IndieJúnior, o festival de cinema infanto-juvenil que não quer heróis nem princesas

Janeiro 31, 2018 às 8:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.publico.pt/ de 16 de janeiro de 2018.

Depois de uma “edição piloto”, o descendente mais novo do IndieLisboa regressa ao Porto entre 30 de Janeiro e 4 de Fevereiro. Alunos das escolas locais integrarão o júri da competição internacional.

ANDRÉ VIEIRA

O cinema para o público infanto-juvenil não vive apenas da oferta comercial. É essa a premissa do IndieJúnior Allianz, que arranca para a sua segunda edição, a decorrer no Porto entre 30 de Janeiro e 4 de Fevereiro, com a missão de continuar a ser uma alternativa aos canais habituais, assentes em formatos testados e que pouco ou nada fogem ao imaginário do super-herói ou da princesa que invariavelmente acaba por ter um final feliz.

Serve a abordagem do festival justamente para pôr esses modelos em perspectiva. Pensar o cinema e fomentar a curiosidade “artística e cultural” de um público mais novo é a razão de existir do IndieJúnior. É assim que Nuno Sena, um dos directores, caracteriza a secção que cresceu dentro do IndieLisboa e se “emancipou” até dar origem a um festival independente da casa que integrou (e que continua a integrar) nos últimos 14 anos.

“É importante que os filhos cresçam e saiam da casa dos pais. Foi o que aconteceu com o IndieJúnior, que saiu de Lisboa aos 14 anos para ir morar para o Porto”, disse esta terça-feira o director durante a apresentação do programa no Rivoli, um dos espaços que receberá o festival. Além do teatro municipal, a programação divide-se entre o Cinema Trindade e a Biblioteca Municipal Almeida Garrett. “É um projecto criado de raiz a pensar no Porto e nos interlocutores que existem na cidade”, sublinhou Nuno Sena.

Se na capital o IndieJúnior vive enquanto secção do IndieLisboa – que, à imagem do que acontece com outros festivais de cinema, como o Curtas Vila do Conde com o Curtinhas, ou o Monstra com a Monstrinha, dedica parte da sua programação ao público infanto-juvenil –, no Porto é um festival por si próprio. O único para uma audiência sub-18, nascido precisamente para colmatar uma lacuna detectada em Portugal. Em 2017, a sua primeira edição, “experimental”, superou “todas as expectativas”, com mais de cinco mil espectadores. Agora o projecto piloto chega ao “ano da confirmação” já com essa fasquia ultrapassada: “Entre o público das escolas do Grande Porto já há reservas de bilheteira que superam os números do ano passado”, disse Nuno Sena, assumindo que a ambição do IndieJúnior é entrar, a curto prazo, no circuito dos festivais internacionais infanto-juvenis.

Júri e programadores de palmo e meio

E tem essa comunidade escolar um lugar de destaque no festival. No âmbito da iniciativa Eu Programo um Festival de Cinema!, organizada em parceria com o Programa Paralelo do Teatro Municipal do Porto, parte dos filmes foi seleccionada por alunos de três escolas da cidade: Liceu Francês, Colégio Luso-Francês e Escola Profissional Bento de Jesus Caraça. Alguns destes alunos integrarão também um dos três júris do IndieJúnior; o oficial é composto por Joana Estrela, ilustradora, Manuela Lima, programadora, e Paulo D’Alva, realizador.

Entre curtas e longas, do documentário à ficção, com destaque para a animação, 50 filmes de duas dezenas de países diferentes integram a competição internacional desta edição. Quase todos são estreia em Portugal. Além do formato, a competição está seccionada por idades: maiores de três, seis, dez, 13 e 16 anos.

O primeiro filme

Paralelamente à competição, a Biblioteca Municipal Almeida Garrett receberá a exposição Expressar… Com o Cinema de Animação e serão realizadas algumas oficinas práticas e debates em torno da identidade de género e do bullying.

Da edição-piloto mantém-se a secção O Meu Primeiro Filme. Este ano são Ana Deus, Carlos Tê e Rui Reininho os convidados a apresentar os filmes com que o cinema entrou nas suas vidas, respectivamente Alice no País das MaravilhasOs Gloriosos Malucos das Máquinas Voadoras e Viagem ao Centro da Terra. As sessões serão apresentadas pelos intervenientes.

Também Nuno Sena se lembra do primeiro filme a que assistiu numa sala de cinema: A Branca de Neve e os Sete Anões, no Tivoli, em Lisboa. Teria cerca de seis anos e estariamos em 1976. Foi “de certeza” uma experiência que o marcou, diz: “Consegue ser um filme de terror e infantil ao mesmo tempo.” Recorda-se de ter saído da sala assustado, mas ao mesmo tempo intrigado. O original tem cenas que foram cortadas nas versões mais recentes, e é essa experiência que quer proporcionar ao público do Júnior, “o confronto com realidades” banidas do circuito comercial. “Este é um festival que quer abrir portas a um público mais juvenil, mas que também serve aos pais e avós”, conclui.

 

 

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Crianças estrangeiras vivem como fantasmas

Janeiro 31, 2018 às 3:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do Jornal de Notícias de 30 de janeiro de 2018.

 

“Escolas não têm condições para saber se as pessoas entram armadas”

Janeiro 31, 2018 às 12:00 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Secundária esteve encerrada ontem. Alunos regressam hoje às aulas | RICARDO GRAÇA/GLOBAL IMAGENS

Notícia do https://www.dn.pt/ de 30 de janeiro de 2018.

Ana Bela Ferreira

Rixa matou homem em escola. Um “caso isolado” diz representante de diretores

Um homem com cerca de 40 anos desentendeu-se com outro de 67, o que acabou por resultar na morte do mais velho. O palco da discussão foi o pátio da Escola Básica e Secundária Amadeu Gaudêncio na Nazaré, onde, ontem de manhã no momento da rixa, estavam reunidos os alunos. A homem que acabou por morrer será avô de um dos alunos e o presumível autor dos ferimentos fatais (provocados por uma arma branca e uma arma de fogo) o pai desse aluno. Ou seja, sogro e genro sem qualquer ligação (profissional) com a escola.

O caso levou ao encerramento da escola durante o dia de ontem e ao acompanhamento psicológico dos alunos, tal como referiu ao DN o Ministério da Educação (ME). Para Filinto Lima, presidente da Associação de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), “foi um caso triste e isolado”. No entanto, o responsável também reconhece que “as escolas não têm condições para saber se as pessoas entram armadas, mas quem diz uma escola, diz um colégio ou uma repartição das finanças”.

O que não significa que devam ser alteradas as normas de segurança no acesso às escolas. Neste momento, não há revistas à entrada, mas quem entra numa escola tem de apresentar identificação. “O que este caso mostra é que é possível entrar numa escola com uma arma, mas quero acreditar que foi um ato isolado”, refere Filinto Lima, acrescentando que neste caso “foi um assunto de casa que acabou mal na escola”.

O ME esclarece apenas que se tratou de um crime e que por isso foram chamadas as autoridades competentes. Por isso, não está em causa a abertura de de nenhum inquérito pelos órgãos da tutela.

Os alunos que presenciaram a discussão entraram em pânico e começaram a telefonar aos pais. A Lusa confirmou com o vereador da Educação da Câmara da Nazaré que “a escola foi encerrada”.

O Agrupamento de Escolas da Nazaré publicou um comunicado na página do Facebook em que explicou que “a situação está devidamente resolvida com a colaboração das autoridades, não tendo havido alunos, professores e funcionários envolvidos nos acontecimentos lamentáveis”.

O suposto autor dos ferimentos “foi controlado e detido pelos elementos da Escola Segura” e entregue à guarda da PSP. A arma foi apreendida e a investigação está agora a cargo da Polícia Judiciária. O homem que acabou por morrer ainda foi transportado para o hospital de Santo André, em Leiria. Acabou por não resistir às lesões provocadas por arma de fogo e arma branca. Com Lusa

 

 

Quem educa a Supernanny?

Janeiro 31, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Artigo de opinião de PedroTadeu publicado no https://www.dn.pt/ de 23 de janeiro de 2018.

Não se põe uma criança a chorar frente a um milhão de pessoas. Não se disciplina uma criança frente a um milhão de pessoas. Não se ralha a uma criança frente a um milhão de pessoas. Não se discute a educação de uma criança frente a um milhão de pessoas.

Não se discute o amor dos pais de uma criança para uma plateia de um milhão de pessoas. Não se faz de um quarto de uma criança o palco de um espetáculo ridículo para um milhão de pessoas. Não se faz de uma criança um ator amacacado da sua própria personalidade, só para conseguir entreter um milhão de pessoas.

Não se inculca, condiciona, manipula, negoceia, chantageia, castiga, premeia ou envergonha uma criança frente a um milhão de pessoas. Não se explora, para gozo de um milhão de pessoas, a imaturidade, a inocência, a infantilidade de crianças inconscientes, inconstantes, incoerentes, irresponsáveis e, por tudo isso, indefesas.

Não se faz negócio, comércio, tráfico de emoções com crianças que nunca podem estar preparadas, precisamente por serem crianças, para decidir, por si só, em consciência, se realmente é do seu interesse aceitar vender o riso ou a lágrima a um milhão de pessoas.

Não se mostra a um milhão de pessoas uma criança, aos berros, descontrolada de raiva. Não se mostra a um milhão de pessoas uma briga, estúpida, de crianças irmãs.

Não se revelam os erros de uma criança a um milhão de pessoas. Não se divulgam os erros dos pais de uma criança a um milhão de pessoas.

Uma criança numa família disfuncional não é exemplo pedagógico para um milhão de pessoas.

Uma criança com pais incompetentes, doentes, amargos, deprimidos, gananciosos, egocêntricos, incautos, distraídos, enganados, esmagados ou pouco inteligentes não pode ser usada como modelo comportamental para um milhão de pessoas.

Uma criança com dificuldades de aprendizagem, de socialização, de agressividade, de timidez, de obediência ou de afirmação não pode ser exibida a um milhão de pessoas como exemplo sintético do mal psiquiátrico ou analítico do desvio psicológico.

Uma criança com problemas pessoais ou familiares deve ser ajudada, sim, mas não deve ver o seu problema íntimo, intransmissível, único, ser transformado num anátema eternizado para o resto da vida através da exposição a um milhão de pessoas das suas dores, sejam superficiais, sejam profundas.

A alegria, a tristeza, o êxito, o fracasso, a angústia, a candura, a malícia, a perversidade, o carácter de uma criança não é assunto para ser debatido por um milhão de pessoas como quem discute o enredo de uma telenovela .

O problema da Supernanny, com o seu casaquinho vermelho, as sobrancelhas arrebitadas e os maneirismos queques, qual diabinho simpático, não são as múltiplas ideias que ela tem sobre a educação das crianças e das suas famílias. O problema da Supernanny é ela não ter recebido educação essencial para reter uma única ideia ética sobre a era mediática.

Sendo assim, usando pedagogia antiga, proponho que para educar a Supernanny a obriguem a escrever, num quadro de ardósia, um milhão de vezes, tantos quantos os espectadores do seu programa, a seguinte frase: “A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro. A intimidade de uma criança não é um espetáculo giro…”

 


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