreensivos com outra coisa: como dizer à Teresa, de quatro anos, que a avó tinha morrido. A avó para casa de quem ela ia todos os dias, quando saía da escola, e com quem brincava até os pais a irem ‘pescar’, lá pelas oito da noite. A avó que lhe preparava o lanche e conversava com ela. A avó que a Teresa dizia ser “a pessoa mais querida do mundo”, para orgulho e também algum ciúme dos pais.

Como dizer à Teresa? Ou não dizer? Ou inventar um novo esquema de ATL e fingir que a avó, agora, não tinha tempo para a Teresa. Ou contar tudo e estar preparados para tudo?”

Acontecimentos destes são frequentes. Os efeitos de uma morte inesperada e súbita de uma pessoa querida da criança causam uma dor quase insuportável, e um grande sentimento de vazio, de ausência… e de insegurança – “se aconteceu isto, que nada fazia prever e que eu não queria, tudo o mais pode agora surgir”. A criança sente-se atraiçoada sem saber por quem ou porquê, talvez até pelo destino, sente que não consegue controlar tudo como desejaria, sente que a vida também tem cambiantes de tristeza e de luto, e perde alguma da sua inocência. Pode também pensar que os pais, que supostamente controlam tudo e tudo podem, falharam ou serão incapazes de a proteger, já que não protegeram a pessoa que morreu; para as crianças, os pais – nós – são super-heróis, mesmo que por vezes nos desafiem e façam a vida negra, num salutar processo de autonomia. Somos os seus ídolos, os seus gurus e os seus santos protetores, disso não tenhamos dúvidas.

As crianças vivem a morte, pelo que desiluda-se quem pense que a morte de alguém querido lhes pode passar ao lado. Obviamente que não têm uma conceção filosófica e abstrata como os mais crescidos e os adultos, designadamente no que toca à irreversibilidade do fenómeno – definem-se os seis anos como a altura em que há, em média, uma clara noção de que não se regressa da morte, mas isso depende muito da criança, não apenas do seu desenvolvimento como das experiências que já teve, seja com pessoas, seja com animais ou até em histórias e filmes, por exemplo.

Em todo o caso, os sentimentos que as crianças têm são similares: tristeza, incompreensão, raiva, culpa, ansiedade, desespero. Podem ficar perplexas e descrentes, inquietas e com problemas de sono. A estes estados de alma acresce verem os pais e restantes familiares, também eles, tristes e a chorar (e devem fazê-lo e não tentar esconder o que lhes vai na alma, mesmo que possam ter algum pudor e tentem evitar cenas mais “histéricas”, mas é indispensável não disfarçar os sentimentos). As crianças vivem, pois, uma dupla carga, por vezes muito traumática, e é comum os adultos preocuparem-se em tentar poupar a criança ao sofrimento, o que, repito, é inútil, porque ela sabe e sente, e acaba por se ver arredada do processo de luto familiar, o que acontecerá menos se os pais tentarem falar com ela, percebê-la, acompanhá-la, assumindo que ela sofre. Como se fosse um adulto, mas de forma diferente – sem mentiras, com a verdade, mas a verdade suficiente e não mais do que ela, poupando pormenores escusados e mórbidos, ou incompreensíveis, e com a doçura, mimo e ternura que funcionam como garante de proteção.

Mal estarão os pais que não assumam a condução do processo e deixem o tempo andar, mesmo que estejam, eles próprios, em sofrimento. Por muito que custe ou que se queira poupar a criança ao sofrimento, e o nosso próprio sofrimento ao ver a criança triste e revoltada, vale a pena relembrar alguns dos aspetos que estão em causa:

  • A vida não é um mar de rosas, e às vezes é um mar de espinhos – aprende–se isso mais cedo ou mais tarde, seja em que idade for, na vivência de acontecimentos como este;
  • As crianças não podem nem devem ser poupadas aos problemas, muito menos os desta dimensão, e têm o direito (sim, é um direito!) de sentir tristeza e de a sofrer;
  • A verdade deve ser sempre dita, e preferencialmente pelos pais. Mentir ou fingir só serve para que, quando ela a souber (e pode intuí-la do próximo telefonema ou nas entrelinhas de qualquer conversa), fique para sempre a pensar que os pais não lha disseram e com a sensação irreparável de que eles falharam no momento mais crítico, deixando de acreditar neles, com a insegurança correspondente;
  • A verdade deve ser dita de modo soft, poupando os pormenores mais mórbidos, e numa linguagem acessível à criança;
  • Deve sempre garantir-se à criança que a avó (ou seja quem for) está bem, que não sofre nem tem frio, sono, fome, enfim, as coisas de que a criança não gosta e com as quais sofre, e que fazem parte da sua vida e da sua maneira objetiva e concreta de ver e viver o mundo;
  • Deve também relativizar-se o facto e “garantir” que ela, criança, bem como os pais e os outros familiares não vão morrer num futuro próximo – pode usar-se um ligeiro humor para suavizar o momento; é grande o medo de um eventual “efeito de dominó”;
  • A avó (ou quem seja!) tem de ser lembrada, por exemplo através das fotografias expostas ou de álbuns, e deve falar–se dela como estando presente, embora fisicamente ausente – mas é bom a criança poder olhar para o céu e adivinhar a avó algures, onde ela quiser. A criança escolherá se é numa flor ou numa estrela – um qualquer “código secreto”. Há que se insistir, de igual modo, que a avó estará a acompanhá-la e que rirá com o seu riso e ficará triste com o seu sofrimento. E que a protege.
  • A avó deverá ser recordada com as suas virtudes, mas também com outras características da personalidade, nomeadamente os seus defeitos. Para que se mantenha “viva”, humana e de carne e osso. Não um mito ou um deus. Não um ser perfeito, distante. Só assim a criança fará o luto de maneira tranquila e matura. Caso contrário, duvidará sempre da morte – os mitos e os deuses são imortais – e permanecerá sempre numa constante regressão, e assombrada pelos fantasmas e fixações.

É um momento duro, a morte de uma pessoa querida. Para quem começa a entender as regras da existência, a confusão de sentimentos, revolta, perplexidade, ignorância e receio são grandes. Cabe-nos a nós, adultos, suavizar (que não aplainar) esta tempestade, até que o quotidiano traga a tranquilidade, o entendimento e a sabedoria.

Pediatra
Escreve à terça-feira

 

“A Importância do Brincar”: ação de sensibilização do IAC – Fórum Construir Juntos

Março 6, 2018 às 3:34 pm | Publicado em Uncategorized | Deixe um comentário
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O “tablet” faz parte da caixa dos brinquedos?

Março 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do http://p3.publico.pt/ de 16 de fevereiro de 2018.

Temos de permitir, com todo o amor e protecção, que uma criança se sinta ligeiramente frustrada, não lhe dando todos os acessórios para que ocupe o tempo, para que possa ter tempos livres de tecnologias e de brinquedos xpto

Texto de Cátia Lopo e Sara Almeida

Os pais, com todo o amor do mundo que têm para dar aos filhos, por vezes optam pelo caminho mais fácil: as tecnologias. Isto é, sempre que as crianças estão mais agitadas entregam-lhe “aquele objecto mágico”, o tablet, e elas ficam milagrosamente sossegadas por alguns instantes. Os pais não precisam de se preocupar durante esse tempo, podem fazer o jantar, trabalhar ou, simplesmente, descansar, e a criança está entretida no tablet. A verdade é que o tabletse tornou num acessório substituto da famosa chupeta, uma espécie de “substituição directa”: assim que a criança deixa a chupeta, damos-lhe um tablet e a função mantém-se — sossegá-la.

É verdade que algum tempo só para os pais é absolutamente necessário, mas os limites para o uso das tecnologias esão imprescindíveis. Aliás, os limites para todos os comportamentos das crianças são fundamentais para um crescimento saudável porque, de cada vez que os limites são comprometidos, começa a crescer um pequeno tirano de centímetro em centímetro, as vontades das crianças começam a ultrapassar as vontades dos pais e, aí sim, começam os problemas familiares. Iniciam-se aí um sem fim de reacções que estão longe de um crescimento saudável: os gritos, os braços de ferro, a constante luta por quem manda mais lá em casa. Chegam, por fim, as explosões em que os pais não se conseguem controlar, acabando por bater nos filhos porque nessas alturas já não há chupeta ou tablet que lhes valha. Os pais e os filhos expressam as emoções da pior maneira.

Muitas das nossas crianças já dominam o tablet aos três anos. É óptimo que tenha ao seu dispor toda a tecnologia, até porque no nosso dia-a-dia somos bombardeados com novas informações e tecnologia em todo o lado, mas tem de ser equilibrada e rigorosamente doseada. Se assim não acontecer, a criança começará a ficar no chamado “piloto automático”, tornando-se mais fácil manusear um tablet do que andar de bicicleta, apertar os atacadores ou construir puzzles. É na infância que a inteligência emocional tem um terreno fértil para se desenvolver, quando as crianças aprendem a conhecer o outro e a relacionar-se, e as tecnologias estão de alguma forma “a chutar para canto” as relações humanas, promovendo o isolamento da criança ou a interacção atrás de um tablet.

O grande desafio às famílias é conseguir que o tablet não se sobreponha às actividades tradicionais, que fomentam o correcto desenvolvimento infantil. É essencial que continuemos a ter crianças que brincam — e por brincar subentende-se ser capaz de pegar na toalha de banho e fazer dela uma capa de super homem, de pegar num galho de árvores e fazer uma espada. Brincar é explorar o faz de conta, vivenciar vários papéis, colocando-se no papel da mãe, do pai, da professora, da avó. É ser herói e vilão, permitindo-lhe explorar os outros e descobrir quem é. O brincar é tão mais bonito e construtivo quanto mais autêntico e genuíno for, mais livre. Assim, a criança coloca à prova a sua imaginação e criatividade e isso é fundamental.

Não somos contra o tablet, o que nos preocupa é a forma como estamos a colocar em risco as relações humanas e a pôr fim à imaginação e criatividade de uma criança. Os pais apercebem-se disso quando a criança não consegue relacionar-se com os amigos ou quando chega a hora de fazer uma composição na escola e não consegue, quando tem de contar uma história e não conta nada mais nada menos do que os factos, não se baseando na sua imaginação para se colocar nos papéis do narrador.

É nos momentos de brincadeira que a criança começa por resolver as suas frustrações, quando não tem um carro vermelho com portas a abrir ou uma boneca com um vestido às bolinhas tem de se reinventar, inventar outra brincadeira ou procurar outro brinquedo. Ao lidar com as frustrações vai sendo capaz de redescobrir o mundo, gradualmente, primeiro o mundo interno e depois o externo. Temos de permitir, com todo o amor e protecção, que uma criança se sinta ligeiramente frustrada, não lhe dando todos os acessórios para que ocupe o tempo, para que possa ter tempos livres de tecnologias e de brinquedos xpto, podendo assim reinventar-se e explorar todos os sentidos. Se queremos crianças criativas, com capacidade de imaginar, de se relacionar e de ser empáticas, se queremos futuros adultos saudáveis e com capacidade de pensar por si próprios, temos que permitir que as nossas crianças tenham espaço para criar, sob pena de, caso contrário, nos limitarmos a criar crianças apenas capazes de reproduzir.

 

 

 

Mais novos deixam o Facebook mas alguns abrem o Instagram

Março 6, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 12 de fevereiro de 2018.

Previsões da eMarketer antecipam uma queda nos utilizadores entre os 12 e os 24 anos.

JOÃO PEDRO PEREIRA

A ideia de que os utilizadores mais jovens não gostam de partilhar a rede social com os pais e avós corre pela Internet há anos. Mas o envelhecimento dos utilizadores do Facebook está a acelerar, indica um relatório de uma analista de mercado, numa tendência que trará mais desafios à rede social e que poderá mudar o comportamento dos anunciantes.

De acordo com previsões da eMarketer, divulgadas nesta segunda-feira, de todos os utilizadores de Internet entre os 12 e os 17 anos nos EUA, serão este ano menos de metade aqueles que vão aceder pelo menos uma vez por mês ao Facebook.

Os chamados utilizadores activos mensais são uma métrica importante para o Facebook, que tinha em Dezembro 2130 milhões destes utilizadores, mais 14% do que no final de 2016. Teoricamente, é preciso ter pelo menos 13 anos para ter uma conta na rede social.

A eMarketer (que é propriedade do grupo de media alemão Axel Springer) antecipa que o número de utilizadores com menos de 12 anos nos EUA deverá cair 9% ao longo de 2018. Já o número de utilizadores entre os 12 e os 24 anos deverá descer perto de 6%. É a primeira vez que a eMarketer prevê um declínio no número de utilizadores destas faixas etárias.

No Reino Unido, segundo estimativas da mesma analista citadas pelo jornal The Guardian, o número de utilizadores entre os 12 e os 24 anos cairá 12% este ano. Não há números para Portugal.

Contactado pelo PÚBLICO, o Facebook disse não ter nenhum comentário sobre o relatório.

Outras plataformas a crescer

Perder utilizadores mais novos no Facebook não quer dizer que a empresa os perca completamente. Alguns estão a migrar para outras plataformas, entre as quais o Instagram, uma aplicação focada em partilha de fotografias, que é também do Facebook (a empresa é ainda dona da aplicação de mensagens WhatsApp). A eMarketer aponta que esta aplicação deverá conseguir este ano, nos EUA, mais 1,6 milhões de utilizadores com menos de 25 anos.

A aplicação rival Snapchat, que permite a partilha de imagens que se apagam automaticamente e foi concebida especificamente para utilizadores mais jovens, também está a crescer. A aplicação terminou 2017 com 187 milhões de utilizadores diários (não comunica utilizadores mensais, ao contrário das outras redes sociais), um aumento anual de 18%.

“O Snapchat poderá acabar por ter um aumento de utilizadores nos grupos mais velhos, uma vez que está a redesenhar a plataforma para ser mais fácil de usar”, observou a analista da eMarketer Debra Aho Williamson. “A questão vai ser saber se os utilizadores jovens vão continuar a achar o Snapchat fixe à medida que mais pais e avós lá estão. É essa a encruzilhada em que o Facebook está.”

As previsões da eMarketer surgem depois de dois anos difíceis para o Facebook, que começaram com a disseminação de desinformação, especialmente durante as eleições americanas de 2016, e terminaram com um acumular de críticas no final de 2017 em relação aos potenciais efeitos nocivos da rede social, nomeadamente entre os mais novos. “Só deus sabe o que está a fazer aos cérebros das nossas crianças”, afirmou em Novembro, numa entrevista, um dos primeiros investidores na empresa e antigo presidente não executivo, Sean Parker. Poucos meses antes, frente a uma plateia de universitários, um antigo executivo pedira desculpas e tinha dito que “o circuito perpétuo de validação social movido a dopamina” criado pela rede social estava “a destruir a forma como a sociedade funciona”.

Mark Zuckerberg anunciou em Janeiro que iria dedicar o ano a concentrar-se em resolver os problemas do Facebook e a empresa já fez alterações nos conteúdos que apresenta a cada pessoa e que resultaram num decréscimo de 5% no tempo passado dentro da rede social. O objectivo é aumentar a qualidade dos conteúdos que os utilizadores vêem.

Por ora, as críticas e alterações na demografia dos utilizadores parecem não estar a afectar o negócio: as receitas da empresa dispararam 47% em 2017.

 

 

O que é o Síndrome de Angelman?

Março 6, 2018 às 6:00 am | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Photo by Alia Wilhelm on Unsplash

 

Descoberta em meados da década de 60 pelo médico Harry Angelman, esta síndrome é causada, na maioria dos casos, pela ausência ou imperfeição do cromossoma 15 herdado da mãe. A doença manifesta-se por volta do sexto mês de vida, ao verificar-se nas crianças um atraso severo no desenvolvimento psicomotor, dificuldade na fala, distúrbios no sono, convulsões, movimentos desconexos e sorriso frequente, razão pela qual os portadores são conhecidos como “anjos”.

Em Portugal existem cerca de 60 casos referenciados mas estimam-se que sejam cerca de 200, muitas vezes mal diagnosticados, daí a importância da divulgação desta síndrome.

Este é um dos principais objetivos da ANGEL – Associação Síndrome de Angelman Portugal, constituída em 2012 por um grupo de pais de portadores de SA, que sentiram a necessidade de reunir esforços na vida diária para oferecerem uma vida melhor aos seus filhos.

 

 

Principais Sintomas

Atraso do desenvolvimento, funcionalmente severo
Incapacidade de falar, com nenhum ou quase nenhum uso de palavras
A criança se comunica mais pela capacidade compreensão de seus atos do que pela expressão verbal
Problemas de movimento e equilíbrio
Crises convulsivas
É observado o atraso no crescimento do perímetro cefálico em 80% dos casos, ocorrendo microcefalia em torno dos dois anos de idade
Incapacidade de coordenação dos movimentos musculares voluntários ao andar e/ou movimento trêmulo dos membros
Frequente qualquer combinação de riso e sorriso, com uma aparência feliz – embora este sorriso permanente seja apenas uma expressão motora
Personalidade facilmente excitável, com movimentos aleatórios das mãos, hipermotricidade e incapacidade de manter a atenção
Atração/fascínio pela água (by wikipedia)

Pode saber mais visite www.angel.pt.

Fonte: Up tp Kids

 


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