Disgrafia

Janeiro 26, 2018 às 8:00 pm | Publicado em Divulgação | Deixe um comentário
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Texto do site http://uptokids.pt/

O que é a disgrafia?

A disgrafia deriva das palavras “dis” (desvio) + “grafia” (escrita) e consiste  numa dificuldade na escrita.

A criança com disgrafia pode apresentar dificuldades no desenho ou no grafismo da letra (“má letra”), na ordenação correta ou na ortografia das letras de forma a criar/escrever palavras, na pontuação, na correção gramatical e na elaboração e organização de textos.

As crianças desde cedo demonstram a necessidade de se expressar através da escrita. A escrita consiste numa destreza/capacidade motora que se vai desenvolvendo ao longo do percurso escolar da criança e que possui uma série de requisitos básicos necessários para o seu bom/correto funcionamento, nomeadamente:

  • capacidades psicomotoras gerais 
    uma boa coordenação óculo-manual, um correto desenvolvimento da motricidade fina, um bom esquema corporal, espacial, boa lateralidade, um correto reconhecimento do espaço, formas e distancias e uma boa capacidade de inibição e controlo neuromuscular de forma a que a criança seja capaz de efetuar os movimentos necessários para a escrita das letras
  • coordenação funcional da mão 
    os movimentos de pressão e preensão e a independência mão-braço
  • hábitos neuromotores corretos e bem estabelecidos
    a visão, a transcrição da esquerda para a direita, e o posicionamento correto do lápis.

A disgrafia pode apresentar alguns sinais de alerta típicos, aos quais devemos estar atentos.

Sinais indicadores/ sinais de alerta

Diagnosticar a disgrafia, precocemente, não é fácil, uma vez que todas as crianças revelam dificuldades durante o seu processo de aprendizagem da escrita. Contudo existem indicadores para auxiliarem nesse processo:

  • traços exageradamente grossos ou finos e pequenos ou grandes;
  • ritmo de escrita excessivamente rápido ou lento;
  • letras separadas, sobrepostas ou ilegíveis, com as ligações distorcidas;
  • postura gráfica incorreta (dificuldade em utilizar corretamente o lápis/caneta com que escreve);
  • caligrafia, geralmente, inclinada.
  • letra excessivamente pequena ou grande;
  • forma das letras irreconhecível (por vezes podem distorcer, inclinar);
  • grafismo trémulo ou com uma marcada irregularidade, originando diferentes tamanhos de grafemas;
  • espaçamento irregular das letras ou das palavras;
  • erros ou borrões;
  • realização inversa dos traçados de algumas letras/números;
  • desorganização geral na folha
  • utilização incorreta do instrumento com que escrevem;

No entanto, importa informar, que a confirmação do diagnostico deve ser efetuado por profissionais especializados, uma vez que requer procedimentos específicos.

Intervenção

A reeducação do grafismo encontra-se relacionada com três fatores fundamentais: o desenvolvimento psicomotor, o desenvolvimento do grafismo em si e a especificidade do grafismo da criança.

Relativamente ao desenvolvimento psicomotor devem ser trabalhados aspectos relacionados com a postura, controlo corporal, dissociação de movimentos, representação mental do gesto necessário para o traço, perceção espaço-temporal, lateralização e coordenação visuomotora.

Já de acordo com os aspetos relacionados com o grafismo, devem-se treinar habilidades relacionadas com a escrita, como atividades que impliquem a utilização do lápis e papel, de forma a melhorar os movimentos e posição (gráfica), a pintura, o desenho e a modelagem. Deve-se também corrigir erros específicos do grafismo, como o tamanho, forma, inclinação das letras, o aspecto do texto, a inclinação da folha e a manutenção das margens/linhas.

 

Tribunal ordena uso de filtros de imagem e som no “SuperNanny”

Janeiro 26, 2018 às 5:18 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 26 de janeiro de 2017.

Ministério Público tinha pedido que emissão deste domingo do programa fosse proibida ou, em alternativa, as imagens das famílias fossem protegidas

O Tribunal Cível de Oeiras ordenou esta sexta-feira a utilização de filtros de imagem e som nas crianças e pais que participam no programa “SuperNanny”, avança a SIC Notícias.

A decisão foi tomada depois de o Ministério Público ter pedido ao tribunal que proibisse a emissão deste domingo do programa da SIC ou que, em alternativa, as imagens das crianças intervenientes neste terceiro episódio e respetivas vozes fossem protegidas através da utilização de filtros.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral da República informa que o Ministério Público da área cível da comarca de Lisboa Oeste, “em representação de crianças e jovens participantes no mesmo, interpôs uma ação especial de tutela da personalidade”. Nessa ação, o MP pede ao tribunal “que decrete, a título provisório e de imediato, que seja retirado ou bloqueado o acesso a qualquer conteúdo dos programas já exibidos” de SuperNanny e que “o programa a emitir no próximo domingo não seja exibido ou, caso o tribunal julgue mais adequado, que essa exibição fique condicionada à utilização de filtros de imagem e voz que evite a identificação das crianças”.

A nota da PGR explica que se trata de “uma decisão provisória e urgente” e que o MP “pede que, no final do processo, a mesma seja convertida em definitiva e que todos os eventuais futuros programas apenas possam ser exibidos nos moldes que o tribunal venha a determinar”.

A Procuradoria acrescenta que “foram instaurados processos de promoção e proteção a favor das crianças participantes no programa cuja identidade já se conhece”.

“No que respeita ao primeiro programa emitido, o Ministério Publico, na sequência de certidão enviada pela CPCJ de Loures, instaurou um inquérito para investigar factos suscetíveis de integrarem o crime de desobediência”, remata a nota.

O primeiro programa Supernanny foi emitido pela SIC no dia 14 de janeiro, e causou de imediato grande polémica nas redes sociais. No dia seguinte, a Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção das Crianças e Jovens tomou uma posição contra o programa por considerar existir um “elevado risco” de este “violar os direitos das crianças, designadamente o direito à sua imagem, à reserva da sua vida privada e à sua intimidade”.

A 17 de janeiro, a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Loures enviou um ofício à SIC a solicitar que em 48 horas bloqueasse o acesso a qualquer conteúdo do referido programa, bem como quaisquer outras retransmissões do mesmo. Caso não fosse cumprida a exigência, a comissão referia que os factos seriam participados ao Ministério Público para averiguação da eventual prática do crime de desobediência.

A situação das duas crianças que apareceram no segundo programa ‘SuperNanny’ foi remetida para o Ministério Público, depois de os pais recusarem acompanhamento da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Sintra.

Confirmando a noticia dada hoje pelo DN, a presidente do organismo explicou à Lusa que os pais das crianças do segundo programa foram chamados à Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Sintra (CPCJ), mas, como não deram consentimento para atuação, o processo seguiu para o Ministério Público. Antes, na terça-feira, Rosário Farmhouse dissera que todas as famílias que participam no programa ‘Supernanny’ serão convocadas pelas comissões de proteção de crianças da sua área.

O objetivo, explicou, é avaliar as situações em causa e sensibilizar para a exposição pública a que estão a sujeitar os seus filhos.

A ação de tutela dos direitos da personalidade agora intentada pelo MP terá de ser decidida com urgência por um juiz. Este pode decretar de imediato o que o MP pede ou atentar àquilo que decerto a SIC solicitará — que sejam ouvidos os argumentos do canal, o que implicará adiamento da decisão. Uma vez que o próximo programa está anunciado para domingo, para que a ação do MP tenha efeito útil sobre este episódio terá de haver decisão entre hoje e amanhã.

Como o DN hoje noticiou, a SIC não está a identificar, nas promoções do mesmo que surgem na antena e no site do Supernanny, a família que iria participar no terceiro episódio. Nas promoções que estão a ser emitidas, anunciando o episódio de domingo, aparece apenas a psicóloga Teresa Paula Marques.

 

 

NOTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL Programa “Supernanny” Ministério Público

Janeiro 26, 2018 às 4:14 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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NOTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL

Programa “Supernanny”

Relativamente ao programa “Supernanny”, a Procuradoria-Geral da República esclarece:

O Ministério Público da área cível da comarca de Lisboa Oeste, em representação de crianças e jovens participantes no mesmo, interpôs uma ação especial de tutela da personalidade.

Nessa ação é pedido ao Tribunal que decrete, a título provisório e de imediato:

  •  Que seja retirado ou bloqueado o acesso a qualquer conteúdo dos programas já exibidos.
  • Que o programa a emitir no próximo domingo não seja exibido ou, caso o tribunal julgue mais adequado, que essa exibição fique condicionada à utilização de filtros de imagem e voz que evite a identificação das crianças.

Trata-se de uma decisão provisória e urgente. Sendo que o Ministério Público pede que, no final do processo, a mesma seja convertida em definitiva e que todos os eventuais futuros programas apenas possam ser exibidos nos moldes que o tribunal venha a determinar.

Não se trata de uma providência cautelar mas, como se referiu, de uma ação especial de tutela da personalidade, prevista nos arts.º 878.º e seguintes do Código de Processo Civil, a qual se reveste de natureza urgente.

Acrescenta-se que foram instaurados processos de promoção e proteção a favor das crianças participantes no programa, cuja identidade já se conhece.

No que respeita ao primeiro programa emitido, o Ministério Publico, na sequência de certidão enviada pela CPCJ de Loures, instaurou um inquérito para investigar factos susceptíveis de integrarem o crime de desobediência. Este inquérito corre termos no DIAP da comarca de Lisboa Oeste.

Lisboa, 26 de janeiro de 2018

O Gabinete de Imprensa

MP pede ao tribunal que SuperNanny deste domingo não seja exibido

Janeiro 26, 2018 às 3:46 pm | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 26 de janeiro de 2018.

O Ministério Público da área cível da comarca de Lisboa Oeste interpôs uma ação especial de tutela da personalidade

O Ministério Público pediu ao Tribunal “que decrete, a título provisório e de imediato, que seja retirado ou bloqueado o acesso a qualquer conteúdo dos programas já exibidos” de SuperNany e que “o programa a emitir no próximo domingo não seja exibido ou, caso o tribunal julgue mais adequado, que essa exibição fique condicionada à utilização de filtros de imagem e voz que evite a identificação das crianças”.

Em causa está o programa SuperNany, emitido pela SIC e que este domingo deverá ter a terceira emissão.

Num comunicado, a Procuradoria Geral da República informa que o Ministério Público da área cível da comarca de Lisboa Oeste, “em representação de crianças e jovens participantes no mesmo, interpôs uma ação especial de tutela da personalidade”.

A nota da PGR explica que se trata de “uma decisão provisória e urgente” e que o MP “pede que, no final do processo, a mesma seja convertida em definitiva e que todos os eventuais futuros programas apenas possam ser exibidos nos moldes que o tribunal venha a determinar”.

A Procuradoria acrescenta que “foram instaurados processos de promoção e proteção a favor das crianças participantes no programa, cuja identidade já se conhece”.

“No que respeita ao primeiro programa emitido, o Ministério Publico, na sequência de certidão enviada pela CPCJ de Loures, instaurou um inquérito para investigar factos susceptíveis de integrarem o crime de desobediência”, remata a nota.

Nota do Ministério Público:

NOTA PARA A COMUNICAÇÃO SOCIAL Programa “Supernanny”

 

Participação de Cláudia Manata do Outeiro do IAC no programa Linha Aberta, hoje na SIC pelas 19.10 h

Janeiro 26, 2018 às 2:00 pm | Publicado em CEDI, O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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A Dra. Cláudia Manata do Outeiro do IAC-CEDI (Centro de Documentação e Informação sobre a Criança), irá participar hoje no programa Linha Aberta, na SIC pelas 19.15 h. A temática que a Dra. Cláudia Manata do Outeiro irá abordar no programa será sobre os predadores sexuais online (Grooming online – aliciamento de crianças e jovens através da internet) e irá falar sobre a prevenção dos riscos online através do projeto “Alerta Premika! Risco online detectado”.

“Supernanny é inadmissível”, diz Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados

Janeiro 26, 2018 às 12:00 pm | Publicado em O IAC na comunicação social | Deixe um comentário
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Notícia do https://www.dn.pt/ de 22 de janeiro de 2018.

Fernanda Câncio

Trata-se de “uma violação desproporcionada dos direitos de personalidade dos menores”, diz secção da OA, que pondera “recorrer a outros métodos”

“A exposição mediática a que o programa sujeita os menores visados revela-se, do nosso ponto de vista, inadmissível e, quiçá, contraproducente. (…) Considera-se inadmissível na medida em que a transmissão televisiva da privacidade familiar para demonstração vívida dos comportamentos desadequados dos menores, ainda que consentida por quem exerce legitimamente as responsabilidades parentais, representa uma violação desproporcionada dos direitos de personalidade dos menores, em especial, do seu direito à reserva da intimidade da vida privada.”

É nestes termos duríssimos que a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados, em comunicado exarado hoje, classifica o programa da SIC Supernanny. Frisando considerar ser seu dever pronunciar-se sobre o mesmo, conclui: “Em face do exposto, a CDHQSAN espera que os direitos dos menores venham a ser devidamente sopesados, por forma a que a sua imagem e identidade não possam ser publicamente divulgadas pela comunicação social em conteúdos informativos ou de entretenimento semelhantes ao programa em causa.”

Mas o que espera em concreto esta secção da OA que suceda? “Que os órgãos de comunicação social envolvidos respondam no sentido de perceberem que disto podem resultar prejuízos irreversíveis para as crianças. Se assim não for, a comissão ponderará recorrer a outros métodos, a outras prerrogativas”, esclarece o presidente desta secção da OA, Alfredo Castanheira Neves. Que métodos e prerrogativas? “Por que não recorrer à intervenção do Provedor de Justiça e ao MP? Vamos ficar atentos e estamos na disposição desencadear o que estiver ao nosso alcance.” Porque, explica, apesar de terem chegado já à Provedoria de Justiça queixas sobre o programa, “uma coisa, com todo o respeito, são posições individuais, outra são posições institucionais.”

Quanto à possibilidade de ação junto do MP, sublinhando que não sabe se existe já um inquérito aberto, Castanheira Neves lembra que “compete ao MP a tutela dos direitos dos menores, a proteção dos seus direitos fundamentais. E a OA pode provocar a abertura de um inquérito, pode solicitar a intervenção do MP, dispondo da possibilidade de se constituir assistente. Está na esfera das nossas competências alertar para este tipo de situações.”

Patrocinador abandona programa

Esta tomada de posição da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados vem corroborar a de várias outras instituições sobre o formato, com relevo para a da Comissão Nacional de Promoção dos Direitos e Proteção de Crianças e Jovens, cuja presidente, Rosário Farmhouse, declarou ao Expresso que a posição da instituição iria endurecer em relação aos pais que permitam doravante a exposição das crianças no Supernanny. Recorde-se no entanto que a SIC ignorou o pedido da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Loures, área de residência da criança de sete anos retratada no primeiro episódio, emitido a 14 de janeiro, para que fossem retiradas de todas as plataformas a imagem da menor, e emitiu o segundo episódio ontem. Este conquistou o primeiro lugar nas audiências dos canais generalistas ao mesmo tempo que perdia o patrocinador, a marca de produtos para bebé Corine de Farme. A empresa que comercializa esta marca em Portugal tinha já, logo a seguir à emissão do primeiro episódio e perante a contestação, expressado a suas dúvidas: “O tumulto social em torno do mesmo não é compatível nem com a imagem da nossa empresa, nem com os nossos objetivos comerciais”. Uma perda financeira para a SIC que poderá ser compensada com o valor pedido pelos anúncios emitidos nos intervalos, já que o programa foi líder de audiências.

Contrastando com a posição da Comissão de Direitos Humanos da OA, o jurista Francisco Teixeira da Mota, conhecido pela sua defesa maximalista da liberdade de expressão, falava ontem no Público de “censura” a propósito da intervenção da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens de Loures, afirmando não ter visto no programa “nada que justifique atuações do Estado para além das que a Margarida [a criança retratada no primeiro episódio] e a sua família desejem”. Um pronunciamento que Castanheira Neves, certificando não querer comentar posições individuais, contraria: “Com todo o respeito, não concordo nada com essa perspetiva.”

A SIC anuncia para esta segunda-feira, no Jornal da Noite, um debate sobre o formato, conduzido pela jornalista Conceição Lino e com a participação da psicóloga que assume a personagem “supernanny” no programa, Teresa Paula Marques (em relação à qual a Ordem dos Psicólogos está a examinar várias queixas). Também participará Dulce Rocha, presidente da direção do Instituto de Apoio à Criança, que classificou o formato como uma violação dos direitos das crianças e requereu a suspensão do mesmo à Entidade Reguladora da Comunicação Social.

 

 

Quando for grande quero ser youtuber

Janeiro 26, 2018 às 6:00 am | Publicado em A criança na comunicação social | Deixe um comentário
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Texto do https://www.publico.pt/ de 16 de janeiro de 2018.

Esqueçam os jogadores de futebol, os cantores ou os apresentadores de televisão. A nova geração, quando crescer, quer ser youtuber, quer fazer vídeos que publica no canal YouTube, quer ter muitas visualizações e ganhar muito dinheiro. Impossível? Não. As crianças e os adolescentes vêem que já há quem, pouco mais velho do que elas, tenha casas e carros melhores do que os dos seus pais. Com um trabalho que parece ser divertido. E esse começa a ser o seu ideal de vida, revelam alguns pais, preocupados.

A realidade é que há youtubers portugueses com muito sucesso entre os que têm dos dez aos 15 anos de idade, que participam em eventos e são tratados como “estrelas internacionais”, conta Miguel Raposo, agente de “todos os youtubersque estão no top 10 do YouTube”, diz ao PÚBLICO. “Os youtubers são grandes influenciadores de uma camada mais jovem que segue e admira o seu trabalho”, define Sofia Monteiro, editora da Manuscrito, uma chancela da Presença.

“São novos, ricos, têm carros… A ideia que se passa é um apelo ao material. Há uma venda de valores que pode ser perigosa: ‘Tu podes ser famoso sem dominar a língua portuguesa’”, resume Ana Galvão, radialista que trocou recentemente a Antena 3 pela Rádio Renascença, ao PÚBLICO. Num post no Facebook publicado no início da semana passada, Ana Galvão denuncia “uma legião de jovens youtubers que estão a ensinar barbaridades aos nossos filhos”.

Sobre essas “barbaridades” já Nuno Markl, com quem a radialista tem um filho em comum, tinha escrito, no Facebook. Em causa um vídeo que o filho de oito anos vira em que um youtuber recomendava que, quando a mãe o acordasse para ir para a escola, a mandasse para o c… Markl ainda argumenta que aquele vídeo pode não ser para crianças de oito anos: “Então é para miúdos de quê? Catorze? Dezoito? Há uma idade em que a dica ‘manda a tua mãe para o c…’ já é aceitável?”, e conclui que lá em casa “acabaram-se os youtubers”.

Os posts de Ana Galvão e Nuno Markl, com milhares de reacções, abrem as portas a um universo que sobretudo os pais das crianças e dos adolescentes conhecem, o dos youtubers. Jovens que gravam vídeos e os colocam no YouTube à espera de milhares ou milhões de visualizações. Jovens que influenciam quem os vê. Alguns dos portugueses que actualmente estão no top 10 vivem juntos numa moradia de luxo com piscina em Alcochete. Alguns vieram do mundo dos videojogos, ou seja, antes eram conhecidos por estarem horas a jogar em directo para a Internet.

“Inicialmente, os youtubers estavam muito ligados aos videojogos, hoje em dia são entertainers. Falam de tudo”, explica Miguel Raposo, representante dos jovens da “Casa dos YouTubers”, mas também de músicos como Piruka, outro fenómeno do YouTube. O também autor do livro Torna-te Um Guru das Redes Sociais acrescenta: “Além dos temas e brincadeiras, eles partilham muito da vida pessoal e isso aproxima o público.”

Desvalorização dos meios tradicionais

As “brincadeiras” de que Raposo fala podem ser, segundo viu o PÚBLICO no YouTube, partidas que pregam, com gritos e palavões à mistura. O PÚBLICO tentou falar com vários youtubers, da casa e não só, mas apenas dois, que não fazem parte do top 10, aceitaram responder a algumas questões. Miguel Raposo justificou a recusa dos da “Casa dos YouTubers”: “O público deles não está na televisão ou nos jornais, e eles desvalorizam mesmo muito estes ‘meios’.”

No YouTube, num vídeo, Tiagovski, um dos youtubers com quem o PÚBLICO tentou falar, publicou um vídeo de 35 minutos em que tenta desconstruir a opinião de Ana Galvão e declara: “Desde há quase três meses, quase ninguém diz palavrões [entre] os maiores influenciadores, porque nós tentamos fazer um conteúdo family friendly.” Para logo a seguir quebrar o recorde: “Agora vou ser um bocadinho agressivo, mas para todos os pais que nos estão a ver, vocês não pensem que os vossos filhos não sabem o que é p…”, e dá início a uma lista de palavrões usados para designar os órgãos genitais masculinos e femininos. Se os meninos dizem asneiras ou desrespeitam os pais, “a culpa é dos pais. Os pais é que têm de educar nesse aspecto”, atira no vídeo com cerca de 83 mil visualizações.

Sobre o facto de os youtubers não saberem falar bem português, uma das acusações de Ana Galvão, Tiagovski contesta. “Duvido muito”, diz o jovem de 24 anos que revela manifesta dificuldade em ler o post da radialista; que diz “podamos” em vez de “possamos”; que por vezes não conjuga os verbos, por exemplo ao dizer “é os youtubers”, em vez de “são os youtubers”. Contudo, ressalva que não cabe aos youtubers ensinarem língua portuguesa.

O youtuber repete que é um influenciador, que o seu trabalho tem mais visualizações do que a rádio ou a televisão e que há “empresas, empresas, empresas e empresas” atrás deles por causa do alcance que têm, enumerando algumas do desporto e da tecnologia. Mais: paga Segurança Social e não foge ao fisco, sublinha. Miguel Raposo prefere não comentar os ganhos dos youtuber, mas conta que criou a BeInfluence só para os representar, os dos jogos, do entretenimento e, mais recentemente, da música.

Loucura, fanatismo e PSP

Os números do YouTube atestam o êxito que estes jovens têm. Mas se dúvidas houvesse, os eventos ao vivo confirmam-no. Esses “acabam por demonstrar a loucura e o fanatismo que os fãs sentem pelos youtubers”, declara Raposo, dando o exemplo do lançamento do livro de Wuant – autor do vídeo com o qual Galvão e Markl se insurgiram e que é o número 1 entre os youtubers – em Lisboa, há precisamente um ano. “A fila saía fora da Fnac e do próprio centro comercial. Fechámos a fila cinco minutos depois de começar a sessão”, conta, acrescentando que há outros casos como aquele no Porto em que foi preciso chamar a PSP para o mesmo youtuber conseguir sair. Este tem 2,6 milhões de subscritores.

Os youtubers influenciam quem os vê, mas nem sempre têm consciência disso. Pelo menos é o que diz Nurb, que começou há oito anos, cresceu com o seu público, fez carreira na televisão e na publicidade, e, hoje, não está entre os mais vistos. “Quando alguém me diz ‘na minha turma todos usávamos aquela expressão’, então penso que tinha influência”, recorda ao PÚBLICO. Mas, então, não tinha essa percepção. Fazia os seus vídeos – “tinha uma coisa para dizer e dizia” – sem pensar em quem os via. Hoje sente uma maior responsabilidade. “Mesmo que não queira, acabo por ter, porque se disser alguma coisa muito edge [no limite] posso ser mal interpretado.”

Por seu lado, Sea3PO é uma youtuber que se preocupa com o público, a que chama Seafam; e tem noção de que o influencia e de que isso “é uma responsabilidade gigante”. “Por isso mesmo, faço um esforço por ser positiva”, diz, acrescentando que pensa muito nos conteúdos, “exactamente pela influência que têm”. “Se sentir que um tema não é adequado ou não faz sentido, prefiro não o explorar.”

Beatriz e Hugo Rechena são pais de um menino de dez anos cujo sonho é ser youtuber, “como todos os amigos”, conta a mãe. “Há muitos youtubers na escola, são uma comunidade, partilham e divulgam o que fazem entre si, ajudam-se uns aos outros”, conta o pai. A família chegou a ir a um evento onde estavam os youtubers famosos, mas, perante as filas, desistiram. Um dia, viram um deles e Beatriz explicou ao menino que não iam incomodar o jovem porque estava a jantar. “São heróis”, resumem os pais. Ana Galvão concorda: “São corajosos, divertidos, têm uma vida que todos gostavam de ter.” Sea3PO prefere ver-se como “uma inspiração”.

Com todos os cuidados, Hugo Rechena, engenheiro informático, e a mulher, que trabalha na área da comunicação, deixaram o filho abrir um canal de YouTube. O menino – que não quer ser identificado nem neste artigo nem na Internet, onde aparece com uma máscara de Iron Man – assumiu o nome de Iron pt Vlog, e tem quase 90 subscritores. Naquele espaço-conversa, constrói coisas, faz truques de cartas ou de magia e até já fez um vídeo sobre um hotel onde passou um fim-de-semana em família. “E não foi patrocinado!”, brinca o pai. “Ele é muito criativo e não copia as temáticas dos youtubers que admira”, conta a mãe, que reconhece que a criança tímida se transforma por detrás da máscara, revelando desenvoltura, criatividade e sentido de humor.

O rapaz sabe que há uma linha que não pode atravessar, a da falta de educação. Todos os vídeos são vistos pelos pais antes de irem para o canal. “Existe uma pegada que deixamos na Internet e convém que, no futuro, ele olhe e não se envergonhe. Convém que o seu legado não o comprometa”, diz o pai. E também sabe que, se as notas baixarem, a sua carreira pode terminar. Entretanto, tem o apoio dos pais e fez um curso numa escola de programação.

Pais têm gap tecnológico

O interesse das crianças e dos adolescentes é crescente e não são só as grandes marcas, mas também as editoras, que o perceberam. “Os livros de youtubers são uma tendência editorial e ocupam os primeiros lugares dos tops infanto-juvenis”, responde Sofia Monteiro, da Marcador, que publicou os livros de Wuant (na 9.ª edição), Miguel Luz (7.ª edição), Inês Rochinha (4.ª edição) e vai publicar o da Sea3PO. “Como estamos ligados ao contexto escolar, não queremos editar algo cujos valores não são aqueles que defendemos. Preferimos livros mais educacionais”, responde Susana Baptista, da Porto Editora, que em Fevereiro vai publicar Quero Ser Uma YouTuber, da brasileira de 12 anos Júlia Silva, que começou aos seis anos e tem três milhões de subscritores no YouTube. Trata-se de um livro para crianças com conselhos sobre como criar um canal, que cuidados ter, como lidar com a fama; mas também para os pais. Estes “não conseguem estar em todo o lado, por isso é importante saberem como as coisas funcionam”, avalia Susana Baptista.

Sempre que o filho de Beatriz e Hugo Rechena está no YouTube, eles estão atentos, dizem. Por exemplo, nunca se vê nada com auscultadores postos, mas com o som audível. Mas isso não quer dizer que não possa ver coisas que os pais preferissem que não visse, sabem. Também Ana Galvão diz que o filho é “bastante controlado”, mas tal não significa que não veja com os amigos. “Não sou pela proibição de conteúdos, mas os pais têm de estar mais em cima disto”, defende a voz do programa da tarde da Renascença. Por exemplo, Ana e Beatriz descobriram, através dos filhos, que o YouTube também se pode ver pela televisão. “Temos um tremendo gap tecnológico em relação aos nossos filhos”, admite Ana Galvão.

No YouTube existem “filtros parentais”, assim como há a possibilidade de denunciar um vídeo. “O YouTube é um espaço para utilizadores com 13 ou mais anos”, informa Rui Carvalho, porta-voz da empresa em Portugal, acrescentando que existe a opção “modo restrito” que “permite às famílias filtrar mais os conteúdos”. Esta tem sido uma preocupação da empresa, que está a “investir significativamente na moderação de conteúdos”. A empresa não responde à pergunta se há denúncias a vídeos de youtubers portugueses.

“Temos de ter cuidado com o conteúdo e ver o que os nossos filhos estão a ‘ver’. É como deixar um filho andar na rua sozinho, temos de ter cuidado”, aconselha Miguel Raposo, o agente dos youtubers. “O controlo parental pode estar no nosso aparelho, mas não estar no de outro pai ou dos amigos”, observa Hugo Rechena. “Há pais que não sabem o que os filhos vêem ou que têm canais onde publicam vídeos”, acrescenta a mulher. O marido lembra as potencialidades que tem um smartphone, que os pais desconhecem. “Não devemos restringir, mas educar”, propõe. “E acompanhar”, complementa Beatriz Rechena.

 

 


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